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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (19)

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    No capítulo anterior, os autores de “Despacito” proibiram o ditador venezuelano Nicolás Maduro de usar uma versão de sua música com objetivos políticos.

    Maduro respondeu: Foda-se!

    Agora vai!

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 19

     

    Resignado, desci a montanha que outrora tinha dado um trabalhão pra subir. Eu disse resignado, mas eu estava mais chateado que resignado. Na verdade, eu estava mais puto que chateado. Pra ser sincero, eu estava muito puto. Queria matar o primeiro que me aparecesse pela frente. E foi o que eu fiz. Aquele menino escolheu o dia errado para subir até o templo.

    Quando acabei a descida, uma cena chamou minha atenção: era Johanson, montado em um burrinho.

    – Johanson! – gritei.

    Ele me viu e acenou. Desceu do burrinho e veio em minha direção.

    – Sou o Johnson.

    – Oi?

    – Sou o Johnson. O senhor sempre confundiu nós dois. Mas é aceitável, já que somos gêmeos. Falar nisso, cadê meu irmão?

    – Bem Sr. Johnson, tenho más notícias.

    Enquanto explicava pra ele o acontecido, ele me encarava com um olhar duro, de quem já sofreu muito nessa vida. Quando terminei de explicar, ele continuou impassível, mas uma lágrima furtiva correu pelo seu olho esquerdo.

    – E Charles? – perguntou ele.

    – Ficou com a Tereza, que ficou com um monge fortão e jebudo.

    Ele só assentiu com a cabeça. Por isso sempre o admirei, mesmo achando que ele era o outro.

    – Você não tinha 14 burrinhos?

    – Tinha. Durante a viagem, três morreram de frio. Cinco foram mortos por lobos. Outros três fugiram. Dois eu tive que matar para me alimentar. E essa aí eu tô comendo, se é que me entende.

    – É dura a vida na estrada. – concordei, lembrando dos meus tempos e caminhoneiro.

    Eu transportava cabras, e sempre tinha uma que me afeiçoava mais. Tinha uma que eu apelidei de Marighella, que era um estouro! Ah, Marighella… Desde que te conheci, não consigo mais comer buchada de bode sem me emocionar.

    – E então? Pegou o Meme? Podemos ir embora? – disse o Sr. Johnson, me tirando do meu devaneio.

    – Elas não o tem mais. Agora está guardado em uma clínica para enfermos, que fica bem ao pé dessa montanha. Tá aqui o cartão.

    – Bem, vamos lá buscar essa merda. Essa missão já deu no saco.

    – Verdade, Sr. Johnson. Verdade… Pare um taxi aí.

    – Espere. Tenho que me despedir da Judith.

    Qua cena comovente. O Sr. Johnson abraçado à burrinha, sussurrando em sua orelha certamente palavras amorosas de agradecimento pela companhia na estrada. Eu sei como é. Finalmente eles se soltaram e o Sr. Johnson veio em minha direção, enxugando o nariz com a manga da camisa.

    – Vamos. – disse ele sem interromper os passos.

    Alcancei-o e começamos a caminhada rumo ao nosso destino final. Ao longe, escutamos o zurrar de Judith, como se fosse uma música triste. Digamos, o tema final do filme “O Campeão”. Quero dizer: BEM triste! Juro que ouvi o Sr. Jonhson zurrar baixinho.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (19)

    No capítulo anterior, os autores de “Despacito” proibiram o ditador venezuelano Nicolás Maduro de usar uma versão de sua música com objetivos políticos.

    Maduro respondeu: Foda-se!

    Agora vai!

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 19

     

    Resignado, desci a montanha que outrora tinha dado um trabalhão pra subir. Eu disse resignado, mas eu estava mais chateado que resignado. Na verdade, eu estava mais puto que chateado. Pra ser sincero, eu estava muito puto. Queria matar o primeiro que me aparecesse pela frente. E foi o que eu fiz. Aquele menino escolheu o dia errado para subir até o templo.

    Quando acabei a descida, uma cena chamou minha atenção: era Johanson, montado em um burrinho.

    – Johanson! – gritei.

    Ele me viu e acenou. Desceu do burrinho e veio em minha direção.

    – Sou o Johnson.

    – Oi?

    – Sou o Johnson. O senhor sempre confundiu nós dois. Mas é aceitável, já que somos gêmeos. Falar nisso, cadê meu irmão?

    – Bem Sr. Johnson, tenho más notícias.

    Enquanto explicava pra ele o acontecido, ele me encarava com um olhar duro, de quem já sofreu muito nessa vida. Quando terminei de explicar, ele continuou impassível, mas uma lágrima furtiva correu pelo seu olho esquerdo.

    – E Charles? – perguntou ele.

    – Ficou com a Tereza, que ficou com um monge fortão e jebudo.

    Ele só assentiu com a cabeça. Por isso sempre o admirei, mesmo achando que ele era o outro.

    – Você não tinha 14 burrinhos?

    – Tinha. Durante a viagem, três morreram de frio. Cinco foram mortos por lobos. Outros três fugiram. Dois eu tive que matar para me alimentar. E essa aí eu tô comendo, se é que me entende.

    – É dura a vida na estrada. – concordei, lembrando dos meus tempos e caminhoneiro.

    Eu transportava cabras, e sempre tinha uma que me afeiçoava mais. Tinha uma que eu apelidei de Marighella, que era um estouro! Ah, Marighella… Desde que te conheci, não consigo mais comer buchada de bode sem me emocionar.

    – E então? Pegou o Meme? Podemos ir embora? – disse o Sr. Johnson, me tirando do meu devaneio.

    – Elas não o tem mais. Agora está guardado em uma clínica para enfermos, que fica bem ao pé dessa montanha. Tá aqui o cartão.

    – Bem, vamos lá buscar essa merda. Essa missão já deu no saco.

    – Verdade, Sr. Johnson. Verdade… Pare um taxi aí.

    – Espere. Tenho que me despedir da Judith.

    Qua cena comovente. O Sr. Johnson abraçado à burrinha, sussurrando em sua orelha certamente palavras amorosas de agradecimento pela companhia na estrada. Eu sei como é. Finalmente eles se soltaram e o Sr. Johnson veio em minha direção, enxugando o nariz com a manga da camisa.

    – Vamos. – disse ele sem interromper os passos.

    Alcancei-o e começamos a caminhada rumo ao nosso destino final. Ao longe, escutamos o zurrar de Judith, como se fosse uma música triste. Digamos, o tema final do filme “O Campeão”. Quero dizer: BEM triste! Juro que ouvi o Sr. Jonhson zurrar baixinho.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (19)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (19)

    No capítulo anterior, os autores de “Despacito” proibiram o ditador venezuelano Nicolás Maduro de usar uma versão de sua música com objetivos políticos.

    Maduro respondeu: Foda-se!

    Agora vai!

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 19

     

    Resignado, desci a montanha que outrora tinha dado um trabalhão pra subir. Eu disse resignado, mas eu estava mais chateado que resignado. Na verdade, eu estava mais puto que chateado. Pra ser sincero, eu estava muito puto. Queria matar o primeiro que me aparecesse pela frente. E foi o que eu fiz. Aquele menino escolheu o dia errado para subir até o templo.

    Quando acabei a descida, uma cena chamou minha atenção: era Johanson, montado em um burrinho.

    – Johanson! – gritei.

    Ele me viu e acenou. Desceu do burrinho e veio em minha direção.

    – Sou o Johnson.

    – Oi?

    – Sou o Johnson. O senhor sempre confundiu nós dois. Mas é aceitável, já que somos gêmeos. Falar nisso, cadê meu irmão?

    – Bem Sr. Johnson, tenho más notícias.

    Enquanto explicava pra ele o acontecido, ele me encarava com um olhar duro, de quem já sofreu muito nessa vida. Quando terminei de explicar, ele continuou impassível, mas uma lágrima furtiva correu pelo seu olho esquerdo.

    – E Charles? – perguntou ele.

    – Ficou com a Tereza, que ficou com um monge fortão e jebudo.

    Ele só assentiu com a cabeça. Por isso sempre o admirei, mesmo achando que ele era o outro.

    – Você não tinha 14 burrinhos?

    – Tinha. Durante a viagem, três morreram de frio. Cinco foram mortos por lobos. Outros três fugiram. Dois eu tive que matar para me alimentar. E essa aí eu tô comendo, se é que me entende.

    – É dura a vida na estrada. – concordei, lembrando dos meus tempos e caminhoneiro.

    Eu transportava cabras, e sempre tinha uma que me afeiçoava mais. Tinha uma que eu apelidei de Marighella, que era um estouro! Ah, Marighella… Desde que te conheci, não consigo mais comer buchada de bode sem me emocionar.

    – E então? Pegou o Meme? Podemos ir embora? – disse o Sr. Johnson, me tirando do meu devaneio.

    – Elas não o tem mais. Agora está guardado em uma clínica para enfermos, que fica bem ao pé dessa montanha. Tá aqui o cartão.

    – Bem, vamos lá buscar essa merda. Essa missão já deu no saco.

    – Verdade, Sr. Johnson. Verdade… Pare um taxi aí.

    – Espere. Tenho que me despedir da Judith.

    Qua cena comovente. O Sr. Johnson abraçado à burrinha, sussurrando em sua orelha certamente palavras amorosas de agradecimento pela companhia na estrada. Eu sei como é. Finalmente eles se soltaram e o Sr. Johnson veio em minha direção, enxugando o nariz com a manga da camisa.

    – Vamos. – disse ele sem interromper os passos.

    Alcancei-o e começamos a caminhada rumo ao nosso destino final. Ao longe, escutamos o zurrar de Judith, como se fosse uma música triste. Digamos, o tema final do filme “O Campeão”. Quero dizer: BEM triste! Juro que ouvi o Sr. Jonhson zurrar baixinho.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (18)

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    No capítulo anterior, tocamos a campainha da Casa Branca e nos escondemos. Trump atendeu. Sim: nós vimos o Trump com o cabelo desarrumado. E agora não dormimos mais sem deixar a luz acesa.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 18

     

    Finalmente, ouvi o rangido da porta se abrindo. Me virei e dei de cara com aquele monge do capítulo 16. O que fala português. Você sabe.

    Ele se inclinou de modo respeitoso, e anunciou:

    – Estamos prontos. Vocês vão ter que atravessar todo esse pátio, passando pelos nossos melhores lutadores de kung fu. Ao fim do percurso, há um sino. O Sino Of Doom (somos poliglotas). Se consiguirem tocar esse sino, vocês terão o que vieram buscar. Boa sorte.

    E se virou de lado, revelando um longo pátio com duas ou três filas de monges mal encarados. Ao fundo, no que me pareceu uma distância como daí ao Tibet, avistei o Sino Of Doom. Engoli em seco. Pensei que não chegaria nem perto. Foi quando ouvi um grito. Gerrad passou ao meu lado, numa voadora que, de cara, derrubou três dos monges. O sr. Johnson também passou correndo e se jogou contra um outro grupo. Imediatamente, os dois foram atacados pelos monges, formando dois bolos distintos de pessoas. Eram tantos monges que eles sumiram no meio deles. Tereza estava sentada em uma pedra. Olhou os dois agrupamentos com reprovação e voltou a lixar suas unhas.

    Curiosamente, os dois bolos de monges formou um inesperado corredor livre pelo meio. Enquanto eles davam porrada nos meus companheiros, eu vi a chance de correr até o sino. Parti numa correria alucinada. Quando estava quase chegando ao Sino Of Doom, entrou na minha frente um único monge. Ele era um só, mas valia por três. Enorme. Tão grande que fez sombra sobre mim. Em um gesto rápido e decidido, rasgou sua camisa e jogou longe. Ele era praticamente só músculos. Ele fez um movimento com os braços que fez com que todos os músculos se mexessem ao mesmo tempo. Sério, Tchan Uílis ficaria apaixonado. Cruzou os braços na frente do peito e fez um gesto com a cabeça, me chamando para o embate. Imediatamente, como bom macho alfa, fiz que não com a cabeça. Já ia desistindo da peleja, quando ele jogou os dois braços para trás, indicando que não usaria as mãos. Me desafiou de novo e ficou aguardando meu movimento. Calculei que, já que ele não usaria as mãos, eu teria uma chance e me armei em posição de luta. Punhos levantados, cara de mal e tudo o mais. Foi quando eu vi…

    A luz do sol, por trás daquele armário, fez com que aquela espécie de saia que ele usava ficasse transparente, revelando que aquele monge era o primo perdido do negão da piroca da internet. Aquilo pendia no meio das pernas e ia quase ao chão. Juro que ele usava uma sapatilha. Ele não me deu tempo pra pensar. Fez um movimento que aquilo rodou no ar e me acertou o rosto. Atingido com o que julguei ser uma força semelhante a de um golpe do Mike Tyson nos bons tempos, fiquei meio grogue. Sem me dar tempo para reagir, ele rodou aquele nun-tchaco de carne e me atingiu na outra bochecha. E de novo, e de novo. Estava já quase desmaiando quando senti um empurrão que me tirou do alcance daquela jiromba.

    Ainda aturdido, vi que quem tinha me salvado a vida era também a mais improvável das heroínas: Tereza. Ela me tirou da linha de fogo e assumiu o meu lugar. E lá estava ela, tomando pirocadas atrás de pirocadas. Apesar de não esboçar nenhuma reação, a não ser por a língua pra fora, ela se mostrou muito resistente. Ela aguentava resoluta aquela interminável surra de pau mole.

    Recuperei meus sentidos e corri para alcaçar o Sino Of Doom. Empurrei a tora de madeira que estava suspensa por cordas ao seu lado. A madeira bateu no sino que ribombou decepcionantemente. De qualquer forma, aquilo fez com que todos os monges parassem de lutar a assumissem uma posição de guarda. Foi então que eu vi que Gerrard estava morto. O Sr. Johnson, ainda não estava, mas dava seus últimos supiros. E Tereza estava molhadinha.

    – Parabéns! – disse o monge que falava português. Aquele. – Você atingiu o objetivo e tocou o Sino OF Doom. Poucos conseguem.

    – Foda-se! – disse eu exasperado. – Essa missão já me custou cara demais. Me dê logo o que vim buscar para que eu possa ir embora.

    – O quê que era mesmo?

    – A porra do Meme Perdido. Me dá essa merda logo que eu já cansei disso tudo.

    – Ah… A gente não tem isso, não.

    – O quê?!?!? Vocês não são os filhos da puta guardiães do Meme?

    – Ah, isso foi há muito tempo. A gente não faz mais isso não.

    – Então pra quê essa merda toda? Essa luta custou a vida dos meus melhores homens!

    – É que a gente não tem muito o que fazer. Aqui no mosteiro, é só rezar, comer e dormir. Depois de um tempo, enche o saco.

    – Putaqueopariu, e agora?

    – Não se desespere. Não guardamos mais o Meme, mas sabemos onde ele está. Ele está em uma clínica para enfermos, que fica bem ao pé dessa montanha. Você passou por ela pra vir pra cá. Toma aqui um cartão deles. Tem o endereço aí.

    Arranquei o cartão das mãos do monge, e fiz um gesto para Tereza para irmos embora.

    – Não vou com você. Vou ficar aqui. Eu vi a luz.

    Disse ela, pendurada em um dos braços do monge fortão.

    – Foda-se.

    E saí puto da vida. Enquanto saía, senti um tapão na minha nuca. Era Charles, o macaco, se despedindo com uma lágrima nos olhos. Foi comovente.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (18)

    No capítulo anterior, tocamos a campainha da Casa Branca e nos escondemos. Trump atendeu. Sim: nós vimos o Trump com o cabelo desarrumado. E agora não dormimos mais sem deixar a luz acesa.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 18

     

    Finalmente, ouvi o rangido da porta se abrindo. Me virei e dei de cara com aquele monge do capítulo 16. O que fala português. Você sabe.

    Ele se inclinou de modo respeitoso, e anunciou:

    – Estamos prontos. Vocês vão ter que atravessar todo esse pátio, passando pelos nossos melhores lutadores de kung fu. Ao fim do percurso, há um sino. O Sino Of Doom (somos poliglotas). Se consiguirem tocar esse sino, vocês terão o que vieram buscar. Boa sorte.

    E se virou de lado, revelando um longo pátio com duas ou três filas de monges mal encarados. Ao fundo, no que me pareceu uma distância como daí ao Tibet, avistei o Sino Of Doom. Engoli em seco. Pensei que não chegaria nem perto. Foi quando ouvi um grito. Gerrad passou ao meu lado, numa voadora que, de cara, derrubou três dos monges. O sr. Johnson também passou correndo e se jogou contra um outro grupo. Imediatamente, os dois foram atacados pelos monges, formando dois bolos distintos de pessoas. Eram tantos monges que eles sumiram no meio deles. Tereza estava sentada em uma pedra. Olhou os dois agrupamentos com reprovação e voltou a lixar suas unhas.

    Curiosamente, os dois bolos de monges formou um inesperado corredor livre pelo meio. Enquanto eles davam porrada nos meus companheiros, eu vi a chance de correr até o sino. Parti numa correria alucinada. Quando estava quase chegando ao Sino Of Doom, entrou na minha frente um único monge. Ele era um só, mas valia por três. Enorme. Tão grande que fez sombra sobre mim. Em um gesto rápido e decidido, rasgou sua camisa e jogou longe. Ele era praticamente só músculos. Ele fez um movimento com os braços que fez com que todos os músculos se mexessem ao mesmo tempo. Sério, Tchan Uílis ficaria apaixonado. Cruzou os braços na frente do peito e fez um gesto com a cabeça, me chamando para o embate. Imediatamente, como bom macho alfa, fiz que não com a cabeça. Já ia desistindo da peleja, quando ele jogou os dois braços para trás, indicando que não usaria as mãos. Me desafiou de novo e ficou aguardando meu movimento. Calculei que, já que ele não usaria as mãos, eu teria uma chance e me armei em posição de luta. Punhos levantados, cara de mal e tudo o mais. Foi quando eu vi…

    A luz do sol, por trás daquele armário, fez com que aquela espécie de saia que ele usava ficasse transparente, revelando que aquele monge era o primo perdido do negão da piroca da internet. Aquilo pendia no meio das pernas e ia quase ao chão. Juro que ele usava uma sapatilha. Ele não me deu tempo pra pensar. Fez um movimento que aquilo rodou no ar e me acertou o rosto. Atingido com o que julguei ser uma força semelhante a de um golpe do Mike Tyson nos bons tempos, fiquei meio grogue. Sem me dar tempo para reagir, ele rodou aquele nun-tchaco de carne e me atingiu na outra bochecha. E de novo, e de novo. Estava já quase desmaiando quando senti um empurrão que me tirou do alcance daquela jiromba.

    Ainda aturdido, vi que quem tinha me salvado a vida era também a mais improvável das heroínas: Tereza. Ela me tirou da linha de fogo e assumiu o meu lugar. E lá estava ela, tomando pirocadas atrás de pirocadas. Apesar de não esboçar nenhuma reação, a não ser por a língua pra fora, ela se mostrou muito resistente. Ela aguentava resoluta aquela interminável surra de pau mole.

    Recuperei meus sentidos e corri para alcaçar o Sino Of Doom. Empurrei a tora de madeira que estava suspensa por cordas ao seu lado. A madeira bateu no sino que ribombou decepcionantemente. De qualquer forma, aquilo fez com que todos os monges parassem de lutar a assumissem uma posição de guarda. Foi então que eu vi que Gerrard estava morto. O Sr. Johnson, ainda não estava, mas dava seus últimos supiros. E Tereza estava molhadinha.

    – Parabéns! – disse o monge que falava português. Aquele. – Você atingiu o objetivo e tocou o Sino OF Doom. Poucos conseguem.

    – Foda-se! – disse eu exasperado. – Essa missão já me custou cara demais. Me dê logo o que vim buscar para que eu possa ir embora.

    – O quê que era mesmo?

    – A porra do Meme Perdido. Me dá essa merda logo que eu já cansei disso tudo.

    – Ah… A gente não tem isso, não.

    – O quê?!?!? Vocês não são os filhos da puta guardiães do Meme?

    – Ah, isso foi há muito tempo. A gente não faz mais isso não.

    – Então pra quê essa merda toda? Essa luta custou a vida dos meus melhores homens!

    – É que a gente não tem muito o que fazer. Aqui no mosteiro, é só rezar, comer e dormir. Depois de um tempo, enche o saco.

    – Putaqueopariu, e agora?

    – Não se desespere. Não guardamos mais o Meme, mas sabemos onde ele está. Ele está em uma clínica para enfermos, que fica bem ao pé dessa montanha. Você passou por ela pra vir pra cá. Toma aqui um cartão deles. Tem o endereço aí.

    Arranquei o cartão das mãos do monge, e fiz um gesto para Tereza para irmos embora.

    – Não vou com você. Vou ficar aqui. Eu vi a luz.

    Disse ela, pendurada em um dos braços do monge fortão.

    – Foda-se.

    E saí puto da vida. Enquanto saía, senti um tapão na minha nuca. Era Charles, o macaco, se despedindo com uma lágrima nos olhos. Foi comovente.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (18)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (18)

    No capítulo anterior, tocamos a campainha da Casa Branca e nos escondemos. Trump atendeu. Sim: nós vimos o Trump com o cabelo desarrumado. E agora não dormimos mais sem deixar a luz acesa.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 18

     

    Finalmente, ouvi o rangido da porta se abrindo. Me virei e dei de cara com aquele monge do capítulo 16. O que fala português. Você sabe.

    Ele se inclinou de modo respeitoso, e anunciou:

    – Estamos prontos. Vocês vão ter que atravessar todo esse pátio, passando pelos nossos melhores lutadores de kung fu. Ao fim do percurso, há um sino. O Sino Of Doom (somos poliglotas). Se consiguirem tocar esse sino, vocês terão o que vieram buscar. Boa sorte.

    E se virou de lado, revelando um longo pátio com duas ou três filas de monges mal encarados. Ao fundo, no que me pareceu uma distância como daí ao Tibet, avistei o Sino Of Doom. Engoli em seco. Pensei que não chegaria nem perto. Foi quando ouvi um grito. Gerrad passou ao meu lado, numa voadora que, de cara, derrubou três dos monges. O sr. Johnson também passou correndo e se jogou contra um outro grupo. Imediatamente, os dois foram atacados pelos monges, formando dois bolos distintos de pessoas. Eram tantos monges que eles sumiram no meio deles. Tereza estava sentada em uma pedra. Olhou os dois agrupamentos com reprovação e voltou a lixar suas unhas.

    Curiosamente, os dois bolos de monges formou um inesperado corredor livre pelo meio. Enquanto eles davam porrada nos meus companheiros, eu vi a chance de correr até o sino. Parti numa correria alucinada. Quando estava quase chegando ao Sino Of Doom, entrou na minha frente um único monge. Ele era um só, mas valia por três. Enorme. Tão grande que fez sombra sobre mim. Em um gesto rápido e decidido, rasgou sua camisa e jogou longe. Ele era praticamente só músculos. Ele fez um movimento com os braços que fez com que todos os músculos se mexessem ao mesmo tempo. Sério, Tchan Uílis ficaria apaixonado. Cruzou os braços na frente do peito e fez um gesto com a cabeça, me chamando para o embate. Imediatamente, como bom macho alfa, fiz que não com a cabeça. Já ia desistindo da peleja, quando ele jogou os dois braços para trás, indicando que não usaria as mãos. Me desafiou de novo e ficou aguardando meu movimento. Calculei que, já que ele não usaria as mãos, eu teria uma chance e me armei em posição de luta. Punhos levantados, cara de mal e tudo o mais. Foi quando eu vi…

    A luz do sol, por trás daquele armário, fez com que aquela espécie de saia que ele usava ficasse transparente, revelando que aquele monge era o primo perdido do negão da piroca da internet. Aquilo pendia no meio das pernas e ia quase ao chão. Juro que ele usava uma sapatilha. Ele não me deu tempo pra pensar. Fez um movimento que aquilo rodou no ar e me acertou o rosto. Atingido com o que julguei ser uma força semelhante a de um golpe do Mike Tyson nos bons tempos, fiquei meio grogue. Sem me dar tempo para reagir, ele rodou aquele nun-tchaco de carne e me atingiu na outra bochecha. E de novo, e de novo. Estava já quase desmaiando quando senti um empurrão que me tirou do alcance daquela jiromba.

    Ainda aturdido, vi que quem tinha me salvado a vida era também a mais improvável das heroínas: Tereza. Ela me tirou da linha de fogo e assumiu o meu lugar. E lá estava ela, tomando pirocadas atrás de pirocadas. Apesar de não esboçar nenhuma reação, a não ser por a língua pra fora, ela se mostrou muito resistente. Ela aguentava resoluta aquela interminável surra de pau mole.

    Recuperei meus sentidos e corri para alcaçar o Sino Of Doom. Empurrei a tora de madeira que estava suspensa por cordas ao seu lado. A madeira bateu no sino que ribombou decepcionantemente. De qualquer forma, aquilo fez com que todos os monges parassem de lutar a assumissem uma posição de guarda. Foi então que eu vi que Gerrard estava morto. O Sr. Johnson, ainda não estava, mas dava seus últimos supiros. E Tereza estava molhadinha.

    – Parabéns! – disse o monge que falava português. Aquele. – Você atingiu o objetivo e tocou o Sino OF Doom. Poucos conseguem.

    – Foda-se! – disse eu exasperado. – Essa missão já me custou cara demais. Me dê logo o que vim buscar para que eu possa ir embora.

    – O quê que era mesmo?

    – A porra do Meme Perdido. Me dá essa merda logo que eu já cansei disso tudo.

    – Ah… A gente não tem isso, não.

    – O quê?!?!? Vocês não são os filhos da puta guardiães do Meme?

    – Ah, isso foi há muito tempo. A gente não faz mais isso não.

    – Então pra quê essa merda toda? Essa luta custou a vida dos meus melhores homens!

    – É que a gente não tem muito o que fazer. Aqui no mosteiro, é só rezar, comer e dormir. Depois de um tempo, enche o saco.

    – Putaqueopariu, e agora?

    – Não se desespere. Não guardamos mais o Meme, mas sabemos onde ele está. Ele está em uma clínica para enfermos, que fica bem ao pé dessa montanha. Você passou por ela pra vir pra cá. Toma aqui um cartão deles. Tem o endereço aí.

    Arranquei o cartão das mãos do monge, e fiz um gesto para Tereza para irmos embora.

    – Não vou com você. Vou ficar aqui. Eu vi a luz.

    Disse ela, pendurada em um dos braços do monge fortão.

    – Foda-se.

    E saí puto da vida. Enquanto saía, senti um tapão na minha nuca. Era Charles, o macaco, se despedindo com uma lágrima nos olhos. Foi comovente.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (17)

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    No capítulo anterior, ouvimos “Bum Bum TamTam”, de MC Fioti. Meu Deus…

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 17

     

    Diário de Bordo: data estelar -306486.18 (calculado com http://stevepugh.net/fleet/stardate.html).

    Querido Diário.

    Resolvi gravar este depoimento para o caso de não sair vivo. Daqui a instantes entraremos em luta mortal contra os monges tibetanos. Eu sei, eles não são necessariamente tibetanos, mas não sei se isso é ser bom ou ruim pra gente.

    O fato é que estamos acampados na porta do templo, no frio, com fome, e a Tereza só chora por causa de Charles, o macaco. Nem um boquetinho relaxante eu vou ter antes de morrer.

    Morrer… Engraçado, já me preocupei mais com isso. Agora, tão perto do meu objetivo, isso não me incomoda tanto. Até porque, estou com muita preguiça de fazer todo o caminho de volta pra casa. De qualquer forma, extranhamente não me parece exagerada a idéia de morrer por causa de um pedaço de papel. É minha missão recuperá-lo e, por Deus, é o que farei. Ou morrerei tentando. Sim, eu sei. Já disse isso.

    Para o caso de eu não sobreviver, gostaria de deixar gravado aqui minhas últimas instruções.

    Em primeiro lugar, quero que meu enterro seja feito num cabaré de terceira, daqueles com neon roxo e luz negra, às margens de uma estrada vicinal, na Baixada Fluminense. Meu caixão deverá estar coberto pela bandeira do Íbis e deverá ser carregado por 11 anãs albinas, vestidas apenas com capacetes de futebol americano. Marilyn Manson, vestido de padre católico, com um menino de 11 anos agarrado a sua batina pra ficar mais realista, deverá dizer algumas palavras sobre mim. Em sueco. Isso será interessante, já que ele não faz a mínima idéia de quem eu sou/fui. Enquanto o caixão estiver sendo baixado ao som de Wando, todas as presentes deverão tirar as calcinhas e arremessá-las para dentro da cova. Menos minha mãe. Isso seria muito estranho.

    Minha coleção de Playboys da Hortência, composta de 42 exemplares extremamente usados, fica para o Gerrard, se ele sobreviver. Se não, botem fogo nessa merda.

    Meu escritório, fica com os gêmeos univitelinos (um japonês e o outro preto) Sr. Jonhson e Johanson. Obrigado, senhores. Foi uma honra.

    À Tereza, deixo uma foto do Charles, o macaco, que tirei escondido. É que eu até achava ele bonitinho.

    Minhas fotos da operação de mastectomia da Tammy Gretchen, vão para o Renzo mora, aquele homão da porra.

    Ao Edson Aran, deixo as 11 anãs albinas. Usar com moderação.

    E finalmente, ao João Fiorot deixo minha coleção de lascas de unha do dedão do pé de sub-celebridades. Estão autografadas, João.

    Aproveitem.

    Adeus.

    P.S.: caso eu não morra, favor desconsiderar. Odeio vocês.

    Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInPin on PinterestEmail this to someone

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (17)

    No capítulo anterior, ouvimos “Bum Bum TamTam”, de MC Fioti. Meu Deus…

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 17

     

    Diário de Bordo: data estelar -306486.18 (calculado com http://stevepugh.net/fleet/stardate.html).

    Querido Diário.

    Resolvi gravar este depoimento para o caso de não sair vivo. Daqui a instantes entraremos em luta mortal contra os monges tibetanos. Eu sei, eles não são necessariamente tibetanos, mas não sei se isso é ser bom ou ruim pra gente.

    O fato é que estamos acampados na porta do templo, no frio, com fome, e a Tereza só chora por causa de Charles, o macaco. Nem um boquetinho relaxante eu vou ter antes de morrer.

    Morrer… Engraçado, já me preocupei mais com isso. Agora, tão perto do meu objetivo, isso não me incomoda tanto. Até porque, estou com muita preguiça de fazer todo o caminho de volta pra casa. De qualquer forma, extranhamente não me parece exagerada a idéia de morrer por causa de um pedaço de papel. É minha missão recuperá-lo e, por Deus, é o que farei. Ou morrerei tentando. Sim, eu sei. Já disse isso.

    Para o caso de eu não sobreviver, gostaria de deixar gravado aqui minhas últimas instruções.

    Em primeiro lugar, quero que meu enterro seja feito num cabaré de terceira, daqueles com neon roxo e luz negra, às margens de uma estrada vicinal, na Baixada Fluminense. Meu caixão deverá estar coberto pela bandeira do Íbis e deverá ser carregado por 11 anãs albinas, vestidas apenas com capacetes de futebol americano. Marilyn Manson, vestido de padre católico, com um menino de 11 anos agarrado a sua batina pra ficar mais realista, deverá dizer algumas palavras sobre mim. Em sueco. Isso será interessante, já que ele não faz a mínima idéia de quem eu sou/fui. Enquanto o caixão estiver sendo baixado ao som de Wando, todas as presentes deverão tirar as calcinhas e arremessá-las para dentro da cova. Menos minha mãe. Isso seria muito estranho.

    Minha coleção de Playboys da Hortência, composta de 42 exemplares extremamente usados, fica para o Gerrard, se ele sobreviver. Se não, botem fogo nessa merda.

    Meu escritório, fica com os gêmeos univitelinos (um japonês e o outro preto) Sr. Jonhson e Johanson. Obrigado, senhores. Foi uma honra.

    À Tereza, deixo uma foto do Charles, o macaco, que tirei escondido. É que eu até achava ele bonitinho.

    Minhas fotos da operação de mastectomia da Tammy Gretchen, vão para o Renzo mora, aquele homão da porra.

    Ao Edson Aran, deixo as 11 anãs albinas. Usar com moderação.

    E finalmente, ao João Fiorot deixo minha coleção de lascas de unha do dedão do pé de sub-celebridades. Estão autografadas, João.

    Aproveitem.

    Adeus.

    P.S.: caso eu não morra, favor desconsiderar. Odeio vocês.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (17)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (17)

    No capítulo anterior, ouvimos “Bum Bum TamTam”, de MC Fioti. Meu Deus…

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 17

     

    Diário de Bordo: data estelar -306486.18 (calculado com http://stevepugh.net/fleet/stardate.html).

    Querido Diário.

    Resolvi gravar este depoimento para o caso de não sair vivo. Daqui a instantes entraremos em luta mortal contra os monges tibetanos. Eu sei, eles não são necessariamente tibetanos, mas não sei se isso é ser bom ou ruim pra gente.

    O fato é que estamos acampados na porta do templo, no frio, com fome, e a Tereza só chora por causa de Charles, o macaco. Nem um boquetinho relaxante eu vou ter antes de morrer.

    Morrer… Engraçado, já me preocupei mais com isso. Agora, tão perto do meu objetivo, isso não me incomoda tanto. Até porque, estou com muita preguiça de fazer todo o caminho de volta pra casa. De qualquer forma, extranhamente não me parece exagerada a idéia de morrer por causa de um pedaço de papel. É minha missão recuperá-lo e, por Deus, é o que farei. Ou morrerei tentando. Sim, eu sei. Já disse isso.

    Para o caso de eu não sobreviver, gostaria de deixar gravado aqui minhas últimas instruções.

    Em primeiro lugar, quero que meu enterro seja feito num cabaré de terceira, daqueles com neon roxo e luz negra, às margens de uma estrada vicinal, na Baixada Fluminense. Meu caixão deverá estar coberto pela bandeira do Íbis e deverá ser carregado por 11 anãs albinas, vestidas apenas com capacetes de futebol americano. Marilyn Manson, vestido de padre católico, com um menino de 11 anos agarrado a sua batina pra ficar mais realista, deverá dizer algumas palavras sobre mim. Em sueco. Isso será interessante, já que ele não faz a mínima idéia de quem eu sou/fui. Enquanto o caixão estiver sendo baixado ao som de Wando, todas as presentes deverão tirar as calcinhas e arremessá-las para dentro da cova. Menos minha mãe. Isso seria muito estranho.

    Minha coleção de Playboys da Hortência, composta de 42 exemplares extremamente usados, fica para o Gerrard, se ele sobreviver. Se não, botem fogo nessa merda.

    Meu escritório, fica com os gêmeos univitelinos (um japonês e o outro preto) Sr. Jonhson e Johanson. Obrigado, senhores. Foi uma honra.

    À Tereza, deixo uma foto do Charles, o macaco, que tirei escondido. É que eu até achava ele bonitinho.

    Minhas fotos da operação de mastectomia da Tammy Gretchen, vão para o Renzo mora, aquele homão da porra.

    Ao Edson Aran, deixo as 11 anãs albinas. Usar com moderação.

    E finalmente, ao João Fiorot deixo minha coleção de lascas de unha do dedão do pé de sub-celebridades. Estão autografadas, João.

    Aproveitem.

    Adeus.

    P.S.: caso eu não morra, favor desconsiderar. Odeio vocês.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (16)

    2011101112083615293

    No capítulo anterior, Heleninha estava bêbada, pra variar. Odete levou uns tiros na fuça, mas ninguém sabia porque, e nem por quem, mas a Cássia Kiss estava agindo de maneira estranha. Aparentemente, esse mistério ia continuar por muito tempo.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 16

    Não queria perder tempo, pois essa história já está longa demais, e logo fiz contato com dois nativos que, mediante um pagamento robusto, nos deram dicas de como chegar ao templo:

    - É só subir a montanha.

    Certo. Eu mereci isso. Até o macaco está rindo da minha cara.

    - Bora negada! – ordenei, tentando assumir o controle da situação.

    Imaginei que teria de comprar equipamentos de alpinismo. Na verdade, já estava sofrendo por antecipação. Eu odeio alpinismo. Mas logo avistei uma trilha muito bem conservada. Tinha até corrimão. Ao seu lado, uma placa: “Para o Templo”, e uma seta. Em poucas horas, avistamos nosso objetivo. Era bem grande, com um portão de madeira que parecia ser bem pesado. Bati. Logo apareceu uma pessoa de cabelos totalmente raspados, de olhos puxados, enrolado em uns lençóis e exalando serenidade. Claramente, um monge.

    - Você veio pelo Memê Perdido.

    - Você fala português?

    - Não sou necessariamente tibetano.

    - Como você sabe que eu vim atrás do Memê?

    - Eu não sei. Eu falo isso pra todo mundo que bate. Achei que um dia isso ia fazer sentido.

    - Bem, é exatamente isso que eu vim pegar. Onde está?

    - Para pegar o Memê Perdido, antes você terá que enfrentar nossos monges. Mas devo avisá-lo de que eles treinam kung-fu desde que eram pequenos monginhos.

    Já esperava por isso. Coloquei minha toalha em volta do pescoço e dei um sinal para Gerrard, que inclinou a cabeça fazendo o pescoço estalar. O Sr. Jonhson começou a fazer um alongamento. Tereza me mandou à merda e foi se sentar. E o macaco foi para o ombro do monge.

    - Ok. Pode mandar vir.

    - Ah, não. Eu não quis dizer agora. Nesse momento eles estão fazendo uma sesta. Mas eu volto pra avisar.

    Disse isso e bateu a porta na nossa cara. Pelo menos o macaco foi com ele.

    - Bom, vamos acampar então. Tereza, esquente uma água para fazermos um chá. Sr. Johnson, me ajude a armar a barraca. Sem trocadilhos, Sr. Johnson. Sem trocadilhos.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (16)

    No capítulo anterior, Heleninha estava bêbada, pra variar. Odete levou uns tiros na fuça, mas ninguém sabia porque, e nem por quem, mas a Cássia Kiss estava agindo de maneira estranha. Aparentemente, esse mistério ia continuar por muito tempo.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 16

    Não queria perder tempo, pois essa história já está longa demais, e logo fiz contato com dois nativos que, mediante um pagamento robusto, nos deram dicas de como chegar ao templo:

    - É só subir a montanha.

    Certo. Eu mereci isso. Até o macaco está rindo da minha cara.

    - Bora negada! – ordenei, tentando assumir o controle da situação.

    Imaginei que teria de comprar equipamentos de alpinismo. Na verdade, já estava sofrendo por antecipação. Eu odeio alpinismo. Mas logo avistei uma trilha muito bem conservada. Tinha até corrimão. Ao seu lado, uma placa: “Para o Templo”, e uma seta. Em poucas horas, avistamos nosso objetivo. Era bem grande, com um portão de madeira que parecia ser bem pesado. Bati. Logo apareceu uma pessoa de cabelos totalmente raspados, de olhos puxados, enrolado em uns lençóis e exalando serenidade. Claramente, um monge.

    - Você veio pelo Memê Perdido.

    - Você fala português?

    - Não sou necessariamente tibetano.

    - Como você sabe que eu vim atrás do Memê?

    - Eu não sei. Eu falo isso pra todo mundo que bate. Achei que um dia isso ia fazer sentido.

    - Bem, é exatamente isso que eu vim pegar. Onde está?

    - Para pegar o Memê Perdido, antes você terá que enfrentar nossos monges. Mas devo avisá-lo de que eles treinam kung-fu desde que eram pequenos monginhos.

    Já esperava por isso. Coloquei minha toalha em volta do pescoço e dei um sinal para Gerrard, que inclinou a cabeça fazendo o pescoço estalar. O Sr. Jonhson começou a fazer um alongamento. Tereza me mandou à merda e foi se sentar. E o macaco foi para o ombro do monge.

    - Ok. Pode mandar vir.

    - Ah, não. Eu não quis dizer agora. Nesse momento eles estão fazendo uma sesta. Mas eu volto pra avisar.

    Disse isso e bateu a porta na nossa cara. Pelo menos o macaco foi com ele.

    - Bom, vamos acampar então. Tereza, esquente uma água para fazermos um chá. Sr. Johnson, me ajude a armar a barraca. Sem trocadilhos, Sr. Johnson. Sem trocadilhos.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (16)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (16)

    No capítulo anterior, Heleninha estava bêbada, pra variar. Odete levou uns tiros na fuça, mas ninguém sabia porque, e nem por quem, mas a Cássia Kiss estava agindo de maneira estranha. Aparentemente, esse mistério ia continuar por muito tempo.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 16

    Não queria perder tempo, pois essa história já está longa demais, e logo fiz contato com dois nativos que, mediante um pagamento robusto, nos deram dicas de como chegar ao templo:

    - É só subir a montanha.

    Certo. Eu mereci isso. Até o macaco está rindo da minha cara.

    - Bora negada! – ordenei, tentando assumir o controle da situação.

    Imaginei que teria de comprar equipamentos de alpinismo. Na verdade, já estava sofrendo por antecipação. Eu odeio alpinismo. Mas logo avistei uma trilha muito bem conservada. Tinha até corrimão. Ao seu lado, uma placa: “Para o Templo”, e uma seta. Em poucas horas, avistamos nosso objetivo. Era bem grande, com um portão de madeira que parecia ser bem pesado. Bati. Logo apareceu uma pessoa de cabelos totalmente raspados, de olhos puxados, enrolado em uns lençóis e exalando serenidade. Claramente, um monge.

    - Você veio pelo Memê Perdido.

    - Você fala português?

    - Não sou necessariamente tibetano.

    - Como você sabe que eu vim atrás do Memê?

    - Eu não sei. Eu falo isso pra todo mundo que bate. Achei que um dia isso ia fazer sentido.

    - Bem, é exatamente isso que eu vim pegar. Onde está?

    - Para pegar o Memê Perdido, antes você terá que enfrentar nossos monges. Mas devo avisá-lo de que eles treinam kung-fu desde que eram pequenos monginhos.

    Já esperava por isso. Coloquei minha toalha em volta do pescoço e dei um sinal para Gerrard, que inclinou a cabeça fazendo o pescoço estalar. O Sr. Jonhson começou a fazer um alongamento. Tereza me mandou à merda e foi se sentar. E o macaco foi para o ombro do monge.

    - Ok. Pode mandar vir.

    - Ah, não. Eu não quis dizer agora. Nesse momento eles estão fazendo uma sesta. Mas eu volto pra avisar.

    Disse isso e bateu a porta na nossa cara. Pelo menos o macaco foi com ele.

    - Bom, vamos acampar então. Tereza, esquente uma água para fazermos um chá. Sr. Johnson, me ajude a armar a barraca. Sem trocadilhos, Sr. Johnson. Sem trocadilhos.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

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    No capítulo anterior, tentamos jogar vintão na vaca. Depois mais vintão no viado. Não conseguimos, então jogamos na mega sena mesmo. Deu vaca na cabeça.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 15

    Acordei cedo. Bem cedo. Antes do macaco. Fui lá e dei um tapão na sua orelha. Sou vingativo. Resolvi sair o quanto antes para tentar encontrar algum piloto de helicóptero que aceitasse cartão. Logo encontrei dois. Eles aceitavam cartão, mas não da bandeira ELO. Merda!

    Finalmente achei um que aceitava. E ainda dividia e três vezes. O piloto era um anão albino transsexual. Marlene, ele se chamava. Fiquei um pouco preocupado, pois sei que helicópteros tem pedais que certamente ele(a) não alcançaria. Mas eu estava muito cansado e com cheiro de burro suado para me preocupar com isso agora.

    Juntei a turma. Tereza estava grudada com aquele maldito macaco. Marlene informou que não cabia todo mundo no aparelho, e que um ia ter que ficar pra trás.

    - O macaco! – exclamei.

    - Ah, não. Se o Charlinho ficar, eu também fico! – disse Tereza batendo o pezinho (e que pezinho!)

    Sem alternativa, resolvi deixar um dos gêmeos porque, até agora, eles não tinham feito muita diferença na história mesmo.

    - Johanson, você fica. Nos encontramos no Tibet.

    - Mas como vou chegar lá? Você nem me pagou ainda.

    - Os burrinhos já estão pagos. Use-os. Toma aqui quatro vales-refeições. Agora chega de mimimi. Vamos embora, Marlene.

    Marlene pegou impulso com uma corrida rápida, e pulou pra dentro do helicóptero. Se ajeitou no banco do piloto, amarrou o cinto e calçou duas extensões de madeira de forma que seus pés chegassem nos pedais. Me senti no bano ao seu lado. O sr. Johnson, Gerrard, e Tereza – com o maldito macaco no colo – se ajeitaram no banco de trás. Os motores foram ligados, o macaco me deu um tapão e levantamos vôo.

    A paisagem, tão inóspita, era linda lá de cima. Podia-se ver tudo: montanhas, desertos, a fileira de burrinhos com Johanson à frente acenando para a gente. Tenho certeza de que ouvi ele gritar: “Filhos da puta!”

    Depois de uns 90 minutos viajando, avistamos o Tibet. Eu sei, foi rápido. Mas eu já estou doido pra acabar esse treco.

    Descemos ao pé de uma montanha. Lá no alto, um templo onde monges não necessariamente tibetanos guardavam o memê perdido.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

    No capítulo anterior, tentamos jogar vintão na vaca. Depois mais vintão no viado. Não conseguimos, então jogamos na mega sena mesmo. Deu vaca na cabeça.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 15

    Acordei cedo. Bem cedo. Antes do macaco. Fui lá e dei um tapão na sua orelha. Sou vingativo. Resolvi sair o quanto antes para tentar encontrar algum piloto de helicóptero que aceitasse cartão. Logo encontrei dois. Eles aceitavam cartão, mas não da bandeira ELO. Merda!

    Finalmente achei um que aceitava. E ainda dividia e três vezes. O piloto era um anão albino transsexual. Marlene, ele se chamava. Fiquei um pouco preocupado, pois sei que helicópteros tem pedais que certamente ele(a) não alcançaria. Mas eu estava muito cansado e com cheiro de burro suado para me preocupar com isso agora.

    Juntei a turma. Tereza estava grudada com aquele maldito macaco. Marlene informou que não cabia todo mundo no aparelho, e que um ia ter que ficar pra trás.

    - O macaco! – exclamei.

    - Ah, não. Se o Charlinho ficar, eu também fico! – disse Tereza batendo o pezinho (e que pezinho!)

    Sem alternativa, resolvi deixar um dos gêmeos porque, até agora, eles não tinham feito muita diferença na história mesmo.

    - Johanson, você fica. Nos encontramos no Tibet.

    - Mas como vou chegar lá? Você nem me pagou ainda.

    - Os burrinhos já estão pagos. Use-os. Toma aqui quatro vales-refeições. Agora chega de mimimi. Vamos embora, Marlene.

    Marlene pegou impulso com uma corrida rápida, e pulou pra dentro do helicóptero. Se ajeitou no banco do piloto, amarrou o cinto e calçou duas extensões de madeira de forma que seus pés chegassem nos pedais. Me senti no bano ao seu lado. O sr. Johnson, Gerrard, e Tereza – com o maldito macaco no colo – se ajeitaram no banco de trás. Os motores foram ligados, o macaco me deu um tapão e levantamos vôo.

    A paisagem, tão inóspita, era linda lá de cima. Podia-se ver tudo: montanhas, desertos, a fileira de burrinhos com Johanson à frente acenando para a gente. Tenho certeza de que ouvi ele gritar: “Filhos da puta!”

    Depois de uns 90 minutos viajando, avistamos o Tibet. Eu sei, foi rápido. Mas eu já estou doido pra acabar esse treco.

    Descemos ao pé de uma montanha. Lá no alto, um templo onde monges não necessariamente tibetanos guardavam o memê perdido.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

    No capítulo anterior, tentamos jogar vintão na vaca. Depois mais vintão no viado. Não conseguimos, então jogamos na mega sena mesmo. Deu vaca na cabeça.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 15

    Acordei cedo. Bem cedo. Antes do macaco. Fui lá e dei um tapão na sua orelha. Sou vingativo. Resolvi sair o quanto antes para tentar encontrar algum piloto de helicóptero que aceitasse cartão. Logo encontrei dois. Eles aceitavam cartão, mas não da bandeira ELO. Merda!

    Finalmente achei um que aceitava. E ainda dividia e três vezes. O piloto era um anão albino transsexual. Marlene, ele se chamava. Fiquei um pouco preocupado, pois sei que helicópteros tem pedais que certamente ele(a) não alcançaria. Mas eu estava muito cansado e com cheiro de burro suado para me preocupar com isso agora.

    Juntei a turma. Tereza estava grudada com aquele maldito macaco. Marlene informou que não cabia todo mundo no aparelho, e que um ia ter que ficar pra trás.

    - O macaco! – exclamei.

    - Ah, não. Se o Charlinho ficar, eu também fico! – disse Tereza batendo o pezinho (e que pezinho!)

    Sem alternativa, resolvi deixar um dos gêmeos porque, até agora, eles não tinham feito muita diferença na história mesmo.

    - Johanson, você fica. Nos encontramos no Tibet.

    - Mas como vou chegar lá? Você nem me pagou ainda.

    - Os burrinhos já estão pagos. Use-os. Toma aqui quatro vales-refeições. Agora chega de mimimi. Vamos embora, Marlene.

    Marlene pegou impulso com uma corrida rápida, e pulou pra dentro do helicóptero. Se ajeitou no banco do piloto, amarrou o cinto e calçou duas extensões de madeira de forma que seus pés chegassem nos pedais. Me senti no bano ao seu lado. O sr. Johnson, Gerrard, e Tereza – com o maldito macaco no colo – se ajeitaram no banco de trás. Os motores foram ligados, o macaco me deu um tapão e levantamos vôo.

    A paisagem, tão inóspita, era linda lá de cima. Podia-se ver tudo: montanhas, desertos, a fileira de burrinhos com Johanson à frente acenando para a gente. Tenho certeza de que ouvi ele gritar: “Filhos da puta!”

    Depois de uns 90 minutos viajando, avistamos o Tibet. Eu sei, foi rápido. Mas eu já estou doido pra acabar esse treco.

    Descemos ao pé de uma montanha. Lá no alto, um templo onde monges não necessariamente tibetanos guardavam o memê perdido.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (14)

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    No capítulo anterior, passamos a mão na bunda do Zé Mayer e ficamos esperando o textão. Depois confessamos que éramos amantes desde criancinha, e ficamos esperando o textão.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 14

     

    Consegui negociar com o baixinho, mas tive que aceitar um macaco como brinde.

    Charles, o macaco. Ele lembra muito a minha falecida avó. Não pelo humor ou ações. É uma coisa física mesmo. Até o bigode é igual, exceto que o do macaco é menor. Eu odeio aquela véia. Sim, ela ainda está viva. Toda vez que me encontra, ela me manda arrumar meu quarto. Quando eu falo que já tenho 39 anos, ela grita:

    – Enquanto você estiver sob meu teto, vai seguir minhas regras!

    Sim, eu moro com ela. De favor. Que ódio!

    Eu confesso: já conspirei para matá-la. Uma vez, joguei sal na caixa d’água pra ver se ela morria seca feito uma lesma quando tomasse banho. Não seu certo. E foi um mês pra tirar o futum de maresia de casa. De outra, contratei um sujeito para dar cabo dela. Ele se casou com ela e virou meu avô Pereira. Contratei um cara para matar o Pereira e ele virou o meu primo Jaiminho. Uma vez flagrei a véia se acabando de rir na sala. A filha da puta sabia de tudo e se divertia vendo meus planos irem por água abaixo. Ódio!

    Por tudo isso, tive vontade de esganar Charles na primeira curva da estrada. Mas ele parece que adivinhou meus planos e foi se aninhar nos peitos de Tereza. De vez em quando, os ouço rindo. Tenho certeza de que é de mim. Ódio!

    – Não tá na hora de dar uma parada, não? Minha bunda já está quadrada.- disse Gerrard.

    Perdido nas minhas reflexões, nem notei que tinha anoitecido. Hora de montar um acampamento para passar a noite. Desmontamos. Mandei Gerrard arrumar lenha para fazer uma fogueira, enquanto os gêmeos tiravam as bagagens de cima dos burrinhos. Eu, que já estava com a barraca armada, chamei Tereza para me acompanhar. Tomei um tapa do macaco. Os dois riram (tenho certeza de que era de mim) e foram se deitar.

    Ao redor do fogo, enquanto todos dormiam, armei minha mini antena parabólica. Precisava me comunicar com o nosso contratante. Uma voz sonolenta atendeu, porém firme, atendeu:

    – Alô? Ah, é você. Então, já tem a minha encomenda?

    – Não senhor. Ainda estamos a caminho do Tibet.

    – O quê?!?! Escute aqui: já estamos no capítulo 14! Você não acha que já era hora de você me apresentar algum resultado?

    – Tivemos alguns contratempos, senhor. Mas garanto que teremos resultados satisfatórios, antes que o senhor possa dizer cucamonga.

    – Cucamonga!

    – Não. Eu falei metaforicamente (“seu retardado”, pensei mas achei melhor não dizer). Mas já que o senhor mencionou, eu conseguirira resultados mais rápido se tivesse um pouco mais de recursos. Viajar em burrinhos vai demorar muito, vamos acabar perdendo audiência, e eu tenho que alimentar o macaco…

    – Macaco?!?! Que papo é esse? Não. Esquece. Não quero saber. De quanto estamos falando? Ok. Amanhã estará depositado no seu cartão pré-pago. Agora, me traga resultados!

    Aquela conversa me aliviou um bocado. Amanhã poderemos dispensar os burrinhos e arrumar um meio de transporte mais decente. Só falta encontrar alguém que aceite cartão por aqui. No meio do nada… O viado do macaco aparece do nada e me dá um tapa na nuca. Um pescotapa, por assim dizer. Com a mesma rapidez que apareceu, sumiu. Ouço as risadas saindo de dentro da barraca. Tenho certeza de que estão rindo de mim. Ódio!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (14)

    No capítulo anterior, passamos a mão na bunda do Zé Mayer e ficamos esperando o textão. Depois confessamos que éramos amantes desde criancinha, e ficamos esperando o textão.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 14

     

    Consegui negociar com o baixinho, mas tive que aceitar um macaco como brinde.

    Charles, o macaco. Ele lembra muito a minha falecida avó. Não pelo humor ou ações. É uma coisa física mesmo. Até o bigode é igual, exceto que o do macaco é menor. Eu odeio aquela véia. Sim, ela ainda está viva. Toda vez que me encontra, ela me manda arrumar meu quarto. Quando eu falo que já tenho 39 anos, ela grita:

    – Enquanto você estiver sob meu teto, vai seguir minhas regras!

    Sim, eu moro com ela. De favor. Que ódio!

    Eu confesso: já conspirei para matá-la. Uma vez, joguei sal na caixa d’água pra ver se ela morria seca feito uma lesma quando tomasse banho. Não seu certo. E foi um mês pra tirar o futum de maresia de casa. De outra, contratei um sujeito para dar cabo dela. Ele se casou com ela e virou meu avô Pereira. Contratei um cara para matar o Pereira e ele virou o meu primo Jaiminho. Uma vez flagrei a véia se acabando de rir na sala. A filha da puta sabia de tudo e se divertia vendo meus planos irem por água abaixo. Ódio!

    Por tudo isso, tive vontade de esganar Charles na primeira curva da estrada. Mas ele parece que adivinhou meus planos e foi se aninhar nos peitos de Tereza. De vez em quando, os ouço rindo. Tenho certeza de que é de mim. Ódio!

    – Não tá na hora de dar uma parada, não? Minha bunda já está quadrada.- disse Gerrard.

    Perdido nas minhas reflexões, nem notei que tinha anoitecido. Hora de montar um acampamento para passar a noite. Desmontamos. Mandei Gerrard arrumar lenha para fazer uma fogueira, enquanto os gêmeos tiravam as bagagens de cima dos burrinhos. Eu, que já estava com a barraca armada, chamei Tereza para me acompanhar. Tomei um tapa do macaco. Os dois riram (tenho certeza de que era de mim) e foram se deitar.

    Ao redor do fogo, enquanto todos dormiam, armei minha mini antena parabólica. Precisava me comunicar com o nosso contratante. Uma voz sonolenta atendeu, porém firme, atendeu:

    – Alô? Ah, é você. Então, já tem a minha encomenda?

    – Não senhor. Ainda estamos a caminho do Tibet.

    – O quê?!?! Escute aqui: já estamos no capítulo 14! Você não acha que já era hora de você me apresentar algum resultado?

    – Tivemos alguns contratempos, senhor. Mas garanto que teremos resultados satisfatórios, antes que o senhor possa dizer cucamonga.

    – Cucamonga!

    – Não. Eu falei metaforicamente (“seu retardado”, pensei mas achei melhor não dizer). Mas já que o senhor mencionou, eu conseguirira resultados mais rápido se tivesse um pouco mais de recursos. Viajar em burrinhos vai demorar muito, vamos acabar perdendo audiência, e eu tenho que alimentar o macaco…

    – Macaco?!?! Que papo é esse? Não. Esquece. Não quero saber. De quanto estamos falando? Ok. Amanhã estará depositado no seu cartão pré-pago. Agora, me traga resultados!

    Aquela conversa me aliviou um bocado. Amanhã poderemos dispensar os burrinhos e arrumar um meio de transporte mais decente. Só falta encontrar alguém que aceite cartão por aqui. No meio do nada… O viado do macaco aparece do nada e me dá um tapa na nuca. Um pescotapa, por assim dizer. Com a mesma rapidez que apareceu, sumiu. Ouço as risadas saindo de dentro da barraca. Tenho certeza de que estão rindo de mim. Ódio!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (14)

    No capítulo anterior, passamos a mão na bunda do Zé Mayer e ficamos esperando o textão. Depois confessamos que éramos amantes desde criancinha, e ficamos esperando o textão.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 14

     

    Consegui negociar com o baixinho, mas tive que aceitar um macaco como brinde.

    Charles, o macaco. Ele lembra muito a minha falecida avó. Não pelo humor ou ações. É uma coisa física mesmo. Até o bigode é igual, exceto que o do macaco é menor. Eu odeio aquela véia. Sim, ela ainda está viva. Toda vez que me encontra, ela me manda arrumar meu quarto. Quando eu falo que já tenho 39 anos, ela grita:

    – Enquanto você estiver sob meu teto, vai seguir minhas regras!

    Sim, eu moro com ela. De favor. Que ódio!

    Eu confesso: já conspirei para matá-la. Uma vez, joguei sal na caixa d’água pra ver se ela morria seca feito uma lesma quando tomasse banho. Não seu certo. E foi um mês pra tirar o futum de maresia de casa. De outra, contratei um sujeito para dar cabo dela. Ele se casou com ela e virou meu avô Pereira. Contratei um cara para matar o Pereira e ele virou o meu primo Jaiminho. Uma vez flagrei a véia se acabando de rir na sala. A filha da puta sabia de tudo e se divertia vendo meus planos irem por água abaixo. Ódio!

    Por tudo isso, tive vontade de esganar Charles na primeira curva da estrada. Mas ele parece que adivinhou meus planos e foi se aninhar nos peitos de Tereza. De vez em quando, os ouço rindo. Tenho certeza de que é de mim. Ódio!

    – Não tá na hora de dar uma parada, não? Minha bunda já está quadrada.- disse Gerrard.

    Perdido nas minhas reflexões, nem notei que tinha anoitecido. Hora de montar um acampamento para passar a noite. Desmontamos. Mandei Gerrard arrumar lenha para fazer uma fogueira, enquanto os gêmeos tiravam as bagagens de cima dos burrinhos. Eu, que já estava com a barraca armada, chamei Tereza para me acompanhar. Tomei um tapa do macaco. Os dois riram (tenho certeza de que era de mim) e foram se deitar.

    Ao redor do fogo, enquanto todos dormiam, armei minha mini antena parabólica. Precisava me comunicar com o nosso contratante. Uma voz sonolenta atendeu, porém firme, atendeu:

    – Alô? Ah, é você. Então, já tem a minha encomenda?

    – Não senhor. Ainda estamos a caminho do Tibet.

    – O quê?!?! Escute aqui: já estamos no capítulo 14! Você não acha que já era hora de você me apresentar algum resultado?

    – Tivemos alguns contratempos, senhor. Mas garanto que teremos resultados satisfatórios, antes que o senhor possa dizer cucamonga.

    – Cucamonga!

    – Não. Eu falei metaforicamente (“seu retardado”, pensei mas achei melhor não dizer). Mas já que o senhor mencionou, eu conseguirira resultados mais rápido se tivesse um pouco mais de recursos. Viajar em burrinhos vai demorar muito, vamos acabar perdendo audiência, e eu tenho que alimentar o macaco…

    – Macaco?!?! Que papo é esse? Não. Esquece. Não quero saber. De quanto estamos falando? Ok. Amanhã estará depositado no seu cartão pré-pago. Agora, me traga resultados!

    Aquela conversa me aliviou um bocado. Amanhã poderemos dispensar os burrinhos e arrumar um meio de transporte mais decente. Só falta encontrar alguém que aceite cartão por aqui. No meio do nada… O viado do macaco aparece do nada e me dá um tapa na nuca. Um pescotapa, por assim dizer. Com a mesma rapidez que apareceu, sumiu. Ouço as risadas saindo de dentro da barraca. Tenho certeza de que estão rindo de mim. Ódio!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (13)

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    No capítulo anterior, aprendemos que canibalizar o trabalho alheio pode, legalmente, ser encarado como homenagem e estávamos protegidos de eventuais processos por direitos autorais.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 13

    “Onde estão guardadas todas as devidas proporções.”

    Aquela frase martelava a minha cabeça. Eu tinha que resolver aquele enigma, ou ficaria preso no Acre para sempre. “O Acre é limbo da Terra”, filosofei mentalmente.

    Enquanto pensava na solução, minha equipe passeava pelo saguão tentando abordar os passageiros. Sem sucesso. A cada vez que eles tentavam contato, a pessoa virara purpurina e desaparecia. Outras novas apareciam, como que desembarcando de um avião que acabara de chegar. As bagagens também não resistiam a um toque. Desapareciam, como se fossem estraviadas pela companhia aérea.

    Num canto, notei um display com os seguintes dizeres: “Atenção: pegue uma toalha.” Abaixo do aviso, pendiam três toalhas brancas, dessas de banho normais. Caminhei até ele e perguntei ao segurança que estava ao seu lado:

    - Que merda é essa?

    - Pegue uma toalha. Sempre pegue uma toalha!

    E desapareceu em uma nuvem de purpurina.

    - Bem – pensei – mal não vai fazer.

    Peguei uma toalha e a coloquei sobre os ombros.

    - Que merda é essa? – Perguntou Johnson.

    - Uma toalha, Sr. Johnson. Uma toalha.

    - Sim, mas pra que isso?

    - Sempre pegue uma toalha. – Disse Tereza enigmaticamante.

    - Silêncio! – ordenei – Temos que nos concentrar em resolver o enigma. Isso é o mais importante agora.

    - Que enigma? – Disse Johanson.

    - Onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    - Na porra da puta que o pariu, caralho! – Disse Gerrard, um tanto frustrado.

    De repente, todos os passageiros e funcionários da sala de desembarque se viraram pra nóe e começaram a aplaudir. Uma a um, foram explodindo em purpurina e desaparecendo. Até que o último desapareceu, e a própria sala começou a ficar transparente, até sumir.

    “Fudeu!”, pensei já pegando a toalha como se fosse um nunchaco. Uma cena ridícula, devo admitir.

    Tudo ao nosso redor estava branco, como uma folha de papel. Parecíamos estar flutuando, mas tocávamos o chão. Nossos passos tinham eco, o que era legal pra criar um clima. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, todo o branco foi substituído por Katmandu. Já estávamos com todas as nossas bagagens em cima de 14 burrinhos. Todos também já estavam montados, exceto eu, que estava de pé, com um sujeito baixinho a minha frente, que dizia insistentemente:

    - Ten for that, you must be mad!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (13)

    No capítulo anterior, aprendemos que canibalizar o trabalho alheio pode, legalmente, ser encarado como homenagem e estávamos protegidos de eventuais processos por direitos autorais.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 13

    “Onde estão guardadas todas as devidas proporções.”

    Aquela frase martelava a minha cabeça. Eu tinha que resolver aquele enigma, ou ficaria preso no Acre para sempre. “O Acre é limbo da Terra”, filosofei mentalmente.

    Enquanto pensava na solução, minha equipe passeava pelo saguão tentando abordar os passageiros. Sem sucesso. A cada vez que eles tentavam contato, a pessoa virara purpurina e desaparecia. Outras novas apareciam, como que desembarcando de um avião que acabara de chegar. As bagagens também não resistiam a um toque. Desapareciam, como se fossem estraviadas pela companhia aérea.

    Num canto, notei um display com os seguintes dizeres: “Atenção: pegue uma toalha.” Abaixo do aviso, pendiam três toalhas brancas, dessas de banho normais. Caminhei até ele e perguntei ao segurança que estava ao seu lado:

    - Que merda é essa?

    - Pegue uma toalha. Sempre pegue uma toalha!

    E desapareceu em uma nuvem de purpurina.

    - Bem – pensei – mal não vai fazer.

    Peguei uma toalha e a coloquei sobre os ombros.

    - Que merda é essa? – Perguntou Johnson.

    - Uma toalha, Sr. Johnson. Uma toalha.

    - Sim, mas pra que isso?

    - Sempre pegue uma toalha. – Disse Tereza enigmaticamante.

    - Silêncio! – ordenei – Temos que nos concentrar em resolver o enigma. Isso é o mais importante agora.

    - Que enigma? – Disse Johanson.

    - Onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    - Na porra da puta que o pariu, caralho! – Disse Gerrard, um tanto frustrado.

    De repente, todos os passageiros e funcionários da sala de desembarque se viraram pra nóe e começaram a aplaudir. Uma a um, foram explodindo em purpurina e desaparecendo. Até que o último desapareceu, e a própria sala começou a ficar transparente, até sumir.

    “Fudeu!”, pensei já pegando a toalha como se fosse um nunchaco. Uma cena ridícula, devo admitir.

    Tudo ao nosso redor estava branco, como uma folha de papel. Parecíamos estar flutuando, mas tocávamos o chão. Nossos passos tinham eco, o que era legal pra criar um clima. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, todo o branco foi substituído por Katmandu. Já estávamos com todas as nossas bagagens em cima de 14 burrinhos. Todos também já estavam montados, exceto eu, que estava de pé, com um sujeito baixinho a minha frente, que dizia insistentemente:

    - Ten for that, you must be mad!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (13)

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    No capítulo anterior, aprendemos que canibalizar o trabalho alheio pode, legalmente, ser encarado como homenagem e estávamos protegidos de eventuais processos por direitos autorais.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 13

    “Onde estão guardadas todas as devidas proporções.”

    Aquela frase martelava a minha cabeça. Eu tinha que resolver aquele enigma, ou ficaria preso no Acre para sempre. “O Acre é limbo da Terra”, filosofei mentalmente.

    Enquanto pensava na solução, minha equipe passeava pelo saguão tentando abordar os passageiros. Sem sucesso. A cada vez que eles tentavam contato, a pessoa virara purpurina e desaparecia. Outras novas apareciam, como que desembarcando de um avião que acabara de chegar. As bagagens também não resistiam a um toque. Desapareciam, como se fossem estraviadas pela companhia aérea.

    Num canto, notei um display com os seguintes dizeres: “Atenção: pegue uma toalha.” Abaixo do aviso, pendiam três toalhas brancas, dessas de banho normais. Caminhei até ele e perguntei ao segurança que estava ao seu lado:

    - Que merda é essa?

    - Pegue uma toalha. Sempre pegue uma toalha!

    E desapareceu em uma nuvem de purpurina.

    - Bem – pensei – mal não vai fazer.

    Peguei uma toalha e a coloquei sobre os ombros.

    - Que merda é essa? – Perguntou Johnson.

    - Uma toalha, Sr. Johnson. Uma toalha.

    - Sim, mas pra que isso?

    - Sempre pegue uma toalha. – Disse Tereza enigmaticamante.

    - Silêncio! – ordenei – Temos que nos concentrar em resolver o enigma. Isso é o mais importante agora.

    - Que enigma? – Disse Johanson.

    - Onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    - Na porra da puta que o pariu, caralho! – Disse Gerrard, um tanto frustrado.

    De repente, todos os passageiros e funcionários da sala de desembarque se viraram pra nóe e começaram a aplaudir. Uma a um, foram explodindo em purpurina e desaparecendo. Até que o último desapareceu, e a própria sala começou a ficar transparente, até sumir.

    “Fudeu!”, pensei já pegando a toalha como se fosse um nunchaco. Uma cena ridícula, devo admitir.

    Tudo ao nosso redor estava branco, como uma folha de papel. Parecíamos estar flutuando, mas tocávamos o chão. Nossos passos tinham eco, o que era legal pra criar um clima. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, todo o branco foi substituído por Katmandu. Já estávamos com todas as nossas bagagens em cima de 14 burrinhos. Todos também já estavam montados, exceto eu, que estava de pé, com um sujeito baixinho a minha frente, que dizia insistentemente:

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (12)

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    No capítulo anterior, esquecemos de pagar o Netflix e ficamos o fim de semana todo vendo a Globo. Sério que tem outro Big Brother?

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 12

     

    Anunciei no auto-falante que tínhamos aterrissado e que poderiam desembarcar agora. Ouvi os passageiros festejando e me homenageando aos gritos de “VIVA!VIVA!”. Eu sei que parecia que gritavam “BIXA! BIXA!”, mas tenho certeza de que não era isso. Enquanto eles desembarcavam, senti nos meus ossos que algo estava terrivelmente errado. Não saberia dizer o que era, mas que tinha alguma merda, tinha.

    Eu e Tereza fomos os últimos a desembarcar. Quando chegamos à sala de desembarque, descobri o que me atemorizava. Uma grande placa perto da esteira de bagagens dizia: “Bem vindos ao Acre”.

    Meu Deus, o que tinha saído errado? Será que eu virei à esquerda no Caribe, quando tinha que virar à direita? Minha equipe estava toda reunida. Estupefatos, como eu, eles me encaravam como se dissessem: “Putz! Que cagada, hein?”.

    – Putz! Que cagada, hein? – Disse Johanson.

    – Não consigo entender. Tenho certeza de que não errei o caminho.

    O plano era irmos a Katmandu, no Nepal. De lá, pegaríamos 14 burrinhos que nos levariam ao Tibet. Já tinha até alugado os burrinhos. Agora vou perder o depósito.

    Foi Tereza que chamou a atenção para os outros passageiros. Todos estavam recolhendo suas bagagens calmamente, como se nada de errado tivesse acontecido. Aquilo me deu a certeza de que tinha alguma coisa muito estranha estava ocorrendo.

    – Engraçado. – Disse Gerrard – Eu sempre achei que o Acre não existia.

    Mas é claro! O Acre não existe! Isso explicava muita coisa. Só não sabia o quê. Estava me sentindo num episódio de Twilight Zone.

    Resolvi perguntar a um segurança, que, a essa altura, já nos olhava desconfiado.

    – Excelência, por favor. Onde estamos?

    – Essa é uma questão profunda e ser respondida de várias maneiras. Temporalmente, estamos em 2017. Você também poderia ter perguntado “quando estamos?”. Filosoficamente, onde estamos é uma questão tão profunda quanto particular. Onde estamos, afinal? Estamos em uma boa parte da nossa vida? Evoluímos enquanto seres humanos?

    – Não, amigo. Eu apenas quero saber onde estamos. Em que lugar do globo? Assim, sem filosofia. Uma questão bem terrena mesmo.

    Ele pareceu decepcionado. Mas fez questão de demonstrar que a decepção era comigo. Porque seu rosto se iluminou quando respondeu:

    – Estamos no Acre.

    – Mas o Acre não existe!

    – E o que isso lhe diz?

    – A única coisa que me diz é que não tenho a menor ideia do que está acontecendo ou de onde estou.

    – Você saberá a resposta quando conseguir resolver essa questão: onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    – O quê?

    – Pense, pequeno Simba. A resposta está mais próxima do que você imagina. Olhe bem as estrelas. Adeus, Simba.

    Sua fala veio com eco. Enquanto ela se repetia, ele virou purpurina e desapareceu.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (12)

    No capítulo anterior, esquecemos de pagar o Netflix e ficamos o fim de semana todo vendo a Globo. Sério que tem outro Big Brother?

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 12

     

    Anunciei no auto-falante que tínhamos aterrissado e que poderiam desembarcar agora. Ouvi os passageiros festejando e me homenageando aos gritos de “VIVA!VIVA!”. Eu sei que parecia que gritavam “BIXA! BIXA!”, mas tenho certeza de que não era isso. Enquanto eles desembarcavam, senti nos meus ossos que algo estava terrivelmente errado. Não saberia dizer o que era, mas que tinha alguma merda, tinha.

    Eu e Tereza fomos os últimos a desembarcar. Quando chegamos à sala de desembarque, descobri o que me atemorizava. Uma grande placa perto da esteira de bagagens dizia: “Bem vindos ao Acre”.

    Meu Deus, o que tinha saído errado? Será que eu virei à esquerda no Caribe, quando tinha que virar à direita? Minha equipe estava toda reunida. Estupefatos, como eu, eles me encaravam como se dissessem: “Putz! Que cagada, hein?”.

    – Putz! Que cagada, hein? – Disse Johanson.

    – Não consigo entender. Tenho certeza de que não errei o caminho.

    O plano era irmos a Katmandu, no Nepal. De lá, pegaríamos 14 burrinhos que nos levariam ao Tibet. Já tinha até alugado os burrinhos. Agora vou perder o depósito.

    Foi Tereza que chamou a atenção para os outros passageiros. Todos estavam recolhendo suas bagagens calmamente, como se nada de errado tivesse acontecido. Aquilo me deu a certeza de que tinha alguma coisa muito estranha estava ocorrendo.

    – Engraçado. – Disse Gerrard – Eu sempre achei que o Acre não existia.

    Mas é claro! O Acre não existe! Isso explicava muita coisa. Só não sabia o quê. Estava me sentindo num episódio de Twilight Zone.

    Resolvi perguntar a um segurança, que, a essa altura, já nos olhava desconfiado.

    – Excelência, por favor. Onde estamos?

    – Essa é uma questão profunda e ser respondida de várias maneiras. Temporalmente, estamos em 2017. Você também poderia ter perguntado “quando estamos?”. Filosoficamente, onde estamos é uma questão tão profunda quanto particular. Onde estamos, afinal? Estamos em uma boa parte da nossa vida? Evoluímos enquanto seres humanos?

    – Não, amigo. Eu apenas quero saber onde estamos. Em que lugar do globo? Assim, sem filosofia. Uma questão bem terrena mesmo.

    Ele pareceu decepcionado. Mas fez questão de demonstrar que a decepção era comigo. Porque seu rosto se iluminou quando respondeu:

    – Estamos no Acre.

    – Mas o Acre não existe!

    – E o que isso lhe diz?

    – A única coisa que me diz é que não tenho a menor ideia do que está acontecendo ou de onde estou.

    – Você saberá a resposta quando conseguir resolver essa questão: onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    – O quê?

    – Pense, pequeno Simba. A resposta está mais próxima do que você imagina. Olhe bem as estrelas. Adeus, Simba.

    Sua fala veio com eco. Enquanto ela se repetia, ele virou purpurina e desapareceu.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (12)

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    No capítulo anterior, esquecemos de pagar o Netflix e ficamos o fim de semana todo vendo a Globo. Sério que tem outro Big Brother?

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 12

     

    Anunciei no auto-falante que tínhamos aterrissado e que poderiam desembarcar agora. Ouvi os passageiros festejando e me homenageando aos gritos de “VIVA!VIVA!”. Eu sei que parecia que gritavam “BIXA! BIXA!”, mas tenho certeza de que não era isso. Enquanto eles desembarcavam, senti nos meus ossos que algo estava terrivelmente errado. Não saberia dizer o que era, mas que tinha alguma merda, tinha.

    Eu e Tereza fomos os últimos a desembarcar. Quando chegamos à sala de desembarque, descobri o que me atemorizava. Uma grande placa perto da esteira de bagagens dizia: “Bem vindos ao Acre”.

    Meu Deus, o que tinha saído errado? Será que eu virei à esquerda no Caribe, quando tinha que virar à direita? Minha equipe estava toda reunida. Estupefatos, como eu, eles me encaravam como se dissessem: “Putz! Que cagada, hein?”.

    – Putz! Que cagada, hein? – Disse Johanson.

    – Não consigo entender. Tenho certeza de que não errei o caminho.

    O plano era irmos a Katmandu, no Nepal. De lá, pegaríamos 14 burrinhos que nos levariam ao Tibet. Já tinha até alugado os burrinhos. Agora vou perder o depósito.

    Foi Tereza que chamou a atenção para os outros passageiros. Todos estavam recolhendo suas bagagens calmamente, como se nada de errado tivesse acontecido. Aquilo me deu a certeza de que tinha alguma coisa muito estranha estava ocorrendo.

    – Engraçado. – Disse Gerrard – Eu sempre achei que o Acre não existia.

    Mas é claro! O Acre não existe! Isso explicava muita coisa. Só não sabia o quê. Estava me sentindo num episódio de Twilight Zone.

    Resolvi perguntar a um segurança, que, a essa altura, já nos olhava desconfiado.

    – Excelência, por favor. Onde estamos?

    – Essa é uma questão profunda e ser respondida de várias maneiras. Temporalmente, estamos em 2017. Você também poderia ter perguntado “quando estamos?”. Filosoficamente, onde estamos é uma questão tão profunda quanto particular. Onde estamos, afinal? Estamos em uma boa parte da nossa vida? Evoluímos enquanto seres humanos?

    – Não, amigo. Eu apenas quero saber onde estamos. Em que lugar do globo? Assim, sem filosofia. Uma questão bem terrena mesmo.

    Ele pareceu decepcionado. Mas fez questão de demonstrar que a decepção era comigo. Porque seu rosto se iluminou quando respondeu:

    – Estamos no Acre.

    – Mas o Acre não existe!

    – E o que isso lhe diz?

    – A única coisa que me diz é que não tenho a menor ideia do que está acontecendo ou de onde estou.

    – Você saberá a resposta quando conseguir resolver essa questão: onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    – O quê?

    – Pense, pequeno Simba. A resposta está mais próxima do que você imagina. Olhe bem as estrelas. Adeus, Simba.

    Sua fala veio com eco. Enquanto ela se repetia, ele virou purpurina e desapareceu.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

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    No capítulo anterior chamamos Kim Jong-Un de Gordinho Maluco e dissemos que foi o Senador John McCain. Estamos rindo até agora.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 11

     

    Não tem jeito. Vou ter que pousar essa bagaça sozinho. O aeroporto já estava aparecendo no parabrisa da cabine. A aeromoça entrou. Deu uma risada sarcástica e saiu de novo. Filha da puta! Peguei o microfone e anunciei aos passageiros:

    – Senhores passageiros, iniciaremos os procedimentos de pouso. Se Deus quiser, aterrissaremos em segurança daqui a 15 minutos. Os pasasgeiros com destino a Cuiabá, aguardem dentro do avião para retorno.

    Johnson e Johanson, que tinha ficado muito tempo sumidos por puro esquecimento, entraram na cabine.

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – Disse Johanson.

    – And don’t call me Shirley. – Completou Johnson.

    – Vá tomar no cu, Sr. Johnson. E você, Johanson, vá ver o filme do Pelé!

    Saíram os dois às gargalhadas.

    – Mas será que ninguém se preocupa se essa porra cair? – Perguntei à Tereza.

    – Eles eu não sei. Eu tô cagando.

    Fiquei paralisado, besta, fascinado olhando Tereza. Ela fica linda falando palavrões. Vi-a se levantar, flutuando, olhando pra mim com candura e desferindo o tapa mais forte que já tinha sentido.

    – Acorda, viado!

    – Sim, querida.

    Passei a prestar atenção aos comandos para aterrissagem. Baixei os trens de pouso. Subi os flaps.

    – É pra baixar os flaps, retardado. – Tereza me lembrou delicadamente. Ela também já tinha jogado Playstation. Não é linda?

    Baixei os flaps. Diminuí a velocidade. Alarmes começaram a tocar por toda a cabine. Johanson aparece de novo:

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês.

    Odeio referências cinematográficas. Aquele trambolho começou a chacoalhar com violência. Os alarmes gritando. Eu suando. Tereza fumando. Precisava me concentrar. Pensa. Pensa. O que Steve Wonder faria?

    Joguei o avião para baixo. Alinhei com a pista. Diminui a velocidade. Ele desceu como uma bola de boliche e começou a rolar pela pista. Puxei os freios violentamente. Ele deu um cavalo de pau e parou fora da pista. Nenhum bombeiro ou equipe de resgate apareceu. No Nepal não tem essas frescuras.

    Ofegante mas aliviado, olhei para Tereza que apagava seu cigarro calmamente no mostrador do horizonte artificial.

    – Parabéns. – disse ela – Você se saiu muito bem. É impressão minha, ou você está mais alto?

    – É que me caguei todo.

    – Você sabe que isso elimina qualquer possibilidade de um boquete de comemoração, né?

    – Merda!

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – disse Johanson entre gargalhadas.

    Eu realmente odeio referências cinematográficas.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

    No capítulo anterior chamamos Kim Jong-Un de Gordinho Maluco e dissemos que foi o Senador John McCain. Estamos rindo até agora.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 11

     

    Não tem jeito. Vou ter que pousar essa bagaça sozinho. O aeroporto já estava aparecendo no parabrisa da cabine. A aeromoça entrou. Deu uma risada sarcástica e saiu de novo. Filha da puta! Peguei o microfone e anunciei aos passageiros:

    – Senhores passageiros, iniciaremos os procedimentos de pouso. Se Deus quiser, aterrissaremos em segurança daqui a 15 minutos. Os pasasgeiros com destino a Cuiabá, aguardem dentro do avião para retorno.

    Johnson e Johanson, que tinha ficado muito tempo sumidos por puro esquecimento, entraram na cabine.

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – Disse Johanson.

    – And don’t call me Shirley. – Completou Johnson.

    – Vá tomar no cu, Sr. Johnson. E você, Johanson, vá ver o filme do Pelé!

    Saíram os dois às gargalhadas.

    – Mas será que ninguém se preocupa se essa porra cair? – Perguntei à Tereza.

    – Eles eu não sei. Eu tô cagando.

    Fiquei paralisado, besta, fascinado olhando Tereza. Ela fica linda falando palavrões. Vi-a se levantar, flutuando, olhando pra mim com candura e desferindo o tapa mais forte que já tinha sentido.

    – Acorda, viado!

    – Sim, querida.

    Passei a prestar atenção aos comandos para aterrissagem. Baixei os trens de pouso. Subi os flaps.

    – É pra baixar os flaps, retardado. – Tereza me lembrou delicadamente. Ela também já tinha jogado Playstation. Não é linda?

    Baixei os flaps. Diminuí a velocidade. Alarmes começaram a tocar por toda a cabine. Johanson aparece de novo:

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês.

    Odeio referências cinematográficas. Aquele trambolho começou a chacoalhar com violência. Os alarmes gritando. Eu suando. Tereza fumando. Precisava me concentrar. Pensa. Pensa. O que Steve Wonder faria?

    Joguei o avião para baixo. Alinhei com a pista. Diminui a velocidade. Ele desceu como uma bola de boliche e começou a rolar pela pista. Puxei os freios violentamente. Ele deu um cavalo de pau e parou fora da pista. Nenhum bombeiro ou equipe de resgate apareceu. No Nepal não tem essas frescuras.

    Ofegante mas aliviado, olhei para Tereza que apagava seu cigarro calmamente no mostrador do horizonte artificial.

    – Parabéns. – disse ela – Você se saiu muito bem. É impressão minha, ou você está mais alto?

    – É que me caguei todo.

    – Você sabe que isso elimina qualquer possibilidade de um boquete de comemoração, né?

    – Merda!

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – disse Johanson entre gargalhadas.

    Eu realmente odeio referências cinematográficas.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

    No capítulo anterior chamamos Kim Jong-Un de Gordinho Maluco e dissemos que foi o Senador John McCain. Estamos rindo até agora.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 11

     

    Não tem jeito. Vou ter que pousar essa bagaça sozinho. O aeroporto já estava aparecendo no parabrisa da cabine. A aeromoça entrou. Deu uma risada sarcástica e saiu de novo. Filha da puta! Peguei o microfone e anunciei aos passageiros:

    – Senhores passageiros, iniciaremos os procedimentos de pouso. Se Deus quiser, aterrissaremos em segurança daqui a 15 minutos. Os pasasgeiros com destino a Cuiabá, aguardem dentro do avião para retorno.

    Johnson e Johanson, que tinha ficado muito tempo sumidos por puro esquecimento, entraram na cabine.

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – Disse Johanson.

    – And don’t call me Shirley. – Completou Johnson.

    – Vá tomar no cu, Sr. Johnson. E você, Johanson, vá ver o filme do Pelé!

    Saíram os dois às gargalhadas.

    – Mas será que ninguém se preocupa se essa porra cair? – Perguntei à Tereza.

    – Eles eu não sei. Eu tô cagando.

    Fiquei paralisado, besta, fascinado olhando Tereza. Ela fica linda falando palavrões. Vi-a se levantar, flutuando, olhando pra mim com candura e desferindo o tapa mais forte que já tinha sentido.

    – Acorda, viado!

    – Sim, querida.

    Passei a prestar atenção aos comandos para aterrissagem. Baixei os trens de pouso. Subi os flaps.

    – É pra baixar os flaps, retardado. – Tereza me lembrou delicadamente. Ela também já tinha jogado Playstation. Não é linda?

    Baixei os flaps. Diminuí a velocidade. Alarmes começaram a tocar por toda a cabine. Johanson aparece de novo:

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês.

    Odeio referências cinematográficas. Aquele trambolho começou a chacoalhar com violência. Os alarmes gritando. Eu suando. Tereza fumando. Precisava me concentrar. Pensa. Pensa. O que Steve Wonder faria?

    Joguei o avião para baixo. Alinhei com a pista. Diminui a velocidade. Ele desceu como uma bola de boliche e começou a rolar pela pista. Puxei os freios violentamente. Ele deu um cavalo de pau e parou fora da pista. Nenhum bombeiro ou equipe de resgate apareceu. No Nepal não tem essas frescuras.

    Ofegante mas aliviado, olhei para Tereza que apagava seu cigarro calmamente no mostrador do horizonte artificial.

    – Parabéns. – disse ela – Você se saiu muito bem. É impressão minha, ou você está mais alto?

    – É que me caguei todo.

    – Você sabe que isso elimina qualquer possibilidade de um boquete de comemoração, né?

    – Merda!

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – disse Johanson entre gargalhadas.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    AIRPLANE AND ZERO HOUR (21)

    No capítulo anterior ficamos indignados com a eliminação daquela moça gostosa do Big Brother. Como é mesmo o nome dela? Vocês sabem: a bunduda. Aquela que tinha uma treta com o… o… Como é o nome mesmo? Ah, sei lá. Só sei que são famosos.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 10

     

    É muito bom ser herói.

    Demorou um pouco para relembrar as minhas sessões de simulador de vôo no Playstation que eu ganhei do Yudi. O avião chacoalhou um pouco, mas logo eu peguei o jeito da coisa. Ajustei o curso, apertei o botãozinho do piloto automático e relaxei um pouco. Tereza, do meu lado, fumava um cigarro e apreciava a vista.

    A aeromoça, não tão moça assim mas certamente aero, entrou e ofereceu café. Aceitei. Aceitamos.

    – Viu? – tentei puxar assunto – Deu tudo certo. Ainda bem que eu estava nesse vôo, hein?

    – É… Que bom. Assim vou poder viver mais uns dias essa minha vida excitante.

    Senti sarcasmo. Mas foi muito mesmo! Não me abalei. Sou herói. Heróis não buscam aplausos. Somos modestos e desprendidos.

    – Vaca! – disse entre os dentes cerrados.

    – Não se irrite. Eu achei que você foi um verdadeiro herói. – disse Tereza soprando a fumaça na minha cara.

    Viram? Herói!

    – Não fiz nada de mais. Nada mais que minha obrigação. Comente mais.

    – Bem, parece que estamos chegando. Devo avisar aos passageiros para se prepararem para aterrissagem?

    Aquela frase me acertou como um soco de um boxeador ainda sem Parkinson. Me lembrei que nunca tinha completado um vôo sequer no simulador. Todas as minhas tentativas de aterrissar resultaram e explosão. Fiquei pálido como o Michael Jackson. Tereza notou.

    – Você não sabe aterrissar, né? Eu sabia. Tava muito bom para ser verdade. Vou cobrar por aquele boquete.

    A aeromoça, que, sabe-se lá porque, ainda estava por ali, sorriu com o canto da boca, levantou as mãos pro céu e saiu arrastando a perna.

    Bom, já que o Gerrard tinha acidentalmente matado todos os outros pilotos, a coisa era comigo. E eu não ia me furtar ao trabalho. Sou herói!

    – Fudeu!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    No capítulo anterior ficamos indignados com a eliminação daquela moça gostosa do Big Brother. Como é mesmo o nome dela? Vocês sabem: a bunduda. Aquela que tinha uma treta com o… o… Como é o nome mesmo? Ah, sei lá. Só sei que são famosos.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 10

     

    É muito bom ser herói.

    Demorou um pouco para relembrar as minhas sessões de simulador de vôo no Playstation que eu ganhei do Yudi. O avião chacoalhou um pouco, mas logo eu peguei o jeito da coisa. Ajustei o curso, apertei o botãozinho do piloto automático e relaxei um pouco. Tereza, do meu lado, fumava um cigarro e apreciava a vista.

    A aeromoça, não tão moça assim mas certamente aero, entrou e ofereceu café. Aceitei. Aceitamos.

    – Viu? – tentei puxar assunto – Deu tudo certo. Ainda bem que eu estava nesse vôo, hein?

    – É… Que bom. Assim vou poder viver mais uns dias essa minha vida excitante.

    Senti sarcasmo. Mas foi muito mesmo! Não me abalei. Sou herói. Heróis não buscam aplausos. Somos modestos e desprendidos.

    – Vaca! – disse entre os dentes cerrados.

    – Não se irrite. Eu achei que você foi um verdadeiro herói. – disse Tereza soprando a fumaça na minha cara.

    Viram? Herói!

    – Não fiz nada de mais. Nada mais que minha obrigação. Comente mais.

    – Bem, parece que estamos chegando. Devo avisar aos passageiros para se prepararem para aterrissagem?

    Aquela frase me acertou como um soco de um boxeador ainda sem Parkinson. Me lembrei que nunca tinha completado um vôo sequer no simulador. Todas as minhas tentativas de aterrissar resultaram e explosão. Fiquei pálido como o Michael Jackson. Tereza notou.

    – Você não sabe aterrissar, né? Eu sabia. Tava muito bom para ser verdade. Vou cobrar por aquele boquete.

    A aeromoça, que, sabe-se lá porque, ainda estava por ali, sorriu com o canto da boca, levantou as mãos pro céu e saiu arrastando a perna.

    Bom, já que o Gerrard tinha acidentalmente matado todos os outros pilotos, a coisa era comigo. E eu não ia me furtar ao trabalho. Sou herói!

    – Fudeu!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    No capítulo anterior ficamos indignados com a eliminação daquela moça gostosa do Big Brother. Como é mesmo o nome dela? Vocês sabem: a bunduda. Aquela que tinha uma treta com o… o… Como é o nome mesmo? Ah, sei lá. Só sei que são famosos.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 10

     

    É muito bom ser herói.

    Demorou um pouco para relembrar as minhas sessões de simulador de vôo no Playstation que eu ganhei do Yudi. O avião chacoalhou um pouco, mas logo eu peguei o jeito da coisa. Ajustei o curso, apertei o botãozinho do piloto automático e relaxei um pouco. Tereza, do meu lado, fumava um cigarro e apreciava a vista.

    A aeromoça, não tão moça assim mas certamente aero, entrou e ofereceu café. Aceitei. Aceitamos.

    – Viu? – tentei puxar assunto – Deu tudo certo. Ainda bem que eu estava nesse vôo, hein?

    – É… Que bom. Assim vou poder viver mais uns dias essa minha vida excitante.

    Senti sarcasmo. Mas foi muito mesmo! Não me abalei. Sou herói. Heróis não buscam aplausos. Somos modestos e desprendidos.

    – Vaca! – disse entre os dentes cerrados.

    – Não se irrite. Eu achei que você foi um verdadeiro herói. – disse Tereza soprando a fumaça na minha cara.

    Viram? Herói!

    – Não fiz nada de mais. Nada mais que minha obrigação. Comente mais.

    – Bem, parece que estamos chegando. Devo avisar aos passageiros para se prepararem para aterrissagem?

    Aquela frase me acertou como um soco de um boxeador ainda sem Parkinson. Me lembrei que nunca tinha completado um vôo sequer no simulador. Todas as minhas tentativas de aterrissar resultaram e explosão. Fiquei pálido como o Michael Jackson. Tereza notou.

    – Você não sabe aterrissar, né? Eu sabia. Tava muito bom para ser verdade. Vou cobrar por aquele boquete.

    A aeromoça, que, sabe-se lá porque, ainda estava por ali, sorriu com o canto da boca, levantou as mãos pro céu e saiu arrastando a perna.

    Bom, já que o Gerrard tinha acidentalmente matado todos os outros pilotos, a coisa era comigo. E eu não ia me furtar ao trabalho. Sou herói!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (9)

    AIRPLANE AND ZERO HOUR (27)

    No capítulo anterior fomos abduzidos por alienígenas super-inteligentes, de uma civilização hiper-avançada, que nos levaram para zoar umas plantações aí.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 9

     

    Interessante como o cérebro funciona. Aparentemente traumas criam uma espécie de bloqueio que faz a riqueza dos psicólogos. Eu estava tentando lembrar da minha aventura sexual aérea, tentando descobrir a causa daquela dor incômoda nas partes baixas e traseiras, e tentando entender o porque de Tereza estar me olhando fixamente, e dando sorrisinhos sarcásticos de vez em quando. Pra falar a verdade, metade dos passageiros estava me encarando e dando sorrisinhos sarcásticos, enquanto cochichavam entre si.

    Bem, como eu dizia, estava me esforçando para lembrar de alguma coisa, quando o avião teve uma súbita queda de altitude, tão violenta que fez meu estômago ir à goela ver o que estava acontecendo. Como mágica, isso me fez lembrar de tudo.

    – Piloto filho da puta! – disse com os dentes cerrados de ódio.

    Já estava me levantando, decidido a ir na cabine dar uns pescotapas naquele viado, quando a aeromoça abre e porta e, demonstrando aquela calma que só quem desistiu da vida há muito tempo possui, diz:

    – Alguém aqui sabe pilotar avião?

    Silêncio sepulcral.

    – Alguém aqui sabe…

    – Nós ouvimos. – disse um dos passageiros. – Queremos saber o que significa isso.

    – Significa que o piloto morreu. Indigestão.

    – E o co-piloto?

    – Nada bem.

    De repente, todos começaram a discutir entre si. A discussão virou desespero. E o desespero, gritaria.

    Entendi que, mais uma vez, eu deveria salvar o dia. Como é dura a vida de um herói sem capa. Como é pesado o fardo dos que decidem

    – Eu sou piloto. – disse um cara da terceira fila.

    O quê?!?! Ah, não senhor. Eu não tive aquele devaneio acima por nada. Dei um sinal para Gerrard, que imediatamente entendeu. Assim que o usurpador passou por ele, Gerrard levantou-se displicentemente, fingiu um tropeção e caiu sobre o calhorda. Durante a queda, Gerrard rapidamente e disfarçadamente quebrou o pescoço do otário, que já chegou ao chão tendo passado desta. Gerrard ainda fingiu ajudá-lo a se levantar, e, quando o corpo mole do metidinho não respondeu, emitiu o “oh!” mais fingido e canastrão que eu já vi. Pegou um saco de amendoim e sentou-se de novo.

    Quando todos ainda se entreolhavam procurando entender, eu ajeitei meu casaco e me levantei.

    – Sem problemas, eu também sou piloto. – disse um cara na quinta fila.

    Filho da puta! Meu olhar cruzou com o de Gerrard, que deixou seu amendoim de lado, caminhou até o cafajeste, fingiu um tropeço, e na queda quebrou o pescoço dele também

    – Puxa, como sou desastrado.

    – Nada temam, eu também sei pilotar. – disse um sujeito na sétima fila.

    Gerrard suspirou, tropeçou e… Bem, vocês sabem. Levantou-se, olhou em volta e perguntou:

    – Mais alguém?

    Um braço se levantou na quarta fila.

    – Eu.

    Gerrard nem se deu ao trabalho de tropeçar.

    – Mais alguém?

    Silêncio. Olhei para os lados, me levantei e heroicamente me apresentei.

    – Eu sou piloto.

    Gerrard instintivamente começou a andar em minha direção, quando deu por si. Voltou para o seu assento e continuou a comer seu amendoim. Percorri o caminho que levava à cabine de comando sob aplausos. Agora sim.

    O co-piloto também já tinha batido com as dez. Me acomodei no assento do comandante. Tereza assumiu o assento a meu lado. Ela me olhava com admiração. Se abaixou, abriu meu zíper e começou a, digamos, discursar ao microfone. Um discurso lindo e inspirador. Dessa vez, não tive que pagar. É bom ser herói.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (9)

    No capítulo anterior fomos abduzidos por alienígenas super-inteligentes, de uma civilização hiper-avançada, que nos levaram para zoar umas plantações aí.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 9

     

    Interessante como o cérebro funciona. Aparentemente traumas criam uma espécie de bloqueio que faz a riqueza dos psicólogos. Eu estava tentando lembrar da minha aventura sexual aérea, tentando descobrir a causa daquela dor incômoda nas partes baixas e traseiras, e tentando entender o porque de Tereza estar me olhando fixamente, e dando sorrisinhos sarcásticos de vez em quando. Pra falar a verdade, metade dos passageiros estava me encarando e dando sorrisinhos sarcásticos, enquanto cochichavam entre si.

    Bem, como eu dizia, estava me esforçando para lembrar de alguma coisa, quando o avião teve uma súbita queda de altitude, tão violenta que fez meu estômago ir à goela ver o que estava acontecendo. Como mágica, isso me fez lembrar de tudo.

    – Piloto filho da puta! – disse com os dentes cerrados de ódio.

    Já estava me levantando, decidido a ir na cabine dar uns pescotapas naquele viado, quando a aeromoça abre e porta e, demonstrando aquela calma que só quem desistiu da vida há muito tempo possui, diz:

    – Alguém aqui sabe pilotar avião?

    Silêncio sepulcral.

    – Alguém aqui sabe…

    – Nós ouvimos. – disse um dos passageiros. – Queremos saber o que significa isso.

    – Significa que o piloto morreu. Indigestão.

    – E o co-piloto?

    – Nada bem.

    De repente, todos começaram a discutir entre si. A discussão virou desespero. E o desespero, gritaria.

    Entendi que, mais uma vez, eu deveria salvar o dia. Como é dura a vida de um herói sem capa. Como é pesado o fardo dos que decidem

    – Eu sou piloto. – disse um cara da terceira fila.

    O quê?!?! Ah, não senhor. Eu não tive aquele devaneio acima por nada. Dei um sinal para Gerrard, que imediatamente entendeu. Assim que o usurpador passou por ele, Gerrard levantou-se displicentemente, fingiu um tropeção e caiu sobre o calhorda. Durante a queda, Gerrard rapidamente e disfarçadamente quebrou o pescoço do otário, que já chegou ao chão tendo passado desta. Gerrard ainda fingiu ajudá-lo a se levantar, e, quando o corpo mole do metidinho não respondeu, emitiu o “oh!” mais fingido e canastrão que eu já vi. Pegou um saco de amendoim e sentou-se de novo.

    Quando todos ainda se entreolhavam procurando entender, eu ajeitei meu casaco e me levantei.

    – Sem problemas, eu também sou piloto. – disse um cara na quinta fila.

    Filho da puta! Meu olhar cruzou com o de Gerrard, que deixou seu amendoim de lado, caminhou até o cafajeste, fingiu um tropeço, e na queda quebrou o pescoço dele também

    – Puxa, como sou desastrado.

    – Nada temam, eu também sei pilotar. – disse um sujeito na sétima fila.

    Gerrard suspirou, tropeçou e… Bem, vocês sabem. Levantou-se, olhou em volta e perguntou:

    – Mais alguém?

    Um braço se levantou na quarta fila.

    – Eu.

    Gerrard nem se deu ao trabalho de tropeçar.

    – Mais alguém?

    Silêncio. Olhei para os lados, me levantei e heroicamente me apresentei.

    – Eu sou piloto.

    Gerrard instintivamente começou a andar em minha direção, quando deu por si. Voltou para o seu assento e continuou a comer seu amendoim. Percorri o caminho que levava à cabine de comando sob aplausos. Agora sim.

    O co-piloto também já tinha batido com as dez. Me acomodei no assento do comandante. Tereza assumiu o assento a meu lado. Ela me olhava com admiração. Se abaixou, abriu meu zíper e começou a, digamos, discursar ao microfone. Um discurso lindo e inspirador. Dessa vez, não tive que pagar. É bom ser herói.

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    No capítulo anterior fomos abduzidos por alienígenas super-inteligentes, de uma civilização hiper-avançada, que nos levaram para zoar umas plantações aí.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 9

     

    Interessante como o cérebro funciona. Aparentemente traumas criam uma espécie de bloqueio que faz a riqueza dos psicólogos. Eu estava tentando lembrar da minha aventura sexual aérea, tentando descobrir a causa daquela dor incômoda nas partes baixas e traseiras, e tentando entender o porque de Tereza estar me olhando fixamente, e dando sorrisinhos sarcásticos de vez em quando. Pra falar a verdade, metade dos passageiros estava me encarando e dando sorrisinhos sarcásticos, enquanto cochichavam entre si.

    Bem, como eu dizia, estava me esforçando para lembrar de alguma coisa, quando o avião teve uma súbita queda de altitude, tão violenta que fez meu estômago ir à goela ver o que estava acontecendo. Como mágica, isso me fez lembrar de tudo.

    – Piloto filho da puta! – disse com os dentes cerrados de ódio.

    Já estava me levantando, decidido a ir na cabine dar uns pescotapas naquele viado, quando a aeromoça abre e porta e, demonstrando aquela calma que só quem desistiu da vida há muito tempo possui, diz:

    – Alguém aqui sabe pilotar avião?

    Silêncio sepulcral.

    – Alguém aqui sabe…

    – Nós ouvimos. – disse um dos passageiros. – Queremos saber o que significa isso.

    – Significa que o piloto morreu. Indigestão.

    – E o co-piloto?

    – Nada bem.

    De repente, todos começaram a discutir entre si. A discussão virou desespero. E o desespero, gritaria.

    Entendi que, mais uma vez, eu deveria salvar o dia. Como é dura a vida de um herói sem capa. Como é pesado o fardo dos que decidem

    – Eu sou piloto. – disse um cara da terceira fila.

    O quê?!?! Ah, não senhor. Eu não tive aquele devaneio acima por nada. Dei um sinal para Gerrard, que imediatamente entendeu. Assim que o usurpador passou por ele, Gerrard levantou-se displicentemente, fingiu um tropeção e caiu sobre o calhorda. Durante a queda, Gerrard rapidamente e disfarçadamente quebrou o pescoço do otário, que já chegou ao chão tendo passado desta. Gerrard ainda fingiu ajudá-lo a se levantar, e, quando o corpo mole do metidinho não respondeu, emitiu o “oh!” mais fingido e canastrão que eu já vi. Pegou um saco de amendoim e sentou-se de novo.

    Quando todos ainda se entreolhavam procurando entender, eu ajeitei meu casaco e me levantei.

    – Sem problemas, eu também sou piloto. – disse um cara na quinta fila.

    Filho da puta! Meu olhar cruzou com o de Gerrard, que deixou seu amendoim de lado, caminhou até o cafajeste, fingiu um tropeço, e na queda quebrou o pescoço dele também

    – Puxa, como sou desastrado.

    – Nada temam, eu também sei pilotar. – disse um sujeito na sétima fila.

    Gerrard suspirou, tropeçou e… Bem, vocês sabem. Levantou-se, olhou em volta e perguntou:

    – Mais alguém?

    Um braço se levantou na quarta fila.

    – Eu.

    Gerrard nem se deu ao trabalho de tropeçar.

    – Mais alguém?

    Silêncio. Olhei para os lados, me levantei e heroicamente me apresentei.

    – Eu sou piloto.

    Gerrard instintivamente começou a andar em minha direção, quando deu por si. Voltou para o seu assento e continuou a comer seu amendoim. Percorri o caminho que levava à cabine de comando sob aplausos. Agora sim.

    O co-piloto também já tinha batido com as dez. Me acomodei no assento do comandante. Tereza assumiu o assento a meu lado. Ela me olhava com admiração. Se abaixou, abriu meu zíper e começou a, digamos, discursar ao microfone. Um discurso lindo e inspirador. Dessa vez, não tive que pagar. É bom ser herói.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (8)

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    No capítulo anterior, assistimos um filme de terror cabeludo, e ficamos com medo de ir pegar um copo d’água.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 8

     

    Tereza quis transar no banheiro do avião. Um fetiche antigo, ela disse. Mas, ainda assim, eu tinha que pagar à vista. Tudo bem. Eu também tinha esse fetiche. Mas pedi desconto.

    Esperamos que todos dormissem e nos levantamos sorrateiramente. Entramos no banheiro e nos entregamos imediatamente ao prazer em velocidade de cruzeiro. Pra quem não conhece, banheiros de avião são lugares extremamente apertados. Isso, obviamente, dificultava muito nossos movimentos. Nada que a inibisse, no entanto. Enquanto me beijava, ela desabotoou minha calça. Rebolei três ou quatro vezes para que ela descesse sozinha. Ato contínuo, ela se virou para que eu abaixasse o zíper do seu vestido. Em um movimento ágil, ela se desfez do vestido. Atrapalhadamente e a muito custo, me livrei da minha camisa. Estava estudando um jeito de tirar minha cueca, quando ela mesma resolveu o assunto.

    O clima era de puro sexo. Suávamos e nos abraçávamos como se a vida dependesse disso. Ela se virou e se inclinou levemente para frente. Eu, tentando achar uma posição, apoiei um pé na beirada do vaso sanitário. Com uma das mãos apoiada na pia, e a outra na parede, me contorci até ficar na mira. Quando finalmente cheguei no ponto, o avião deu uma sacolejada. O pé escapou e eu, como direi, fiquei preso na maçaneta.

    Doeu. Muito. Gritei. Ela tampou a minha boca fazendo “shhhh”. O “shhhh” mais bonitinho que eu já tinha visto, mas, naquele momento, era a última coisa que eu queria ver. No afã de me soltar da maçaneta, apoiei o pé na privada e forcei pra cima. Outro solavanco. Piloto fêdaputa! O pé escorregou e caiu dentro da privada, espalhando um líquido azul pelo chão, e eu continuava preso. Meu Deus, o que mais restava acontecer? A aeromoça bateu na porta.

    – Ocupado! – disse eu, suando frio.

    – Eu sei. Passei apenas para dizer que o banheiro é cobrado por hora.

    – Eu pago – eu tremia. Uma lágrima escorria pelo canto do meu olho esquerdo.

    – Ah, e o comandante mandou perguntar se vocês gostaram do solavanco. A maioria gosta.

    Filho da puta! Foi de propósito! Eu mato esse desgraçado!

    – Sim. Foi ótimo. Peça para ele fazer de novo.

    – São mais 50 reais.

    – Aceita cartão?

    – É Visa ou Master?

    – Visa.

    – Ok.

    Me preparei para o solavanco. Dessa vez foi Tereza quem se apoiou na privada, posicionou suas mãos embaixo do meus sovacos. A intenção é que ela me desse um impulso para me ajudar a sair, assim que viesse o solavanco. Eu apoiei na pia e outro na parede e ficamos esperando. Nesse momento, nossos olhares se cruzaram e um, por um segundo, o clima era de paz e ternura. Ela segurando para não rir, e eu com as lágrimas descendo. Foi lindo como um filme de Antonioni. Foi então que veio o solavanco. Em sincronismo, empurrei a pia com decisão, e ela me empurrou para cima com toda a força que tinha, enquanto o avião fazia uma queda brusca. Aquilo me fez flutuar um pouco. O suficiente para que eu me soltasse. Tudo aconteceu em câmera lenta. Eu subindo e desentalando. Um sorriso de alívio estampado no rosto. Durou pouco. Na queda, aterrizei meu saco com toda força no joelho de Tereza, e, quando me agachei de dor, bati a testa na pia. Nisso, a porta se abriu e eu caí de costas e pelado no corredor do avião. Ouvi aplausos.

    Quando voltei a mim, já estava na minha poltrona, o pé completamente azul e um galo enorme na testa e metade do avião me olhando. Tereza, ao meu lado, olhou pra mim complacente, acendeu um cigarro, soprou sensualmente a fumaça na minha cara, e disse.

    – Foi bom pra você?

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (8)

    No capítulo anterior, assistimos um filme de terror cabeludo, e ficamos com medo de ir pegar um copo d’água.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 8

     

    Tereza quis transar no banheiro do avião. Um fetiche antigo, ela disse. Mas, ainda assim, eu tinha que pagar à vista. Tudo bem. Eu também tinha esse fetiche. Mas pedi desconto.

    Esperamos que todos dormissem e nos levantamos sorrateiramente. Entramos no banheiro e nos entregamos imediatamente ao prazer em velocidade de cruzeiro. Pra quem não conhece, banheiros de avião são lugares extremamente apertados. Isso, obviamente, dificultava muito nossos movimentos. Nada que a inibisse, no entanto. Enquanto me beijava, ela desabotoou minha calça. Rebolei três ou quatro vezes para que ela descesse sozinha. Ato contínuo, ela se virou para que eu abaixasse o zíper do seu vestido. Em um movimento ágil, ela se desfez do vestido. Atrapalhadamente e a muito custo, me livrei da minha camisa. Estava estudando um jeito de tirar minha cueca, quando ela mesma resolveu o assunto.

    O clima era de puro sexo. Suávamos e nos abraçávamos como se a vida dependesse disso. Ela se virou e se inclinou levemente para frente. Eu, tentando achar uma posição, apoiei um pé na beirada do vaso sanitário. Com uma das mãos apoiada na pia, e a outra na parede, me contorci até ficar na mira. Quando finalmente cheguei no ponto, o avião deu uma sacolejada. O pé escapou e eu, como direi, fiquei preso na maçaneta.

    Doeu. Muito. Gritei. Ela tampou a minha boca fazendo “shhhh”. O “shhhh” mais bonitinho que eu já tinha visto, mas, naquele momento, era a última coisa que eu queria ver. No afã de me soltar da maçaneta, apoiei o pé na privada e forcei pra cima. Outro solavanco. Piloto fêdaputa! O pé escorregou e caiu dentro da privada, espalhando um líquido azul pelo chão, e eu continuava preso. Meu Deus, o que mais restava acontecer? A aeromoça bateu na porta.

    – Ocupado! – disse eu, suando frio.

    – Eu sei. Passei apenas para dizer que o banheiro é cobrado por hora.

    – Eu pago – eu tremia. Uma lágrima escorria pelo canto do meu olho esquerdo.

    – Ah, e o comandante mandou perguntar se vocês gostaram do solavanco. A maioria gosta.

    Filho da puta! Foi de propósito! Eu mato esse desgraçado!

    – Sim. Foi ótimo. Peça para ele fazer de novo.

    – São mais 50 reais.

    – Aceita cartão?

    – É Visa ou Master?

    – Visa.

    – Ok.

    Me preparei para o solavanco. Dessa vez foi Tereza quem se apoiou na privada, posicionou suas mãos embaixo do meus sovacos. A intenção é que ela me desse um impulso para me ajudar a sair, assim que viesse o solavanco. Eu apoiei na pia e outro na parede e ficamos esperando. Nesse momento, nossos olhares se cruzaram e um, por um segundo, o clima era de paz e ternura. Ela segurando para não rir, e eu com as lágrimas descendo. Foi lindo como um filme de Antonioni. Foi então que veio o solavanco. Em sincronismo, empurrei a pia com decisão, e ela me empurrou para cima com toda a força que tinha, enquanto o avião fazia uma queda brusca. Aquilo me fez flutuar um pouco. O suficiente para que eu me soltasse. Tudo aconteceu em câmera lenta. Eu subindo e desentalando. Um sorriso de alívio estampado no rosto. Durou pouco. Na queda, aterrizei meu saco com toda força no joelho de Tereza, e, quando me agachei de dor, bati a testa na pia. Nisso, a porta se abriu e eu caí de costas e pelado no corredor do avião. Ouvi aplausos.

    Quando voltei a mim, já estava na minha poltrona, o pé completamente azul e um galo enorme na testa e metade do avião me olhando. Tereza, ao meu lado, olhou pra mim complacente, acendeu um cigarro, soprou sensualmente a fumaça na minha cara, e disse.

    – Foi bom pra você?

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (8)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (8)

    No capítulo anterior, assistimos um filme de terror cabeludo, e ficamos com medo de ir pegar um copo d’água.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 8

     

    Tereza quis transar no banheiro do avião. Um fetiche antigo, ela disse. Mas, ainda assim, eu tinha que pagar à vista. Tudo bem. Eu também tinha esse fetiche. Mas pedi desconto.

    Esperamos que todos dormissem e nos levantamos sorrateiramente. Entramos no banheiro e nos entregamos imediatamente ao prazer em velocidade de cruzeiro. Pra quem não conhece, banheiros de avião são lugares extremamente apertados. Isso, obviamente, dificultava muito nossos movimentos. Nada que a inibisse, no entanto. Enquanto me beijava, ela desabotoou minha calça. Rebolei três ou quatro vezes para que ela descesse sozinha. Ato contínuo, ela se virou para que eu abaixasse o zíper do seu vestido. Em um movimento ágil, ela se desfez do vestido. Atrapalhadamente e a muito custo, me livrei da minha camisa. Estava estudando um jeito de tirar minha cueca, quando ela mesma resolveu o assunto.

    O clima era de puro sexo. Suávamos e nos abraçávamos como se a vida dependesse disso. Ela se virou e se inclinou levemente para frente. Eu, tentando achar uma posição, apoiei um pé na beirada do vaso sanitário. Com uma das mãos apoiada na pia, e a outra na parede, me contorci até ficar na mira. Quando finalmente cheguei no ponto, o avião deu uma sacolejada. O pé escapou e eu, como direi, fiquei preso na maçaneta.

    Doeu. Muito. Gritei. Ela tampou a minha boca fazendo “shhhh”. O “shhhh” mais bonitinho que eu já tinha visto, mas, naquele momento, era a última coisa que eu queria ver. No afã de me soltar da maçaneta, apoiei o pé na privada e forcei pra cima. Outro solavanco. Piloto fêdaputa! O pé escorregou e caiu dentro da privada, espalhando um líquido azul pelo chão, e eu continuava preso. Meu Deus, o que mais restava acontecer? A aeromoça bateu na porta.

    – Ocupado! – disse eu, suando frio.

    – Eu sei. Passei apenas para dizer que o banheiro é cobrado por hora.

    – Eu pago – eu tremia. Uma lágrima escorria pelo canto do meu olho esquerdo.

    – Ah, e o comandante mandou perguntar se vocês gostaram do solavanco. A maioria gosta.

    Filho da puta! Foi de propósito! Eu mato esse desgraçado!

    – Sim. Foi ótimo. Peça para ele fazer de novo.

    – São mais 50 reais.

    – Aceita cartão?

    – É Visa ou Master?

    – Visa.

    – Ok.

    Me preparei para o solavanco. Dessa vez foi Tereza quem se apoiou na privada, posicionou suas mãos embaixo do meus sovacos. A intenção é que ela me desse um impulso para me ajudar a sair, assim que viesse o solavanco. Eu apoiei na pia e outro na parede e ficamos esperando. Nesse momento, nossos olhares se cruzaram e um, por um segundo, o clima era de paz e ternura. Ela segurando para não rir, e eu com as lágrimas descendo. Foi lindo como um filme de Antonioni. Foi então que veio o solavanco. Em sincronismo, empurrei a pia com decisão, e ela me empurrou para cima com toda a força que tinha, enquanto o avião fazia uma queda brusca. Aquilo me fez flutuar um pouco. O suficiente para que eu me soltasse. Tudo aconteceu em câmera lenta. Eu subindo e desentalando. Um sorriso de alívio estampado no rosto. Durou pouco. Na queda, aterrizei meu saco com toda força no joelho de Tereza, e, quando me agachei de dor, bati a testa na pia. Nisso, a porta se abriu e eu caí de costas e pelado no corredor do avião. Ouvi aplausos.

    Quando voltei a mim, já estava na minha poltrona, o pé completamente azul e um galo enorme na testa e metade do avião me olhando. Tereza, ao meu lado, olhou pra mim complacente, acendeu um cigarro, soprou sensualmente a fumaça na minha cara, e disse.

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