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    Eu já estou de saco cheio dos fãs do Lula

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    O Lula foi um péssimo presidente da república. Pronto, que comece o linchamento. Nada é mais perigoso no Brasil do que falar mal de Luís Inácio Lula da Silva. Nosso país vive um estranho caso de amor e ódio com Lula, e mesmo seus detratores se derretem — como um rodriguiano Chicabons ao sol — antes de falar mal do cabra: “Ele pode ser um megalomaníaco, mas como fala bem, o desgraçado!” O Brasil é a mulher de malandro do Lula, que não cansa de passar noites fora, tomar porres homéricos, voltar para casa e pedir perdão. E o pior é que a gente perdoa.

    Nenhuma nação mimou mais um cidadão do que o Brasil faz com Lula. Para Lula tudo é permitido, em Lula tudo é mais bonito. Se o Maluf enriquece ilegalmente, um absurdo. Mas Lula? Lula tudo bem! Se um político qualquer é pego com uma mala cheia de dinheiro, que matem, massacrem, que espanquem seus familiares e o botem na cadeia. Mas Lula e o triplex? “Lula não sabia de nada.” Já repararam como ouvimos isso nos últimos 15 anos? Futuros historiadores da língua portuguesa se perguntarão o porquê de quase toda manchete conter as palavras “Lula não sabia de nada”.

    “Mas Jotapê”, posso ouvi-lo dizer, com seu  broche da estrelinha do PT e uma camiseta retrô escrito “O sonho acabou, quem não acreditou na estrela sequer sonhou”. “Isso que você falou é mentira. Todo mundo sabe que a mídia golpista cometeu com Lula a maior injustiça já perpetrada contra um presidente.” Amigão, vem cá. Você lê jornal? Na moral. Você viu o Jornal Nacional desde que o Temer assumiu? Viu como o Temer é esculachado? Viu? Pois eu duvido muito. Só um idiota que se informa pelo site “O Vermelho” para acreditar que a mídia golpista é a maior culpada pelas agruras do Lula. Aliás, vá assistir o Jornal Nacional do dia da eleição do Lula. Vá ver o William Bonner molhar a calcinha ao anunciar a eleição do primeiro operário presidente.

    Mas não adianta. Ouvir um fã do Lula é quase como ouvir uma mãe falar do filho único. “Ele não fez nada de errado. Ele é perseguido na escola.” “Ele merece ter esse brinquedo caro, mesmo que tenha ido mal neste semestre.” “Ele vai brincar com os seus brinquedos sim, porque eu não vou aguentar adulto babaca fazendo mal pro meu filhinho.”

    Não me levem a mal. Eu já fui fã do Lula. Afinal, broche com a estrelinha do PT é que nem carro a álcool, todo mundo já teve um. Mas eu prefiro o começo de sua carreira. Se Lula fosse uma banda, eu seria um grande fã dos discos “Sindicalista”, “Eleição 89″ e “Candidato 2002″. “Presidente 2002-2010″ teve seus hits. Mas “Lobista de Empreiteira”, francamente, é uma porcaria.

    Jotapê Jorge não te respeita, e pede para você não ir à sua casa. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Eu já estou de saco cheio dos fãs do Lula

    O Lula foi um péssimo presidente da república. Pronto, que comece o linchamento. Nada é mais perigoso no Brasil do que falar mal de Luís Inácio Lula da Silva. Nosso país vive um estranho caso de amor e ódio com Lula, e mesmo seus detratores se derretem — como um rodriguiano Chicabons ao sol — antes de falar mal do cabra: “Ele pode ser um megalomaníaco, mas como fala bem, o desgraçado!” O Brasil é a mulher de malandro do Lula, que não cansa de passar noites fora, tomar porres homéricos, voltar para casa e pedir perdão. E o pior é que a gente perdoa.

    Nenhuma nação mimou mais um cidadão do que o Brasil faz com Lula. Para Lula tudo é permitido, em Lula tudo é mais bonito. Se o Maluf enriquece ilegalmente, um absurdo. Mas Lula? Lula tudo bem! Se um político qualquer é pego com uma mala cheia de dinheiro, que matem, massacrem, que espanquem seus familiares e o botem na cadeia. Mas Lula e o triplex? “Lula não sabia de nada.” Já repararam como ouvimos isso nos últimos 15 anos? Futuros historiadores da língua portuguesa se perguntarão o porquê de quase toda manchete conter as palavras “Lula não sabia de nada”.

    “Mas Jotapê”, posso ouvi-lo dizer, com seu  broche da estrelinha do PT e uma camiseta retrô escrito “O sonho acabou, quem não acreditou na estrela sequer sonhou”. “Isso que você falou é mentira. Todo mundo sabe que a mídia golpista cometeu com Lula a maior injustiça já perpetrada contra um presidente.” Amigão, vem cá. Você lê jornal? Na moral. Você viu o Jornal Nacional desde que o Temer assumiu? Viu como o Temer é esculachado? Viu? Pois eu duvido muito. Só um idiota que se informa pelo site “O Vermelho” para acreditar que a mídia golpista é a maior culpada pelas agruras do Lula. Aliás, vá assistir o Jornal Nacional do dia da eleição do Lula. Vá ver o William Bonner molhar a calcinha ao anunciar a eleição do primeiro operário presidente.

    Mas não adianta. Ouvir um fã do Lula é quase como ouvir uma mãe falar do filho único. “Ele não fez nada de errado. Ele é perseguido na escola.” “Ele merece ter esse brinquedo caro, mesmo que tenha ido mal neste semestre.” “Ele vai brincar com os seus brinquedos sim, porque eu não vou aguentar adulto babaca fazendo mal pro meu filhinho.”

    Não me levem a mal. Eu já fui fã do Lula. Afinal, broche com a estrelinha do PT é que nem carro a álcool, todo mundo já teve um. Mas eu prefiro o começo de sua carreira. Se Lula fosse uma banda, eu seria um grande fã dos discos “Sindicalista”, “Eleição 89″ e “Candidato 2002″. “Presidente 2002-2010″ teve seus hits. Mas “Lobista de Empreiteira”, francamente, é uma porcaria.

    Jotapê Jorge não te respeita, e pede para você não ir à sua casa. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Eu já estou de saco cheio dos fãs do Lula

    O Lula foi um péssimo presidente da república. Pronto, que comece o linchamento. Nada é mais perigoso no Brasil do que falar mal de Luís Inácio Lula da Silva. Nosso país vive um estranho caso de amor e ódio com Lula, e mesmo seus detratores se derretem — como um rodriguiano Chicabons ao sol — antes de falar mal do cabra: “Ele pode ser um megalomaníaco, mas como fala bem, o desgraçado!” O Brasil é a mulher de malandro do Lula, que não cansa de passar noites fora, tomar porres homéricos, voltar para casa e pedir perdão. E o pior é que a gente perdoa.

    Nenhuma nação mimou mais um cidadão do que o Brasil faz com Lula. Para Lula tudo é permitido, em Lula tudo é mais bonito. Se o Maluf enriquece ilegalmente, um absurdo. Mas Lula? Lula tudo bem! Se um político qualquer é pego com uma mala cheia de dinheiro, que matem, massacrem, que espanquem seus familiares e o botem na cadeia. Mas Lula e o triplex? “Lula não sabia de nada.” Já repararam como ouvimos isso nos últimos 15 anos? Futuros historiadores da língua portuguesa se perguntarão o porquê de quase toda manchete conter as palavras “Lula não sabia de nada”.

    “Mas Jotapê”, posso ouvi-lo dizer, com seu  broche da estrelinha do PT e uma camiseta retrô escrito “O sonho acabou, quem não acreditou na estrela sequer sonhou”. “Isso que você falou é mentira. Todo mundo sabe que a mídia golpista cometeu com Lula a maior injustiça já perpetrada contra um presidente.” Amigão, vem cá. Você lê jornal? Na moral. Você viu o Jornal Nacional desde que o Temer assumiu? Viu como o Temer é esculachado? Viu? Pois eu duvido muito. Só um idiota que se informa pelo site “O Vermelho” para acreditar que a mídia golpista é a maior culpada pelas agruras do Lula. Aliás, vá assistir o Jornal Nacional do dia da eleição do Lula. Vá ver o William Bonner molhar a calcinha ao anunciar a eleição do primeiro operário presidente.

    Mas não adianta. Ouvir um fã do Lula é quase como ouvir uma mãe falar do filho único. “Ele não fez nada de errado. Ele é perseguido na escola.” “Ele merece ter esse brinquedo caro, mesmo que tenha ido mal neste semestre.” “Ele vai brincar com os seus brinquedos sim, porque eu não vou aguentar adulto babaca fazendo mal pro meu filhinho.”

    Não me levem a mal. Eu já fui fã do Lula. Afinal, broche com a estrelinha do PT é que nem carro a álcool, todo mundo já teve um. Mas eu prefiro o começo de sua carreira. Se Lula fosse uma banda, eu seria um grande fã dos discos “Sindicalista”, “Eleição 89″ e “Candidato 2002″. “Presidente 2002-2010″ teve seus hits. Mas “Lobista de Empreiteira”, francamente, é uma porcaria.

    Jotapê Jorge não te respeita, e pede para você não ir à sua casa. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Jean Wyllys é o Bolsonaro da esquerda

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    Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão e eu sinceramente não vou discutir esta questão. Se quiserem uma opinião embasada, perguntem para algum jurista. Eu no máximo fiz jornalismo.  Dito isto: o deputado Jean Wyllys foi às telas dos computadores justificar a condenação do ex-presidente da república como “ato de perseguição” e o número de anos da pena ao fato de Lula ter nove dedos. Tô falando sério. Depois chamou Moro de “cafona”. Só faltou chamá-lo de cocozento.

    O discurso é histriônico e a argumentação ilógica. No fundo o videozinho é apenas uma grande bobagem, quase uma teoria da conspiração. Parece até um outro deputado histriônico, ilógico, dado a bobagens e teorias da conspiração: Jair Bolsonaro. Se vocês tivessem de escolher entre votar no Bobowyllys, no Bozonaro ou comer uma tigela de porra de búfalo que ficou ao sol por 20 dias, vocês escolheriam temperar a tigela com sal, pimenta ou cominho?

    Não é possível que o movimento gay seja representado por Jean Wyllys. Os gays são melhores do que isso. A dura realidade é que o modus operandi de Bolsonaro e Wyllys é muito parecido: ambos são fascistas. Não se engane. Embora recoberto por um lustre “humanista”, o desejo de Wyllys é mandar. Se Wyllys tivesse a oportunidade, botaria Bolsonaro no paredão. Céus! Se ele tivesse a chance me botaria na guilhotina pelo que estou escrevendo. Jean Wyllys é um Ivan Ilítch Pralinski de Uma História Desagradável. Mentira: Dostoiévski jamais seria capaz de escrever um personagem tão torpe.

    “Mas Jotapê, fascista é você!”, dirá o senhor, com um broche de “Lula, ladrão, roubou meu coração” numa lapela e outro de “Lula: vítima do sistema” para defender um homem branco, hetero e cis que ficou milionário com política na outra. “O Jean Wyllys defende os direitos das minorias. Não é possível que ele seja ruim.” Claro, Jean Wyllys defende os homossexuais,  mas sua atuação parlamentar é tão desastrosa que era melhor que não estivesse lá. Jean Wyllys está para o movimento gay assim como o torcedor organizado está para o futebol: só serve para queimar o filme.

    E mesmo que Jean fosse um baita deputado, mesmo que hoje vivêssemos num país mais tolerante graças aos seus discursos tresloucados botando na Globo a culpa por sua unha encravada, isto não o redimiria de suas falhas. Não o redimiria de sua ignorância política. Não o redimiria de sua intolerância. Não o redimiria de usar suas redes sociais para espalhar boatos e teorias da conspiração. Não o redimiria de ser um grande personagem.

    Pois já faz tempo que Jean Wyllys tornou-se um personagem, e da pior espécie. Arrisco dizer que desde o “golpe”, quando cuspiu na cara de seu alter-ego Bolsonaro. Os dois, aliás, vivem no Congresso Nacional uma relação quase simbiótica. O que seria de Jean Wyllys sem Jair Bolsonaro? O que seria de Jair Bolsonaro sem Jean Wyllys?

    Jotapê Jorge não é gay, mas gostaria de ser para encher o saco de homofóbicos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

     

     

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    Jean Wyllys é o Bolsonaro da esquerda

    Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão e eu sinceramente não vou discutir esta questão. Se quiserem uma opinião embasada, perguntem para algum jurista. Eu no máximo fiz jornalismo.  Dito isto: o deputado Jean Wyllys foi às telas dos computadores justificar a condenação do ex-presidente da república como “ato de perseguição” e o número de anos da pena ao fato de Lula ter nove dedos. Tô falando sério. Depois chamou Moro de “cafona”. Só faltou chamá-lo de cocozento.

    O discurso é histriônico e a argumentação ilógica. No fundo o videozinho é apenas uma grande bobagem, quase uma teoria da conspiração. Parece até um outro deputado histriônico, ilógico, dado a bobagens e teorias da conspiração: Jair Bolsonaro. Se vocês tivessem de escolher entre votar no Bobowyllys, no Bozonaro ou comer uma tigela de porra de búfalo que ficou ao sol por 20 dias, vocês escolheriam temperar a tigela com sal, pimenta ou cominho?

    Não é possível que o movimento gay seja representado por Jean Wyllys. Os gays são melhores do que isso. A dura realidade é que o modus operandi de Bolsonaro e Wyllys é muito parecido: ambos são fascistas. Não se engane. Embora recoberto por um lustre “humanista”, o desejo de Wyllys é mandar. Se Wyllys tivesse a oportunidade, botaria Bolsonaro no paredão. Céus! Se ele tivesse a chance me botaria na guilhotina pelo que estou escrevendo. Jean Wyllys é um Ivan Ilítch Pralinski de Uma História Desagradável. Mentira: Dostoiévski jamais seria capaz de escrever um personagem tão torpe.

    “Mas Jotapê, fascista é você!”, dirá o senhor, com um broche de “Lula, ladrão, roubou meu coração” numa lapela e outro de “Lula: vítima do sistema” para defender um homem branco, hetero e cis que ficou milionário com política na outra. “O Jean Wyllys defende os direitos das minorias. Não é possível que ele seja ruim.” Claro, Jean Wyllys defende os homossexuais,  mas sua atuação parlamentar é tão desastrosa que era melhor que não estivesse lá. Jean Wyllys está para o movimento gay assim como o torcedor organizado está para o futebol: só serve para queimar o filme.

    E mesmo que Jean fosse um baita deputado, mesmo que hoje vivêssemos num país mais tolerante graças aos seus discursos tresloucados botando na Globo a culpa por sua unha encravada, isto não o redimiria de suas falhas. Não o redimiria de sua ignorância política. Não o redimiria de sua intolerância. Não o redimiria de usar suas redes sociais para espalhar boatos e teorias da conspiração. Não o redimiria de ser um grande personagem.

    Pois já faz tempo que Jean Wyllys tornou-se um personagem, e da pior espécie. Arrisco dizer que desde o “golpe”, quando cuspiu na cara de seu alter-ego Bolsonaro. Os dois, aliás, vivem no Congresso Nacional uma relação quase simbiótica. O que seria de Jean Wyllys sem Jair Bolsonaro? O que seria de Jair Bolsonaro sem Jean Wyllys?

    Jotapê Jorge não é gay, mas gostaria de ser para encher o saco de homofóbicos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

     

     

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    Jean Wyllys é o Bolsonaro da esquerda

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    O discurso é histriônico e a argumentação ilógica. No fundo o videozinho é apenas uma grande bobagem, quase uma teoria da conspiração. Parece até um outro deputado histriônico, ilógico, dado a bobagens e teorias da conspiração: Jair Bolsonaro. Se vocês tivessem de escolher entre votar no Bobowyllys, no Bozonaro ou comer uma tigela de porra de búfalo que ficou ao sol por 20 dias, vocês escolheriam temperar a tigela com sal, pimenta ou cominho?

    Não é possível que o movimento gay seja representado por Jean Wyllys. Os gays são melhores do que isso. A dura realidade é que o modus operandi de Bolsonaro e Wyllys é muito parecido: ambos são fascistas. Não se engane. Embora recoberto por um lustre “humanista”, o desejo de Wyllys é mandar. Se Wyllys tivesse a oportunidade, botaria Bolsonaro no paredão. Céus! Se ele tivesse a chance me botaria na guilhotina pelo que estou escrevendo. Jean Wyllys é um Ivan Ilítch Pralinski de Uma História Desagradável. Mentira: Dostoiévski jamais seria capaz de escrever um personagem tão torpe.

    “Mas Jotapê, fascista é você!”, dirá o senhor, com um broche de “Lula, ladrão, roubou meu coração” numa lapela e outro de “Lula: vítima do sistema” para defender um homem branco, hetero e cis que ficou milionário com política na outra. “O Jean Wyllys defende os direitos das minorias. Não é possível que ele seja ruim.” Claro, Jean Wyllys defende os homossexuais,  mas sua atuação parlamentar é tão desastrosa que era melhor que não estivesse lá. Jean Wyllys está para o movimento gay assim como o torcedor organizado está para o futebol: só serve para queimar o filme.

    E mesmo que Jean fosse um baita deputado, mesmo que hoje vivêssemos num país mais tolerante graças aos seus discursos tresloucados botando na Globo a culpa por sua unha encravada, isto não o redimiria de suas falhas. Não o redimiria de sua ignorância política. Não o redimiria de sua intolerância. Não o redimiria de usar suas redes sociais para espalhar boatos e teorias da conspiração. Não o redimiria de ser um grande personagem.

    Pois já faz tempo que Jean Wyllys tornou-se um personagem, e da pior espécie. Arrisco dizer que desde o “golpe”, quando cuspiu na cara de seu alter-ego Bolsonaro. Os dois, aliás, vivem no Congresso Nacional uma relação quase simbiótica. O que seria de Jean Wyllys sem Jair Bolsonaro? O que seria de Jair Bolsonaro sem Jean Wyllys?

    Jotapê Jorge não é gay, mas gostaria de ser para encher o saco de homofóbicos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

     

     

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    Rodrigo Maia tem cara de pum

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    Cresce a articulação para que Rodrigo Maia assuma o lugar de Temer na presidência da República. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio fucking Maia. Sabe como normalmente o filme original é muito bom, a sequência uma porcaria e o terceiro filme enterra a franquia? Pois também é assim na política nacional depois de 2014. Só que o “filme original” já era a droga Dilma Rousseff. Dilma Vana fucking Rousseff. A franquia, é claro, é o Brasil, seu coió. Estamos perdidos.

    Algum idiota fará a comparação entre Rodrigo Maia e Frank Underwood, o personagem principal da série House of Cards. Dirá que, tal qual Underwood, Maia está para virar presidente “sem nenhum voto”. Depois, girando seu whisky aguado na porta do bar Capivara às três da manhã, este imbecil vaticinará que o Brasil do realpolitk  bota House of Cards no chinelo. Pois nada pode ser menos Frank Underwood do que Rodrigo Maia. Para começar: o Rodrigo Maia tem cara de pum. É impossível imaginar um grande estrategista, uma raposa política, segurando eternamente um peido encalacrado. Você consegue visualizar Rodrigo Maia numa mesa redonda planejando o fim do nosso país? Eu não. Quer dizer, Rodrigo Maia deve até participar dessas reuniões (elas acontecem na casa do Sarney às terças), mas com certeza passa o tempo todo pensando no pum que tem preso no meio da bunda.

    Eu sinto pena de Rodrigo Maia. Afinal, todo mundo já quis peidar e não pôde. Vocês conhecem a sensação, aquela de ter vontade de peidar, mas estar num primeiro encontro. Pois Rodrigo Maia sente isso todos os dias, todos os momentos de sua vida: passeando com a família. Numa sorveteria em Copacabana. No cinema. Num estádio de futebol. Mentira. É claro que Rodrigo Maia nunca sentou suas nádegas felpudas num estádio de futebol.

    Para além de seus claros problemas intestinais, Rodrigo Maia é a sintese do moleque de prédio. Posso apostar que ele era o dono da bola, e brigava quando não lhe deixavam jogar no ataque (ainda que fosse um perna de pau). Rodrigo Maia tinha a bicicleta mais legal do bairro, mas não sabia andar (e mesmo assim sua mãe o obrigava a usar capacete, joelheiras e cotoveleiras). Rodrigo Maia  ganhava um saco de mariolas e não dividia com ninguém. O apelido de Rodrigo Maia no colégio podia até ser “Zé Bundinha”, “Cu de Ganso” ou “Meinha”.

    Mas com certeza foi cara de pum.

    Jotapê Jorge acha que a trilogia Brasil precisa de um reboot. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Rodrigo Maia tem cara de pum

    Cresce a articulação para que Rodrigo Maia assuma o lugar de Temer na presidência da República. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio fucking Maia. Sabe como normalmente o filme original é muito bom, a sequência uma porcaria e o terceiro filme enterra a franquia? Pois também é assim na política nacional depois de 2014. Só que o “filme original” já era a droga Dilma Rousseff. Dilma Vana fucking Rousseff. A franquia, é claro, é o Brasil, seu coió. Estamos perdidos.

    Algum idiota fará a comparação entre Rodrigo Maia e Frank Underwood, o personagem principal da série House of Cards. Dirá que, tal qual Underwood, Maia está para virar presidente “sem nenhum voto”. Depois, girando seu whisky aguado na porta do bar Capivara às três da manhã, este imbecil vaticinará que o Brasil do realpolitk  bota House of Cards no chinelo. Pois nada pode ser menos Frank Underwood do que Rodrigo Maia. Para começar: o Rodrigo Maia tem cara de pum. É impossível imaginar um grande estrategista, uma raposa política, segurando eternamente um peido encalacrado. Você consegue visualizar Rodrigo Maia numa mesa redonda planejando o fim do nosso país? Eu não. Quer dizer, Rodrigo Maia deve até participar dessas reuniões (elas acontecem na casa do Sarney às terças), mas com certeza passa o tempo todo pensando no pum que tem preso no meio da bunda.

    Eu sinto pena de Rodrigo Maia. Afinal, todo mundo já quis peidar e não pôde. Vocês conhecem a sensação, aquela de ter vontade de peidar, mas estar num primeiro encontro. Pois Rodrigo Maia sente isso todos os dias, todos os momentos de sua vida: passeando com a família. Numa sorveteria em Copacabana. No cinema. Num estádio de futebol. Mentira. É claro que Rodrigo Maia nunca sentou suas nádegas felpudas num estádio de futebol.

    Para além de seus claros problemas intestinais, Rodrigo Maia é a sintese do moleque de prédio. Posso apostar que ele era o dono da bola, e brigava quando não lhe deixavam jogar no ataque (ainda que fosse um perna de pau). Rodrigo Maia tinha a bicicleta mais legal do bairro, mas não sabia andar (e mesmo assim sua mãe o obrigava a usar capacete, joelheiras e cotoveleiras). Rodrigo Maia  ganhava um saco de mariolas e não dividia com ninguém. O apelido de Rodrigo Maia no colégio podia até ser “Zé Bundinha”, “Cu de Ganso” ou “Meinha”.

    Mas com certeza foi cara de pum.

    Jotapê Jorge acha que a trilogia Brasil precisa de um reboot. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Rodrigo Maia tem cara de pum

    Rodrigo Maia tem cara de pum

    Cresce a articulação para que Rodrigo Maia assuma o lugar de Temer na presidência da República. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio fucking Maia. Sabe como normalmente o filme original é muito bom, a sequência uma porcaria e o terceiro filme enterra a franquia? Pois também é assim na política nacional depois de 2014. Só que o “filme original” já era a droga Dilma Rousseff. Dilma Vana fucking Rousseff. A franquia, é claro, é o Brasil, seu coió. Estamos perdidos.

    Algum idiota fará a comparação entre Rodrigo Maia e Frank Underwood, o personagem principal da série House of Cards. Dirá que, tal qual Underwood, Maia está para virar presidente “sem nenhum voto”. Depois, girando seu whisky aguado na porta do bar Capivara às três da manhã, este imbecil vaticinará que o Brasil do realpolitk  bota House of Cards no chinelo. Pois nada pode ser menos Frank Underwood do que Rodrigo Maia. Para começar: o Rodrigo Maia tem cara de pum. É impossível imaginar um grande estrategista, uma raposa política, segurando eternamente um peido encalacrado. Você consegue visualizar Rodrigo Maia numa mesa redonda planejando o fim do nosso país? Eu não. Quer dizer, Rodrigo Maia deve até participar dessas reuniões (elas acontecem na casa do Sarney às terças), mas com certeza passa o tempo todo pensando no pum que tem preso no meio da bunda.

    Eu sinto pena de Rodrigo Maia. Afinal, todo mundo já quis peidar e não pôde. Vocês conhecem a sensação, aquela de ter vontade de peidar, mas estar num primeiro encontro. Pois Rodrigo Maia sente isso todos os dias, todos os momentos de sua vida: passeando com a família. Numa sorveteria em Copacabana. No cinema. Num estádio de futebol. Mentira. É claro que Rodrigo Maia nunca sentou suas nádegas felpudas num estádio de futebol.

    Para além de seus claros problemas intestinais, Rodrigo Maia é a sintese do moleque de prédio. Posso apostar que ele era o dono da bola, e brigava quando não lhe deixavam jogar no ataque (ainda que fosse um perna de pau). Rodrigo Maia tinha a bicicleta mais legal do bairro, mas não sabia andar (e mesmo assim sua mãe o obrigava a usar capacete, joelheiras e cotoveleiras). Rodrigo Maia  ganhava um saco de mariolas e não dividia com ninguém. O apelido de Rodrigo Maia no colégio podia até ser “Zé Bundinha”, “Cu de Ganso” ou “Meinha”.

    Mas com certeza foi cara de pum.

    Jotapê Jorge acha que a trilogia Brasil precisa de um reboot. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    É a minha Lua em fod*-se

    zodiaco

    Uma praga assola a nação! Não, não estou falando da corrupção. Aliás, o brasileiro pouco se importa com isso. Nosso sonhoé ter um governo corrupto, mas eficiente. Daí o tesão que o povo sente pelo “Lula-ladrão-roubou-meu-coração” (o “rouba, mas faz” mandou lembranças).

    Não. A praga que atravanca nosso crescimento é a fé obtusa que esta geração desenvolveu pela astrologia. A astrologia é a religião dos millenials. É impossível entrar em uma conversa neste ano de 2017, principalmente com alguém ostentando um broche do “Fora, Temer!” no Bar Capivara às 3h da manhã, sem ouvir que mercúrio está retrógrado, ou que a culpa por fulano não ter telefonado no dia seguinte é de sua Lua em escorpião (“eu sou assim mesmo, pego e não me apego, porque meu planeta regente é Vênus, a deusa do amor”).

    Muito conveniente, não?

    Astrologia é um tipo diferente de fé, muito mais irritante. Eu jamais vou discutir com um cristão por ele achar que Deus, com sua voz de trovão, criou o mundo em seis dias (para depois ir tomar uma cervejinha e assistir ao Corinthians líder invicto do Brasileirão. Fun fact: o Corinthians já existia antes da criação do universo). Tampouco vou ficar pistola por alguém crer em Iansã, no grande e poderoso Alá, em Vishnu ou no Monstro do Macarrão. Fé é algo que não se discute.

    Mas quem acredita em horóscopo normalmente tem vergonha de ter fé. Ele é o mesmo que faz piadas sobre o atraso Bíblia, que acha os muçulmanos muito radicais. Que fica bravo como o meu Monstro do Macarrão. Como conciliar, então, sua crença? Como explicar que acredita que planetas a um bilhão e trezentos mil quilômetros da Terra são os responsáveis pelas patadas que dá no amigo? Fácil, basta apelar para a ciência. A ciência tudo resolve, e a pseudo-ciência, então! Pois se a gravidade influencia as marés (durd) e a maré é feita de água (dã), claro que vai influenciar o corpo humano, feito não sei quantos por cento de água (durp)!

    Vem cá, na moral: vocês são burros!?

    Não, amigos. A gravidade não funciona desta forma. De fato, o toilete em que você está sentado e lendo esta coluna exerce maior força gravitacional sobre você do que Netuno. No fim, há tanto de ciência na astrologia quanto é científico usar as mesmas meias desde que o Corinthians parou de perder em março, e toda esta história de Vênus em câncer não passa de mais uma desculpa para você ser um tremendo de um idiota.

    Mas não me peçam para lavar minhas meias da sorte.

    Jotapê Jorge é capricorniano, com ascendente em aquário e lua em gêmeos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    É a minha Lua em fod*-se

    Uma praga assola a nação! Não, não estou falando da corrupção. Aliás, o brasileiro pouco se importa com isso. Nosso sonhoé ter um governo corrupto, mas eficiente. Daí o tesão que o povo sente pelo “Lula-ladrão-roubou-meu-coração” (o “rouba, mas faz” mandou lembranças).

    Não. A praga que atravanca nosso crescimento é a fé obtusa que esta geração desenvolveu pela astrologia. A astrologia é a religião dos millenials. É impossível entrar em uma conversa neste ano de 2017, principalmente com alguém ostentando um broche do “Fora, Temer!” no Bar Capivara às 3h da manhã, sem ouvir que mercúrio está retrógrado, ou que a culpa por fulano não ter telefonado no dia seguinte é de sua Lua em escorpião (“eu sou assim mesmo, pego e não me apego, porque meu planeta regente é Vênus, a deusa do amor”).

    Muito conveniente, não?

    Astrologia é um tipo diferente de fé, muito mais irritante. Eu jamais vou discutir com um cristão por ele achar que Deus, com sua voz de trovão, criou o mundo em seis dias (para depois ir tomar uma cervejinha e assistir ao Corinthians líder invicto do Brasileirão. Fun fact: o Corinthians já existia antes da criação do universo). Tampouco vou ficar pistola por alguém crer em Iansã, no grande e poderoso Alá, em Vishnu ou no Monstro do Macarrão. Fé é algo que não se discute.

    Mas quem acredita em horóscopo normalmente tem vergonha de ter fé. Ele é o mesmo que faz piadas sobre o atraso Bíblia, que acha os muçulmanos muito radicais. Que fica bravo como o meu Monstro do Macarrão. Como conciliar, então, sua crença? Como explicar que acredita que planetas a um bilhão e trezentos mil quilômetros da Terra são os responsáveis pelas patadas que dá no amigo? Fácil, basta apelar para a ciência. A ciência tudo resolve, e a pseudo-ciência, então! Pois se a gravidade influencia as marés (durd) e a maré é feita de água (dã), claro que vai influenciar o corpo humano, feito não sei quantos por cento de água (durp)!

    Vem cá, na moral: vocês são burros!?

    Não, amigos. A gravidade não funciona desta forma. De fato, o toilete em que você está sentado e lendo esta coluna exerce maior força gravitacional sobre você do que Netuno. No fim, há tanto de ciência na astrologia quanto é científico usar as mesmas meias desde que o Corinthians parou de perder em março, e toda esta história de Vênus em câncer não passa de mais uma desculpa para você ser um tremendo de um idiota.

    Mas não me peçam para lavar minhas meias da sorte.

    Jotapê Jorge é capricorniano, com ascendente em aquário e lua em gêmeos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    É a minha Lua em fod*-se

    É a minha Lua em fod*-se

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    Não. A praga que atravanca nosso crescimento é a fé obtusa que esta geração desenvolveu pela astrologia. A astrologia é a religião dos millenials. É impossível entrar em uma conversa neste ano de 2017, principalmente com alguém ostentando um broche do “Fora, Temer!” no Bar Capivara às 3h da manhã, sem ouvir que mercúrio está retrógrado, ou que a culpa por fulano não ter telefonado no dia seguinte é de sua Lua em escorpião (“eu sou assim mesmo, pego e não me apego, porque meu planeta regente é Vênus, a deusa do amor”).

    Muito conveniente, não?

    Astrologia é um tipo diferente de fé, muito mais irritante. Eu jamais vou discutir com um cristão por ele achar que Deus, com sua voz de trovão, criou o mundo em seis dias (para depois ir tomar uma cervejinha e assistir ao Corinthians líder invicto do Brasileirão. Fun fact: o Corinthians já existia antes da criação do universo). Tampouco vou ficar pistola por alguém crer em Iansã, no grande e poderoso Alá, em Vishnu ou no Monstro do Macarrão. Fé é algo que não se discute.

    Mas quem acredita em horóscopo normalmente tem vergonha de ter fé. Ele é o mesmo que faz piadas sobre o atraso Bíblia, que acha os muçulmanos muito radicais. Que fica bravo como o meu Monstro do Macarrão. Como conciliar, então, sua crença? Como explicar que acredita que planetas a um bilhão e trezentos mil quilômetros da Terra são os responsáveis pelas patadas que dá no amigo? Fácil, basta apelar para a ciência. A ciência tudo resolve, e a pseudo-ciência, então! Pois se a gravidade influencia as marés (durd) e a maré é feita de água (dã), claro que vai influenciar o corpo humano, feito não sei quantos por cento de água (durp)!

    Vem cá, na moral: vocês são burros!?

    Não, amigos. A gravidade não funciona desta forma. De fato, o toilete em que você está sentado e lendo esta coluna exerce maior força gravitacional sobre você do que Netuno. No fim, há tanto de ciência na astrologia quanto é científico usar as mesmas meias desde que o Corinthians parou de perder em março, e toda esta história de Vênus em câncer não passa de mais uma desculpa para você ser um tremendo de um idiota.

    Mas não me peçam para lavar minhas meias da sorte.

    Jotapê Jorge é capricorniano, com ascendente em aquário e lua em gêmeos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Mallu Magalhães me obriga a beber

    678

    O Brasil não é para amadores. Temos uma das mais altas taxas de homicídio do mundo, o Estado é corrupto, o povo mal-educado, ninguém respeita as leis, o verão é muito quente e os apresentadores de talk-show são Danilo Gentilli, Fábio Porchat, Pedro Bial e Gregorio Duvivier. Mas nenhuma destas mazelas é tão grave quanto a praga da músiquinha-popularzinha-brasileirinha, uma versão pequenininha da MPB. E nenhuma das muitas artistas ruins do gênero é tão insuportável quanto Mallu Magalhães.

    Todos os dias quando eu olho no espelho tenho vontade de socar minha cara ao lembrar que Mallu Magalhães existe. Há muita gente sem talento neste mundo (céus, tem gente até que imita a Mallu Magalhães!), mas nenhuma sem talento é tão sem talento quanto a Mallu Magalhães. A moça é inodora, insipida e incolor. Ela é anódina, não diz nada a ninguém. Suas músicas são um esforço zero, uma lástima. Sua música nasceu para ser tocada em elevadores.

    Mesmo assim Mallu Magalhães conseguiu enfurecer o povo do você-praça-acho-graça — o que para ela foi uma burrice imensa, pois só essa gente que bate palma para o sol para gostar de Navegador. Aparentemente o pecado maior de Mallu Magalhães não é o seu violãozinho, sua vozinha, seu telentinho-inho. Não. Ela é culpada de um pecado muito maior: a apropriação cultural. Mallu botou dançarinos negros em seu clipe, o que aparentemente é análogo à escravidão.

    Meu Deus do céu!

    É impressionante que alguém se ofenda com Mallu Magalhães. A moça de cara de sonsa, música de sonsa e com fãs sonsos só não é mais inofensiva que uma brisa leve de verão. Nada pode ser menos pujante que Mallu Magalhães e suas músicas compostas por um computador — pois é impossível que um ser orgânico seja capaz de escrever “Sambinha bom/ É esse que traz de volta/ Que é só tocar/ Que logo você quer voltar”. Mallu Magalhães não ofende porque morre de medo de ofender. Tchubaruba, seu primeiro grande “sucesso” (tente ler isso sem dar uma risada, eu o desafio) é a maior prova disso: a cantora foi incapaz de escolher para o refrão uma palavra que existe na língua portuguesa. Afinal, vai que alguém encontre um duplo sentido, não é mesmo?

    Mas a surra que levou do movimento negro fez Mallu Magalhães acordar. Parece que a moça está querendo dar uma guinada na sua carreira, e embora tenha respondido aos primeiros gritos de “racista!” com um “nunca, de forma alguma, de maneira nenhuma, poderia sequer um dia pensar em não ter um pensamento bom”, se rebelou e mandou o recado: foi a um programa de TV e tocando três acordes dedicou uma “música” para quem “acha que branco não pode tocar samba”.

    Mallu, você não entendeu nada. Branco pode tocar samba, sim, mas precisa primeiro ter talento.

    Jotapê Jorge nunca ouviu Tchubaruba . Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Mallu Magalhães me obriga a beber

    O Brasil não é para amadores. Temos uma das mais altas taxas de homicídio do mundo, o Estado é corrupto, o povo mal-educado, ninguém respeita as leis, o verão é muito quente e os apresentadores de talk-show são Danilo Gentilli, Fábio Porchat, Pedro Bial e Gregorio Duvivier. Mas nenhuma destas mazelas é tão grave quanto a praga da músiquinha-popularzinha-brasileirinha, uma versão pequenininha da MPB. E nenhuma das muitas artistas ruins do gênero é tão insuportável quanto Mallu Magalhães.

    Todos os dias quando eu olho no espelho tenho vontade de socar minha cara ao lembrar que Mallu Magalhães existe. Há muita gente sem talento neste mundo (céus, tem gente até que imita a Mallu Magalhães!), mas nenhuma sem talento é tão sem talento quanto a Mallu Magalhães. A moça é inodora, insipida e incolor. Ela é anódina, não diz nada a ninguém. Suas músicas são um esforço zero, uma lástima. Sua música nasceu para ser tocada em elevadores.

    Mesmo assim Mallu Magalhães conseguiu enfurecer o povo do você-praça-acho-graça — o que para ela foi uma burrice imensa, pois só essa gente que bate palma para o sol para gostar de Navegador. Aparentemente o pecado maior de Mallu Magalhães não é o seu violãozinho, sua vozinha, seu telentinho-inho. Não. Ela é culpada de um pecado muito maior: a apropriação cultural. Mallu botou dançarinos negros em seu clipe, o que aparentemente é análogo à escravidão.

    Meu Deus do céu!

    É impressionante que alguém se ofenda com Mallu Magalhães. A moça de cara de sonsa, música de sonsa e com fãs sonsos só não é mais inofensiva que uma brisa leve de verão. Nada pode ser menos pujante que Mallu Magalhães e suas músicas compostas por um computador — pois é impossível que um ser orgânico seja capaz de escrever “Sambinha bom/ É esse que traz de volta/ Que é só tocar/ Que logo você quer voltar”. Mallu Magalhães não ofende porque morre de medo de ofender. Tchubaruba, seu primeiro grande “sucesso” (tente ler isso sem dar uma risada, eu o desafio) é a maior prova disso: a cantora foi incapaz de escolher para o refrão uma palavra que existe na língua portuguesa. Afinal, vai que alguém encontre um duplo sentido, não é mesmo?

    Mas a surra que levou do movimento negro fez Mallu Magalhães acordar. Parece que a moça está querendo dar uma guinada na sua carreira, e embora tenha respondido aos primeiros gritos de “racista!” com um “nunca, de forma alguma, de maneira nenhuma, poderia sequer um dia pensar em não ter um pensamento bom”, se rebelou e mandou o recado: foi a um programa de TV e tocando três acordes dedicou uma “música” para quem “acha que branco não pode tocar samba”.

    Mallu, você não entendeu nada. Branco pode tocar samba, sim, mas precisa primeiro ter talento.

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    Mallu Magalhães me obriga a beber

    O Brasil não é para amadores. Temos uma das mais altas taxas de homicídio do mundo, o Estado é corrupto, o povo mal-educado, ninguém respeita as leis, o verão é muito quente e os apresentadores de talk-show são Danilo Gentilli, Fábio Porchat, Pedro Bial e Gregorio Duvivier. Mas nenhuma destas mazelas é tão grave quanto a praga da músiquinha-popularzinha-brasileirinha, uma versão pequenininha da MPB. E nenhuma das muitas artistas ruins do gênero é tão insuportável quanto Mallu Magalhães.

    Todos os dias quando eu olho no espelho tenho vontade de socar minha cara ao lembrar que Mallu Magalhães existe. Há muita gente sem talento neste mundo (céus, tem gente até que imita a Mallu Magalhães!), mas nenhuma sem talento é tão sem talento quanto a Mallu Magalhães. A moça é inodora, insipida e incolor. Ela é anódina, não diz nada a ninguém. Suas músicas são um esforço zero, uma lástima. Sua música nasceu para ser tocada em elevadores.

    Mesmo assim Mallu Magalhães conseguiu enfurecer o povo do você-praça-acho-graça — o que para ela foi uma burrice imensa, pois só essa gente que bate palma para o sol para gostar de Navegador. Aparentemente o pecado maior de Mallu Magalhães não é o seu violãozinho, sua vozinha, seu telentinho-inho. Não. Ela é culpada de um pecado muito maior: a apropriação cultural. Mallu botou dançarinos negros em seu clipe, o que aparentemente é análogo à escravidão.

    Meu Deus do céu!

    É impressionante que alguém se ofenda com Mallu Magalhães. A moça de cara de sonsa, música de sonsa e com fãs sonsos só não é mais inofensiva que uma brisa leve de verão. Nada pode ser menos pujante que Mallu Magalhães e suas músicas compostas por um computador — pois é impossível que um ser orgânico seja capaz de escrever “Sambinha bom/ É esse que traz de volta/ Que é só tocar/ Que logo você quer voltar”. Mallu Magalhães não ofende porque morre de medo de ofender. Tchubaruba, seu primeiro grande “sucesso” (tente ler isso sem dar uma risada, eu o desafio) é a maior prova disso: a cantora foi incapaz de escolher para o refrão uma palavra que existe na língua portuguesa. Afinal, vai que alguém encontre um duplo sentido, não é mesmo?

    Mas a surra que levou do movimento negro fez Mallu Magalhães acordar. Parece que a moça está querendo dar uma guinada na sua carreira, e embora tenha respondido aos primeiros gritos de “racista!” com um “nunca, de forma alguma, de maneira nenhuma, poderia sequer um dia pensar em não ter um pensamento bom”, se rebelou e mandou o recado: foi a um programa de TV e tocando três acordes dedicou uma “música” para quem “acha que branco não pode tocar samba”.

    Mallu, você não entendeu nada. Branco pode tocar samba, sim, mas precisa primeiro ter talento.

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    O Wagner Moura só fala m*rda

    wagner-moura-asno

    O Wagner Moura é o melhor ator brasileiro desta geração. Não que isso queira dizer muita coisa. Afinal, esta geração pariu Selton Mello. O que quero dizer é que gosto de Wagner Moura: Tropa de Elite é um dos poucos filmes brasileiros que não odeio, e legitimamente gostei de  Narcos. Só que isso não muda o fato de o Wagner Moura só falar merda.

    É impressionante. Wagner Moura consegue se colocar sempre no lugar errado do discurso político. É como se, dada a situação, ele pensasse: “Como posso me enganar?” Adotei-o, assim, como bússola: se Wagner Moura diz que é azul, pode ter certeza que é vermelho, se Wagner Moura diz que Lula é honesto, pode mandar prender.

    Se você quiser se inteirar sobre os acontecimentos políticos do Brasil e, de quebra, se posicionar sem risco de errar, basta olhar para o Wagner Moura. Diabo! Basta olhar para quase qualquer ator brasileiro. Ator nacional acha que sabe de tudo, de política econômica a pena que poucos saibam atuar.

    Pois este adorável trapalhão está agora de bandeira na mão marchando pela tal “Diretas, Já!”. Engraçado. A mesma gente que gritou  esgoelada “golpe!”, agora grita pela maior ruptura institucional do Brasil desde que o Fernando Henrique Cardoso comprou uma reeleição (sim, você leu o que eu escrevi).  Pior, Moura e outros desta turba, a galerinha do “arte engajada” e do : você-praça-acho-graça”,  não levantaram sequer um dedo para falar sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, que pode defenestrar ambos os piores presidentes da história deste país (sim, você leu o que eu escrevi). Afinal, o importante não é o golpe, mas a narrativa e…

    O que, a Rachel Sheherazade disse o quê? Ela está curtindo e compartilhando este post? Meu Deus

    Notícias de última hora. Aparentemente a Rachel Sheherazade, aquela do “o nazismo foi o PT da Alemanha”, também acha que o Wagner Moura é bobalhão. Meu Deus, o Wagner Moura é burro, mas a Rachel Sheherazade é burra de dar dó. Ah, Brasil! Por que raios você me faz concordar com esse tipo gente? Com a Rachel Sheherazade? Reinaldo Azevedo? Danilo Gentili!? Pois é, a moda agora no Congresso é culpar o panaca do Danilo Gentili por todas as mazelas deste país, como se um humorista de churrasco pudesse fazer pior que, bem, um presidente de churrasco como foi o Lula (sim, você leu o que eu escrevi).

    A realidade é que o Brasil não é o país onde puta goza, traficante cheira e pobre vota na direita. O Brasil é o país onde ator vira ativista político, jornalista vira ativista político, humorista vira ativista político e ativista político vira lobista de empreiteira.

    Não podia dar certo.

    Jotapê Jorge fala tanta merda quanto o Wagner Moura. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Wagner Moura só fala m*rda

    O Wagner Moura é o melhor ator brasileiro desta geração. Não que isso queira dizer muita coisa. Afinal, esta geração pariu Selton Mello. O que quero dizer é que gosto de Wagner Moura: Tropa de Elite é um dos poucos filmes brasileiros que não odeio, e legitimamente gostei de  Narcos. Só que isso não muda o fato de o Wagner Moura só falar merda.

    É impressionante. Wagner Moura consegue se colocar sempre no lugar errado do discurso político. É como se, dada a situação, ele pensasse: “Como posso me enganar?” Adotei-o, assim, como bússola: se Wagner Moura diz que é azul, pode ter certeza que é vermelho, se Wagner Moura diz que Lula é honesto, pode mandar prender.

    Se você quiser se inteirar sobre os acontecimentos políticos do Brasil e, de quebra, se posicionar sem risco de errar, basta olhar para o Wagner Moura. Diabo! Basta olhar para quase qualquer ator brasileiro. Ator nacional acha que sabe de tudo, de política econômica a pena que poucos saibam atuar.

    Pois este adorável trapalhão está agora de bandeira na mão marchando pela tal “Diretas, Já!”. Engraçado. A mesma gente que gritou  esgoelada “golpe!”, agora grita pela maior ruptura institucional do Brasil desde que o Fernando Henrique Cardoso comprou uma reeleição (sim, você leu o que eu escrevi).  Pior, Moura e outros desta turba, a galerinha do “arte engajada” e do : você-praça-acho-graça”,  não levantaram sequer um dedo para falar sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, que pode defenestrar ambos os piores presidentes da história deste país (sim, você leu o que eu escrevi). Afinal, o importante não é o golpe, mas a narrativa e…

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    Notícias de última hora. Aparentemente a Rachel Sheherazade, aquela do “o nazismo foi o PT da Alemanha”, também acha que o Wagner Moura é bobalhão. Meu Deus, o Wagner Moura é burro, mas a Rachel Sheherazade é burra de dar dó. Ah, Brasil! Por que raios você me faz concordar com esse tipo gente? Com a Rachel Sheherazade? Reinaldo Azevedo? Danilo Gentili!? Pois é, a moda agora no Congresso é culpar o panaca do Danilo Gentili por todas as mazelas deste país, como se um humorista de churrasco pudesse fazer pior que, bem, um presidente de churrasco como foi o Lula (sim, você leu o que eu escrevi).

    A realidade é que o Brasil não é o país onde puta goza, traficante cheira e pobre vota na direita. O Brasil é o país onde ator vira ativista político, jornalista vira ativista político, humorista vira ativista político e ativista político vira lobista de empreiteira.

    Não podia dar certo.

    Jotapê Jorge fala tanta merda quanto o Wagner Moura. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Wagner Moura é o melhor ator brasileiro desta geração. Não que isso queira dizer muita coisa. Afinal, esta geração pariu Selton Mello. O que quero dizer é que gosto de Wagner Moura: Tropa de Elite é um dos poucos filmes brasileiros que não odeio, e legitimamente gostei de  Narcos. Só que isso não muda o fato de o Wagner Moura só falar merda.

    É impressionante. Wagner Moura consegue se colocar sempre no lugar errado do discurso político. É como se, dada a situação, ele pensasse: “Como posso me enganar?” Adotei-o, assim, como bússola: se Wagner Moura diz que é azul, pode ter certeza que é vermelho, se Wagner Moura diz que Lula é honesto, pode mandar prender.

    Se você quiser se inteirar sobre os acontecimentos políticos do Brasil e, de quebra, se posicionar sem risco de errar, basta olhar para o Wagner Moura. Diabo! Basta olhar para quase qualquer ator brasileiro. Ator nacional acha que sabe de tudo, de política econômica a pena que poucos saibam atuar.

    Pois este adorável trapalhão está agora de bandeira na mão marchando pela tal “Diretas, Já!”. Engraçado. A mesma gente que gritou  esgoelada “golpe!”, agora grita pela maior ruptura institucional do Brasil desde que o Fernando Henrique Cardoso comprou uma reeleição (sim, você leu o que eu escrevi).  Pior, Moura e outros desta turba, a galerinha do “arte engajada” e do : você-praça-acho-graça”,  não levantaram sequer um dedo para falar sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, que pode defenestrar ambos os piores presidentes da história deste país (sim, você leu o que eu escrevi). Afinal, o importante não é o golpe, mas a narrativa e…

    O que, a Rachel Sheherazade disse o quê? Ela está curtindo e compartilhando este post? Meu Deus

    Notícias de última hora. Aparentemente a Rachel Sheherazade, aquela do “o nazismo foi o PT da Alemanha”, também acha que o Wagner Moura é bobalhão. Meu Deus, o Wagner Moura é burro, mas a Rachel Sheherazade é burra de dar dó. Ah, Brasil! Por que raios você me faz concordar com esse tipo gente? Com a Rachel Sheherazade? Reinaldo Azevedo? Danilo Gentili!? Pois é, a moda agora no Congresso é culpar o panaca do Danilo Gentili por todas as mazelas deste país, como se um humorista de churrasco pudesse fazer pior que, bem, um presidente de churrasco como foi o Lula (sim, você leu o que eu escrevi).

    A realidade é que o Brasil não é o país onde puta goza, traficante cheira e pobre vota na direita. O Brasil é o país onde ator vira ativista político, jornalista vira ativista político, humorista vira ativista político e ativista político vira lobista de empreiteira.

    Não podia dar certo.

    Jotapê Jorge fala tanta merda quanto o Wagner Moura. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Brasil que deu certo

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    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Brasil que deu certo

    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Brasil que deu certo

    O Brasil que deu certo

    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    Democracia Boleira

    tite-presidente-590x408

    A democracia falhou no Brasil. Eu sei, é difícil aceitar. Mas o fato é que este experimento civilizatório, surgido na Grécia, consolidado nos frios Reino Unido e nos Estados Unidos, nunca poderia funcionar na terra do esquindô-esquindô, onde puta goza, traficante cheira, pobre vota na direita e filho de rico é fã do Crioulo.

    Mas não se preocupem! O fato de a democracia “tradicional” ter falhado por aqui não significa que nós somos um país ruim. Significa, sim, que somos diferentes. Temos características sociais, econômicas e históricas únicas — quase como aquele seu primo esquisitão, que fuma unzinho, compra roupa em brechó, usa um tênis de cada cor, tem um piercing no mamilo, etc. Você não quer que ele arranje um emprego “tradicional”, quer? Fight the power!

    Mas a questão não é o seu primo vagabundo.

    O Brasil está fadado ao fracasso a não ser que encontre seu caminho, um caminho único, que se encaixe em suas características. E é por isso que proponho um sistema de governo excepcional, adaptado para a realidade nacional, e capaz de nos colocar finalmente no hall das grandes nações.

    Senhores, lhes apresento a Democracia Boleira.

    O futebol é provavelmente experimento cultural mais bem sucedido de nossa pátria. De todas as coisas que importamos (o cinema, a literatura, o saneamento básico) é o único que aqui chegou, brotou e deu frutos. Nós inventamos um jeito único de jogar, invejado por muitos. Os jogadores de futebol brasileiros são disputados a tapa na Europa. Você consegue imaginar o mesmo acontecendo com um político brasileiro? Pois a Democracia Boleira unirá o melhor de dois sistemas num programa totalmente adaptado para o gosto nacional.

    Vamos à teoria:

    As eleições serão de três em três anos, onde iremos votar para presidente, deputados e senadores Até aí nada muito diferente. Mas políticos dividir-se-ão (preciso usar antes que caia) em chapas (esse negócio de partido claramente não funciona na terra das palmeiras onde canta o sabiá). Depois de assumir, o presidente deverá escolher entre civis de notório saber político um primeiro-ministro. É aí que a coisa pega:

    Será do primeiro-ministro a responsabilidade de escalar os ministérios, traçar planos econômicos, fazer substituições quando necessário e treinar jogadas ensaiadas. Uma das questões pivotais da Democracia Boleira será seu sistema de “checks-and-balances”: a cada mês o primeiro-ministro deverá dar uma coletiva de imprensa apresentando em números factíveis os resultados de seu governo. Por exemplo:

    — Neste mês nós tivemos três resultados positivos e cinco negativos. Perdemos por 3 x 5.

    A pressão popular será imprescindível para o bom funcionamento Democracia Boleira. O povo deverá, sempre que necessário, ir às ruas pedir a demissão do primeiro-ministro e sua substituição por outro mais arrojado — ou talvez mais defensivo, se estivermos no Rio Grande do Sul. Em pouco tempo teremos canais como o PolíticaTV, discussões de boteco sobre a taxa Selic e torcidas organizadas.

    O Brasil nasceu para a Democracia Boleira. Seu advento é a única forma de salvarmos a nação.

    Jotapê Jorge já teve discussões mais elevadas sobre o escanteio curto do que você sobre o “Fora, Temer!” Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

     

     

     

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    Democracia Boleira

    A democracia falhou no Brasil. Eu sei, é difícil aceitar. Mas o fato é que este experimento civilizatório, surgido na Grécia, consolidado nos frios Reino Unido e nos Estados Unidos, nunca poderia funcionar na terra do esquindô-esquindô, onde puta goza, traficante cheira, pobre vota na direita e filho de rico é fã do Crioulo.

    Mas não se preocupem! O fato de a democracia “tradicional” ter falhado por aqui não significa que nós somos um país ruim. Significa, sim, que somos diferentes. Temos características sociais, econômicas e históricas únicas — quase como aquele seu primo esquisitão, que fuma unzinho, compra roupa em brechó, usa um tênis de cada cor, tem um piercing no mamilo, etc. Você não quer que ele arranje um emprego “tradicional”, quer? Fight the power!

    Mas a questão não é o seu primo vagabundo.

    O Brasil está fadado ao fracasso a não ser que encontre seu caminho, um caminho único, que se encaixe em suas características. E é por isso que proponho um sistema de governo excepcional, adaptado para a realidade nacional, e capaz de nos colocar finalmente no hall das grandes nações.

    Senhores, lhes apresento a Democracia Boleira.

    O futebol é provavelmente experimento cultural mais bem sucedido de nossa pátria. De todas as coisas que importamos (o cinema, a literatura, o saneamento básico) é o único que aqui chegou, brotou e deu frutos. Nós inventamos um jeito único de jogar, invejado por muitos. Os jogadores de futebol brasileiros são disputados a tapa na Europa. Você consegue imaginar o mesmo acontecendo com um político brasileiro? Pois a Democracia Boleira unirá o melhor de dois sistemas num programa totalmente adaptado para o gosto nacional.

    Vamos à teoria:

    As eleições serão de três em três anos, onde iremos votar para presidente, deputados e senadores Até aí nada muito diferente. Mas políticos dividir-se-ão (preciso usar antes que caia) em chapas (esse negócio de partido claramente não funciona na terra das palmeiras onde canta o sabiá). Depois de assumir, o presidente deverá escolher entre civis de notório saber político um primeiro-ministro. É aí que a coisa pega:

    Será do primeiro-ministro a responsabilidade de escalar os ministérios, traçar planos econômicos, fazer substituições quando necessário e treinar jogadas ensaiadas. Uma das questões pivotais da Democracia Boleira será seu sistema de “checks-and-balances”: a cada mês o primeiro-ministro deverá dar uma coletiva de imprensa apresentando em números factíveis os resultados de seu governo. Por exemplo:

    — Neste mês nós tivemos três resultados positivos e cinco negativos. Perdemos por 3 x 5.

    A pressão popular será imprescindível para o bom funcionamento Democracia Boleira. O povo deverá, sempre que necessário, ir às ruas pedir a demissão do primeiro-ministro e sua substituição por outro mais arrojado — ou talvez mais defensivo, se estivermos no Rio Grande do Sul. Em pouco tempo teremos canais como o PolíticaTV, discussões de boteco sobre a taxa Selic e torcidas organizadas.

    O Brasil nasceu para a Democracia Boleira. Seu advento é a única forma de salvarmos a nação.

    Jotapê Jorge já teve discussões mais elevadas sobre o escanteio curto do que você sobre o “Fora, Temer!” Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

     

     

     

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    Democracia Boleira

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    Mas não se preocupem! O fato de a democracia “tradicional” ter falhado por aqui não significa que nós somos um país ruim. Significa, sim, que somos diferentes. Temos características sociais, econômicas e históricas únicas — quase como aquele seu primo esquisitão, que fuma unzinho, compra roupa em brechó, usa um tênis de cada cor, tem um piercing no mamilo, etc. Você não quer que ele arranje um emprego “tradicional”, quer? Fight the power!

    Mas a questão não é o seu primo vagabundo.

    O Brasil está fadado ao fracasso a não ser que encontre seu caminho, um caminho único, que se encaixe em suas características. E é por isso que proponho um sistema de governo excepcional, adaptado para a realidade nacional, e capaz de nos colocar finalmente no hall das grandes nações.

    Senhores, lhes apresento a Democracia Boleira.

    O futebol é provavelmente experimento cultural mais bem sucedido de nossa pátria. De todas as coisas que importamos (o cinema, a literatura, o saneamento básico) é o único que aqui chegou, brotou e deu frutos. Nós inventamos um jeito único de jogar, invejado por muitos. Os jogadores de futebol brasileiros são disputados a tapa na Europa. Você consegue imaginar o mesmo acontecendo com um político brasileiro? Pois a Democracia Boleira unirá o melhor de dois sistemas num programa totalmente adaptado para o gosto nacional.

    Vamos à teoria:

    As eleições serão de três em três anos, onde iremos votar para presidente, deputados e senadores Até aí nada muito diferente. Mas políticos dividir-se-ão (preciso usar antes que caia) em chapas (esse negócio de partido claramente não funciona na terra das palmeiras onde canta o sabiá). Depois de assumir, o presidente deverá escolher entre civis de notório saber político um primeiro-ministro. É aí que a coisa pega:

    Será do primeiro-ministro a responsabilidade de escalar os ministérios, traçar planos econômicos, fazer substituições quando necessário e treinar jogadas ensaiadas. Uma das questões pivotais da Democracia Boleira será seu sistema de “checks-and-balances”: a cada mês o primeiro-ministro deverá dar uma coletiva de imprensa apresentando em números factíveis os resultados de seu governo. Por exemplo:

    — Neste mês nós tivemos três resultados positivos e cinco negativos. Perdemos por 3 x 5.

    A pressão popular será imprescindível para o bom funcionamento Democracia Boleira. O povo deverá, sempre que necessário, ir às ruas pedir a demissão do primeiro-ministro e sua substituição por outro mais arrojado — ou talvez mais defensivo, se estivermos no Rio Grande do Sul. Em pouco tempo teremos canais como o PolíticaTV, discussões de boteco sobre a taxa Selic e torcidas organizadas.

    O Brasil nasceu para a Democracia Boleira. Seu advento é a única forma de salvarmos a nação.

    Jotapê Jorge já teve discussões mais elevadas sobre o escanteio curto do que você sobre o “Fora, Temer!” Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

     

     

     

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    Moro sabia que Lula sabia que VOCÊ é idiota

    BdHyVue

    Há quem as chame de fake news, há quem diga que são “fatos alternativos”, mas a verdade é que, depois da bala “mágica” de John Kennedy e muito depois da naturalização de Adolf Hitler como “Adolfo Hitlerón”, as teorias da conspiração voltaram à moda. E o Brasil, que demorou séculos para adotar o “estado democrático de direito” e “saneamento básico”, já aderiu com sanha canina à prática de inventar groselhas.

    Você já deve ter lido várias no “zap-zap”. Mas a realidade  é que nem Moro queria prender Lula, e muito menos Lula queimou as provas que levariam à sua prisão. A verdade, ó, a doce verdade!, é muito mais tenebrosa. Tenho aqui em mãos um documento exclusivo. É a transcrição de uma conversa telefônica entre figuras da mais alta roda da República que revelam o começo do fim. Mas, cuidado. Ao ler isso você será cúmplice, e passará a ser perseguido pela Abin (o que, você queria que a CIA, a KGB e o M16 se importassem com nossas macaquices? Vê se cresce, irmão!)

    Pois, stultus est qui similis Ioannes Doricas, vamos aos fatos:

    Novembro de 2009, noite. A alta cúpula do PIB (Partido Iluminati do Brasil) se reúne. Sentados à mesa estão Luís Inácio Lula da Silva, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Gretchen, o ET de Varginha, José Sarney, Sílvio Santos, Pelé, e Galvão Bueno (representando a Globo). Em pauta as eleições de dali um ano e a que previsão de que o neo-desenvolvimentismo proposto pelo governo petista (também conhecido como “capitalismo compadrista”) é insustentável, um carro correndo para um muro, o proverbial cachorro correndo atrás do rabo.

    — E eu não quero essa porra estourando na minha mão, caralho! — berrou Lula.

    — A realidade é que é impossível o país viver com este crescente deficit no setor público. É preciso fazer uma série de reformas — diz, timidamente, a cantora Gretchen.

    — Ah, mas assim é fácil, né? Querem foder comigo? Querem comer meu cu? Se eu fizer porra de caralho de reforma os companheiros vão querer me linchar. Porra.

    Dezembro do mesmo ano. Manhã. Galvão Bueno telefona para José Sarney:

    — Beeeeeeeeeeem amigos do Maranhão! Voltamos em definitivo com uma solução para o estado da nação.

    — Galvão, amigo, o povo está contigo. A vida, é bela, menos da favela. Me conte, agora, e não deixe nada fora. Amigo, Galvão, qual é a solução?

    — Para economia não naufragar agora não é possível. A física não permite! Mas esse frango não pode vir do governo Lula. A solução é… Espera que eu vou botar um amigo na linha… Casão, me conta, como você mudaria o jogo?

    — Éééé… Às vezes a gente tem que jogar para trás. Bota uma bucha de canhão e deixa estourar com ela. Aí depois a gente põe outra pessoa bem impopular para atacar na hora da reforma e o Lulão volta fácil em 2018.

    — Casão, jogador, você é um amor. Ideia, gigante, e veio de um falante! Galvão, amado, muito obrigado. Mas Galvão, que mania, quem será que aceitaria? Assim, do nada, terminar impichada?

    Dia 23 de dezembro, beira-mar:

    — Companheira Dilma, querida, eu tenho uma proposta para te fazer– diz Lula, com um brilho nos olhos.

    Jotapê Jorge só diz a verdade. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Moro sabia que Lula sabia que VOCÊ é idiota

    Há quem as chame de fake news, há quem diga que são “fatos alternativos”, mas a verdade é que, depois da bala “mágica” de John Kennedy e muito depois da naturalização de Adolf Hitler como “Adolfo Hitlerón”, as teorias da conspiração voltaram à moda. E o Brasil, que demorou séculos para adotar o “estado democrático de direito” e “saneamento básico”, já aderiu com sanha canina à prática de inventar groselhas.

    Você já deve ter lido várias no “zap-zap”. Mas a realidade  é que nem Moro queria prender Lula, e muito menos Lula queimou as provas que levariam à sua prisão. A verdade, ó, a doce verdade!, é muito mais tenebrosa. Tenho aqui em mãos um documento exclusivo. É a transcrição de uma conversa telefônica entre figuras da mais alta roda da República que revelam o começo do fim. Mas, cuidado. Ao ler isso você será cúmplice, e passará a ser perseguido pela Abin (o que, você queria que a CIA, a KGB e o M16 se importassem com nossas macaquices? Vê se cresce, irmão!)

    Pois, stultus est qui similis Ioannes Doricas, vamos aos fatos:

    Novembro de 2009, noite. A alta cúpula do PIB (Partido Iluminati do Brasil) se reúne. Sentados à mesa estão Luís Inácio Lula da Silva, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Gretchen, o ET de Varginha, José Sarney, Sílvio Santos, Pelé, e Galvão Bueno (representando a Globo). Em pauta as eleições de dali um ano e a que previsão de que o neo-desenvolvimentismo proposto pelo governo petista (também conhecido como “capitalismo compadrista”) é insustentável, um carro correndo para um muro, o proverbial cachorro correndo atrás do rabo.

    — E eu não quero essa porra estourando na minha mão, caralho! — berrou Lula.

    — A realidade é que é impossível o país viver com este crescente deficit no setor público. É preciso fazer uma série de reformas — diz, timidamente, a cantora Gretchen.

    — Ah, mas assim é fácil, né? Querem foder comigo? Querem comer meu cu? Se eu fizer porra de caralho de reforma os companheiros vão querer me linchar. Porra.

    Dezembro do mesmo ano. Manhã. Galvão Bueno telefona para José Sarney:

    — Beeeeeeeeeeem amigos do Maranhão! Voltamos em definitivo com uma solução para o estado da nação.

    — Galvão, amigo, o povo está contigo. A vida, é bela, menos da favela. Me conte, agora, e não deixe nada fora. Amigo, Galvão, qual é a solução?

    — Para economia não naufragar agora não é possível. A física não permite! Mas esse frango não pode vir do governo Lula. A solução é… Espera que eu vou botar um amigo na linha… Casão, me conta, como você mudaria o jogo?

    — Éééé… Às vezes a gente tem que jogar para trás. Bota uma bucha de canhão e deixa estourar com ela. Aí depois a gente põe outra pessoa bem impopular para atacar na hora da reforma e o Lulão volta fácil em 2018.

    — Casão, jogador, você é um amor. Ideia, gigante, e veio de um falante! Galvão, amado, muito obrigado. Mas Galvão, que mania, quem será que aceitaria? Assim, do nada, terminar impichada?

    Dia 23 de dezembro, beira-mar:

    — Companheira Dilma, querida, eu tenho uma proposta para te fazer– diz Lula, com um brilho nos olhos.

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    Você já deve ter lido várias no “zap-zap”. Mas a realidade  é que nem Moro queria prender Lula, e muito menos Lula queimou as provas que levariam à sua prisão. A verdade, ó, a doce verdade!, é muito mais tenebrosa. Tenho aqui em mãos um documento exclusivo. É a transcrição de uma conversa telefônica entre figuras da mais alta roda da República que revelam o começo do fim. Mas, cuidado. Ao ler isso você será cúmplice, e passará a ser perseguido pela Abin (o que, você queria que a CIA, a KGB e o M16 se importassem com nossas macaquices? Vê se cresce, irmão!)

    Pois, stultus est qui similis Ioannes Doricas, vamos aos fatos:

    Novembro de 2009, noite. A alta cúpula do PIB (Partido Iluminati do Brasil) se reúne. Sentados à mesa estão Luís Inácio Lula da Silva, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy, Gretchen, o ET de Varginha, José Sarney, Sílvio Santos, Pelé, e Galvão Bueno (representando a Globo). Em pauta as eleições de dali um ano e a que previsão de que o neo-desenvolvimentismo proposto pelo governo petista (também conhecido como “capitalismo compadrista”) é insustentável, um carro correndo para um muro, o proverbial cachorro correndo atrás do rabo.

    — E eu não quero essa porra estourando na minha mão, caralho! — berrou Lula.

    — A realidade é que é impossível o país viver com este crescente deficit no setor público. É preciso fazer uma série de reformas — diz, timidamente, a cantora Gretchen.

    — Ah, mas assim é fácil, né? Querem foder comigo? Querem comer meu cu? Se eu fizer porra de caralho de reforma os companheiros vão querer me linchar. Porra.

    Dezembro do mesmo ano. Manhã. Galvão Bueno telefona para José Sarney:

    — Beeeeeeeeeeem amigos do Maranhão! Voltamos em definitivo com uma solução para o estado da nação.

    — Galvão, amigo, o povo está contigo. A vida, é bela, menos da favela. Me conte, agora, e não deixe nada fora. Amigo, Galvão, qual é a solução?

    — Para economia não naufragar agora não é possível. A física não permite! Mas esse frango não pode vir do governo Lula. A solução é… Espera que eu vou botar um amigo na linha… Casão, me conta, como você mudaria o jogo?

    — Éééé… Às vezes a gente tem que jogar para trás. Bota uma bucha de canhão e deixa estourar com ela. Aí depois a gente põe outra pessoa bem impopular para atacar na hora da reforma e o Lulão volta fácil em 2018.

    — Casão, jogador, você é um amor. Ideia, gigante, e veio de um falante! Galvão, amado, muito obrigado. Mas Galvão, que mania, quem será que aceitaria? Assim, do nada, terminar impichada?

    Dia 23 de dezembro, beira-mar:

    — Companheira Dilma, querida, eu tenho uma proposta para te fazer– diz Lula, com um brilho nos olhos.

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    Como era gostosa a minha ditadura!

    sargento-pincel

    O ano é 2017, mas o Brasil vive em etéreo estado de nostalgia pelo ano de 1964. Não, eu não estou falando de panacas como o Jair Bolsonaro, gente tão burra que não percebe que no tempo que levaria para os milicos levantaram da cama, tirarem seus pijamas, tomarem o remédio para artrite e vestirem o fardão, Temer-lo-ei já não seria mais presidente, tornando-se então apenas uma figura apagada nos livros de história — um Café Filho, por assim dizer.

    O tipo mais estupido de viúva da Ditadura é o esquerdista-médio-brasileiro. Sim, aquele mesmo do “você praça acho graça”.

    Essa gente a-do-ra a Ditadura. O esquerdista brasileiro da minha geração, aquele que teve o azar de nascer numa democracia, lê os relatos da luta armada com a mesma sofreguidão que um adolescente inglês lê sobre os cavaleiros do rei Arthur. No fundo nós queríamos estar lá naquele congresso da UNE em Ibiúna comendo galeto e tomando chope com um belo e garboso José Dirceu, ou fazer parte de um aparelho e roubar bancos contra o capitalismo. Isso sem falar no privilégio de viver o auge de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ele. Sim. Confesse: todos nós já sonhamos em estar lá no Teatro Paramount quando Ele subiu ao palco para cantar Roda Viva com o MPB4.

    A democracia tem muitas falhas. A principal dela é que nós temos de sentar e ouvir a opinião dos outros. Quem quer isso? É muito mais legal gritar “viva a revolução!” A democracia também é muito chata. Metódica, até. A cada dois anos a gente vai a uma cabina de votação e aperta uns botõezinhos — bip, bop, piriririm. Parabéns, você votou. Cadê a graça nisso? Legal era na época da Ditadura, quando votar era tão raro que tinha gente querendo. Além do mais, naquela época a gente podia ir para rua e lutar por algo que fosse factível (a volta da democracia). As pautas de hoje são muito complexas: PEC trezentos e quantos? Reforma do quê? Fora, quem? De quebra se você pixar “Abaixo a Ditadura!”  João Dória aparece e te pinta de cinza.

    Nossa sorte é que há um golpe em marcha no Brasil. É um golpe com letra minúscula, claro. Enquanto o de 1964 teve tanques na rua, deputados caçados, quebra de continuidade democrática, este seguiu todos os ritos previstos na Constituição, manteve o vice-presidente (ou “presidento”, segundo algumas correntes teóricas) e até já teve eleições — sim, nós elegemos o Marcelo Crivella, mas o fato de um povo não saber votar não anula sua democracia.

    O bom desse golpe de mentirinha é que com ele a gente pode viver todas as nossas fantasias (gritar, espernear, escrever artigo na Folha de S. Paulo e até mesmo viajar para o México para fazer uma “denúncia do golpe”) sem correr o risco de se pendurado num pau-de-arara no DOI-CODI. O melhor de tudo: podemos fazer isso sem deixar transparecer que somos apenas uns mimados idiotas de classe média e sem talento, com um broche do “Fora, Temer!” no bar Capivara às 3h da manhã.

    Jotapê Jorge não faz greve porque não tem emprego. Ele escreve por aqui toda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Como era gostosa a minha ditadura!

    O ano é 2017, mas o Brasil vive em etéreo estado de nostalgia pelo ano de 1964. Não, eu não estou falando de panacas como o Jair Bolsonaro, gente tão burra que não percebe que no tempo que levaria para os milicos levantaram da cama, tirarem seus pijamas, tomarem o remédio para artrite e vestirem o fardão, Temer-lo-ei já não seria mais presidente, tornando-se então apenas uma figura apagada nos livros de história — um Café Filho, por assim dizer.

    O tipo mais estupido de viúva da Ditadura é o esquerdista-médio-brasileiro. Sim, aquele mesmo do “você praça acho graça”.

    Essa gente a-do-ra a Ditadura. O esquerdista brasileiro da minha geração, aquele que teve o azar de nascer numa democracia, lê os relatos da luta armada com a mesma sofreguidão que um adolescente inglês lê sobre os cavaleiros do rei Arthur. No fundo nós queríamos estar lá naquele congresso da UNE em Ibiúna comendo galeto e tomando chope com um belo e garboso José Dirceu, ou fazer parte de um aparelho e roubar bancos contra o capitalismo. Isso sem falar no privilégio de viver o auge de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ele. Sim. Confesse: todos nós já sonhamos em estar lá no Teatro Paramount quando Ele subiu ao palco para cantar Roda Viva com o MPB4.

    A democracia tem muitas falhas. A principal dela é que nós temos de sentar e ouvir a opinião dos outros. Quem quer isso? É muito mais legal gritar “viva a revolução!” A democracia também é muito chata. Metódica, até. A cada dois anos a gente vai a uma cabina de votação e aperta uns botõezinhos — bip, bop, piriririm. Parabéns, você votou. Cadê a graça nisso? Legal era na época da Ditadura, quando votar era tão raro que tinha gente querendo. Além do mais, naquela época a gente podia ir para rua e lutar por algo que fosse factível (a volta da democracia). As pautas de hoje são muito complexas: PEC trezentos e quantos? Reforma do quê? Fora, quem? De quebra se você pixar “Abaixo a Ditadura!”  João Dória aparece e te pinta de cinza.

    Nossa sorte é que há um golpe em marcha no Brasil. É um golpe com letra minúscula, claro. Enquanto o de 1964 teve tanques na rua, deputados caçados, quebra de continuidade democrática, este seguiu todos os ritos previstos na Constituição, manteve o vice-presidente (ou “presidento”, segundo algumas correntes teóricas) e até já teve eleições — sim, nós elegemos o Marcelo Crivella, mas o fato de um povo não saber votar não anula sua democracia.

    O bom desse golpe de mentirinha é que com ele a gente pode viver todas as nossas fantasias (gritar, espernear, escrever artigo na Folha de S. Paulo e até mesmo viajar para o México para fazer uma “denúncia do golpe”) sem correr o risco de se pendurado num pau-de-arara no DOI-CODI. O melhor de tudo: podemos fazer isso sem deixar transparecer que somos apenas uns mimados idiotas de classe média e sem talento, com um broche do “Fora, Temer!” no bar Capivara às 3h da manhã.

    Jotapê Jorge não faz greve porque não tem emprego. Ele escreve por aqui toda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Como era gostosa a minha ditadura!

    O ano é 2017, mas o Brasil vive em etéreo estado de nostalgia pelo ano de 1964. Não, eu não estou falando de panacas como o Jair Bolsonaro, gente tão burra que não percebe que no tempo que levaria para os milicos levantaram da cama, tirarem seus pijamas, tomarem o remédio para artrite e vestirem o fardão, Temer-lo-ei já não seria mais presidente, tornando-se então apenas uma figura apagada nos livros de história — um Café Filho, por assim dizer.

    O tipo mais estupido de viúva da Ditadura é o esquerdista-médio-brasileiro. Sim, aquele mesmo do “você praça acho graça”.

    Essa gente a-do-ra a Ditadura. O esquerdista brasileiro da minha geração, aquele que teve o azar de nascer numa democracia, lê os relatos da luta armada com a mesma sofreguidão que um adolescente inglês lê sobre os cavaleiros do rei Arthur. No fundo nós queríamos estar lá naquele congresso da UNE em Ibiúna comendo galeto e tomando chope com um belo e garboso José Dirceu, ou fazer parte de um aparelho e roubar bancos contra o capitalismo. Isso sem falar no privilégio de viver o auge de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ele. Sim. Confesse: todos nós já sonhamos em estar lá no Teatro Paramount quando Ele subiu ao palco para cantar Roda Viva com o MPB4.

    A democracia tem muitas falhas. A principal dela é que nós temos de sentar e ouvir a opinião dos outros. Quem quer isso? É muito mais legal gritar “viva a revolução!” A democracia também é muito chata. Metódica, até. A cada dois anos a gente vai a uma cabina de votação e aperta uns botõezinhos — bip, bop, piriririm. Parabéns, você votou. Cadê a graça nisso? Legal era na época da Ditadura, quando votar era tão raro que tinha gente querendo. Além do mais, naquela época a gente podia ir para rua e lutar por algo que fosse factível (a volta da democracia). As pautas de hoje são muito complexas: PEC trezentos e quantos? Reforma do quê? Fora, quem? De quebra se você pixar “Abaixo a Ditadura!”  João Dória aparece e te pinta de cinza.

    Nossa sorte é que há um golpe em marcha no Brasil. É um golpe com letra minúscula, claro. Enquanto o de 1964 teve tanques na rua, deputados caçados, quebra de continuidade democrática, este seguiu todos os ritos previstos na Constituição, manteve o vice-presidente (ou “presidento”, segundo algumas correntes teóricas) e até já teve eleições — sim, nós elegemos o Marcelo Crivella, mas o fato de um povo não saber votar não anula sua democracia.

    O bom desse golpe de mentirinha é que com ele a gente pode viver todas as nossas fantasias (gritar, espernear, escrever artigo na Folha de S. Paulo e até mesmo viajar para o México para fazer uma “denúncia do golpe”) sem correr o risco de se pendurado num pau-de-arara no DOI-CODI. O melhor de tudo: podemos fazer isso sem deixar transparecer que somos apenas uns mimados idiotas de classe média e sem talento, com um broche do “Fora, Temer!” no bar Capivara às 3h da manhã.

    Jotapê Jorge não faz greve porque não tem emprego. Ele escreve por aqui toda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    As reformas de Temer e o gatoamor

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    Muito já se falou sobre as reformas GOLPISTAS do governo feio, sujo, bobo, mau e porcalhão do presidento Michel Temer-lo-ei e como estas afetam a vida não apenas dos trabalhadores, mas também dos blogueiros progressistas, dos cineastas-lei-Rouanet e das moças que frequentam o bar Capivara às 3h da manhã e a balada Mondo Pensante Confraria de Ideias para bailar Cícero.

    Mas e nós, gatoamoristas deste Brasil?

    Contextualizando

    Em 1500 o nobre português Pedro de Paula Miguel Rafael Serafim Cipriano Rodrigues Alves de Deus e Cabral deixou Portugal por uma casinha em Porto Seguro onde adotou o nome de Pedroca das Miçangas e foi viver de vender artesanato feito com as coisas que a natureza nos dá. A partir de então e pelos 517 anos seguintes o Brasil viveu entre a civilização, a barbárie e os desmandos da família Sarney.

    As reformas e a vida da classe trabalhadora

    Se aprovadas as reformas são uma queda brutal na qualidade de vida dos trabalhadores gatoamoristas, não apenas porque o Whiskas está pela hora da morte, mas porque toda a velhinha tem pelo menos um gato, e como elas farão para alimentar o Gatucho, o Gaturro, o Bolinha, o Bolota, a Blanquita, a Mel e o Amarelo com essa aposentadoria de fome?

    Se do ponto dos explorados isso é terrível, do ponto de vista dos oprimidos e explorados é ainda pior. Todo mundo sabe que nós gatoamoristas sofremos um preconceito velado nesta sociedade canino-cêntrica.  A situação dos gatoamoristas é análoga à dos poliamoristas com o agravante de que nossas uniões não são reconhecidas.

    Gatoamoristas e as consequências da reforma

    Nós gatoamoristas sofreremos um ataque específico com as reformas de Temer-lo-ei, pois será extremamente difícil manter um gato em casa. Como se sabe os cachorros são muito mais baratos, já que estes se alimentam de sobras, ao contrário da minha Lulu, que só come ração premium sabor salmão. Além disso, com o aumento da instabilidade muitos terão de pegar um cachorro mau para defender sua residência e um outro babão para ir passear no parque (já que este será o único  entretenimento gratuito).

    No âmbito do trabalho seremos obrigados a nos esconder ainda mais, correndo o risco de sofrer chantagem de colegas cachorroistas, chefes e patrões, piorando nossas condições e abrindo margem para o aumento do assédio que já sofremos por preferir ver Netflix com o Sr. Bola de Neve a ir naquela balada super-prafrentexzzzZzzZZzzzz.

    E a qual é a saída?

    Por isso é imprescindível que estejamos todos juntos no dia 28 na Greve Geral. Nós gatoamoristas devemos mostrar para a classe canino-cêntrica que nós existimos e que sofremos com a gatofobia. O melhor momento para isso é agora.

    Jotapê Jorge é pai da Aomame e do Teobaldo, os gatos ali da foto. Ele escreve por aqui toda a sexta (menos nos feriados, pois ninguém é de ferro), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    As reformas de Temer e o gatoamor

    Muito já se falou sobre as reformas GOLPISTAS do governo feio, sujo, bobo, mau e porcalhão do presidento Michel Temer-lo-ei e como estas afetam a vida não apenas dos trabalhadores, mas também dos blogueiros progressistas, dos cineastas-lei-Rouanet e das moças que frequentam o bar Capivara às 3h da manhã e a balada Mondo Pensante Confraria de Ideias para bailar Cícero.

    Mas e nós, gatoamoristas deste Brasil?

    Contextualizando

    Em 1500 o nobre português Pedro de Paula Miguel Rafael Serafim Cipriano Rodrigues Alves de Deus e Cabral deixou Portugal por uma casinha em Porto Seguro onde adotou o nome de Pedroca das Miçangas e foi viver de vender artesanato feito com as coisas que a natureza nos dá. A partir de então e pelos 517 anos seguintes o Brasil viveu entre a civilização, a barbárie e os desmandos da família Sarney.

    As reformas e a vida da classe trabalhadora

    Se aprovadas as reformas são uma queda brutal na qualidade de vida dos trabalhadores gatoamoristas, não apenas porque o Whiskas está pela hora da morte, mas porque toda a velhinha tem pelo menos um gato, e como elas farão para alimentar o Gatucho, o Gaturro, o Bolinha, o Bolota, a Blanquita, a Mel e o Amarelo com essa aposentadoria de fome?

    Se do ponto dos explorados isso é terrível, do ponto de vista dos oprimidos e explorados é ainda pior. Todo mundo sabe que nós gatoamoristas sofremos um preconceito velado nesta sociedade canino-cêntrica.  A situação dos gatoamoristas é análoga à dos poliamoristas com o agravante de que nossas uniões não são reconhecidas.

    Gatoamoristas e as consequências da reforma

    Nós gatoamoristas sofreremos um ataque específico com as reformas de Temer-lo-ei, pois será extremamente difícil manter um gato em casa. Como se sabe os cachorros são muito mais baratos, já que estes se alimentam de sobras, ao contrário da minha Lulu, que só come ração premium sabor salmão. Além disso, com o aumento da instabilidade muitos terão de pegar um cachorro mau para defender sua residência e um outro babão para ir passear no parque (já que este será o único  entretenimento gratuito).

    No âmbito do trabalho seremos obrigados a nos esconder ainda mais, correndo o risco de sofrer chantagem de colegas cachorroistas, chefes e patrões, piorando nossas condições e abrindo margem para o aumento do assédio que já sofremos por preferir ver Netflix com o Sr. Bola de Neve a ir naquela balada super-prafrentexzzzZzzZZzzzz.

    E a qual é a saída?

    Por isso é imprescindível que estejamos todos juntos no dia 28 na Greve Geral. Nós gatoamoristas devemos mostrar para a classe canino-cêntrica que nós existimos e que sofremos com a gatofobia. O melhor momento para isso é agora.

    Jotapê Jorge é pai da Aomame e do Teobaldo, os gatos ali da foto. Ele escreve por aqui toda a sexta (menos nos feriados, pois ninguém é de ferro), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    Mas e nós, gatoamoristas deste Brasil?

    Contextualizando

    Em 1500 o nobre português Pedro de Paula Miguel Rafael Serafim Cipriano Rodrigues Alves de Deus e Cabral deixou Portugal por uma casinha em Porto Seguro onde adotou o nome de Pedroca das Miçangas e foi viver de vender artesanato feito com as coisas que a natureza nos dá. A partir de então e pelos 517 anos seguintes o Brasil viveu entre a civilização, a barbárie e os desmandos da família Sarney.

    As reformas e a vida da classe trabalhadora

    Se aprovadas as reformas são uma queda brutal na qualidade de vida dos trabalhadores gatoamoristas, não apenas porque o Whiskas está pela hora da morte, mas porque toda a velhinha tem pelo menos um gato, e como elas farão para alimentar o Gatucho, o Gaturro, o Bolinha, o Bolota, a Blanquita, a Mel e o Amarelo com essa aposentadoria de fome?

    Se do ponto dos explorados isso é terrível, do ponto de vista dos oprimidos e explorados é ainda pior. Todo mundo sabe que nós gatoamoristas sofremos um preconceito velado nesta sociedade canino-cêntrica.  A situação dos gatoamoristas é análoga à dos poliamoristas com o agravante de que nossas uniões não são reconhecidas.

    Gatoamoristas e as consequências da reforma

    Nós gatoamoristas sofreremos um ataque específico com as reformas de Temer-lo-ei, pois será extremamente difícil manter um gato em casa. Como se sabe os cachorros são muito mais baratos, já que estes se alimentam de sobras, ao contrário da minha Lulu, que só come ração premium sabor salmão. Além disso, com o aumento da instabilidade muitos terão de pegar um cachorro mau para defender sua residência e um outro babão para ir passear no parque (já que este será o único  entretenimento gratuito).

    No âmbito do trabalho seremos obrigados a nos esconder ainda mais, correndo o risco de sofrer chantagem de colegas cachorroistas, chefes e patrões, piorando nossas condições e abrindo margem para o aumento do assédio que já sofremos por preferir ver Netflix com o Sr. Bola de Neve a ir naquela balada super-prafrentexzzzZzzZZzzzz.

    E a qual é a saída?

    Por isso é imprescindível que estejamos todos juntos no dia 28 na Greve Geral. Nós gatoamoristas devemos mostrar para a classe canino-cêntrica que nós existimos e que sofremos com a gatofobia. O melhor momento para isso é agora.

    Jotapê Jorge é pai da Aomame e do Teobaldo, os gatos ali da foto. Ele escreve por aqui toda a sexta (menos nos feriados, pois ninguém é de ferro), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

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    O Doria é ruim SIM!

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    – Bem amigos do República dos Bananas, senhoras e senhores da plateia! Ou devo dizer… Senhorxs e senhorxs? Bom, hoje vamos presenciar um confronto dos mais aguardados. É hoje que tiraremos  a dúvida de quem foi o melhor prefeito de São Paulo. Do lado esquerdo, com 1,89m e pesando quase 100kg, o muso do Paraíso e ex-campeão… Feeeeernaaaaandoooo “El Gato” Haddad!

    (Parte plateia vai ao delírio, a outra grita “vai para Cuba!”)

    — E do lado direito, com 1,55 de altura e 65kg bem distribuídos num terno Armani, o atual detentor do cinturão de prefeito de São Paulo… Jooooããão “Ken Humano” Doria!

    (O restante da plateia vai à loucura, a outra grita “você praça acho graça!”)

     

    Se você já se vê fazendo pipoca para acompanhar este embate, ligando para os amigos, convidando-os para a sua casa, fazendo discussões acalorados sobre o “pound-for-pound” destes dois incríveis lutadores e juntando estatísticas para defender um ou outro. Parabéns! Você é um idiota. Afinal, a resposta sobre quem é melhor para ser prefeito de São Paulo, se um cara de classe média ou um cara ligeiramente mais de classe média, se alguém com propostas populistas sobre bicicleta ou se alguém com propostas populistas sobre pixo é… Bem…

    Os fãs do Haddad eram chatos, mas o do Doria, meu Jesus Cristinho. O cabra mal foi eleito e já está alçado ao patamar de divindade. Tem gente por aí (pasmem!) cogitando-o para a presidência da República (que pensando bem não é algo tão ridículo — afinal, até a Dilma conseguiu) sendo que tudo o que Doria fez  foi se fantasiar e pintar uns muros de cinza. Ah, isso e mandar as pessoas “passearem em Curitiba”, o que me parece um desserviço ao setor hoteleiro paulistano. Dizem que ele “resolveu a saúde”, o que por si só poderia indicar um pacto com o TEMER (digo, o demo). Mas quem diz isso é inevitavelmente doriana e nunca foi numa UPS, por isso acho o dado difícil de engolir.

    Doria, com todas as suas bravatas, não faz nada além de irritar a esquerda. Há quem ache o suficiente. Devem morar em uma cidade sem buracos nas ruas, em que algo tão corriqueiro quanto uma chuva não traz o caos, a psicopatia e a demência, onde a passagem de ônibus é barata e eles andam no horário, cheia de parques e atividades culturais…

    Não. Doria não é prefeito de Berlim. E por isso mesmo acho que ele faz um administração bem bunda. Mas sou minoria. O povo ama Doria, ama Lula e ama Bolsonaro. Pois, céus!, tem gente que ainda ama a Dilma! O brasileiro, esteja ele nos grotões do Nordeste lambendo rapadura ou comendo caviar e tomando champagne para bridar um encontro nos Jardins é burro de dar dó. A gente em pleno 2017, século 21, pós-comunismo e pós-modernidade, com uma guerra na Síria e um Trump na Casa Branca ainda têm a pachorra de idolatrar político!

    Jotapê Jorge não expõe suas convicções políticas, que são íntimas e respeitosas. Também não é coxinha e nem mortadela, apenas Jotapê Jorge. Ele escreve por aqui  oda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

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    O Doria é ruim SIM!

    – Bem amigos do República dos Bananas, senhoras e senhores da plateia! Ou devo dizer… Senhorxs e senhorxs? Bom, hoje vamos presenciar um confronto dos mais aguardados. É hoje que tiraremos  a dúvida de quem foi o melhor prefeito de São Paulo. Do lado esquerdo, com 1,89m e pesando quase 100kg, o muso do Paraíso e ex-campeão… Feeeeernaaaaandoooo “El Gato” Haddad!

    (Parte plateia vai ao delírio, a outra grita “vai para Cuba!”)

    — E do lado direito, com 1,55 de altura e 65kg bem distribuídos num terno Armani, o atual detentor do cinturão de prefeito de São Paulo… Jooooããão “Ken Humano” Doria!

    (O restante da plateia vai à loucura, a outra grita “você praça acho graça!”)

     

    Se você já se vê fazendo pipoca para acompanhar este embate, ligando para os amigos, convidando-os para a sua casa, fazendo discussões acalorados sobre o “pound-for-pound” destes dois incríveis lutadores e juntando estatísticas para defender um ou outro. Parabéns! Você é um idiota. Afinal, a resposta sobre quem é melhor para ser prefeito de São Paulo, se um cara de classe média ou um cara ligeiramente mais de classe média, se alguém com propostas populistas sobre bicicleta ou se alguém com propostas populistas sobre pixo é… Bem…

    Os fãs do Haddad eram chatos, mas o do Doria, meu Jesus Cristinho. O cabra mal foi eleito e já está alçado ao patamar de divindade. Tem gente por aí (pasmem!) cogitando-o para a presidência da República (que pensando bem não é algo tão ridículo — afinal, até a Dilma conseguiu) sendo que tudo o que Doria fez  foi se fantasiar e pintar uns muros de cinza. Ah, isso e mandar as pessoas “passearem em Curitiba”, o que me parece um desserviço ao setor hoteleiro paulistano. Dizem que ele “resolveu a saúde”, o que por si só poderia indicar um pacto com o TEMER (digo, o demo). Mas quem diz isso é inevitavelmente doriana e nunca foi numa UPS, por isso acho o dado difícil de engolir.

    Doria, com todas as suas bravatas, não faz nada além de irritar a esquerda. Há quem ache o suficiente. Devem morar em uma cidade sem buracos nas ruas, em que algo tão corriqueiro quanto uma chuva não traz o caos, a psicopatia e a demência, onde a passagem de ônibus é barata e eles andam no horário, cheia de parques e atividades culturais…

    Não. Doria não é prefeito de Berlim. E por isso mesmo acho que ele faz um administração bem bunda. Mas sou minoria. O povo ama Doria, ama Lula e ama Bolsonaro. Pois, céus!, tem gente que ainda ama a Dilma! O brasileiro, esteja ele nos grotões do Nordeste lambendo rapadura ou comendo caviar e tomando champagne para bridar um encontro nos Jardins é burro de dar dó. A gente em pleno 2017, século 21, pós-comunismo e pós-modernidade, com uma guerra na Síria e um Trump na Casa Branca ainda têm a pachorra de idolatrar político!

    Jotapê Jorge não expõe suas convicções políticas, que são íntimas e respeitosas. Também não é coxinha e nem mortadela, apenas Jotapê Jorge. Ele escreve por aqui  oda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

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    (Parte plateia vai ao delírio, a outra grita “vai para Cuba!”)

    — E do lado direito, com 1,55 de altura e 65kg bem distribuídos num terno Armani, o atual detentor do cinturão de prefeito de São Paulo… Jooooããão “Ken Humano” Doria!

    (O restante da plateia vai à loucura, a outra grita “você praça acho graça!”)

     

    Se você já se vê fazendo pipoca para acompanhar este embate, ligando para os amigos, convidando-os para a sua casa, fazendo discussões acalorados sobre o “pound-for-pound” destes dois incríveis lutadores e juntando estatísticas para defender um ou outro. Parabéns! Você é um idiota. Afinal, a resposta sobre quem é melhor para ser prefeito de São Paulo, se um cara de classe média ou um cara ligeiramente mais de classe média, se alguém com propostas populistas sobre bicicleta ou se alguém com propostas populistas sobre pixo é… Bem…

    Os fãs do Haddad eram chatos, mas o do Doria, meu Jesus Cristinho. O cabra mal foi eleito e já está alçado ao patamar de divindade. Tem gente por aí (pasmem!) cogitando-o para a presidência da República (que pensando bem não é algo tão ridículo — afinal, até a Dilma conseguiu) sendo que tudo o que Doria fez  foi se fantasiar e pintar uns muros de cinza. Ah, isso e mandar as pessoas “passearem em Curitiba”, o que me parece um desserviço ao setor hoteleiro paulistano. Dizem que ele “resolveu a saúde”, o que por si só poderia indicar um pacto com o TEMER (digo, o demo). Mas quem diz isso é inevitavelmente doriana e nunca foi numa UPS, por isso acho o dado difícil de engolir.

    Doria, com todas as suas bravatas, não faz nada além de irritar a esquerda. Há quem ache o suficiente. Devem morar em uma cidade sem buracos nas ruas, em que algo tão corriqueiro quanto uma chuva não traz o caos, a psicopatia e a demência, onde a passagem de ônibus é barata e eles andam no horário, cheia de parques e atividades culturais…

    Não. Doria não é prefeito de Berlim. E por isso mesmo acho que ele faz um administração bem bunda. Mas sou minoria. O povo ama Doria, ama Lula e ama Bolsonaro. Pois, céus!, tem gente que ainda ama a Dilma! O brasileiro, esteja ele nos grotões do Nordeste lambendo rapadura ou comendo caviar e tomando champagne para bridar um encontro nos Jardins é burro de dar dó. A gente em pleno 2017, século 21, pós-comunismo e pós-modernidade, com uma guerra na Síria e um Trump na Casa Branca ainda têm a pachorra de idolatrar político!

    Jotapê Jorge não expõe suas convicções políticas, que são íntimas e respeitosas. Também não é coxinha e nem mortadela, apenas Jotapê Jorge. Ele escreve por aqui  oda a sexta, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

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