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    Denise Rossi

    O Brasil que deu certo

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    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Brasil que deu certo

    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Brasil que deu certo

    O Brasil que deu certo

    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    Democracia Boleira

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    A democracia falhou no Brasil. Eu sei, é difícil aceitar. Mas o fato é que este experimento civilizatório, surgido na Grécia, consolidado nos frios Reino Unido e nos Estados Unidos, nunca poderia funcionar na terra do esquindô-esquindô, onde puta goza, traficante cheira, pobre vota na direita e filho de rico é fã do Crioulo.

    Mas não se preocupem! O fato de a democracia “tradicional” ter falhado por aqui não significa que nós somos um país ruim. Significa, sim, que somos diferentes. Temos características sociais, econômicas e históricas únicas — quase como aquele seu primo esquisitão, que fuma unzinho, compra roupa em brechó, usa um tênis de cada cor, tem um piercing no mamilo, etc. Você não quer que ele arranje um emprego “tradicional”, quer? Fight the power!

    Mas a questão não é o seu primo vagabundo.

    O Brasil está fadado ao fracasso a não ser que encontre seu caminho, um caminho único, que se encaixe em suas características. E é por isso que proponho um sistema de governo excepcional, adaptado para a realidade nacional, e capaz de nos colocar finalmente no hall das grandes nações.

    Senhores, lhes apresento a Democracia Boleira.

    O futebol é provavelmente experimento cultural mais bem sucedido de nossa pátria. De todas as coisas que importamos (o cinema, a literatura, o saneamento básico) é o único que aqui chegou, brotou e deu frutos. Nós inventamos um jeito único de jogar, invejado por muitos. Os jogadores de futebol brasileiros são disputados a tapa na Europa. Você consegue imaginar o mesmo acontecendo com um político brasileiro? Pois a Democracia Boleira unirá o melhor de dois sistemas num programa totalmente adaptado para o gosto nacional.

    Vamos à teoria:

    As eleições serão de três em três anos, onde iremos votar para presidente, deputados e senadores Até aí nada muito diferente. Mas políticos dividir-se-ão (preciso usar antes que caia) em chapas (esse negócio de partido claramente não funciona na terra das palmeiras onde canta o sabiá). Depois de assumir, o presidente deverá escolher entre civis de notório saber político um primeiro-ministro. É aí que a coisa pega:

    Será do primeiro-ministro a responsabilidade de escalar os ministérios, traçar planos econômicos, fazer substituições quando necessário e treinar jogadas ensaiadas. Uma das questões pivotais da Democracia Boleira será seu sistema de “checks-and-balances”: a cada mês o primeiro-ministro deverá dar uma coletiva de imprensa apresentando em números factíveis os resultados de seu governo. Por exemplo:

    — Neste mês nós tivemos três resultados positivos e cinco negativos. Perdemos por 3 x 5.

    A pressão popular será imprescindível para o bom funcionamento Democracia Boleira. O povo deverá, sempre que necessário, ir às ruas pedir a demissão do primeiro-ministro e sua substituição por outro mais arrojado — ou talvez mais defensivo, se estivermos no Rio Grande do Sul. Em pouco tempo teremos canais como o PolíticaTV, discussões de boteco sobre a taxa Selic e torcidas organizadas.

    O Brasil nasceu para a Democracia Boleira. Seu advento é a única forma de salvarmos a nação.

    Jotapê Jorge já teve discussões mais elevadas sobre o escanteio curto do que você sobre o “Fora, Temer!” Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

     

     

     

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    Democracia Boleira

    A democracia falhou no Brasil. Eu sei, é difícil aceitar. Mas o fato é que este experimento civilizatório, surgido na Grécia, consolidado nos frios Reino Unido e nos Estados Unidos, nunca poderia funcionar na terra do esquindô-esquindô, onde puta goza, traficante cheira, pobre vota na direita e filho de rico é fã do Crioulo.

    Mas não se preocupem! O fato de a democracia “tradicional” ter falhado por aqui não significa que nós somos um país ruim. Significa, sim, que somos diferentes. Temos características sociais, econômicas e históricas únicas — quase como aquele seu primo esquisitão, que fuma unzinho, compra roupa em brechó, usa um tênis de cada cor, tem um piercing no mamilo, etc. Você não quer que ele arranje um emprego “tradicional”, quer? Fight the power!

    Mas a questão não é o seu primo vagabundo.

    O Brasil está fadado ao fracasso a não ser que encontre seu caminho, um caminho único, que se encaixe em suas características. E é por isso que proponho um sistema de governo excepcional, adaptado para a realidade nacional, e capaz de nos colocar finalmente no hall das grandes nações.

    Senhores, lhes apresento a Democracia Boleira.

    O futebol é provavelmente experimento cultural mais bem sucedido de nossa pátria. De todas as coisas que importamos (o cinema, a literatura, o saneamento básico) é o único que aqui chegou, brotou e deu frutos. Nós inventamos um jeito único de jogar, invejado por muitos. Os jogadores de futebol brasileiros são disputados a tapa na Europa. Você consegue imaginar o mesmo acontecendo com um político brasileiro? Pois a Democracia Boleira unirá o melhor de dois sistemas num programa totalmente adaptado para o gosto nacional.

    Vamos à teoria:

    As eleições serão de três em três anos, onde iremos votar para presidente, deputados e senadores Até aí nada muito diferente. Mas políticos dividir-se-ão (preciso usar antes que caia) em chapas (esse negócio de partido claramente não funciona na terra das palmeiras onde canta o sabiá). Depois de assumir, o presidente deverá escolher entre civis de notório saber político um primeiro-ministro. É aí que a coisa pega:

    Será do primeiro-ministro a responsabilidade de escalar os ministérios, traçar planos econômicos, fazer substituições quando necessário e treinar jogadas ensaiadas. Uma das questões pivotais da Democracia Boleira será seu sistema de “checks-and-balances”: a cada mês o primeiro-ministro deverá dar uma coletiva de imprensa apresentando em números factíveis os resultados de seu governo. Por exemplo:

    — Neste mês nós tivemos três resultados positivos e cinco negativos. Perdemos por 3 x 5.

    A pressão popular será imprescindível para o bom funcionamento Democracia Boleira. O povo deverá, sempre que necessário, ir às ruas pedir a demissão do primeiro-ministro e sua substituição por outro mais arrojado — ou talvez mais defensivo, se estivermos no Rio Grande do Sul. Em pouco tempo teremos canais como o PolíticaTV, discussões de boteco sobre a taxa Selic e torcidas organizadas.

    O Brasil nasceu para a Democracia Boleira. Seu advento é a única forma de salvarmos a nação.

    Jotapê Jorge já teve discussões mais elevadas sobre o escanteio curto do que você sobre o “Fora, Temer!” Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

     

     

     

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    Democracia Boleira

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    Mas não se preocupem! O fato de a democracia “tradicional” ter falhado por aqui não significa que nós somos um país ruim. Significa, sim, que somos diferentes. Temos características sociais, econômicas e históricas únicas — quase como aquele seu primo esquisitão, que fuma unzinho, compra roupa em brechó, usa um tênis de cada cor, tem um piercing no mamilo, etc. Você não quer que ele arranje um emprego “tradicional”, quer? Fight the power!

    Mas a questão não é o seu primo vagabundo.

    O Brasil está fadado ao fracasso a não ser que encontre seu caminho, um caminho único, que se encaixe em suas características. E é por isso que proponho um sistema de governo excepcional, adaptado para a realidade nacional, e capaz de nos colocar finalmente no hall das grandes nações.

    Senhores, lhes apresento a Democracia Boleira.

    O futebol é provavelmente experimento cultural mais bem sucedido de nossa pátria. De todas as coisas que importamos (o cinema, a literatura, o saneamento básico) é o único que aqui chegou, brotou e deu frutos. Nós inventamos um jeito único de jogar, invejado por muitos. Os jogadores de futebol brasileiros são disputados a tapa na Europa. Você consegue imaginar o mesmo acontecendo com um político brasileiro? Pois a Democracia Boleira unirá o melhor de dois sistemas num programa totalmente adaptado para o gosto nacional.

    Vamos à teoria:

    As eleições serão de três em três anos, onde iremos votar para presidente, deputados e senadores Até aí nada muito diferente. Mas políticos dividir-se-ão (preciso usar antes que caia) em chapas (esse negócio de partido claramente não funciona na terra das palmeiras onde canta o sabiá). Depois de assumir, o presidente deverá escolher entre civis de notório saber político um primeiro-ministro. É aí que a coisa pega:

    Será do primeiro-ministro a responsabilidade de escalar os ministérios, traçar planos econômicos, fazer substituições quando necessário e treinar jogadas ensaiadas. Uma das questões pivotais da Democracia Boleira será seu sistema de “checks-and-balances”: a cada mês o primeiro-ministro deverá dar uma coletiva de imprensa apresentando em números factíveis os resultados de seu governo. Por exemplo:

    — Neste mês nós tivemos três resultados positivos e cinco negativos. Perdemos por 3 x 5.

    A pressão popular será imprescindível para o bom funcionamento Democracia Boleira. O povo deverá, sempre que necessário, ir às ruas pedir a demissão do primeiro-ministro e sua substituição por outro mais arrojado — ou talvez mais defensivo, se estivermos no Rio Grande do Sul. Em pouco tempo teremos canais como o PolíticaTV, discussões de boteco sobre a taxa Selic e torcidas organizadas.

    O Brasil nasceu para a Democracia Boleira. Seu advento é a única forma de salvarmos a nação.

    Jotapê Jorge já teve discussões mais elevadas sobre o escanteio curto do que você sobre o “Fora, Temer!” Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

     

     

     

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    Moro sabia que Lula sabia que VOCÊ é idiota

    BdHyVue

    Há quem as chame de fake news, há quem diga que são “fatos alternativos”, mas a verdade é que, depois da bala “mágica” de John Kennedy e muito depois da naturalização de Adolf Hitler como “Adolfo Hitlerón”, as teorias da conspiração voltaram à moda. E o Brasil, que demorou séculos para adotar o “estado democrático de direito” e “saneamento básico”, já aderiu com sanha canina à prática de inventar groselhas.

    Você já deve ter lido várias no “zap-zap”. Mas a realidade  é que nem Moro queria prender Lula, e muito menos Lula queimou as provas que levariam à sua prisão. A verdade, ó, a doce verdade!, é muito mais tenebrosa. Tenho aqui em mãos um documento exclusivo. É a transcrição de uma conversa telefônica entre figuras da mais alta roda da República que revelam o começo do fim. Mas, cuidado. Ao ler isso você será cúmplice, e passará a ser perseguido pela Abin (o que, você queria que a CIA, a KGB e o M16 se importassem com nossas macaquices? Vê se cresce, irmão!)

    Pois, stultus est qui similis Ioannes Doricas, vamos aos fatos:

    Novembro de 2009, noite. A alta cúpula do PIB (Partido Iluminati do Brasil) se reúne. Sentados à mesa estão Luís Inácio Lula da Silva, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Gretchen, o ET de Varginha, José Sarney, Sílvio Santos, Pelé, e Galvão Bueno (representando a Globo). Em pauta as eleições de dali um ano e a que previsão de que o neo-desenvolvimentismo proposto pelo governo petista (também conhecido como “capitalismo compadrista”) é insustentável, um carro correndo para um muro, o proverbial cachorro correndo atrás do rabo.

    — E eu não quero essa porra estourando na minha mão, caralho! — berrou Lula.

    — A realidade é que é impossível o país viver com este crescente deficit no setor público. É preciso fazer uma série de reformas — diz, timidamente, a cantora Gretchen.

    — Ah, mas assim é fácil, né? Querem foder comigo? Querem comer meu cu? Se eu fizer porra de caralho de reforma os companheiros vão querer me linchar. Porra.

    Dezembro do mesmo ano. Manhã. Galvão Bueno telefona para José Sarney:

    — Beeeeeeeeeeem amigos do Maranhão! Voltamos em definitivo com uma solução para o estado da nação.

    — Galvão, amigo, o povo está contigo. A vida, é bela, menos da favela. Me conte, agora, e não deixe nada fora. Amigo, Galvão, qual é a solução?

    — Para economia não naufragar agora não é possível. A física não permite! Mas esse frango não pode vir do governo Lula. A solução é… Espera que eu vou botar um amigo na linha… Casão, me conta, como você mudaria o jogo?

    — Éééé… Às vezes a gente tem que jogar para trás. Bota uma bucha de canhão e deixa estourar com ela. Aí depois a gente põe outra pessoa bem impopular para atacar na hora da reforma e o Lulão volta fácil em 2018.

    — Casão, jogador, você é um amor. Ideia, gigante, e veio de um falante! Galvão, amado, muito obrigado. Mas Galvão, que mania, quem será que aceitaria? Assim, do nada, terminar impichada?

    Dia 23 de dezembro, beira-mar:

    — Companheira Dilma, querida, eu tenho uma proposta para te fazer– diz Lula, com um brilho nos olhos.

    Jotapê Jorge só diz a verdade. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Há quem as chame de fake news, há quem diga que são “fatos alternativos”, mas a verdade é que, depois da bala “mágica” de John Kennedy e muito depois da naturalização de Adolf Hitler como “Adolfo Hitlerón”, as teorias da conspiração voltaram à moda. E o Brasil, que demorou séculos para adotar o “estado democrático de direito” e “saneamento básico”, já aderiu com sanha canina à prática de inventar groselhas.

    Você já deve ter lido várias no “zap-zap”. Mas a realidade  é que nem Moro queria prender Lula, e muito menos Lula queimou as provas que levariam à sua prisão. A verdade, ó, a doce verdade!, é muito mais tenebrosa. Tenho aqui em mãos um documento exclusivo. É a transcrição de uma conversa telefônica entre figuras da mais alta roda da República que revelam o começo do fim. Mas, cuidado. Ao ler isso você será cúmplice, e passará a ser perseguido pela Abin (o que, você queria que a CIA, a KGB e o M16 se importassem com nossas macaquices? Vê se cresce, irmão!)

    Pois, stultus est qui similis Ioannes Doricas, vamos aos fatos:

    Novembro de 2009, noite. A alta cúpula do PIB (Partido Iluminati do Brasil) se reúne. Sentados à mesa estão Luís Inácio Lula da Silva, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Gretchen, o ET de Varginha, José Sarney, Sílvio Santos, Pelé, e Galvão Bueno (representando a Globo). Em pauta as eleições de dali um ano e a que previsão de que o neo-desenvolvimentismo proposto pelo governo petista (também conhecido como “capitalismo compadrista”) é insustentável, um carro correndo para um muro, o proverbial cachorro correndo atrás do rabo.

    — E eu não quero essa porra estourando na minha mão, caralho! — berrou Lula.

    — A realidade é que é impossível o país viver com este crescente deficit no setor público. É preciso fazer uma série de reformas — diz, timidamente, a cantora Gretchen.

    — Ah, mas assim é fácil, né? Querem foder comigo? Querem comer meu cu? Se eu fizer porra de caralho de reforma os companheiros vão querer me linchar. Porra.

    Dezembro do mesmo ano. Manhã. Galvão Bueno telefona para José Sarney:

    — Beeeeeeeeeeem amigos do Maranhão! Voltamos em definitivo com uma solução para o estado da nação.

    — Galvão, amigo, o povo está contigo. A vida, é bela, menos da favela. Me conte, agora, e não deixe nada fora. Amigo, Galvão, qual é a solução?

    — Para economia não naufragar agora não é possível. A física não permite! Mas esse frango não pode vir do governo Lula. A solução é… Espera que eu vou botar um amigo na linha… Casão, me conta, como você mudaria o jogo?

    — Éééé… Às vezes a gente tem que jogar para trás. Bota uma bucha de canhão e deixa estourar com ela. Aí depois a gente põe outra pessoa bem impopular para atacar na hora da reforma e o Lulão volta fácil em 2018.

    — Casão, jogador, você é um amor. Ideia, gigante, e veio de um falante! Galvão, amado, muito obrigado. Mas Galvão, que mania, quem será que aceitaria? Assim, do nada, terminar impichada?

    Dia 23 de dezembro, beira-mar:

    — Companheira Dilma, querida, eu tenho uma proposta para te fazer– diz Lula, com um brilho nos olhos.

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    Você já deve ter lido várias no “zap-zap”. Mas a realidade  é que nem Moro queria prender Lula, e muito menos Lula queimou as provas que levariam à sua prisão. A verdade, ó, a doce verdade!, é muito mais tenebrosa. Tenho aqui em mãos um documento exclusivo. É a transcrição de uma conversa telefônica entre figuras da mais alta roda da República que revelam o começo do fim. Mas, cuidado. Ao ler isso você será cúmplice, e passará a ser perseguido pela Abin (o que, você queria que a CIA, a KGB e o M16 se importassem com nossas macaquices? Vê se cresce, irmão!)

    Pois, stultus est qui similis Ioannes Doricas, vamos aos fatos:

    Novembro de 2009, noite. A alta cúpula do PIB (Partido Iluminati do Brasil) se reúne. Sentados à mesa estão Luís Inácio Lula da Silva, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Gretchen, o ET de Varginha, José Sarney, Sílvio Santos, Pelé, e Galvão Bueno (representando a Globo). Em pauta as eleições de dali um ano e a que previsão de que o neo-desenvolvimentismo proposto pelo governo petista (também conhecido como “capitalismo compadrista”) é insustentável, um carro correndo para um muro, o proverbial cachorro correndo atrás do rabo.

    — E eu não quero essa porra estourando na minha mão, caralho! — berrou Lula.

    — A realidade é que é impossível o país viver com este crescente deficit no setor público. É preciso fazer uma série de reformas — diz, timidamente, a cantora Gretchen.

    — Ah, mas assim é fácil, né? Querem foder comigo? Querem comer meu cu? Se eu fizer porra de caralho de reforma os companheiros vão querer me linchar. Porra.

    Dezembro do mesmo ano. Manhã. Galvão Bueno telefona para José Sarney:

    — Beeeeeeeeeeem amigos do Maranhão! Voltamos em definitivo com uma solução para o estado da nação.

    — Galvão, amigo, o povo está contigo. A vida, é bela, menos da favela. Me conte, agora, e não deixe nada fora. Amigo, Galvão, qual é a solução?

    — Para economia não naufragar agora não é possível. A física não permite! Mas esse frango não pode vir do governo Lula. A solução é… Espera que eu vou botar um amigo na linha… Casão, me conta, como você mudaria o jogo?

    — Éééé… Às vezes a gente tem que jogar para trás. Bota uma bucha de canhão e deixa estourar com ela. Aí depois a gente põe outra pessoa bem impopular para atacar na hora da reforma e o Lulão volta fácil em 2018.

    — Casão, jogador, você é um amor. Ideia, gigante, e veio de um falante! Galvão, amado, muito obrigado. Mas Galvão, que mania, quem será que aceitaria? Assim, do nada, terminar impichada?

    Dia 23 de dezembro, beira-mar:

    — Companheira Dilma, querida, eu tenho uma proposta para te fazer– diz Lula, com um brilho nos olhos.

    Jotapê Jorge só diz a verdade. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Como era gostosa a minha ditadura!

    sargento-pincel

    O ano é 2017, mas o Brasil vive em etéreo estado de nostalgia pelo ano de 1964. Não, eu não estou falando de panacas como o Jair Bolsonaro, gente tão burra que não percebe que no tempo que levaria para os milicos levantaram da cama, tirarem seus pijamas, tomarem o remédio para artrite e vestirem o fardão, Temer-lo-ei já não seria mais presidente, tornando-se então apenas uma figura apagada nos livros de história — um Café Filho, por assim dizer.

    O tipo mais estupido de viúva da Ditadura é o esquerdista-médio-brasileiro. Sim, aquele mesmo do “você praça acho graça”.

    Essa gente a-do-ra a Ditadura. O esquerdista brasileiro da minha geração, aquele que teve o azar de nascer numa democracia, lê os relatos da luta armada com a mesma sofreguidão que um adolescente inglês lê sobre os cavaleiros do rei Arthur. No fundo nós queríamos estar lá naquele congresso da UNE em Ibiúna comendo galeto e tomando chope com um belo e garboso José Dirceu, ou fazer parte de um aparelho e roubar bancos contra o capitalismo. Isso sem falar no privilégio de viver o auge de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ele. Sim. Confesse: todos nós já sonhamos em estar lá no Teatro Paramount quando Ele subiu ao palco para cantar Roda Viva com o MPB4.

    A democracia tem muitas falhas. A principal dela é que nós temos de sentar e ouvir a opinião dos outros. Quem quer isso? É muito mais legal gritar “viva a revolução!” A democracia também é muito chata. Metódica, até. A cada dois anos a gente vai a uma cabina de votação e aperta uns botõezinhos — bip, bop, piriririm. Parabéns, você votou. Cadê a graça nisso? Legal era na época da Ditadura, quando votar era tão raro que tinha gente querendo. Além do mais, naquela época a gente podia ir para rua e lutar por algo que fosse factível (a volta da democracia). As pautas de hoje são muito complexas: PEC trezentos e quantos? Reforma do quê? Fora, quem? De quebra se você pixar “Abaixo a Ditadura!”  João Dória aparece e te pinta de cinza.

    Nossa sorte é que há um golpe em marcha no Brasil. É um golpe com letra minúscula, claro. Enquanto o de 1964 teve tanques na rua, deputados caçados, quebra de continuidade democrática, este seguiu todos os ritos previstos na Constituição, manteve o vice-presidente (ou “presidento”, segundo algumas correntes teóricas) e até já teve eleições — sim, nós elegemos o Marcelo Crivella, mas o fato de um povo não saber votar não anula sua democracia.

    O bom desse golpe de mentirinha é que com ele a gente pode viver todas as nossas fantasias (gritar, espernear, escrever artigo na Folha de S. Paulo e até mesmo viajar para o México para fazer uma “denúncia do golpe”) sem correr o risco de se pendurado num pau-de-arara no DOI-CODI. O melhor de tudo: podemos fazer isso sem deixar transparecer que somos apenas uns mimados idiotas de classe média e sem talento, com um broche do “Fora, Temer!” no bar Capivara às 3h da manhã.

    Jotapê Jorge não faz greve porque não tem emprego. Ele escreve por aqui toda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Como era gostosa a minha ditadura!

    O ano é 2017, mas o Brasil vive em etéreo estado de nostalgia pelo ano de 1964. Não, eu não estou falando de panacas como o Jair Bolsonaro, gente tão burra que não percebe que no tempo que levaria para os milicos levantaram da cama, tirarem seus pijamas, tomarem o remédio para artrite e vestirem o fardão, Temer-lo-ei já não seria mais presidente, tornando-se então apenas uma figura apagada nos livros de história — um Café Filho, por assim dizer.

    O tipo mais estupido de viúva da Ditadura é o esquerdista-médio-brasileiro. Sim, aquele mesmo do “você praça acho graça”.

    Essa gente a-do-ra a Ditadura. O esquerdista brasileiro da minha geração, aquele que teve o azar de nascer numa democracia, lê os relatos da luta armada com a mesma sofreguidão que um adolescente inglês lê sobre os cavaleiros do rei Arthur. No fundo nós queríamos estar lá naquele congresso da UNE em Ibiúna comendo galeto e tomando chope com um belo e garboso José Dirceu, ou fazer parte de um aparelho e roubar bancos contra o capitalismo. Isso sem falar no privilégio de viver o auge de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ele. Sim. Confesse: todos nós já sonhamos em estar lá no Teatro Paramount quando Ele subiu ao palco para cantar Roda Viva com o MPB4.

    A democracia tem muitas falhas. A principal dela é que nós temos de sentar e ouvir a opinião dos outros. Quem quer isso? É muito mais legal gritar “viva a revolução!” A democracia também é muito chata. Metódica, até. A cada dois anos a gente vai a uma cabina de votação e aperta uns botõezinhos — bip, bop, piriririm. Parabéns, você votou. Cadê a graça nisso? Legal era na época da Ditadura, quando votar era tão raro que tinha gente querendo. Além do mais, naquela época a gente podia ir para rua e lutar por algo que fosse factível (a volta da democracia). As pautas de hoje são muito complexas: PEC trezentos e quantos? Reforma do quê? Fora, quem? De quebra se você pixar “Abaixo a Ditadura!”  João Dória aparece e te pinta de cinza.

    Nossa sorte é que há um golpe em marcha no Brasil. É um golpe com letra minúscula, claro. Enquanto o de 1964 teve tanques na rua, deputados caçados, quebra de continuidade democrática, este seguiu todos os ritos previstos na Constituição, manteve o vice-presidente (ou “presidento”, segundo algumas correntes teóricas) e até já teve eleições — sim, nós elegemos o Marcelo Crivella, mas o fato de um povo não saber votar não anula sua democracia.

    O bom desse golpe de mentirinha é que com ele a gente pode viver todas as nossas fantasias (gritar, espernear, escrever artigo na Folha de S. Paulo e até mesmo viajar para o México para fazer uma “denúncia do golpe”) sem correr o risco de se pendurado num pau-de-arara no DOI-CODI. O melhor de tudo: podemos fazer isso sem deixar transparecer que somos apenas uns mimados idiotas de classe média e sem talento, com um broche do “Fora, Temer!” no bar Capivara às 3h da manhã.

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    O tipo mais estupido de viúva da Ditadura é o esquerdista-médio-brasileiro. Sim, aquele mesmo do “você praça acho graça”.

    Essa gente a-do-ra a Ditadura. O esquerdista brasileiro da minha geração, aquele que teve o azar de nascer numa democracia, lê os relatos da luta armada com a mesma sofreguidão que um adolescente inglês lê sobre os cavaleiros do rei Arthur. No fundo nós queríamos estar lá naquele congresso da UNE em Ibiúna comendo galeto e tomando chope com um belo e garboso José Dirceu, ou fazer parte de um aparelho e roubar bancos contra o capitalismo. Isso sem falar no privilégio de viver o auge de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ele. Sim. Confesse: todos nós já sonhamos em estar lá no Teatro Paramount quando Ele subiu ao palco para cantar Roda Viva com o MPB4.

    A democracia tem muitas falhas. A principal dela é que nós temos de sentar e ouvir a opinião dos outros. Quem quer isso? É muito mais legal gritar “viva a revolução!” A democracia também é muito chata. Metódica, até. A cada dois anos a gente vai a uma cabina de votação e aperta uns botõezinhos — bip, bop, piriririm. Parabéns, você votou. Cadê a graça nisso? Legal era na época da Ditadura, quando votar era tão raro que tinha gente querendo. Além do mais, naquela época a gente podia ir para rua e lutar por algo que fosse factível (a volta da democracia). As pautas de hoje são muito complexas: PEC trezentos e quantos? Reforma do quê? Fora, quem? De quebra se você pixar “Abaixo a Ditadura!”  João Dória aparece e te pinta de cinza.

    Nossa sorte é que há um golpe em marcha no Brasil. É um golpe com letra minúscula, claro. Enquanto o de 1964 teve tanques na rua, deputados caçados, quebra de continuidade democrática, este seguiu todos os ritos previstos na Constituição, manteve o vice-presidente (ou “presidento”, segundo algumas correntes teóricas) e até já teve eleições — sim, nós elegemos o Marcelo Crivella, mas o fato de um povo não saber votar não anula sua democracia.

    O bom desse golpe de mentirinha é que com ele a gente pode viver todas as nossas fantasias (gritar, espernear, escrever artigo na Folha de S. Paulo e até mesmo viajar para o México para fazer uma “denúncia do golpe”) sem correr o risco de se pendurado num pau-de-arara no DOI-CODI. O melhor de tudo: podemos fazer isso sem deixar transparecer que somos apenas uns mimados idiotas de classe média e sem talento, com um broche do “Fora, Temer!” no bar Capivara às 3h da manhã.

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    As reformas de Temer e o gatoamor

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    Muito já se falou sobre as reformas GOLPISTAS do governo feio, sujo, bobo, mau e porcalhão do presidento Michel Temer-lo-ei e como estas afetam a vida não apenas dos trabalhadores, mas também dos blogueiros progressistas, dos cineastas-lei-Rouanet e das moças que frequentam o bar Capivara às 3h da manhã e a balada Mondo Pensante Confraria de Ideias para bailar Cícero.

    Mas e nós, gatoamoristas deste Brasil?

    Contextualizando

    Em 1500 o nobre português Pedro de Paula Miguel Rafael Serafim Cipriano Rodrigues Alves de Deus e Cabral deixou Portugal por uma casinha em Porto Seguro onde adotou o nome de Pedroca das Miçangas e foi viver de vender artesanato feito com as coisas que a natureza nos dá. A partir de então e pelos 517 anos seguintes o Brasil viveu entre a civilização, a barbárie e os desmandos da família Sarney.

    As reformas e a vida da classe trabalhadora

    Se aprovadas as reformas são uma queda brutal na qualidade de vida dos trabalhadores gatoamoristas, não apenas porque o Whiskas está pela hora da morte, mas porque toda a velhinha tem pelo menos um gato, e como elas farão para alimentar o Gatucho, o Gaturro, o Bolinha, o Bolota, a Blanquita, a Mel e o Amarelo com essa aposentadoria de fome?

    Se do ponto dos explorados isso é terrível, do ponto de vista dos oprimidos e explorados é ainda pior. Todo mundo sabe que nós gatoamoristas sofremos um preconceito velado nesta sociedade canino-cêntrica.  A situação dos gatoamoristas é análoga à dos poliamoristas com o agravante de que nossas uniões não são reconhecidas.

    Gatoamoristas e as consequências da reforma

    Nós gatoamoristas sofreremos um ataque específico com as reformas de Temer-lo-ei, pois será extremamente difícil manter um gato em casa. Como se sabe os cachorros são muito mais baratos, já que estes se alimentam de sobras, ao contrário da minha Lulu, que só come ração premium sabor salmão. Além disso, com o aumento da instabilidade muitos terão de pegar um cachorro mau para defender sua residência e um outro babão para ir passear no parque (já que este será o único  entretenimento gratuito).

    No âmbito do trabalho seremos obrigados a nos esconder ainda mais, correndo o risco de sofrer chantagem de colegas cachorroistas, chefes e patrões, piorando nossas condições e abrindo margem para o aumento do assédio que já sofremos por preferir ver Netflix com o Sr. Bola de Neve a ir naquela balada super-prafrentexzzzZzzZZzzzz.

    E a qual é a saída?

    Por isso é imprescindível que estejamos todos juntos no dia 28 na Greve Geral. Nós gatoamoristas devemos mostrar para a classe canino-cêntrica que nós existimos e que sofremos com a gatofobia. O melhor momento para isso é agora.

    Jotapê Jorge é pai da Aomame e do Teobaldo, os gatos ali da foto. Ele escreve por aqui toda a sexta (menos nos feriados, pois ninguém é de ferro), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    As reformas de Temer e o gatoamor

    Muito já se falou sobre as reformas GOLPISTAS do governo feio, sujo, bobo, mau e porcalhão do presidento Michel Temer-lo-ei e como estas afetam a vida não apenas dos trabalhadores, mas também dos blogueiros progressistas, dos cineastas-lei-Rouanet e das moças que frequentam o bar Capivara às 3h da manhã e a balada Mondo Pensante Confraria de Ideias para bailar Cícero.

    Mas e nós, gatoamoristas deste Brasil?

    Contextualizando

    Em 1500 o nobre português Pedro de Paula Miguel Rafael Serafim Cipriano Rodrigues Alves de Deus e Cabral deixou Portugal por uma casinha em Porto Seguro onde adotou o nome de Pedroca das Miçangas e foi viver de vender artesanato feito com as coisas que a natureza nos dá. A partir de então e pelos 517 anos seguintes o Brasil viveu entre a civilização, a barbárie e os desmandos da família Sarney.

    As reformas e a vida da classe trabalhadora

    Se aprovadas as reformas são uma queda brutal na qualidade de vida dos trabalhadores gatoamoristas, não apenas porque o Whiskas está pela hora da morte, mas porque toda a velhinha tem pelo menos um gato, e como elas farão para alimentar o Gatucho, o Gaturro, o Bolinha, o Bolota, a Blanquita, a Mel e o Amarelo com essa aposentadoria de fome?

    Se do ponto dos explorados isso é terrível, do ponto de vista dos oprimidos e explorados é ainda pior. Todo mundo sabe que nós gatoamoristas sofremos um preconceito velado nesta sociedade canino-cêntrica.  A situação dos gatoamoristas é análoga à dos poliamoristas com o agravante de que nossas uniões não são reconhecidas.

    Gatoamoristas e as consequências da reforma

    Nós gatoamoristas sofreremos um ataque específico com as reformas de Temer-lo-ei, pois será extremamente difícil manter um gato em casa. Como se sabe os cachorros são muito mais baratos, já que estes se alimentam de sobras, ao contrário da minha Lulu, que só come ração premium sabor salmão. Além disso, com o aumento da instabilidade muitos terão de pegar um cachorro mau para defender sua residência e um outro babão para ir passear no parque (já que este será o único  entretenimento gratuito).

    No âmbito do trabalho seremos obrigados a nos esconder ainda mais, correndo o risco de sofrer chantagem de colegas cachorroistas, chefes e patrões, piorando nossas condições e abrindo margem para o aumento do assédio que já sofremos por preferir ver Netflix com o Sr. Bola de Neve a ir naquela balada super-prafrentexzzzZzzZZzzzz.

    E a qual é a saída?

    Por isso é imprescindível que estejamos todos juntos no dia 28 na Greve Geral. Nós gatoamoristas devemos mostrar para a classe canino-cêntrica que nós existimos e que sofremos com a gatofobia. O melhor momento para isso é agora.

    Jotapê Jorge é pai da Aomame e do Teobaldo, os gatos ali da foto. Ele escreve por aqui toda a sexta (menos nos feriados, pois ninguém é de ferro), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    As reformas de Temer e o gatoamor

    Muito já se falou sobre as reformas GOLPISTAS do governo feio, sujo, bobo, mau e porcalhão do presidento Michel Temer-lo-ei e como estas afetam a vida não apenas dos trabalhadores, mas também dos blogueiros progressistas, dos cineastas-lei-Rouanet e das moças que frequentam o bar Capivara às 3h da manhã e a balada Mondo Pensante Confraria de Ideias para bailar Cícero.

    Mas e nós, gatoamoristas deste Brasil?

    Contextualizando

    Em 1500 o nobre português Pedro de Paula Miguel Rafael Serafim Cipriano Rodrigues Alves de Deus e Cabral deixou Portugal por uma casinha em Porto Seguro onde adotou o nome de Pedroca das Miçangas e foi viver de vender artesanato feito com as coisas que a natureza nos dá. A partir de então e pelos 517 anos seguintes o Brasil viveu entre a civilização, a barbárie e os desmandos da família Sarney.

    As reformas e a vida da classe trabalhadora

    Se aprovadas as reformas são uma queda brutal na qualidade de vida dos trabalhadores gatoamoristas, não apenas porque o Whiskas está pela hora da morte, mas porque toda a velhinha tem pelo menos um gato, e como elas farão para alimentar o Gatucho, o Gaturro, o Bolinha, o Bolota, a Blanquita, a Mel e o Amarelo com essa aposentadoria de fome?

    Se do ponto dos explorados isso é terrível, do ponto de vista dos oprimidos e explorados é ainda pior. Todo mundo sabe que nós gatoamoristas sofremos um preconceito velado nesta sociedade canino-cêntrica.  A situação dos gatoamoristas é análoga à dos poliamoristas com o agravante de que nossas uniões não são reconhecidas.

    Gatoamoristas e as consequências da reforma

    Nós gatoamoristas sofreremos um ataque específico com as reformas de Temer-lo-ei, pois será extremamente difícil manter um gato em casa. Como se sabe os cachorros são muito mais baratos, já que estes se alimentam de sobras, ao contrário da minha Lulu, que só come ração premium sabor salmão. Além disso, com o aumento da instabilidade muitos terão de pegar um cachorro mau para defender sua residência e um outro babão para ir passear no parque (já que este será o único  entretenimento gratuito).

    No âmbito do trabalho seremos obrigados a nos esconder ainda mais, correndo o risco de sofrer chantagem de colegas cachorroistas, chefes e patrões, piorando nossas condições e abrindo margem para o aumento do assédio que já sofremos por preferir ver Netflix com o Sr. Bola de Neve a ir naquela balada super-prafrentexzzzZzzZZzzzz.

    E a qual é a saída?

    Por isso é imprescindível que estejamos todos juntos no dia 28 na Greve Geral. Nós gatoamoristas devemos mostrar para a classe canino-cêntrica que nós existimos e que sofremos com a gatofobia. O melhor momento para isso é agora.

    Jotapê Jorge é pai da Aomame e do Teobaldo, os gatos ali da foto. Ele escreve por aqui toda a sexta (menos nos feriados, pois ninguém é de ferro), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    O Doria é ruim SIM!

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    – Bem amigos do República dos Bananas, senhoras e senhores da plateia! Ou devo dizer… Senhorxs e senhorxs? Bom, hoje vamos presenciar um confronto dos mais aguardados. É hoje que tiraremos  a dúvida de quem foi o melhor prefeito de São Paulo. Do lado esquerdo, com 1,89m e pesando quase 100kg, o muso do Paraíso e ex-campeão… Feeeeernaaaaandoooo “El Gato” Haddad!

    (Parte plateia vai ao delírio, a outra grita “vai para Cuba!”)

    — E do lado direito, com 1,55 de altura e 65kg bem distribuídos num terno Armani, o atual detentor do cinturão de prefeito de São Paulo… Jooooããão “Ken Humano” Doria!

    (O restante da plateia vai à loucura, a outra grita “você praça acho graça!”)

     

    Se você já se vê fazendo pipoca para acompanhar este embate, ligando para os amigos, convidando-os para a sua casa, fazendo discussões acalorados sobre o “pound-for-pound” destes dois incríveis lutadores e juntando estatísticas para defender um ou outro. Parabéns! Você é um idiota. Afinal, a resposta sobre quem é melhor para ser prefeito de São Paulo, se um cara de classe média ou um cara ligeiramente mais de classe média, se alguém com propostas populistas sobre bicicleta ou se alguém com propostas populistas sobre pixo é… Bem…

    Os fãs do Haddad eram chatos, mas o do Doria, meu Jesus Cristinho. O cabra mal foi eleito e já está alçado ao patamar de divindade. Tem gente por aí (pasmem!) cogitando-o para a presidência da República (que pensando bem não é algo tão ridículo — afinal, até a Dilma conseguiu) sendo que tudo o que Doria fez  foi se fantasiar e pintar uns muros de cinza. Ah, isso e mandar as pessoas “passearem em Curitiba”, o que me parece um desserviço ao setor hoteleiro paulistano. Dizem que ele “resolveu a saúde”, o que por si só poderia indicar um pacto com o TEMER (digo, o demo). Mas quem diz isso é inevitavelmente doriana e nunca foi numa UPS, por isso acho o dado difícil de engolir.

    Doria, com todas as suas bravatas, não faz nada além de irritar a esquerda. Há quem ache o suficiente. Devem morar em uma cidade sem buracos nas ruas, em que algo tão corriqueiro quanto uma chuva não traz o caos, a psicopatia e a demência, onde a passagem de ônibus é barata e eles andam no horário, cheia de parques e atividades culturais…

    Não. Doria não é prefeito de Berlim. E por isso mesmo acho que ele faz um administração bem bunda. Mas sou minoria. O povo ama Doria, ama Lula e ama Bolsonaro. Pois, céus!, tem gente que ainda ama a Dilma! O brasileiro, esteja ele nos grotões do Nordeste lambendo rapadura ou comendo caviar e tomando champagne para bridar um encontro nos Jardins é burro de dar dó. A gente em pleno 2017, século 21, pós-comunismo e pós-modernidade, com uma guerra na Síria e um Trump na Casa Branca ainda têm a pachorra de idolatrar político!

    Jotapê Jorge não expõe suas convicções políticas, que são íntimas e respeitosas. Também não é coxinha e nem mortadela, apenas Jotapê Jorge. Ele escreve por aqui  oda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

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    O Doria é ruim SIM!

    – Bem amigos do República dos Bananas, senhoras e senhores da plateia! Ou devo dizer… Senhorxs e senhorxs? Bom, hoje vamos presenciar um confronto dos mais aguardados. É hoje que tiraremos  a dúvida de quem foi o melhor prefeito de São Paulo. Do lado esquerdo, com 1,89m e pesando quase 100kg, o muso do Paraíso e ex-campeão… Feeeeernaaaaandoooo “El Gato” Haddad!

    (Parte plateia vai ao delírio, a outra grita “vai para Cuba!”)

    — E do lado direito, com 1,55 de altura e 65kg bem distribuídos num terno Armani, o atual detentor do cinturão de prefeito de São Paulo… Jooooããão “Ken Humano” Doria!

    (O restante da plateia vai à loucura, a outra grita “você praça acho graça!”)

     

    Se você já se vê fazendo pipoca para acompanhar este embate, ligando para os amigos, convidando-os para a sua casa, fazendo discussões acalorados sobre o “pound-for-pound” destes dois incríveis lutadores e juntando estatísticas para defender um ou outro. Parabéns! Você é um idiota. Afinal, a resposta sobre quem é melhor para ser prefeito de São Paulo, se um cara de classe média ou um cara ligeiramente mais de classe média, se alguém com propostas populistas sobre bicicleta ou se alguém com propostas populistas sobre pixo é… Bem…

    Os fãs do Haddad eram chatos, mas o do Doria, meu Jesus Cristinho. O cabra mal foi eleito e já está alçado ao patamar de divindade. Tem gente por aí (pasmem!) cogitando-o para a presidência da República (que pensando bem não é algo tão ridículo — afinal, até a Dilma conseguiu) sendo que tudo o que Doria fez  foi se fantasiar e pintar uns muros de cinza. Ah, isso e mandar as pessoas “passearem em Curitiba”, o que me parece um desserviço ao setor hoteleiro paulistano. Dizem que ele “resolveu a saúde”, o que por si só poderia indicar um pacto com o TEMER (digo, o demo). Mas quem diz isso é inevitavelmente doriana e nunca foi numa UPS, por isso acho o dado difícil de engolir.

    Doria, com todas as suas bravatas, não faz nada além de irritar a esquerda. Há quem ache o suficiente. Devem morar em uma cidade sem buracos nas ruas, em que algo tão corriqueiro quanto uma chuva não traz o caos, a psicopatia e a demência, onde a passagem de ônibus é barata e eles andam no horário, cheia de parques e atividades culturais…

    Não. Doria não é prefeito de Berlim. E por isso mesmo acho que ele faz um administração bem bunda. Mas sou minoria. O povo ama Doria, ama Lula e ama Bolsonaro. Pois, céus!, tem gente que ainda ama a Dilma! O brasileiro, esteja ele nos grotões do Nordeste lambendo rapadura ou comendo caviar e tomando champagne para bridar um encontro nos Jardins é burro de dar dó. A gente em pleno 2017, século 21, pós-comunismo e pós-modernidade, com uma guerra na Síria e um Trump na Casa Branca ainda têm a pachorra de idolatrar político!

    Jotapê Jorge não expõe suas convicções políticas, que são íntimas e respeitosas. Também não é coxinha e nem mortadela, apenas Jotapê Jorge. Ele escreve por aqui  oda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

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    (Parte plateia vai ao delírio, a outra grita “vai para Cuba!”)

    — E do lado direito, com 1,55 de altura e 65kg bem distribuídos num terno Armani, o atual detentor do cinturão de prefeito de São Paulo… Jooooããão “Ken Humano” Doria!

    (O restante da plateia vai à loucura, a outra grita “você praça acho graça!”)

     

    Se você já se vê fazendo pipoca para acompanhar este embate, ligando para os amigos, convidando-os para a sua casa, fazendo discussões acalorados sobre o “pound-for-pound” destes dois incríveis lutadores e juntando estatísticas para defender um ou outro. Parabéns! Você é um idiota. Afinal, a resposta sobre quem é melhor para ser prefeito de São Paulo, se um cara de classe média ou um cara ligeiramente mais de classe média, se alguém com propostas populistas sobre bicicleta ou se alguém com propostas populistas sobre pixo é… Bem…

    Os fãs do Haddad eram chatos, mas o do Doria, meu Jesus Cristinho. O cabra mal foi eleito e já está alçado ao patamar de divindade. Tem gente por aí (pasmem!) cogitando-o para a presidência da República (que pensando bem não é algo tão ridículo — afinal, até a Dilma conseguiu) sendo que tudo o que Doria fez  foi se fantasiar e pintar uns muros de cinza. Ah, isso e mandar as pessoas “passearem em Curitiba”, o que me parece um desserviço ao setor hoteleiro paulistano. Dizem que ele “resolveu a saúde”, o que por si só poderia indicar um pacto com o TEMER (digo, o demo). Mas quem diz isso é inevitavelmente doriana e nunca foi numa UPS, por isso acho o dado difícil de engolir.

    Doria, com todas as suas bravatas, não faz nada além de irritar a esquerda. Há quem ache o suficiente. Devem morar em uma cidade sem buracos nas ruas, em que algo tão corriqueiro quanto uma chuva não traz o caos, a psicopatia e a demência, onde a passagem de ônibus é barata e eles andam no horário, cheia de parques e atividades culturais…

    Não. Doria não é prefeito de Berlim. E por isso mesmo acho que ele faz um administração bem bunda. Mas sou minoria. O povo ama Doria, ama Lula e ama Bolsonaro. Pois, céus!, tem gente que ainda ama a Dilma! O brasileiro, esteja ele nos grotões do Nordeste lambendo rapadura ou comendo caviar e tomando champagne para bridar um encontro nos Jardins é burro de dar dó. A gente em pleno 2017, século 21, pós-comunismo e pós-modernidade, com uma guerra na Síria e um Trump na Casa Branca ainda têm a pachorra de idolatrar político!

    Jotapê Jorge não expõe suas convicções políticas, que são íntimas e respeitosas. Também não é coxinha e nem mortadela, apenas Jotapê Jorge. Ele escreve por aqui  oda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

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    Não alimentem o Doria

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    “Não alimentem o troll” é uma velha máxima da internet. Se você não conhece, tatue-a já na sua testa e leia alto três vezes de manhã enquanto estiver escovando os dentes, pois é uma “regra de ouro” não apenas para o mundo virtual, mas também no convívio social real, do encontro deste sábado à noite ao jantar com sua sogra no domingo.

    O ditado significa basicamente “não dê atenção para aquele palhaço com a melancia no pescoço”. E não há nenhum palhaço com uma melancia maior no pescoço do que o prefeito de São Paulo João Doria. E olha que a disputa é acirrada. O presidento golpisto Michel Temer é um que parece fazer burradas só para aparecer na televisão consertando-lo-as em discursos parnasianos e o antecessor de Doria, o “gato” Fernando Haddad, criou tanta melancia só para aparecer e governou tão pouco que levou uma lavada homérica nas eleições do ano passado. O coitado até perdeu o rumo de casa, e é visto com frequência nos arredores do metrô Paraíso pedindo indicações.

    Mas Doria leva a política da trollagem a um outro nível. Todo o seu “projeto de governo” desde o primeiro dia da campanha teve o objetivo de: a) irritar a esquerda b) fazer a esquerda escrever textão no Face c) usar o textão da esquerda para promover-se com a direita. Basta olhar suas promessas de campanha: aumentar a velocidade das marginais, diminuir as ciclofaixas, privatizar parques. Não são apenas temas polêmicos: são temas que fazem salivar qualquer estudante de humanas barbudinho que vai à faculdade de chinelo, usa camiseta escrito “La Venezuela Grita!” e tem um coletivo artístico. E, olha, se tem uma coisa que me faz repensar um tema é um texto de  um estudante de humanas barbudinho que vai à faculdade de chinelo, usa camiseta escrito “La Venezuela Grita!” e tem um coletivo artístico. Sempre contra a opinião do estudante.

    E Doria continua. Sua “guerra” contra os pixadores mobilizou a esquerda e fez a direita se sentir orgulhosa de um prefeito de São Paulo pela primeira vez em anos. Reparem: não é sobre “o pixo é arte”, ou se é melhor uma cidade colorida à cinza (como se isso importasse numa cidade de 12 milhões de habitantes sem rede de esgoto universal). A questão é que no mundo polarizado de 2017 não importa se o seu lado está certo. O que importa é ter um lado. Doria sabe disso e te faz de palhaço, seja você o que late contra suas fantasias de gari ou, pior, se você é o que o acha o must.

    A única solução para políticos como Doria (e pelo jeito eles serão cada vez mais comuns nos anos vindouros) é ignorá-los. Você. É, você mesmo, com o botton “Fora, Temer!” Posso dar uma sugestão? Não alimente o Doria.

    Jotapê Jorge é um estudante de humanas barbudinho. Ele escreve por aqui (quase) toda a sexta, no Twitter (quase) todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Não alimentem o Doria

    “Não alimentem o troll” é uma velha máxima da internet. Se você não conhece, tatue-a já na sua testa e leia alto três vezes de manhã enquanto estiver escovando os dentes, pois é uma “regra de ouro” não apenas para o mundo virtual, mas também no convívio social real, do encontro deste sábado à noite ao jantar com sua sogra no domingo.

    O ditado significa basicamente “não dê atenção para aquele palhaço com a melancia no pescoço”. E não há nenhum palhaço com uma melancia maior no pescoço do que o prefeito de São Paulo João Doria. E olha que a disputa é acirrada. O presidento golpisto Michel Temer é um que parece fazer burradas só para aparecer na televisão consertando-lo-as em discursos parnasianos e o antecessor de Doria, o “gato” Fernando Haddad, criou tanta melancia só para aparecer e governou tão pouco que levou uma lavada homérica nas eleições do ano passado. O coitado até perdeu o rumo de casa, e é visto com frequência nos arredores do metrô Paraíso pedindo indicações.

    Mas Doria leva a política da trollagem a um outro nível. Todo o seu “projeto de governo” desde o primeiro dia da campanha teve o objetivo de: a) irritar a esquerda b) fazer a esquerda escrever textão no Face c) usar o textão da esquerda para promover-se com a direita. Basta olhar suas promessas de campanha: aumentar a velocidade das marginais, diminuir as ciclofaixas, privatizar parques. Não são apenas temas polêmicos: são temas que fazem salivar qualquer estudante de humanas barbudinho que vai à faculdade de chinelo, usa camiseta escrito “La Venezuela Grita!” e tem um coletivo artístico. E, olha, se tem uma coisa que me faz repensar um tema é um texto de  um estudante de humanas barbudinho que vai à faculdade de chinelo, usa camiseta escrito “La Venezuela Grita!” e tem um coletivo artístico. Sempre contra a opinião do estudante.

    E Doria continua. Sua “guerra” contra os pixadores mobilizou a esquerda e fez a direita se sentir orgulhosa de um prefeito de São Paulo pela primeira vez em anos. Reparem: não é sobre “o pixo é arte”, ou se é melhor uma cidade colorida à cinza (como se isso importasse numa cidade de 12 milhões de habitantes sem rede de esgoto universal). A questão é que no mundo polarizado de 2017 não importa se o seu lado está certo. O que importa é ter um lado. Doria sabe disso e te faz de palhaço, seja você o que late contra suas fantasias de gari ou, pior, se você é o que o acha o must.

    A única solução para políticos como Doria (e pelo jeito eles serão cada vez mais comuns nos anos vindouros) é ignorá-los. Você. É, você mesmo, com o botton “Fora, Temer!” Posso dar uma sugestão? Não alimente o Doria.

    Jotapê Jorge é um estudante de humanas barbudinho. Ele escreve por aqui (quase) toda a sexta, no Twitter (quase) todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Não alimentem o Doria

    Não alimentem o Doria

    “Não alimentem o troll” é uma velha máxima da internet. Se você não conhece, tatue-a já na sua testa e leia alto três vezes de manhã enquanto estiver escovando os dentes, pois é uma “regra de ouro” não apenas para o mundo virtual, mas também no convívio social real, do encontro deste sábado à noite ao jantar com sua sogra no domingo.

    O ditado significa basicamente “não dê atenção para aquele palhaço com a melancia no pescoço”. E não há nenhum palhaço com uma melancia maior no pescoço do que o prefeito de São Paulo João Doria. E olha que a disputa é acirrada. O presidento golpisto Michel Temer é um que parece fazer burradas só para aparecer na televisão consertando-lo-as em discursos parnasianos e o antecessor de Doria, o “gato” Fernando Haddad, criou tanta melancia só para aparecer e governou tão pouco que levou uma lavada homérica nas eleições do ano passado. O coitado até perdeu o rumo de casa, e é visto com frequência nos arredores do metrô Paraíso pedindo indicações.

    Mas Doria leva a política da trollagem a um outro nível. Todo o seu “projeto de governo” desde o primeiro dia da campanha teve o objetivo de: a) irritar a esquerda b) fazer a esquerda escrever textão no Face c) usar o textão da esquerda para promover-se com a direita. Basta olhar suas promessas de campanha: aumentar a velocidade das marginais, diminuir as ciclofaixas, privatizar parques. Não são apenas temas polêmicos: são temas que fazem salivar qualquer estudante de humanas barbudinho que vai à faculdade de chinelo, usa camiseta escrito “La Venezuela Grita!” e tem um coletivo artístico. E, olha, se tem uma coisa que me faz repensar um tema é um texto de  um estudante de humanas barbudinho que vai à faculdade de chinelo, usa camiseta escrito “La Venezuela Grita!” e tem um coletivo artístico. Sempre contra a opinião do estudante.

    E Doria continua. Sua “guerra” contra os pixadores mobilizou a esquerda e fez a direita se sentir orgulhosa de um prefeito de São Paulo pela primeira vez em anos. Reparem: não é sobre “o pixo é arte”, ou se é melhor uma cidade colorida à cinza (como se isso importasse numa cidade de 12 milhões de habitantes sem rede de esgoto universal). A questão é que no mundo polarizado de 2017 não importa se o seu lado está certo. O que importa é ter um lado. Doria sabe disso e te faz de palhaço, seja você o que late contra suas fantasias de gari ou, pior, se você é o que o acha o must.

    A única solução para políticos como Doria (e pelo jeito eles serão cada vez mais comuns nos anos vindouros) é ignorá-los. Você. É, você mesmo, com o botton “Fora, Temer!” Posso dar uma sugestão? Não alimente o Doria.

    Jotapê Jorge é um estudante de humanas barbudinho. Ele escreve por aqui (quase) toda a sexta, no Twitter (quase) todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Rebeldes com causa (para causar)

    causar

    A juventude já foi sem causa. Lembram? Foi na época “romântica”, quando James Dean saía zunindo com sua Triumph e inspirando faniquitos em normalistas e rapazes de jaqueta de couro (principalmente nestes). A juventude também já foi “com causa”. Foi nos tempos em que o Zé Dirceu tinha cabelo ao vento e reunia a gente jovem para comer galeto e tomar chope em Ibiúna. Esta fase durou mais ou menos até o final dos anos 1990, com os eco-chatos do Greenpeace.

    Hoje  a juventude é “rebelde com causa para causar”.  Explico. O “rebelde com causa para causar”  não precisa ter ideologia. Basta pegar uma causa (qualquer causa: da Palestina à porra de um turbante) e usá-la para chamar a atenção. Em inglês o “rebelde com causa para causar” (doravante chamado de or-ccpc, porque eu não sou obrigado) é conhecido como “attention whore”. Quer saber se você é um or-ccpc? Fácil: se achou  este termo machista, misógino e uma evidência do papel subserviente da mulher perante o macho na nossa sociedade latino-americana pós-moderna, parabéns, você é um or-ccpc!

    O or-ccpc também é conhecido como “Zé Tretinha”, pois adora uma treta nas redes sociais. Um típico or-ccpc posta no Twitter que  “o BBB é o ópio deste povo miserável manipulado pelas Corporações Globo. Ainda bem que eu não tenho TV!”, logo depois de você dizer que adora o programa. Ou que “o Big Brother é uma amostra da cultura real brasileira. O Brasil-verdade que normalmente não acha espaço nos nossos círculos acadêmicos” se você achar o programa uma bosta. Porque para o or-ccpc o BBB não importa. O importante é causar.

    Quando um or-ccpc posta um texto no Facebook ele não está querendo expor de forma dialética uma tese. Ele está querendo causar. Sempre que você responde um textão de um or-ccpc, seja com um argumento razoável, seja com um “vai tomar no teu cu, babaca!” você perdeu. O or-ccpc se alimenta destas pequenas polêmicas. O or-ccpc posta um textão e fica até as 3h da madrugada dando F5 para ver se alguém respondeu. Isso quando or-ccpc não tem uma coluna no jornal.

    Mas e engana quem acha que or-ccpc tem ideologia. Não, meus caros. O or-ccpc não é nem de esquerda, nem de direita. Or-ccpc não leu nem Marx e muito menos Smith. O or-ccpc não leu sequer E.L. James. Quer um grande exemplo de or-ccpc “de direita”?  O atual presidente dos Estados Unidos da América Donald Trump. Nosso amigo Donnie não sabe muito sobre coisa alguma, mas chegou à presidência causando no Twitter. Sua subida ao poder mostra que a ideologia or-ccpc venceu.

    Jotapê Jorge é um or-ccpc e causa aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Ele tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler.

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    Rebeldes com causa (para causar)

    A juventude já foi sem causa. Lembram? Foi na época “romântica”, quando James Dean saía zunindo com sua Triumph e inspirando faniquitos em normalistas e rapazes de jaqueta de couro (principalmente nestes). A juventude também já foi “com causa”. Foi nos tempos em que o Zé Dirceu tinha cabelo ao vento e reunia a gente jovem para comer galeto e tomar chope em Ibiúna. Esta fase durou mais ou menos até o final dos anos 1990, com os eco-chatos do Greenpeace.

    Hoje  a juventude é “rebelde com causa para causar”.  Explico. O “rebelde com causa para causar”  não precisa ter ideologia. Basta pegar uma causa (qualquer causa: da Palestina à porra de um turbante) e usá-la para chamar a atenção. Em inglês o “rebelde com causa para causar” (doravante chamado de or-ccpc, porque eu não sou obrigado) é conhecido como “attention whore”. Quer saber se você é um or-ccpc? Fácil: se achou  este termo machista, misógino e uma evidência do papel subserviente da mulher perante o macho na nossa sociedade latino-americana pós-moderna, parabéns, você é um or-ccpc!

    O or-ccpc também é conhecido como “Zé Tretinha”, pois adora uma treta nas redes sociais. Um típico or-ccpc posta no Twitter que  “o BBB é o ópio deste povo miserável manipulado pelas Corporações Globo. Ainda bem que eu não tenho TV!”, logo depois de você dizer que adora o programa. Ou que “o Big Brother é uma amostra da cultura real brasileira. O Brasil-verdade que normalmente não acha espaço nos nossos círculos acadêmicos” se você achar o programa uma bosta. Porque para o or-ccpc o BBB não importa. O importante é causar.

    Quando um or-ccpc posta um texto no Facebook ele não está querendo expor de forma dialética uma tese. Ele está querendo causar. Sempre que você responde um textão de um or-ccpc, seja com um argumento razoável, seja com um “vai tomar no teu cu, babaca!” você perdeu. O or-ccpc se alimenta destas pequenas polêmicas. O or-ccpc posta um textão e fica até as 3h da madrugada dando F5 para ver se alguém respondeu. Isso quando or-ccpc não tem uma coluna no jornal.

    Mas e engana quem acha que or-ccpc tem ideologia. Não, meus caros. O or-ccpc não é nem de esquerda, nem de direita. Or-ccpc não leu nem Marx e muito menos Smith. O or-ccpc não leu sequer E.L. James. Quer um grande exemplo de or-ccpc “de direita”?  O atual presidente dos Estados Unidos da América Donald Trump. Nosso amigo Donnie não sabe muito sobre coisa alguma, mas chegou à presidência causando no Twitter. Sua subida ao poder mostra que a ideologia or-ccpc venceu.

    Jotapê Jorge é um or-ccpc e causa aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Ele tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler.

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    Rebeldes com causa (para causar)

    Rebeldes com causa (para causar)

    A juventude já foi sem causa. Lembram? Foi na época “romântica”, quando James Dean saía zunindo com sua Triumph e inspirando faniquitos em normalistas e rapazes de jaqueta de couro (principalmente nestes). A juventude também já foi “com causa”. Foi nos tempos em que o Zé Dirceu tinha cabelo ao vento e reunia a gente jovem para comer galeto e tomar chope em Ibiúna. Esta fase durou mais ou menos até o final dos anos 1990, com os eco-chatos do Greenpeace.

    Hoje  a juventude é “rebelde com causa para causar”.  Explico. O “rebelde com causa para causar”  não precisa ter ideologia. Basta pegar uma causa (qualquer causa: da Palestina à porra de um turbante) e usá-la para chamar a atenção. Em inglês o “rebelde com causa para causar” (doravante chamado de or-ccpc, porque eu não sou obrigado) é conhecido como “attention whore”. Quer saber se você é um or-ccpc? Fácil: se achou  este termo machista, misógino e uma evidência do papel subserviente da mulher perante o macho na nossa sociedade latino-americana pós-moderna, parabéns, você é um or-ccpc!

    O or-ccpc também é conhecido como “Zé Tretinha”, pois adora uma treta nas redes sociais. Um típico or-ccpc posta no Twitter que  “o BBB é o ópio deste povo miserável manipulado pelas Corporações Globo. Ainda bem que eu não tenho TV!”, logo depois de você dizer que adora o programa. Ou que “o Big Brother é uma amostra da cultura real brasileira. O Brasil-verdade que normalmente não acha espaço nos nossos círculos acadêmicos” se você achar o programa uma bosta. Porque para o or-ccpc o BBB não importa. O importante é causar.

    Quando um or-ccpc posta um texto no Facebook ele não está querendo expor de forma dialética uma tese. Ele está querendo causar. Sempre que você responde um textão de um or-ccpc, seja com um argumento razoável, seja com um “vai tomar no teu cu, babaca!” você perdeu. O or-ccpc se alimenta destas pequenas polêmicas. O or-ccpc posta um textão e fica até as 3h da madrugada dando F5 para ver se alguém respondeu. Isso quando or-ccpc não tem uma coluna no jornal.

    Mas e engana quem acha que or-ccpc tem ideologia. Não, meus caros. O or-ccpc não é nem de esquerda, nem de direita. Or-ccpc não leu nem Marx e muito menos Smith. O or-ccpc não leu sequer E.L. James. Quer um grande exemplo de or-ccpc “de direita”?  O atual presidente dos Estados Unidos da América Donald Trump. Nosso amigo Donnie não sabe muito sobre coisa alguma, mas chegou à presidência causando no Twitter. Sua subida ao poder mostra que a ideologia or-ccpc venceu.

    Jotapê Jorge é um or-ccpc e causa aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Ele tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler.

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    Precisamos falar sobre a problematização

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    Ninguém aguenta mais a problematização! Quer dizer, não “ninguém”, pois ninguém denota a ausência do indivíduo, que é a pessoa humana, seja ela negra ou branca ou cis ou trans, e ela merece um espaço. Bem… Nenhuma ser humano… Mas “ser humano” também exclui a pessoa animal, o que seria um especismo. Vamos lá: nada aguenta mais… Só que “nada” é o contrário do “ser”, e tudo “é”, sejam as plantas, as pedras ou as flores.

    Cansei.

    Mas o problematizador nunca cansa. Para ele um charuto nunca é apenas um charuto. Aliás, o charuto é tudo (um objeto fálico, uma arma letal da indústria tabagista, um exemplo de como nossa sociedade excluí as mulheres, um símbolo das ideias antiquadas de Sigmund Freud) menos um charuto.

    Para o problematizador não existe gente que  gosta de sexo casual. Existe o alossexual (provavelmente de “alô, vamos transar?”) e o demissexual. Para o problematizador não há o pão nosso de cada dia, pois o pão é um alimento opressivo para os portadores de doença celíaca, e esta terminologia judaico-cristã exclui os praticantes das religiões afro… Mas não existe religião afro, é afro-brasileira. E na verdade o termo afro-brasileira é uma apropriação cultural e…

    Chega.

    O problematizador quer, na verdade, cagar-regra e se sentir superior.O problematizador sempre vai estar no seu churrasco quando você disser que recebeu uma fotografia do “negão da piroca”. O problematizador acha o “negão da piroca” mais uma desumanização da sociedade eurocêntrica contra o povo negro (se isso é desumanização, onde eu assino?). O problematizador chama o “negão da piroca” de “afro-descendente do genital avantajado”.

    O problematizador acha que o turbante… Na verdade eu me recuso a dizer o que ele acha sobre o turbante, porque corro o risco de perder umas duas dezenas de milhares de neurônios.

     

    No mundo problematizado não existimos “nós” pessoas. Tampouco existem “eu” e “você”. O que existem são o “eu-trans-hetero-negro-alossexual-1,71-cristão” e “você-cis-gay-branco-demissexual-1,65-umbandista”. Se parece meio fascista é porque é. Nada é pior no mundo problematizado do que a individualidade.

    No fim o problema da problematização é problemático pois não tem fim. A problematização não encontra limites. É como um tentar desembaraçar um fio de luzinhas de Natal — embora para o problematizador a luzinha de Natal seja um desperdício de recursos imateriais da mãe Terra e o Natal um festival religioso incompatível com uma sociedade laica.

    Jotapê Jorge problematiza aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Ele tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler.

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    Precisamos falar sobre a problematização

    Ninguém aguenta mais a problematização! Quer dizer, não “ninguém”, pois ninguém denota a ausência do indivíduo, que é a pessoa humana, seja ela negra ou branca ou cis ou trans, e ela merece um espaço. Bem… Nenhuma ser humano… Mas “ser humano” também exclui a pessoa animal, o que seria um especismo. Vamos lá: nada aguenta mais… Só que “nada” é o contrário do “ser”, e tudo “é”, sejam as plantas, as pedras ou as flores.

    Cansei.

    Mas o problematizador nunca cansa. Para ele um charuto nunca é apenas um charuto. Aliás, o charuto é tudo (um objeto fálico, uma arma letal da indústria tabagista, um exemplo de como nossa sociedade excluí as mulheres, um símbolo das ideias antiquadas de Sigmund Freud) menos um charuto.

    Para o problematizador não existe gente que  gosta de sexo casual. Existe o alossexual (provavelmente de “alô, vamos transar?”) e o demissexual. Para o problematizador não há o pão nosso de cada dia, pois o pão é um alimento opressivo para os portadores de doença celíaca, e esta terminologia judaico-cristã exclui os praticantes das religiões afro… Mas não existe religião afro, é afro-brasileira. E na verdade o termo afro-brasileira é uma apropriação cultural e…

    Chega.

    O problematizador quer, na verdade, cagar-regra e se sentir superior.O problematizador sempre vai estar no seu churrasco quando você disser que recebeu uma fotografia do “negão da piroca”. O problematizador acha o “negão da piroca” mais uma desumanização da sociedade eurocêntrica contra o povo negro (se isso é desumanização, onde eu assino?). O problematizador chama o “negão da piroca” de “afro-descendente do genital avantajado”.

    O problematizador acha que o turbante… Na verdade eu me recuso a dizer o que ele acha sobre o turbante, porque corro o risco de perder umas duas dezenas de milhares de neurônios.

     

    No mundo problematizado não existimos “nós” pessoas. Tampouco existem “eu” e “você”. O que existem são o “eu-trans-hetero-negro-alossexual-1,71-cristão” e “você-cis-gay-branco-demissexual-1,65-umbandista”. Se parece meio fascista é porque é. Nada é pior no mundo problematizado do que a individualidade.

    No fim o problema da problematização é problemático pois não tem fim. A problematização não encontra limites. É como um tentar desembaraçar um fio de luzinhas de Natal — embora para o problematizador a luzinha de Natal seja um desperdício de recursos imateriais da mãe Terra e o Natal um festival religioso incompatível com uma sociedade laica.

    Jotapê Jorge problematiza aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Ele tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler.

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    Precisamos falar sobre a problematização

    Ninguém aguenta mais a problematização! Quer dizer, não “ninguém”, pois ninguém denota a ausência do indivíduo, que é a pessoa humana, seja ela negra ou branca ou cis ou trans, e ela merece um espaço. Bem… Nenhuma ser humano… Mas “ser humano” também exclui a pessoa animal, o que seria um especismo. Vamos lá: nada aguenta mais… Só que “nada” é o contrário do “ser”, e tudo “é”, sejam as plantas, as pedras ou as flores.

    Cansei.

    Mas o problematizador nunca cansa. Para ele um charuto nunca é apenas um charuto. Aliás, o charuto é tudo (um objeto fálico, uma arma letal da indústria tabagista, um exemplo de como nossa sociedade excluí as mulheres, um símbolo das ideias antiquadas de Sigmund Freud) menos um charuto.

    Para o problematizador não existe gente que  gosta de sexo casual. Existe o alossexual (provavelmente de “alô, vamos transar?”) e o demissexual. Para o problematizador não há o pão nosso de cada dia, pois o pão é um alimento opressivo para os portadores de doença celíaca, e esta terminologia judaico-cristã exclui os praticantes das religiões afro… Mas não existe religião afro, é afro-brasileira. E na verdade o termo afro-brasileira é uma apropriação cultural e…

    Chega.

    O problematizador quer, na verdade, cagar-regra e se sentir superior.O problematizador sempre vai estar no seu churrasco quando você disser que recebeu uma fotografia do “negão da piroca”. O problematizador acha o “negão da piroca” mais uma desumanização da sociedade eurocêntrica contra o povo negro (se isso é desumanização, onde eu assino?). O problematizador chama o “negão da piroca” de “afro-descendente do genital avantajado”.

    O problematizador acha que o turbante… Na verdade eu me recuso a dizer o que ele acha sobre o turbante, porque corro o risco de perder umas duas dezenas de milhares de neurônios.

     

    No mundo problematizado não existimos “nós” pessoas. Tampouco existem “eu” e “você”. O que existem são o “eu-trans-hetero-negro-alossexual-1,71-cristão” e “você-cis-gay-branco-demissexual-1,65-umbandista”. Se parece meio fascista é porque é. Nada é pior no mundo problematizado do que a individualidade.

    No fim o problema da problematização é problemático pois não tem fim. A problematização não encontra limites. É como um tentar desembaraçar um fio de luzinhas de Natal — embora para o problematizador a luzinha de Natal seja um desperdício de recursos imateriais da mãe Terra e o Natal um festival religioso incompatível com uma sociedade laica.

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    Ninguém gosta de Carnaval

    sujeira-carnaval2014-greve-garis

    Dos aspectos ridículos da minha geração — os textinhos para pegar mulher, a admiração por Gregorio Duvivier, o “Fora, Temer!” como cantada  — nada é mais estúpido do que essa babação abjeta pelo Carnaval. Vamos e convenhamos, ninguém gosta de Carnaval. Nem o Jamelão. Nem o seu Leandro de Itaquera. Nem a velha guarda da Portela. O Carnaval é um saco.

    Você já foi a um bloco de Carnaval? É o mais próximo que um país civilizado (ahem) já chegou do apocalipse zumbi. Acompanhar um bloco e ver a miríade de latas de cerveja no chão e aquela juventude caminhando vidrada, vomitando e desesperada, às vezes de cócoras ou deitada sobre poças de sujeita… É digno de um filme de guerra do Oliver Stone. O pior é que ninguém está realmente se divertindo. Não há como se divertir.

    Normalmente você gosta de cerveja quente? E de música ruim? E de Catuaba? Não. Ninguém gosta de nenhuma dessas coisas. Então por que raios nós nos sujeitamos a tudo isso no Carnaval? “Porque o carnaval é lúdico”, dirá algum millennial estúpido. Eles a-do-ram o Carnaval, pois adoram tudo que é “assim brasileiro mesmo. Essa coisa de retomar a rua, de gritar que estamos aqui, que a arte é maior que o tédio, sabe?”

    Mas os millennials gostam de Carnaval por todos os motivos errados. É por isso que, no fundo, eles querem destruir a festa. Quer coisa menos Carnaval que discutir gênero na avenida? Que problematizar marchinha? Que fazer textão porque tentaram te beijar? Há, claro, uma hora e um lugar para todas estas discussões (e me avisem qual é, para eu não passar perto nem por um acaso), mas com certeza não durante uma festa na qual 95% das pessoas está alcoolizada. Se você quer ir ao bloco para “dançar, curtir a música, celebrar a tradição folclórica brasileira e divertir-se com seus amigos” o errado é você. Vamos ser sinceros, minha gente! Ninguém vai ao bloco para celebrar brasilidades. A gente só se sujeita a tudo isso — à cerveja quente, à catuaba, ao Chiclete com Banana — para “furunfar”. Sim, o Carnaval é, sempre foi, e sempre será o ritual de acasalamento do povo brasileiro. Assim como o alce luta na primavera com seus chifres e o tordilhão constrói belos ninhos para atrair fêmeas o homem brasileiro bota saia e se enche de purpurina todo fevereiro. É o ciclo sem fim.

    Quem já sobreviveu ao caos de um bloco de carnaval está pronto para o final dos tempos. É por isso que o Brasil é o país do futuro. Quando Trump acidentalmente relar seu pequeno dedo no botão vermelho e o inverno nuclear colapsar a humanidade o brasileiro estará pronto para o caos. No fim o Carnaval nos redimirá.

    Jotapê Jorge tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. Ele adora o termo “brincar o carnaval”, escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. 

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    Ninguém gosta de Carnaval

    Dos aspectos ridículos da minha geração — os textinhos para pegar mulher, a admiração por Gregorio Duvivier, o “Fora, Temer!” como cantada  — nada é mais estúpido do que essa babação abjeta pelo Carnaval. Vamos e convenhamos, ninguém gosta de Carnaval. Nem o Jamelão. Nem o seu Leandro de Itaquera. Nem a velha guarda da Portela. O Carnaval é um saco.

    Você já foi a um bloco de Carnaval? É o mais próximo que um país civilizado (ahem) já chegou do apocalipse zumbi. Acompanhar um bloco e ver a miríade de latas de cerveja no chão e aquela juventude caminhando vidrada, vomitando e desesperada, às vezes de cócoras ou deitada sobre poças de sujeita… É digno de um filme de guerra do Oliver Stone. O pior é que ninguém está realmente se divertindo. Não há como se divertir.

    Normalmente você gosta de cerveja quente? E de música ruim? E de Catuaba? Não. Ninguém gosta de nenhuma dessas coisas. Então por que raios nós nos sujeitamos a tudo isso no Carnaval? “Porque o carnaval é lúdico”, dirá algum millennial estúpido. Eles a-do-ram o Carnaval, pois adoram tudo que é “assim brasileiro mesmo. Essa coisa de retomar a rua, de gritar que estamos aqui, que a arte é maior que o tédio, sabe?”

    Mas os millennials gostam de Carnaval por todos os motivos errados. É por isso que, no fundo, eles querem destruir a festa. Quer coisa menos Carnaval que discutir gênero na avenida? Que problematizar marchinha? Que fazer textão porque tentaram te beijar? Há, claro, uma hora e um lugar para todas estas discussões (e me avisem qual é, para eu não passar perto nem por um acaso), mas com certeza não durante uma festa na qual 95% das pessoas está alcoolizada. Se você quer ir ao bloco para “dançar, curtir a música, celebrar a tradição folclórica brasileira e divertir-se com seus amigos” o errado é você. Vamos ser sinceros, minha gente! Ninguém vai ao bloco para celebrar brasilidades. A gente só se sujeita a tudo isso — à cerveja quente, à catuaba, ao Chiclete com Banana — para “furunfar”. Sim, o Carnaval é, sempre foi, e sempre será o ritual de acasalamento do povo brasileiro. Assim como o alce luta na primavera com seus chifres e o tordilhão constrói belos ninhos para atrair fêmeas o homem brasileiro bota saia e se enche de purpurina todo fevereiro. É o ciclo sem fim.

    Quem já sobreviveu ao caos de um bloco de carnaval está pronto para o final dos tempos. É por isso que o Brasil é o país do futuro. Quando Trump acidentalmente relar seu pequeno dedo no botão vermelho e o inverno nuclear colapsar a humanidade o brasileiro estará pronto para o caos. No fim o Carnaval nos redimirá.

    Jotapê Jorge tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. Ele adora o termo “brincar o carnaval”, escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. 

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    Ninguém gosta de Carnaval

    Ninguém gosta de Carnaval

    Dos aspectos ridículos da minha geração — os textinhos para pegar mulher, a admiração por Gregorio Duvivier, o “Fora, Temer!” como cantada  — nada é mais estúpido do que essa babação abjeta pelo Carnaval. Vamos e convenhamos, ninguém gosta de Carnaval. Nem o Jamelão. Nem o seu Leandro de Itaquera. Nem a velha guarda da Portela. O Carnaval é um saco.

    Você já foi a um bloco de Carnaval? É o mais próximo que um país civilizado (ahem) já chegou do apocalipse zumbi. Acompanhar um bloco e ver a miríade de latas de cerveja no chão e aquela juventude caminhando vidrada, vomitando e desesperada, às vezes de cócoras ou deitada sobre poças de sujeita… É digno de um filme de guerra do Oliver Stone. O pior é que ninguém está realmente se divertindo. Não há como se divertir.

    Normalmente você gosta de cerveja quente? E de música ruim? E de Catuaba? Não. Ninguém gosta de nenhuma dessas coisas. Então por que raios nós nos sujeitamos a tudo isso no Carnaval? “Porque o carnaval é lúdico”, dirá algum millennial estúpido. Eles a-do-ram o Carnaval, pois adoram tudo que é “assim brasileiro mesmo. Essa coisa de retomar a rua, de gritar que estamos aqui, que a arte é maior que o tédio, sabe?”

    Mas os millennials gostam de Carnaval por todos os motivos errados. É por isso que, no fundo, eles querem destruir a festa. Quer coisa menos Carnaval que discutir gênero na avenida? Que problematizar marchinha? Que fazer textão porque tentaram te beijar? Há, claro, uma hora e um lugar para todas estas discussões (e me avisem qual é, para eu não passar perto nem por um acaso), mas com certeza não durante uma festa na qual 95% das pessoas está alcoolizada. Se você quer ir ao bloco para “dançar, curtir a música, celebrar a tradição folclórica brasileira e divertir-se com seus amigos” o errado é você. Vamos ser sinceros, minha gente! Ninguém vai ao bloco para celebrar brasilidades. A gente só se sujeita a tudo isso — à cerveja quente, à catuaba, ao Chiclete com Banana — para “furunfar”. Sim, o Carnaval é, sempre foi, e sempre será o ritual de acasalamento do povo brasileiro. Assim como o alce luta na primavera com seus chifres e o tordilhão constrói belos ninhos para atrair fêmeas o homem brasileiro bota saia e se enche de purpurina todo fevereiro. É o ciclo sem fim.

    Quem já sobreviveu ao caos de um bloco de carnaval está pronto para o final dos tempos. É por isso que o Brasil é o país do futuro. Quando Trump acidentalmente relar seu pequeno dedo no botão vermelho e o inverno nuclear colapsar a humanidade o brasileiro estará pronto para o caos. No fim o Carnaval nos redimirá.

    Jotapê Jorge tem um canal um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. Ele adora o termo “brincar o carnaval”, escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. 

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    O amor nos tempos do ‘Fora, Temer!’

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    O presidento golpisto mãozinha-de-monstro (sério, você já deram uma olhada nas mãos dele?) Michel “Fora” Temer pode ser muitas coisas, mas com certeza nunca imaginou que seria uma cantada. Sim, você não leu errado. Michel Temer é hoje o principal “aproach” da juventude brasileira, ganhando de longe dos “você vem sempre aqui?” e “eu acabei de ser atropelado por um automóvel” (quem nunca?).

    Você está querendo um enrosco neste carnaval? Quer encontrar o seu “mozão”, como dizem os “jovens”? (Desculpem, eu nasci com 42 anos. Pelas minhas contas já cheguei aos 70). Basta gritar “essa boca só beija, ou também grita ‘Fora, Temer!’?” e correr para o abraço!

    O “Fora, Temer!” é versátil. Vai bem nas baladas, no barzinho descolado e também com aquela caixa gatinha da Livraria da Vila. Mas é nos aplicativos que ele reina absoluto. Impossível entrar no Tinder e não trombar com o famigerado. De cada 100 perfis, 69 começam com este “Fora, Temer!”, 21 têm alguma piadinha com “primeiramente” e os outros 10 são “sou GP, tenho local”.

    Eu sinceramente não consigo entender. Será o Tinder o local mais adequado para esta manifestação? A esquerda-alalaô-aquarius-disrupção sempre reclamou do bater de panelas, mas acho que o “Fora, Temer!” como cantada ganha por larga margem na babaquice. Além do mais, eu só quero arranjar um belisco. Pouco me importa se você é “Fora, Temer!”, “Volta, Dilma” ou “Heil, Hitler!” Aliás, nesta situação, o bigodinho até que cai bem.

    Quem defende a cantada “Fora, Temer!” garante que é uma excelente forma de “filtro”. Neste mundo complexo, em que um “swipe” certo pode ser a diferença entre assistir Santa Clarita Diet no Netflix ou realmente comer alguém, o “Fora, Temer!” seria uma forma de descobrir se o rapaz é desconstruído, feminista, gosta de animais, é vegetariano, anda de bicicleta e acha o Haddad gato — aparentemente este último é especialmente importante.

    Mas perdoem-me por discordar: essa tendência começou na Vilamadá (claro), mas se espalhou rapidamente. Hoje é possível ouvir seus ecos das baladas “topzeras” do Itaim, mein, até os bailes de carnaval chiques do Clube Atlético Paulistano — se é que eles ainda existem. Com 51% da população achando o governo “péssimo”, Temer virou a única unanimidade nacional. Em 2017 não há mais “petistas” ou “coxinhas” puros. Todos somos um pouco “Fora, Temer!” Portanto, cuidado neste carnaval: você pode dormir com um “Fora, Temer!” e acordar ao lado de um fã do Movimento Brasil Livre.

    Jotapê Jorge não sabe se é “Fora, Temer!” ou se compra uma bicicleta. Ele escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Além disso tem um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. 

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    O amor nos tempos do ‘Fora, Temer!’

    O presidento golpisto mãozinha-de-monstro (sério, você já deram uma olhada nas mãos dele?) Michel “Fora” Temer pode ser muitas coisas, mas com certeza nunca imaginou que seria uma cantada. Sim, você não leu errado. Michel Temer é hoje o principal “aproach” da juventude brasileira, ganhando de longe dos “você vem sempre aqui?” e “eu acabei de ser atropelado por um automóvel” (quem nunca?).

    Você está querendo um enrosco neste carnaval? Quer encontrar o seu “mozão”, como dizem os “jovens”? (Desculpem, eu nasci com 42 anos. Pelas minhas contas já cheguei aos 70). Basta gritar “essa boca só beija, ou também grita ‘Fora, Temer!’?” e correr para o abraço!

    O “Fora, Temer!” é versátil. Vai bem nas baladas, no barzinho descolado e também com aquela caixa gatinha da Livraria da Vila. Mas é nos aplicativos que ele reina absoluto. Impossível entrar no Tinder e não trombar com o famigerado. De cada 100 perfis, 69 começam com este “Fora, Temer!”, 21 têm alguma piadinha com “primeiramente” e os outros 10 são “sou GP, tenho local”.

    Eu sinceramente não consigo entender. Será o Tinder o local mais adequado para esta manifestação? A esquerda-alalaô-aquarius-disrupção sempre reclamou do bater de panelas, mas acho que o “Fora, Temer!” como cantada ganha por larga margem na babaquice. Além do mais, eu só quero arranjar um belisco. Pouco me importa se você é “Fora, Temer!”, “Volta, Dilma” ou “Heil, Hitler!” Aliás, nesta situação, o bigodinho até que cai bem.

    Quem defende a cantada “Fora, Temer!” garante que é uma excelente forma de “filtro”. Neste mundo complexo, em que um “swipe” certo pode ser a diferença entre assistir Santa Clarita Diet no Netflix ou realmente comer alguém, o “Fora, Temer!” seria uma forma de descobrir se o rapaz é desconstruído, feminista, gosta de animais, é vegetariano, anda de bicicleta e acha o Haddad gato — aparentemente este último é especialmente importante.

    Mas perdoem-me por discordar: essa tendência começou na Vilamadá (claro), mas se espalhou rapidamente. Hoje é possível ouvir seus ecos das baladas “topzeras” do Itaim, mein, até os bailes de carnaval chiques do Clube Atlético Paulistano — se é que eles ainda existem. Com 51% da população achando o governo “péssimo”, Temer virou a única unanimidade nacional. Em 2017 não há mais “petistas” ou “coxinhas” puros. Todos somos um pouco “Fora, Temer!” Portanto, cuidado neste carnaval: você pode dormir com um “Fora, Temer!” e acordar ao lado de um fã do Movimento Brasil Livre.

    Jotapê Jorge não sabe se é “Fora, Temer!” ou se compra uma bicicleta. Ele escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Além disso tem um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. 

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    O amor nos tempos do ‘Fora, Temer!’

    O presidento golpisto mãozinha-de-monstro (sério, você já deram uma olhada nas mãos dele?) Michel “Fora” Temer pode ser muitas coisas, mas com certeza nunca imaginou que seria uma cantada. Sim, você não leu errado. Michel Temer é hoje o principal “aproach” da juventude brasileira, ganhando de longe dos “você vem sempre aqui?” e “eu acabei de ser atropelado por um automóvel” (quem nunca?).

    Você está querendo um enrosco neste carnaval? Quer encontrar o seu “mozão”, como dizem os “jovens”? (Desculpem, eu nasci com 42 anos. Pelas minhas contas já cheguei aos 70). Basta gritar “essa boca só beija, ou também grita ‘Fora, Temer!’?” e correr para o abraço!

    O “Fora, Temer!” é versátil. Vai bem nas baladas, no barzinho descolado e também com aquela caixa gatinha da Livraria da Vila. Mas é nos aplicativos que ele reina absoluto. Impossível entrar no Tinder e não trombar com o famigerado. De cada 100 perfis, 69 começam com este “Fora, Temer!”, 21 têm alguma piadinha com “primeiramente” e os outros 10 são “sou GP, tenho local”.

    Eu sinceramente não consigo entender. Será o Tinder o local mais adequado para esta manifestação? A esquerda-alalaô-aquarius-disrupção sempre reclamou do bater de panelas, mas acho que o “Fora, Temer!” como cantada ganha por larga margem na babaquice. Além do mais, eu só quero arranjar um belisco. Pouco me importa se você é “Fora, Temer!”, “Volta, Dilma” ou “Heil, Hitler!” Aliás, nesta situação, o bigodinho até que cai bem.

    Quem defende a cantada “Fora, Temer!” garante que é uma excelente forma de “filtro”. Neste mundo complexo, em que um “swipe” certo pode ser a diferença entre assistir Santa Clarita Diet no Netflix ou realmente comer alguém, o “Fora, Temer!” seria uma forma de descobrir se o rapaz é desconstruído, feminista, gosta de animais, é vegetariano, anda de bicicleta e acha o Haddad gato — aparentemente este último é especialmente importante.

    Mas perdoem-me por discordar: essa tendência começou na Vilamadá (claro), mas se espalhou rapidamente. Hoje é possível ouvir seus ecos das baladas “topzeras” do Itaim, mein, até os bailes de carnaval chiques do Clube Atlético Paulistano — se é que eles ainda existem. Com 51% da população achando o governo “péssimo”, Temer virou a única unanimidade nacional. Em 2017 não há mais “petistas” ou “coxinhas” puros. Todos somos um pouco “Fora, Temer!” Portanto, cuidado neste carnaval: você pode dormir com um “Fora, Temer!” e acordar ao lado de um fã do Movimento Brasil Livre.

    Jotapê Jorge não sabe se é “Fora, Temer!” ou se compra uma bicicleta. Ele escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Além disso tem um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. 

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    Alexandre de Moraes foi indicado para o Supremo e a internet quebrou

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    O ilibado jurista Alexandre de Moraes foi indicado para ocupar a cadeira de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal e nossa esquerda “você-praça-acho-graça-o-pixo-respira-viva-a-cultura-popular-skindô-skindô” pirou. Pela primeira vez em anos eu concordo com eles. Quer dizer, claro que eu não concordo com eles. É difícil concordar com quem nunca leu um livro na vida.

    Mas de alguma forma concordo, só não pelos motivos que eles acham.  A esquerda está em reboliço porque Alexandre de Moraes vai barrar a Lava-Jato. Ora, tal qual o aparelhamento de Estado e o colesterol, a Lava-Jato pode ser boa ou ruim. Quando vão atrás do Cunha, acho graça, quando vão atrás do Lula acho tédio. Por isso a esquerda ficou P da vida: como assim vão botar alguém que não gosta do Lula? E protestaram muito reclamando lá no Facebook. “Onde estão suas panelas agora?” Ahem, que tal bater as próprias panelas, cazzo!?

    Mas, francamente, a Lava-Jato é o menor dos problemas. Como outras ondas civilizatórias, a Lava-Jato vai passar sem deixar muitas marcas no Brasil. Claro, a corrupção vai se tornar mais sofisticada. Mas essa é a única coisa que vai mudar. A corrupção está no DNA do brasileiro. Se a Inglaterra produziu os Rolling Stones e os Beatles, se a Itália produziu Caravaggio, Michelangelo, Da Vinci; o Brasil produziu o Mensalão, o Petrolão, Os Anões do Orçamento. Nós somos bons nisso!

    O problema é que o Alexandre de Moraes é antigo. Quando Ministro da Justiça foi ao Paraguai cortar pés de maconha, algo que você deve reconhecer em algum delegado de quinta num segmento de fim de noite do Jornal do SBT dos anos 1990. Fico pensando em todas as feministas. Todos os gays que gritaram Dilma Guerreira da Pátria Brasileira. Será que eles não percebem que todos os poucos avanços da pauta liberal (e falo aqui do liberalismo de verdade, do liberalismo “eu pouco me importo se você dá o cu”, não o liberalismo que ajoelha e pede dízimo) foram conquistados no Supremo? Que a “Dilmãe”, a primeira mulher presidenta, não fez nada para progredir as pautas das mulheres? Foi o “Supremo Acovardado” quem fez? Pois em breve este Supremo terá em suas cadeiras alguém que acredita que todos os maconheiros vão morrer antes do Natal.

    E você sabe até quando? Até 2037! Essa é a data da aposentadoria compulsória de Alexandre de Moraes, nascido em 1962. DOIS MIL E TRINTA E SETE! Até lá Temer, Lula, Dilma e até o Sarney (é impossível que ele viva para sempre) vão estar mortos, e o Alexandre de Moraes ainda vai estar lá todo pimpão. Em 2037 nós teremos carros robôs, robôs que são carros, ou alguma mistura maluca dos dois e um dos ministros do nosso Supremo Tribunal Federal ainda vai acreditar que a maconha é a porta de entrada para outras drogas

    Se isso não prova que o Brasil está na contra-mão dos fatos, eu não sei o que prova.

    Jotapê Jorge não curte um cigarrinho de artista porque o deixa paranoico. Ele escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Também tem um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. 

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    Alexandre de Moraes foi indicado para o Supremo e a internet quebrou

    O ilibado jurista Alexandre de Moraes foi indicado para ocupar a cadeira de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal e nossa esquerda “você-praça-acho-graça-o-pixo-respira-viva-a-cultura-popular-skindô-skindô” pirou. Pela primeira vez em anos eu concordo com eles. Quer dizer, claro que eu não concordo com eles. É difícil concordar com quem nunca leu um livro na vida.

    Mas de alguma forma concordo, só não pelos motivos que eles acham.  A esquerda está em reboliço porque Alexandre de Moraes vai barrar a Lava-Jato. Ora, tal qual o aparelhamento de Estado e o colesterol, a Lava-Jato pode ser boa ou ruim. Quando vão atrás do Cunha, acho graça, quando vão atrás do Lula acho tédio. Por isso a esquerda ficou P da vida: como assim vão botar alguém que não gosta do Lula? E protestaram muito reclamando lá no Facebook. “Onde estão suas panelas agora?” Ahem, que tal bater as próprias panelas, cazzo!?

    Mas, francamente, a Lava-Jato é o menor dos problemas. Como outras ondas civilizatórias, a Lava-Jato vai passar sem deixar muitas marcas no Brasil. Claro, a corrupção vai se tornar mais sofisticada. Mas essa é a única coisa que vai mudar. A corrupção está no DNA do brasileiro. Se a Inglaterra produziu os Rolling Stones e os Beatles, se a Itália produziu Caravaggio, Michelangelo, Da Vinci; o Brasil produziu o Mensalão, o Petrolão, Os Anões do Orçamento. Nós somos bons nisso!

    O problema é que o Alexandre de Moraes é antigo. Quando Ministro da Justiça foi ao Paraguai cortar pés de maconha, algo que você deve reconhecer em algum delegado de quinta num segmento de fim de noite do Jornal do SBT dos anos 1990. Fico pensando em todas as feministas. Todos os gays que gritaram Dilma Guerreira da Pátria Brasileira. Será que eles não percebem que todos os poucos avanços da pauta liberal (e falo aqui do liberalismo de verdade, do liberalismo “eu pouco me importo se você dá o cu”, não o liberalismo que ajoelha e pede dízimo) foram conquistados no Supremo? Que a “Dilmãe”, a primeira mulher presidenta, não fez nada para progredir as pautas das mulheres? Foi o “Supremo Acovardado” quem fez? Pois em breve este Supremo terá em suas cadeiras alguém que acredita que todos os maconheiros vão morrer antes do Natal.

    E você sabe até quando? Até 2037! Essa é a data da aposentadoria compulsória de Alexandre de Moraes, nascido em 1962. DOIS MIL E TRINTA E SETE! Até lá Temer, Lula, Dilma e até o Sarney (é impossível que ele viva para sempre) vão estar mortos, e o Alexandre de Moraes ainda vai estar lá todo pimpão. Em 2037 nós teremos carros robôs, robôs que são carros, ou alguma mistura maluca dos dois e um dos ministros do nosso Supremo Tribunal Federal ainda vai acreditar que a maconha é a porta de entrada para outras drogas

    Se isso não prova que o Brasil está na contra-mão dos fatos, eu não sei o que prova.

    Jotapê Jorge não curte um cigarrinho de artista porque o deixa paranoico. Ele escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Também tem um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. 

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    Mas de alguma forma concordo, só não pelos motivos que eles acham.  A esquerda está em reboliço porque Alexandre de Moraes vai barrar a Lava-Jato. Ora, tal qual o aparelhamento de Estado e o colesterol, a Lava-Jato pode ser boa ou ruim. Quando vão atrás do Cunha, acho graça, quando vão atrás do Lula acho tédio. Por isso a esquerda ficou P da vida: como assim vão botar alguém que não gosta do Lula? E protestaram muito reclamando lá no Facebook. “Onde estão suas panelas agora?” Ahem, que tal bater as próprias panelas, cazzo!?

    Mas, francamente, a Lava-Jato é o menor dos problemas. Como outras ondas civilizatórias, a Lava-Jato vai passar sem deixar muitas marcas no Brasil. Claro, a corrupção vai se tornar mais sofisticada. Mas essa é a única coisa que vai mudar. A corrupção está no DNA do brasileiro. Se a Inglaterra produziu os Rolling Stones e os Beatles, se a Itália produziu Caravaggio, Michelangelo, Da Vinci; o Brasil produziu o Mensalão, o Petrolão, Os Anões do Orçamento. Nós somos bons nisso!

    O problema é que o Alexandre de Moraes é antigo. Quando Ministro da Justiça foi ao Paraguai cortar pés de maconha, algo que você deve reconhecer em algum delegado de quinta num segmento de fim de noite do Jornal do SBT dos anos 1990. Fico pensando em todas as feministas. Todos os gays que gritaram Dilma Guerreira da Pátria Brasileira. Será que eles não percebem que todos os poucos avanços da pauta liberal (e falo aqui do liberalismo de verdade, do liberalismo “eu pouco me importo se você dá o cu”, não o liberalismo que ajoelha e pede dízimo) foram conquistados no Supremo? Que a “Dilmãe”, a primeira mulher presidenta, não fez nada para progredir as pautas das mulheres? Foi o “Supremo Acovardado” quem fez? Pois em breve este Supremo terá em suas cadeiras alguém que acredita que todos os maconheiros vão morrer antes do Natal.

    E você sabe até quando? Até 2037! Essa é a data da aposentadoria compulsória de Alexandre de Moraes, nascido em 1962. DOIS MIL E TRINTA E SETE! Até lá Temer, Lula, Dilma e até o Sarney (é impossível que ele viva para sempre) vão estar mortos, e o Alexandre de Moraes ainda vai estar lá todo pimpão. Em 2037 nós teremos carros robôs, robôs que são carros, ou alguma mistura maluca dos dois e um dos ministros do nosso Supremo Tribunal Federal ainda vai acreditar que a maconha é a porta de entrada para outras drogas

    Se isso não prova que o Brasil está na contra-mão dos fatos, eu não sei o que prova.

    Jotapê Jorge não curte um cigarrinho de artista porque o deixa paranoico. Ele escreve aqui todas as sextas e no Twitter todos os dias. Também tem um canal no YouTube e escreveu um livro que você deveria ler. 

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