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    Denise Rossi

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

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    No capítulo anterior, tentamos jogar vintão na vaca. Depois mais vintão no viado. Não conseguimos, então jogamos na mega sena mesmo. Deu vaca na cabeça.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 15

    Acordei cedo. Bem cedo. Antes do macaco. Fui lá e dei um tapão na sua orelha. Sou vingativo. Resolvi sair o quanto antes para tentar encontrar algum piloto de helicóptero que aceitasse cartão. Logo encontrei dois. Eles aceitavam cartão, mas não da bandeira ELO. Merda!

    Finalmente achei um que aceitava. E ainda dividia e três vezes. O piloto era um anão albino transsexual. Marlene, ele se chamava. Fiquei um pouco preocupado, pois sei que helicópteros tem pedais que certamente ele(a) não alcançaria. Mas eu estava muito cansado e com cheiro de burro suado para me preocupar com isso agora.

    Juntei a turma. Tereza estava grudada com aquele maldito macaco. Marlene informou que não cabia todo mundo no aparelho, e que um ia ter que ficar pra trás.

    - O macaco! – exclamei.

    - Ah, não. Se o Charlinho ficar, eu também fico! – disse Tereza batendo o pezinho (e que pezinho!)

    Sem alternativa, resolvi deixar um dos gêmeos porque, até agora, eles não tinham feito muita diferença na história mesmo.

    - Johanson, você fica. Nos encontramos no Tibet.

    - Mas como vou chegar lá? Você nem me pagou ainda.

    - Os burrinhos já estão pagos. Use-os. Toma aqui quatro vales-refeições. Agora chega de mimimi. Vamos embora, Marlene.

    Marlene pegou impulso com uma corrida rápida, e pulou pra dentro do helicóptero. Se ajeitou no banco do piloto, amarrou o cinto e calçou duas extensões de madeira de forma que seus pés chegassem nos pedais. Me senti no bano ao seu lado. O sr. Johnson, Gerrard, e Tereza – com o maldito macaco no colo – se ajeitaram no banco de trás. Os motores foram ligados, o macaco me deu um tapão e levantamos vôo.

    A paisagem, tão inóspita, era linda lá de cima. Podia-se ver tudo: montanhas, desertos, a fileira de burrinhos com Johanson à frente acenando para a gente. Tenho certeza de que ouvi ele gritar: “Filhos da puta!”

    Depois de uns 90 minutos viajando, avistamos o Tibet. Eu sei, foi rápido. Mas eu já estou doido pra acabar esse treco.

    Descemos ao pé de uma montanha. Lá no alto, um templo onde monges não necessariamente tibetanos guardavam o memê perdido.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

    No capítulo anterior, tentamos jogar vintão na vaca. Depois mais vintão no viado. Não conseguimos, então jogamos na mega sena mesmo. Deu vaca na cabeça.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 15

    Acordei cedo. Bem cedo. Antes do macaco. Fui lá e dei um tapão na sua orelha. Sou vingativo. Resolvi sair o quanto antes para tentar encontrar algum piloto de helicóptero que aceitasse cartão. Logo encontrei dois. Eles aceitavam cartão, mas não da bandeira ELO. Merda!

    Finalmente achei um que aceitava. E ainda dividia e três vezes. O piloto era um anão albino transsexual. Marlene, ele se chamava. Fiquei um pouco preocupado, pois sei que helicópteros tem pedais que certamente ele(a) não alcançaria. Mas eu estava muito cansado e com cheiro de burro suado para me preocupar com isso agora.

    Juntei a turma. Tereza estava grudada com aquele maldito macaco. Marlene informou que não cabia todo mundo no aparelho, e que um ia ter que ficar pra trás.

    - O macaco! – exclamei.

    - Ah, não. Se o Charlinho ficar, eu também fico! – disse Tereza batendo o pezinho (e que pezinho!)

    Sem alternativa, resolvi deixar um dos gêmeos porque, até agora, eles não tinham feito muita diferença na história mesmo.

    - Johanson, você fica. Nos encontramos no Tibet.

    - Mas como vou chegar lá? Você nem me pagou ainda.

    - Os burrinhos já estão pagos. Use-os. Toma aqui quatro vales-refeições. Agora chega de mimimi. Vamos embora, Marlene.

    Marlene pegou impulso com uma corrida rápida, e pulou pra dentro do helicóptero. Se ajeitou no banco do piloto, amarrou o cinto e calçou duas extensões de madeira de forma que seus pés chegassem nos pedais. Me senti no bano ao seu lado. O sr. Johnson, Gerrard, e Tereza – com o maldito macaco no colo – se ajeitaram no banco de trás. Os motores foram ligados, o macaco me deu um tapão e levantamos vôo.

    A paisagem, tão inóspita, era linda lá de cima. Podia-se ver tudo: montanhas, desertos, a fileira de burrinhos com Johanson à frente acenando para a gente. Tenho certeza de que ouvi ele gritar: “Filhos da puta!”

    Depois de uns 90 minutos viajando, avistamos o Tibet. Eu sei, foi rápido. Mas eu já estou doido pra acabar esse treco.

    Descemos ao pé de uma montanha. Lá no alto, um templo onde monges não necessariamente tibetanos guardavam o memê perdido.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (15)

    No capítulo anterior, tentamos jogar vintão na vaca. Depois mais vintão no viado. Não conseguimos, então jogamos na mega sena mesmo. Deu vaca na cabeça.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 15

    Acordei cedo. Bem cedo. Antes do macaco. Fui lá e dei um tapão na sua orelha. Sou vingativo. Resolvi sair o quanto antes para tentar encontrar algum piloto de helicóptero que aceitasse cartão. Logo encontrei dois. Eles aceitavam cartão, mas não da bandeira ELO. Merda!

    Finalmente achei um que aceitava. E ainda dividia e três vezes. O piloto era um anão albino transsexual. Marlene, ele se chamava. Fiquei um pouco preocupado, pois sei que helicópteros tem pedais que certamente ele(a) não alcançaria. Mas eu estava muito cansado e com cheiro de burro suado para me preocupar com isso agora.

    Juntei a turma. Tereza estava grudada com aquele maldito macaco. Marlene informou que não cabia todo mundo no aparelho, e que um ia ter que ficar pra trás.

    - O macaco! – exclamei.

    - Ah, não. Se o Charlinho ficar, eu também fico! – disse Tereza batendo o pezinho (e que pezinho!)

    Sem alternativa, resolvi deixar um dos gêmeos porque, até agora, eles não tinham feito muita diferença na história mesmo.

    - Johanson, você fica. Nos encontramos no Tibet.

    - Mas como vou chegar lá? Você nem me pagou ainda.

    - Os burrinhos já estão pagos. Use-os. Toma aqui quatro vales-refeições. Agora chega de mimimi. Vamos embora, Marlene.

    Marlene pegou impulso com uma corrida rápida, e pulou pra dentro do helicóptero. Se ajeitou no banco do piloto, amarrou o cinto e calçou duas extensões de madeira de forma que seus pés chegassem nos pedais. Me senti no bano ao seu lado. O sr. Johnson, Gerrard, e Tereza – com o maldito macaco no colo – se ajeitaram no banco de trás. Os motores foram ligados, o macaco me deu um tapão e levantamos vôo.

    A paisagem, tão inóspita, era linda lá de cima. Podia-se ver tudo: montanhas, desertos, a fileira de burrinhos com Johanson à frente acenando para a gente. Tenho certeza de que ouvi ele gritar: “Filhos da puta!”

    Depois de uns 90 minutos viajando, avistamos o Tibet. Eu sei, foi rápido. Mas eu já estou doido pra acabar esse treco.

    Descemos ao pé de uma montanha. Lá no alto, um templo onde monges não necessariamente tibetanos guardavam o memê perdido.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (14)

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    No capítulo anterior, passamos a mão na bunda do Zé Mayer e ficamos esperando o textão. Depois confessamos que éramos amantes desde criancinha, e ficamos esperando o textão.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 14

     

    Consegui negociar com o baixinho, mas tive que aceitar um macaco como brinde.

    Charles, o macaco. Ele lembra muito a minha falecida avó. Não pelo humor ou ações. É uma coisa física mesmo. Até o bigode é igual, exceto que o do macaco é menor. Eu odeio aquela véia. Sim, ela ainda está viva. Toda vez que me encontra, ela me manda arrumar meu quarto. Quando eu falo que já tenho 39 anos, ela grita:

    – Enquanto você estiver sob meu teto, vai seguir minhas regras!

    Sim, eu moro com ela. De favor. Que ódio!

    Eu confesso: já conspirei para matá-la. Uma vez, joguei sal na caixa d’água pra ver se ela morria seca feito uma lesma quando tomasse banho. Não seu certo. E foi um mês pra tirar o futum de maresia de casa. De outra, contratei um sujeito para dar cabo dela. Ele se casou com ela e virou meu avô Pereira. Contratei um cara para matar o Pereira e ele virou o meu primo Jaiminho. Uma vez flagrei a véia se acabando de rir na sala. A filha da puta sabia de tudo e se divertia vendo meus planos irem por água abaixo. Ódio!

    Por tudo isso, tive vontade de esganar Charles na primeira curva da estrada. Mas ele parece que adivinhou meus planos e foi se aninhar nos peitos de Tereza. De vez em quando, os ouço rindo. Tenho certeza de que é de mim. Ódio!

    – Não tá na hora de dar uma parada, não? Minha bunda já está quadrada.- disse Gerrard.

    Perdido nas minhas reflexões, nem notei que tinha anoitecido. Hora de montar um acampamento para passar a noite. Desmontamos. Mandei Gerrard arrumar lenha para fazer uma fogueira, enquanto os gêmeos tiravam as bagagens de cima dos burrinhos. Eu, que já estava com a barraca armada, chamei Tereza para me acompanhar. Tomei um tapa do macaco. Os dois riram (tenho certeza de que era de mim) e foram se deitar.

    Ao redor do fogo, enquanto todos dormiam, armei minha mini antena parabólica. Precisava me comunicar com o nosso contratante. Uma voz sonolenta atendeu, porém firme, atendeu:

    – Alô? Ah, é você. Então, já tem a minha encomenda?

    – Não senhor. Ainda estamos a caminho do Tibet.

    – O quê?!?! Escute aqui: já estamos no capítulo 14! Você não acha que já era hora de você me apresentar algum resultado?

    – Tivemos alguns contratempos, senhor. Mas garanto que teremos resultados satisfatórios, antes que o senhor possa dizer cucamonga.

    – Cucamonga!

    – Não. Eu falei metaforicamente (“seu retardado”, pensei mas achei melhor não dizer). Mas já que o senhor mencionou, eu conseguirira resultados mais rápido se tivesse um pouco mais de recursos. Viajar em burrinhos vai demorar muito, vamos acabar perdendo audiência, e eu tenho que alimentar o macaco…

    – Macaco?!?! Que papo é esse? Não. Esquece. Não quero saber. De quanto estamos falando? Ok. Amanhã estará depositado no seu cartão pré-pago. Agora, me traga resultados!

    Aquela conversa me aliviou um bocado. Amanhã poderemos dispensar os burrinhos e arrumar um meio de transporte mais decente. Só falta encontrar alguém que aceite cartão por aqui. No meio do nada… O viado do macaco aparece do nada e me dá um tapa na nuca. Um pescotapa, por assim dizer. Com a mesma rapidez que apareceu, sumiu. Ouço as risadas saindo de dentro da barraca. Tenho certeza de que estão rindo de mim. Ódio!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (14)

    No capítulo anterior, passamos a mão na bunda do Zé Mayer e ficamos esperando o textão. Depois confessamos que éramos amantes desde criancinha, e ficamos esperando o textão.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 14

     

    Consegui negociar com o baixinho, mas tive que aceitar um macaco como brinde.

    Charles, o macaco. Ele lembra muito a minha falecida avó. Não pelo humor ou ações. É uma coisa física mesmo. Até o bigode é igual, exceto que o do macaco é menor. Eu odeio aquela véia. Sim, ela ainda está viva. Toda vez que me encontra, ela me manda arrumar meu quarto. Quando eu falo que já tenho 39 anos, ela grita:

    – Enquanto você estiver sob meu teto, vai seguir minhas regras!

    Sim, eu moro com ela. De favor. Que ódio!

    Eu confesso: já conspirei para matá-la. Uma vez, joguei sal na caixa d’água pra ver se ela morria seca feito uma lesma quando tomasse banho. Não seu certo. E foi um mês pra tirar o futum de maresia de casa. De outra, contratei um sujeito para dar cabo dela. Ele se casou com ela e virou meu avô Pereira. Contratei um cara para matar o Pereira e ele virou o meu primo Jaiminho. Uma vez flagrei a véia se acabando de rir na sala. A filha da puta sabia de tudo e se divertia vendo meus planos irem por água abaixo. Ódio!

    Por tudo isso, tive vontade de esganar Charles na primeira curva da estrada. Mas ele parece que adivinhou meus planos e foi se aninhar nos peitos de Tereza. De vez em quando, os ouço rindo. Tenho certeza de que é de mim. Ódio!

    – Não tá na hora de dar uma parada, não? Minha bunda já está quadrada.- disse Gerrard.

    Perdido nas minhas reflexões, nem notei que tinha anoitecido. Hora de montar um acampamento para passar a noite. Desmontamos. Mandei Gerrard arrumar lenha para fazer uma fogueira, enquanto os gêmeos tiravam as bagagens de cima dos burrinhos. Eu, que já estava com a barraca armada, chamei Tereza para me acompanhar. Tomei um tapa do macaco. Os dois riram (tenho certeza de que era de mim) e foram se deitar.

    Ao redor do fogo, enquanto todos dormiam, armei minha mini antena parabólica. Precisava me comunicar com o nosso contratante. Uma voz sonolenta atendeu, porém firme, atendeu:

    – Alô? Ah, é você. Então, já tem a minha encomenda?

    – Não senhor. Ainda estamos a caminho do Tibet.

    – O quê?!?! Escute aqui: já estamos no capítulo 14! Você não acha que já era hora de você me apresentar algum resultado?

    – Tivemos alguns contratempos, senhor. Mas garanto que teremos resultados satisfatórios, antes que o senhor possa dizer cucamonga.

    – Cucamonga!

    – Não. Eu falei metaforicamente (“seu retardado”, pensei mas achei melhor não dizer). Mas já que o senhor mencionou, eu conseguirira resultados mais rápido se tivesse um pouco mais de recursos. Viajar em burrinhos vai demorar muito, vamos acabar perdendo audiência, e eu tenho que alimentar o macaco…

    – Macaco?!?! Que papo é esse? Não. Esquece. Não quero saber. De quanto estamos falando? Ok. Amanhã estará depositado no seu cartão pré-pago. Agora, me traga resultados!

    Aquela conversa me aliviou um bocado. Amanhã poderemos dispensar os burrinhos e arrumar um meio de transporte mais decente. Só falta encontrar alguém que aceite cartão por aqui. No meio do nada… O viado do macaco aparece do nada e me dá um tapa na nuca. Um pescotapa, por assim dizer. Com a mesma rapidez que apareceu, sumiu. Ouço as risadas saindo de dentro da barraca. Tenho certeza de que estão rindo de mim. Ódio!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (14)

    No capítulo anterior, passamos a mão na bunda do Zé Mayer e ficamos esperando o textão. Depois confessamos que éramos amantes desde criancinha, e ficamos esperando o textão.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 14

     

    Consegui negociar com o baixinho, mas tive que aceitar um macaco como brinde.

    Charles, o macaco. Ele lembra muito a minha falecida avó. Não pelo humor ou ações. É uma coisa física mesmo. Até o bigode é igual, exceto que o do macaco é menor. Eu odeio aquela véia. Sim, ela ainda está viva. Toda vez que me encontra, ela me manda arrumar meu quarto. Quando eu falo que já tenho 39 anos, ela grita:

    – Enquanto você estiver sob meu teto, vai seguir minhas regras!

    Sim, eu moro com ela. De favor. Que ódio!

    Eu confesso: já conspirei para matá-la. Uma vez, joguei sal na caixa d’água pra ver se ela morria seca feito uma lesma quando tomasse banho. Não seu certo. E foi um mês pra tirar o futum de maresia de casa. De outra, contratei um sujeito para dar cabo dela. Ele se casou com ela e virou meu avô Pereira. Contratei um cara para matar o Pereira e ele virou o meu primo Jaiminho. Uma vez flagrei a véia se acabando de rir na sala. A filha da puta sabia de tudo e se divertia vendo meus planos irem por água abaixo. Ódio!

    Por tudo isso, tive vontade de esganar Charles na primeira curva da estrada. Mas ele parece que adivinhou meus planos e foi se aninhar nos peitos de Tereza. De vez em quando, os ouço rindo. Tenho certeza de que é de mim. Ódio!

    – Não tá na hora de dar uma parada, não? Minha bunda já está quadrada.- disse Gerrard.

    Perdido nas minhas reflexões, nem notei que tinha anoitecido. Hora de montar um acampamento para passar a noite. Desmontamos. Mandei Gerrard arrumar lenha para fazer uma fogueira, enquanto os gêmeos tiravam as bagagens de cima dos burrinhos. Eu, que já estava com a barraca armada, chamei Tereza para me acompanhar. Tomei um tapa do macaco. Os dois riram (tenho certeza de que era de mim) e foram se deitar.

    Ao redor do fogo, enquanto todos dormiam, armei minha mini antena parabólica. Precisava me comunicar com o nosso contratante. Uma voz sonolenta atendeu, porém firme, atendeu:

    – Alô? Ah, é você. Então, já tem a minha encomenda?

    – Não senhor. Ainda estamos a caminho do Tibet.

    – O quê?!?! Escute aqui: já estamos no capítulo 14! Você não acha que já era hora de você me apresentar algum resultado?

    – Tivemos alguns contratempos, senhor. Mas garanto que teremos resultados satisfatórios, antes que o senhor possa dizer cucamonga.

    – Cucamonga!

    – Não. Eu falei metaforicamente (“seu retardado”, pensei mas achei melhor não dizer). Mas já que o senhor mencionou, eu conseguirira resultados mais rápido se tivesse um pouco mais de recursos. Viajar em burrinhos vai demorar muito, vamos acabar perdendo audiência, e eu tenho que alimentar o macaco…

    – Macaco?!?! Que papo é esse? Não. Esquece. Não quero saber. De quanto estamos falando? Ok. Amanhã estará depositado no seu cartão pré-pago. Agora, me traga resultados!

    Aquela conversa me aliviou um bocado. Amanhã poderemos dispensar os burrinhos e arrumar um meio de transporte mais decente. Só falta encontrar alguém que aceite cartão por aqui. No meio do nada… O viado do macaco aparece do nada e me dá um tapa na nuca. Um pescotapa, por assim dizer. Com a mesma rapidez que apareceu, sumiu. Ouço as risadas saindo de dentro da barraca. Tenho certeza de que estão rindo de mim. Ódio!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (13)

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    No capítulo anterior, aprendemos que canibalizar o trabalho alheio pode, legalmente, ser encarado como homenagem e estávamos protegidos de eventuais processos por direitos autorais.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 13

    “Onde estão guardadas todas as devidas proporções.”

    Aquela frase martelava a minha cabeça. Eu tinha que resolver aquele enigma, ou ficaria preso no Acre para sempre. “O Acre é limbo da Terra”, filosofei mentalmente.

    Enquanto pensava na solução, minha equipe passeava pelo saguão tentando abordar os passageiros. Sem sucesso. A cada vez que eles tentavam contato, a pessoa virara purpurina e desaparecia. Outras novas apareciam, como que desembarcando de um avião que acabara de chegar. As bagagens também não resistiam a um toque. Desapareciam, como se fossem estraviadas pela companhia aérea.

    Num canto, notei um display com os seguintes dizeres: “Atenção: pegue uma toalha.” Abaixo do aviso, pendiam três toalhas brancas, dessas de banho normais. Caminhei até ele e perguntei ao segurança que estava ao seu lado:

    - Que merda é essa?

    - Pegue uma toalha. Sempre pegue uma toalha!

    E desapareceu em uma nuvem de purpurina.

    - Bem – pensei – mal não vai fazer.

    Peguei uma toalha e a coloquei sobre os ombros.

    - Que merda é essa? – Perguntou Johnson.

    - Uma toalha, Sr. Johnson. Uma toalha.

    - Sim, mas pra que isso?

    - Sempre pegue uma toalha. – Disse Tereza enigmaticamante.

    - Silêncio! – ordenei – Temos que nos concentrar em resolver o enigma. Isso é o mais importante agora.

    - Que enigma? – Disse Johanson.

    - Onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    - Na porra da puta que o pariu, caralho! – Disse Gerrard, um tanto frustrado.

    De repente, todos os passageiros e funcionários da sala de desembarque se viraram pra nóe e começaram a aplaudir. Uma a um, foram explodindo em purpurina e desaparecendo. Até que o último desapareceu, e a própria sala começou a ficar transparente, até sumir.

    “Fudeu!”, pensei já pegando a toalha como se fosse um nunchaco. Uma cena ridícula, devo admitir.

    Tudo ao nosso redor estava branco, como uma folha de papel. Parecíamos estar flutuando, mas tocávamos o chão. Nossos passos tinham eco, o que era legal pra criar um clima. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, todo o branco foi substituído por Katmandu. Já estávamos com todas as nossas bagagens em cima de 14 burrinhos. Todos também já estavam montados, exceto eu, que estava de pé, com um sujeito baixinho a minha frente, que dizia insistentemente:

    - Ten for that, you must be mad!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (13)

    No capítulo anterior, aprendemos que canibalizar o trabalho alheio pode, legalmente, ser encarado como homenagem e estávamos protegidos de eventuais processos por direitos autorais.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 13

    “Onde estão guardadas todas as devidas proporções.”

    Aquela frase martelava a minha cabeça. Eu tinha que resolver aquele enigma, ou ficaria preso no Acre para sempre. “O Acre é limbo da Terra”, filosofei mentalmente.

    Enquanto pensava na solução, minha equipe passeava pelo saguão tentando abordar os passageiros. Sem sucesso. A cada vez que eles tentavam contato, a pessoa virara purpurina e desaparecia. Outras novas apareciam, como que desembarcando de um avião que acabara de chegar. As bagagens também não resistiam a um toque. Desapareciam, como se fossem estraviadas pela companhia aérea.

    Num canto, notei um display com os seguintes dizeres: “Atenção: pegue uma toalha.” Abaixo do aviso, pendiam três toalhas brancas, dessas de banho normais. Caminhei até ele e perguntei ao segurança que estava ao seu lado:

    - Que merda é essa?

    - Pegue uma toalha. Sempre pegue uma toalha!

    E desapareceu em uma nuvem de purpurina.

    - Bem – pensei – mal não vai fazer.

    Peguei uma toalha e a coloquei sobre os ombros.

    - Que merda é essa? – Perguntou Johnson.

    - Uma toalha, Sr. Johnson. Uma toalha.

    - Sim, mas pra que isso?

    - Sempre pegue uma toalha. – Disse Tereza enigmaticamante.

    - Silêncio! – ordenei – Temos que nos concentrar em resolver o enigma. Isso é o mais importante agora.

    - Que enigma? – Disse Johanson.

    - Onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    - Na porra da puta que o pariu, caralho! – Disse Gerrard, um tanto frustrado.

    De repente, todos os passageiros e funcionários da sala de desembarque se viraram pra nóe e começaram a aplaudir. Uma a um, foram explodindo em purpurina e desaparecendo. Até que o último desapareceu, e a própria sala começou a ficar transparente, até sumir.

    “Fudeu!”, pensei já pegando a toalha como se fosse um nunchaco. Uma cena ridícula, devo admitir.

    Tudo ao nosso redor estava branco, como uma folha de papel. Parecíamos estar flutuando, mas tocávamos o chão. Nossos passos tinham eco, o que era legal pra criar um clima. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, todo o branco foi substituído por Katmandu. Já estávamos com todas as nossas bagagens em cima de 14 burrinhos. Todos também já estavam montados, exceto eu, que estava de pé, com um sujeito baixinho a minha frente, que dizia insistentemente:

    - Ten for that, you must be mad!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (13)

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    No capítulo anterior, aprendemos que canibalizar o trabalho alheio pode, legalmente, ser encarado como homenagem e estávamos protegidos de eventuais processos por direitos autorais.

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 13

    “Onde estão guardadas todas as devidas proporções.”

    Aquela frase martelava a minha cabeça. Eu tinha que resolver aquele enigma, ou ficaria preso no Acre para sempre. “O Acre é limbo da Terra”, filosofei mentalmente.

    Enquanto pensava na solução, minha equipe passeava pelo saguão tentando abordar os passageiros. Sem sucesso. A cada vez que eles tentavam contato, a pessoa virara purpurina e desaparecia. Outras novas apareciam, como que desembarcando de um avião que acabara de chegar. As bagagens também não resistiam a um toque. Desapareciam, como se fossem estraviadas pela companhia aérea.

    Num canto, notei um display com os seguintes dizeres: “Atenção: pegue uma toalha.” Abaixo do aviso, pendiam três toalhas brancas, dessas de banho normais. Caminhei até ele e perguntei ao segurança que estava ao seu lado:

    - Que merda é essa?

    - Pegue uma toalha. Sempre pegue uma toalha!

    E desapareceu em uma nuvem de purpurina.

    - Bem – pensei – mal não vai fazer.

    Peguei uma toalha e a coloquei sobre os ombros.

    - Que merda é essa? – Perguntou Johnson.

    - Uma toalha, Sr. Johnson. Uma toalha.

    - Sim, mas pra que isso?

    - Sempre pegue uma toalha. – Disse Tereza enigmaticamante.

    - Silêncio! – ordenei – Temos que nos concentrar em resolver o enigma. Isso é o mais importante agora.

    - Que enigma? – Disse Johanson.

    - Onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    - Na porra da puta que o pariu, caralho! – Disse Gerrard, um tanto frustrado.

    De repente, todos os passageiros e funcionários da sala de desembarque se viraram pra nóe e começaram a aplaudir. Uma a um, foram explodindo em purpurina e desaparecendo. Até que o último desapareceu, e a própria sala começou a ficar transparente, até sumir.

    “Fudeu!”, pensei já pegando a toalha como se fosse um nunchaco. Uma cena ridícula, devo admitir.

    Tudo ao nosso redor estava branco, como uma folha de papel. Parecíamos estar flutuando, mas tocávamos o chão. Nossos passos tinham eco, o que era legal pra criar um clima. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, todo o branco foi substituído por Katmandu. Já estávamos com todas as nossas bagagens em cima de 14 burrinhos. Todos também já estavam montados, exceto eu, que estava de pé, com um sujeito baixinho a minha frente, que dizia insistentemente:

    - Ten for that, you must be mad!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (12)

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    No capítulo anterior, esquecemos de pagar o Netflix e ficamos o fim de semana todo vendo a Globo. Sério que tem outro Big Brother?

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 12

     

    Anunciei no auto-falante que tínhamos aterrissado e que poderiam desembarcar agora. Ouvi os passageiros festejando e me homenageando aos gritos de “VIVA!VIVA!”. Eu sei que parecia que gritavam “BIXA! BIXA!”, mas tenho certeza de que não era isso. Enquanto eles desembarcavam, senti nos meus ossos que algo estava terrivelmente errado. Não saberia dizer o que era, mas que tinha alguma merda, tinha.

    Eu e Tereza fomos os últimos a desembarcar. Quando chegamos à sala de desembarque, descobri o que me atemorizava. Uma grande placa perto da esteira de bagagens dizia: “Bem vindos ao Acre”.

    Meu Deus, o que tinha saído errado? Será que eu virei à esquerda no Caribe, quando tinha que virar à direita? Minha equipe estava toda reunida. Estupefatos, como eu, eles me encaravam como se dissessem: “Putz! Que cagada, hein?”.

    – Putz! Que cagada, hein? – Disse Johanson.

    – Não consigo entender. Tenho certeza de que não errei o caminho.

    O plano era irmos a Katmandu, no Nepal. De lá, pegaríamos 14 burrinhos que nos levariam ao Tibet. Já tinha até alugado os burrinhos. Agora vou perder o depósito.

    Foi Tereza que chamou a atenção para os outros passageiros. Todos estavam recolhendo suas bagagens calmamente, como se nada de errado tivesse acontecido. Aquilo me deu a certeza de que tinha alguma coisa muito estranha estava ocorrendo.

    – Engraçado. – Disse Gerrard – Eu sempre achei que o Acre não existia.

    Mas é claro! O Acre não existe! Isso explicava muita coisa. Só não sabia o quê. Estava me sentindo num episódio de Twilight Zone.

    Resolvi perguntar a um segurança, que, a essa altura, já nos olhava desconfiado.

    – Excelência, por favor. Onde estamos?

    – Essa é uma questão profunda e ser respondida de várias maneiras. Temporalmente, estamos em 2017. Você também poderia ter perguntado “quando estamos?”. Filosoficamente, onde estamos é uma questão tão profunda quanto particular. Onde estamos, afinal? Estamos em uma boa parte da nossa vida? Evoluímos enquanto seres humanos?

    – Não, amigo. Eu apenas quero saber onde estamos. Em que lugar do globo? Assim, sem filosofia. Uma questão bem terrena mesmo.

    Ele pareceu decepcionado. Mas fez questão de demonstrar que a decepção era comigo. Porque seu rosto se iluminou quando respondeu:

    – Estamos no Acre.

    – Mas o Acre não existe!

    – E o que isso lhe diz?

    – A única coisa que me diz é que não tenho a menor ideia do que está acontecendo ou de onde estou.

    – Você saberá a resposta quando conseguir resolver essa questão: onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    – O quê?

    – Pense, pequeno Simba. A resposta está mais próxima do que você imagina. Olhe bem as estrelas. Adeus, Simba.

    Sua fala veio com eco. Enquanto ela se repetia, ele virou purpurina e desapareceu.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (12)

    No capítulo anterior, esquecemos de pagar o Netflix e ficamos o fim de semana todo vendo a Globo. Sério que tem outro Big Brother?

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 12

     

    Anunciei no auto-falante que tínhamos aterrissado e que poderiam desembarcar agora. Ouvi os passageiros festejando e me homenageando aos gritos de “VIVA!VIVA!”. Eu sei que parecia que gritavam “BIXA! BIXA!”, mas tenho certeza de que não era isso. Enquanto eles desembarcavam, senti nos meus ossos que algo estava terrivelmente errado. Não saberia dizer o que era, mas que tinha alguma merda, tinha.

    Eu e Tereza fomos os últimos a desembarcar. Quando chegamos à sala de desembarque, descobri o que me atemorizava. Uma grande placa perto da esteira de bagagens dizia: “Bem vindos ao Acre”.

    Meu Deus, o que tinha saído errado? Será que eu virei à esquerda no Caribe, quando tinha que virar à direita? Minha equipe estava toda reunida. Estupefatos, como eu, eles me encaravam como se dissessem: “Putz! Que cagada, hein?”.

    – Putz! Que cagada, hein? – Disse Johanson.

    – Não consigo entender. Tenho certeza de que não errei o caminho.

    O plano era irmos a Katmandu, no Nepal. De lá, pegaríamos 14 burrinhos que nos levariam ao Tibet. Já tinha até alugado os burrinhos. Agora vou perder o depósito.

    Foi Tereza que chamou a atenção para os outros passageiros. Todos estavam recolhendo suas bagagens calmamente, como se nada de errado tivesse acontecido. Aquilo me deu a certeza de que tinha alguma coisa muito estranha estava ocorrendo.

    – Engraçado. – Disse Gerrard – Eu sempre achei que o Acre não existia.

    Mas é claro! O Acre não existe! Isso explicava muita coisa. Só não sabia o quê. Estava me sentindo num episódio de Twilight Zone.

    Resolvi perguntar a um segurança, que, a essa altura, já nos olhava desconfiado.

    – Excelência, por favor. Onde estamos?

    – Essa é uma questão profunda e ser respondida de várias maneiras. Temporalmente, estamos em 2017. Você também poderia ter perguntado “quando estamos?”. Filosoficamente, onde estamos é uma questão tão profunda quanto particular. Onde estamos, afinal? Estamos em uma boa parte da nossa vida? Evoluímos enquanto seres humanos?

    – Não, amigo. Eu apenas quero saber onde estamos. Em que lugar do globo? Assim, sem filosofia. Uma questão bem terrena mesmo.

    Ele pareceu decepcionado. Mas fez questão de demonstrar que a decepção era comigo. Porque seu rosto se iluminou quando respondeu:

    – Estamos no Acre.

    – Mas o Acre não existe!

    – E o que isso lhe diz?

    – A única coisa que me diz é que não tenho a menor ideia do que está acontecendo ou de onde estou.

    – Você saberá a resposta quando conseguir resolver essa questão: onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    – O quê?

    – Pense, pequeno Simba. A resposta está mais próxima do que você imagina. Olhe bem as estrelas. Adeus, Simba.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (12)

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    No capítulo anterior, esquecemos de pagar o Netflix e ficamos o fim de semana todo vendo a Globo. Sério que tem outro Big Brother?

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 12

     

    Anunciei no auto-falante que tínhamos aterrissado e que poderiam desembarcar agora. Ouvi os passageiros festejando e me homenageando aos gritos de “VIVA!VIVA!”. Eu sei que parecia que gritavam “BIXA! BIXA!”, mas tenho certeza de que não era isso. Enquanto eles desembarcavam, senti nos meus ossos que algo estava terrivelmente errado. Não saberia dizer o que era, mas que tinha alguma merda, tinha.

    Eu e Tereza fomos os últimos a desembarcar. Quando chegamos à sala de desembarque, descobri o que me atemorizava. Uma grande placa perto da esteira de bagagens dizia: “Bem vindos ao Acre”.

    Meu Deus, o que tinha saído errado? Será que eu virei à esquerda no Caribe, quando tinha que virar à direita? Minha equipe estava toda reunida. Estupefatos, como eu, eles me encaravam como se dissessem: “Putz! Que cagada, hein?”.

    – Putz! Que cagada, hein? – Disse Johanson.

    – Não consigo entender. Tenho certeza de que não errei o caminho.

    O plano era irmos a Katmandu, no Nepal. De lá, pegaríamos 14 burrinhos que nos levariam ao Tibet. Já tinha até alugado os burrinhos. Agora vou perder o depósito.

    Foi Tereza que chamou a atenção para os outros passageiros. Todos estavam recolhendo suas bagagens calmamente, como se nada de errado tivesse acontecido. Aquilo me deu a certeza de que tinha alguma coisa muito estranha estava ocorrendo.

    – Engraçado. – Disse Gerrard – Eu sempre achei que o Acre não existia.

    Mas é claro! O Acre não existe! Isso explicava muita coisa. Só não sabia o quê. Estava me sentindo num episódio de Twilight Zone.

    Resolvi perguntar a um segurança, que, a essa altura, já nos olhava desconfiado.

    – Excelência, por favor. Onde estamos?

    – Essa é uma questão profunda e ser respondida de várias maneiras. Temporalmente, estamos em 2017. Você também poderia ter perguntado “quando estamos?”. Filosoficamente, onde estamos é uma questão tão profunda quanto particular. Onde estamos, afinal? Estamos em uma boa parte da nossa vida? Evoluímos enquanto seres humanos?

    – Não, amigo. Eu apenas quero saber onde estamos. Em que lugar do globo? Assim, sem filosofia. Uma questão bem terrena mesmo.

    Ele pareceu decepcionado. Mas fez questão de demonstrar que a decepção era comigo. Porque seu rosto se iluminou quando respondeu:

    – Estamos no Acre.

    – Mas o Acre não existe!

    – E o que isso lhe diz?

    – A única coisa que me diz é que não tenho a menor ideia do que está acontecendo ou de onde estou.

    – Você saberá a resposta quando conseguir resolver essa questão: onde estão guardadas todas as devidas proporções?

    – O quê?

    – Pense, pequeno Simba. A resposta está mais próxima do que você imagina. Olhe bem as estrelas. Adeus, Simba.

    Sua fala veio com eco. Enquanto ela se repetia, ele virou purpurina e desapareceu.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

    voo02

    No capítulo anterior chamamos Kim Jong-Un de Gordinho Maluco e dissemos que foi o Senador John McCain. Estamos rindo até agora.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 11

     

    Não tem jeito. Vou ter que pousar essa bagaça sozinho. O aeroporto já estava aparecendo no parabrisa da cabine. A aeromoça entrou. Deu uma risada sarcástica e saiu de novo. Filha da puta! Peguei o microfone e anunciei aos passageiros:

    – Senhores passageiros, iniciaremos os procedimentos de pouso. Se Deus quiser, aterrissaremos em segurança daqui a 15 minutos. Os pasasgeiros com destino a Cuiabá, aguardem dentro do avião para retorno.

    Johnson e Johanson, que tinha ficado muito tempo sumidos por puro esquecimento, entraram na cabine.

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – Disse Johanson.

    – And don’t call me Shirley. – Completou Johnson.

    – Vá tomar no cu, Sr. Johnson. E você, Johanson, vá ver o filme do Pelé!

    Saíram os dois às gargalhadas.

    – Mas será que ninguém se preocupa se essa porra cair? – Perguntei à Tereza.

    – Eles eu não sei. Eu tô cagando.

    Fiquei paralisado, besta, fascinado olhando Tereza. Ela fica linda falando palavrões. Vi-a se levantar, flutuando, olhando pra mim com candura e desferindo o tapa mais forte que já tinha sentido.

    – Acorda, viado!

    – Sim, querida.

    Passei a prestar atenção aos comandos para aterrissagem. Baixei os trens de pouso. Subi os flaps.

    – É pra baixar os flaps, retardado. – Tereza me lembrou delicadamente. Ela também já tinha jogado Playstation. Não é linda?

    Baixei os flaps. Diminuí a velocidade. Alarmes começaram a tocar por toda a cabine. Johanson aparece de novo:

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês.

    Odeio referências cinematográficas. Aquele trambolho começou a chacoalhar com violência. Os alarmes gritando. Eu suando. Tereza fumando. Precisava me concentrar. Pensa. Pensa. O que Steve Wonder faria?

    Joguei o avião para baixo. Alinhei com a pista. Diminui a velocidade. Ele desceu como uma bola de boliche e começou a rolar pela pista. Puxei os freios violentamente. Ele deu um cavalo de pau e parou fora da pista. Nenhum bombeiro ou equipe de resgate apareceu. No Nepal não tem essas frescuras.

    Ofegante mas aliviado, olhei para Tereza que apagava seu cigarro calmamente no mostrador do horizonte artificial.

    – Parabéns. – disse ela – Você se saiu muito bem. É impressão minha, ou você está mais alto?

    – É que me caguei todo.

    – Você sabe que isso elimina qualquer possibilidade de um boquete de comemoração, né?

    – Merda!

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – disse Johanson entre gargalhadas.

    Eu realmente odeio referências cinematográficas.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

    No capítulo anterior chamamos Kim Jong-Un de Gordinho Maluco e dissemos que foi o Senador John McCain. Estamos rindo até agora.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 11

     

    Não tem jeito. Vou ter que pousar essa bagaça sozinho. O aeroporto já estava aparecendo no parabrisa da cabine. A aeromoça entrou. Deu uma risada sarcástica e saiu de novo. Filha da puta! Peguei o microfone e anunciei aos passageiros:

    – Senhores passageiros, iniciaremos os procedimentos de pouso. Se Deus quiser, aterrissaremos em segurança daqui a 15 minutos. Os pasasgeiros com destino a Cuiabá, aguardem dentro do avião para retorno.

    Johnson e Johanson, que tinha ficado muito tempo sumidos por puro esquecimento, entraram na cabine.

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – Disse Johanson.

    – And don’t call me Shirley. – Completou Johnson.

    – Vá tomar no cu, Sr. Johnson. E você, Johanson, vá ver o filme do Pelé!

    Saíram os dois às gargalhadas.

    – Mas será que ninguém se preocupa se essa porra cair? – Perguntei à Tereza.

    – Eles eu não sei. Eu tô cagando.

    Fiquei paralisado, besta, fascinado olhando Tereza. Ela fica linda falando palavrões. Vi-a se levantar, flutuando, olhando pra mim com candura e desferindo o tapa mais forte que já tinha sentido.

    – Acorda, viado!

    – Sim, querida.

    Passei a prestar atenção aos comandos para aterrissagem. Baixei os trens de pouso. Subi os flaps.

    – É pra baixar os flaps, retardado. – Tereza me lembrou delicadamente. Ela também já tinha jogado Playstation. Não é linda?

    Baixei os flaps. Diminuí a velocidade. Alarmes começaram a tocar por toda a cabine. Johanson aparece de novo:

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês.

    Odeio referências cinematográficas. Aquele trambolho começou a chacoalhar com violência. Os alarmes gritando. Eu suando. Tereza fumando. Precisava me concentrar. Pensa. Pensa. O que Steve Wonder faria?

    Joguei o avião para baixo. Alinhei com a pista. Diminui a velocidade. Ele desceu como uma bola de boliche e começou a rolar pela pista. Puxei os freios violentamente. Ele deu um cavalo de pau e parou fora da pista. Nenhum bombeiro ou equipe de resgate apareceu. No Nepal não tem essas frescuras.

    Ofegante mas aliviado, olhei para Tereza que apagava seu cigarro calmamente no mostrador do horizonte artificial.

    – Parabéns. – disse ela – Você se saiu muito bem. É impressão minha, ou você está mais alto?

    – É que me caguei todo.

    – Você sabe que isso elimina qualquer possibilidade de um boquete de comemoração, né?

    – Merda!

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – disse Johanson entre gargalhadas.

    Eu realmente odeio referências cinematográficas.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (11)

    No capítulo anterior chamamos Kim Jong-Un de Gordinho Maluco e dissemos que foi o Senador John McCain. Estamos rindo até agora.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 11

     

    Não tem jeito. Vou ter que pousar essa bagaça sozinho. O aeroporto já estava aparecendo no parabrisa da cabine. A aeromoça entrou. Deu uma risada sarcástica e saiu de novo. Filha da puta! Peguei o microfone e anunciei aos passageiros:

    – Senhores passageiros, iniciaremos os procedimentos de pouso. Se Deus quiser, aterrissaremos em segurança daqui a 15 minutos. Os pasasgeiros com destino a Cuiabá, aguardem dentro do avião para retorno.

    Johnson e Johanson, que tinha ficado muito tempo sumidos por puro esquecimento, entraram na cabine.

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – Disse Johanson.

    – And don’t call me Shirley. – Completou Johnson.

    – Vá tomar no cu, Sr. Johnson. E você, Johanson, vá ver o filme do Pelé!

    Saíram os dois às gargalhadas.

    – Mas será que ninguém se preocupa se essa porra cair? – Perguntei à Tereza.

    – Eles eu não sei. Eu tô cagando.

    Fiquei paralisado, besta, fascinado olhando Tereza. Ela fica linda falando palavrões. Vi-a se levantar, flutuando, olhando pra mim com candura e desferindo o tapa mais forte que já tinha sentido.

    – Acorda, viado!

    – Sim, querida.

    Passei a prestar atenção aos comandos para aterrissagem. Baixei os trens de pouso. Subi os flaps.

    – É pra baixar os flaps, retardado. – Tereza me lembrou delicadamente. Ela também já tinha jogado Playstation. Não é linda?

    Baixei os flaps. Diminuí a velocidade. Alarmes começaram a tocar por toda a cabine. Johanson aparece de novo:

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês.

    Odeio referências cinematográficas. Aquele trambolho começou a chacoalhar com violência. Os alarmes gritando. Eu suando. Tereza fumando. Precisava me concentrar. Pensa. Pensa. O que Steve Wonder faria?

    Joguei o avião para baixo. Alinhei com a pista. Diminui a velocidade. Ele desceu como uma bola de boliche e começou a rolar pela pista. Puxei os freios violentamente. Ele deu um cavalo de pau e parou fora da pista. Nenhum bombeiro ou equipe de resgate apareceu. No Nepal não tem essas frescuras.

    Ofegante mas aliviado, olhei para Tereza que apagava seu cigarro calmamente no mostrador do horizonte artificial.

    – Parabéns. – disse ela – Você se saiu muito bem. É impressão minha, ou você está mais alto?

    – É que me caguei todo.

    – Você sabe que isso elimina qualquer possibilidade de um boquete de comemoração, né?

    – Merda!

    – Desejo boa sorte aos dois, e contamos com vocês. – disse Johanson entre gargalhadas.

    Eu realmente odeio referências cinematográficas.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    AIRPLANE AND ZERO HOUR (21)

    No capítulo anterior ficamos indignados com a eliminação daquela moça gostosa do Big Brother. Como é mesmo o nome dela? Vocês sabem: a bunduda. Aquela que tinha uma treta com o… o… Como é o nome mesmo? Ah, sei lá. Só sei que são famosos.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 10

     

    É muito bom ser herói.

    Demorou um pouco para relembrar as minhas sessões de simulador de vôo no Playstation que eu ganhei do Yudi. O avião chacoalhou um pouco, mas logo eu peguei o jeito da coisa. Ajustei o curso, apertei o botãozinho do piloto automático e relaxei um pouco. Tereza, do meu lado, fumava um cigarro e apreciava a vista.

    A aeromoça, não tão moça assim mas certamente aero, entrou e ofereceu café. Aceitei. Aceitamos.

    – Viu? – tentei puxar assunto – Deu tudo certo. Ainda bem que eu estava nesse vôo, hein?

    – É… Que bom. Assim vou poder viver mais uns dias essa minha vida excitante.

    Senti sarcasmo. Mas foi muito mesmo! Não me abalei. Sou herói. Heróis não buscam aplausos. Somos modestos e desprendidos.

    – Vaca! – disse entre os dentes cerrados.

    – Não se irrite. Eu achei que você foi um verdadeiro herói. – disse Tereza soprando a fumaça na minha cara.

    Viram? Herói!

    – Não fiz nada de mais. Nada mais que minha obrigação. Comente mais.

    – Bem, parece que estamos chegando. Devo avisar aos passageiros para se prepararem para aterrissagem?

    Aquela frase me acertou como um soco de um boxeador ainda sem Parkinson. Me lembrei que nunca tinha completado um vôo sequer no simulador. Todas as minhas tentativas de aterrissar resultaram e explosão. Fiquei pálido como o Michael Jackson. Tereza notou.

    – Você não sabe aterrissar, né? Eu sabia. Tava muito bom para ser verdade. Vou cobrar por aquele boquete.

    A aeromoça, que, sabe-se lá porque, ainda estava por ali, sorriu com o canto da boca, levantou as mãos pro céu e saiu arrastando a perna.

    Bom, já que o Gerrard tinha acidentalmente matado todos os outros pilotos, a coisa era comigo. E eu não ia me furtar ao trabalho. Sou herói!

    – Fudeu!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    No capítulo anterior ficamos indignados com a eliminação daquela moça gostosa do Big Brother. Como é mesmo o nome dela? Vocês sabem: a bunduda. Aquela que tinha uma treta com o… o… Como é o nome mesmo? Ah, sei lá. Só sei que são famosos.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 10

     

    É muito bom ser herói.

    Demorou um pouco para relembrar as minhas sessões de simulador de vôo no Playstation que eu ganhei do Yudi. O avião chacoalhou um pouco, mas logo eu peguei o jeito da coisa. Ajustei o curso, apertei o botãozinho do piloto automático e relaxei um pouco. Tereza, do meu lado, fumava um cigarro e apreciava a vista.

    A aeromoça, não tão moça assim mas certamente aero, entrou e ofereceu café. Aceitei. Aceitamos.

    – Viu? – tentei puxar assunto – Deu tudo certo. Ainda bem que eu estava nesse vôo, hein?

    – É… Que bom. Assim vou poder viver mais uns dias essa minha vida excitante.

    Senti sarcasmo. Mas foi muito mesmo! Não me abalei. Sou herói. Heróis não buscam aplausos. Somos modestos e desprendidos.

    – Vaca! – disse entre os dentes cerrados.

    – Não se irrite. Eu achei que você foi um verdadeiro herói. – disse Tereza soprando a fumaça na minha cara.

    Viram? Herói!

    – Não fiz nada de mais. Nada mais que minha obrigação. Comente mais.

    – Bem, parece que estamos chegando. Devo avisar aos passageiros para se prepararem para aterrissagem?

    Aquela frase me acertou como um soco de um boxeador ainda sem Parkinson. Me lembrei que nunca tinha completado um vôo sequer no simulador. Todas as minhas tentativas de aterrissar resultaram e explosão. Fiquei pálido como o Michael Jackson. Tereza notou.

    – Você não sabe aterrissar, né? Eu sabia. Tava muito bom para ser verdade. Vou cobrar por aquele boquete.

    A aeromoça, que, sabe-se lá porque, ainda estava por ali, sorriu com o canto da boca, levantou as mãos pro céu e saiu arrastando a perna.

    Bom, já que o Gerrard tinha acidentalmente matado todos os outros pilotos, a coisa era comigo. E eu não ia me furtar ao trabalho. Sou herói!

    – Fudeu!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (10)

    No capítulo anterior ficamos indignados com a eliminação daquela moça gostosa do Big Brother. Como é mesmo o nome dela? Vocês sabem: a bunduda. Aquela que tinha uma treta com o… o… Como é o nome mesmo? Ah, sei lá. Só sei que são famosos.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 10

     

    É muito bom ser herói.

    Demorou um pouco para relembrar as minhas sessões de simulador de vôo no Playstation que eu ganhei do Yudi. O avião chacoalhou um pouco, mas logo eu peguei o jeito da coisa. Ajustei o curso, apertei o botãozinho do piloto automático e relaxei um pouco. Tereza, do meu lado, fumava um cigarro e apreciava a vista.

    A aeromoça, não tão moça assim mas certamente aero, entrou e ofereceu café. Aceitei. Aceitamos.

    – Viu? – tentei puxar assunto – Deu tudo certo. Ainda bem que eu estava nesse vôo, hein?

    – É… Que bom. Assim vou poder viver mais uns dias essa minha vida excitante.

    Senti sarcasmo. Mas foi muito mesmo! Não me abalei. Sou herói. Heróis não buscam aplausos. Somos modestos e desprendidos.

    – Vaca! – disse entre os dentes cerrados.

    – Não se irrite. Eu achei que você foi um verdadeiro herói. – disse Tereza soprando a fumaça na minha cara.

    Viram? Herói!

    – Não fiz nada de mais. Nada mais que minha obrigação. Comente mais.

    – Bem, parece que estamos chegando. Devo avisar aos passageiros para se prepararem para aterrissagem?

    Aquela frase me acertou como um soco de um boxeador ainda sem Parkinson. Me lembrei que nunca tinha completado um vôo sequer no simulador. Todas as minhas tentativas de aterrissar resultaram e explosão. Fiquei pálido como o Michael Jackson. Tereza notou.

    – Você não sabe aterrissar, né? Eu sabia. Tava muito bom para ser verdade. Vou cobrar por aquele boquete.

    A aeromoça, que, sabe-se lá porque, ainda estava por ali, sorriu com o canto da boca, levantou as mãos pro céu e saiu arrastando a perna.

    Bom, já que o Gerrard tinha acidentalmente matado todos os outros pilotos, a coisa era comigo. E eu não ia me furtar ao trabalho. Sou herói!

    – Fudeu!

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (9)

    AIRPLANE AND ZERO HOUR (27)

    No capítulo anterior fomos abduzidos por alienígenas super-inteligentes, de uma civilização hiper-avançada, que nos levaram para zoar umas plantações aí.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 9

     

    Interessante como o cérebro funciona. Aparentemente traumas criam uma espécie de bloqueio que faz a riqueza dos psicólogos. Eu estava tentando lembrar da minha aventura sexual aérea, tentando descobrir a causa daquela dor incômoda nas partes baixas e traseiras, e tentando entender o porque de Tereza estar me olhando fixamente, e dando sorrisinhos sarcásticos de vez em quando. Pra falar a verdade, metade dos passageiros estava me encarando e dando sorrisinhos sarcásticos, enquanto cochichavam entre si.

    Bem, como eu dizia, estava me esforçando para lembrar de alguma coisa, quando o avião teve uma súbita queda de altitude, tão violenta que fez meu estômago ir à goela ver o que estava acontecendo. Como mágica, isso me fez lembrar de tudo.

    – Piloto filho da puta! – disse com os dentes cerrados de ódio.

    Já estava me levantando, decidido a ir na cabine dar uns pescotapas naquele viado, quando a aeromoça abre e porta e, demonstrando aquela calma que só quem desistiu da vida há muito tempo possui, diz:

    – Alguém aqui sabe pilotar avião?

    Silêncio sepulcral.

    – Alguém aqui sabe…

    – Nós ouvimos. – disse um dos passageiros. – Queremos saber o que significa isso.

    – Significa que o piloto morreu. Indigestão.

    – E o co-piloto?

    – Nada bem.

    De repente, todos começaram a discutir entre si. A discussão virou desespero. E o desespero, gritaria.

    Entendi que, mais uma vez, eu deveria salvar o dia. Como é dura a vida de um herói sem capa. Como é pesado o fardo dos que decidem

    – Eu sou piloto. – disse um cara da terceira fila.

    O quê?!?! Ah, não senhor. Eu não tive aquele devaneio acima por nada. Dei um sinal para Gerrard, que imediatamente entendeu. Assim que o usurpador passou por ele, Gerrard levantou-se displicentemente, fingiu um tropeção e caiu sobre o calhorda. Durante a queda, Gerrard rapidamente e disfarçadamente quebrou o pescoço do otário, que já chegou ao chão tendo passado desta. Gerrard ainda fingiu ajudá-lo a se levantar, e, quando o corpo mole do metidinho não respondeu, emitiu o “oh!” mais fingido e canastrão que eu já vi. Pegou um saco de amendoim e sentou-se de novo.

    Quando todos ainda se entreolhavam procurando entender, eu ajeitei meu casaco e me levantei.

    – Sem problemas, eu também sou piloto. – disse um cara na quinta fila.

    Filho da puta! Meu olhar cruzou com o de Gerrard, que deixou seu amendoim de lado, caminhou até o cafajeste, fingiu um tropeço, e na queda quebrou o pescoço dele também

    – Puxa, como sou desastrado.

    – Nada temam, eu também sei pilotar. – disse um sujeito na sétima fila.

    Gerrard suspirou, tropeçou e… Bem, vocês sabem. Levantou-se, olhou em volta e perguntou:

    – Mais alguém?

    Um braço se levantou na quarta fila.

    – Eu.

    Gerrard nem se deu ao trabalho de tropeçar.

    – Mais alguém?

    Silêncio. Olhei para os lados, me levantei e heroicamente me apresentei.

    – Eu sou piloto.

    Gerrard instintivamente começou a andar em minha direção, quando deu por si. Voltou para o seu assento e continuou a comer seu amendoim. Percorri o caminho que levava à cabine de comando sob aplausos. Agora sim.

    O co-piloto também já tinha batido com as dez. Me acomodei no assento do comandante. Tereza assumiu o assento a meu lado. Ela me olhava com admiração. Se abaixou, abriu meu zíper e começou a, digamos, discursar ao microfone. Um discurso lindo e inspirador. Dessa vez, não tive que pagar. É bom ser herói.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (9)

    No capítulo anterior fomos abduzidos por alienígenas super-inteligentes, de uma civilização hiper-avançada, que nos levaram para zoar umas plantações aí.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 9

     

    Interessante como o cérebro funciona. Aparentemente traumas criam uma espécie de bloqueio que faz a riqueza dos psicólogos. Eu estava tentando lembrar da minha aventura sexual aérea, tentando descobrir a causa daquela dor incômoda nas partes baixas e traseiras, e tentando entender o porque de Tereza estar me olhando fixamente, e dando sorrisinhos sarcásticos de vez em quando. Pra falar a verdade, metade dos passageiros estava me encarando e dando sorrisinhos sarcásticos, enquanto cochichavam entre si.

    Bem, como eu dizia, estava me esforçando para lembrar de alguma coisa, quando o avião teve uma súbita queda de altitude, tão violenta que fez meu estômago ir à goela ver o que estava acontecendo. Como mágica, isso me fez lembrar de tudo.

    – Piloto filho da puta! – disse com os dentes cerrados de ódio.

    Já estava me levantando, decidido a ir na cabine dar uns pescotapas naquele viado, quando a aeromoça abre e porta e, demonstrando aquela calma que só quem desistiu da vida há muito tempo possui, diz:

    – Alguém aqui sabe pilotar avião?

    Silêncio sepulcral.

    – Alguém aqui sabe…

    – Nós ouvimos. – disse um dos passageiros. – Queremos saber o que significa isso.

    – Significa que o piloto morreu. Indigestão.

    – E o co-piloto?

    – Nada bem.

    De repente, todos começaram a discutir entre si. A discussão virou desespero. E o desespero, gritaria.

    Entendi que, mais uma vez, eu deveria salvar o dia. Como é dura a vida de um herói sem capa. Como é pesado o fardo dos que decidem

    – Eu sou piloto. – disse um cara da terceira fila.

    O quê?!?! Ah, não senhor. Eu não tive aquele devaneio acima por nada. Dei um sinal para Gerrard, que imediatamente entendeu. Assim que o usurpador passou por ele, Gerrard levantou-se displicentemente, fingiu um tropeção e caiu sobre o calhorda. Durante a queda, Gerrard rapidamente e disfarçadamente quebrou o pescoço do otário, que já chegou ao chão tendo passado desta. Gerrard ainda fingiu ajudá-lo a se levantar, e, quando o corpo mole do metidinho não respondeu, emitiu o “oh!” mais fingido e canastrão que eu já vi. Pegou um saco de amendoim e sentou-se de novo.

    Quando todos ainda se entreolhavam procurando entender, eu ajeitei meu casaco e me levantei.

    – Sem problemas, eu também sou piloto. – disse um cara na quinta fila.

    Filho da puta! Meu olhar cruzou com o de Gerrard, que deixou seu amendoim de lado, caminhou até o cafajeste, fingiu um tropeço, e na queda quebrou o pescoço dele também

    – Puxa, como sou desastrado.

    – Nada temam, eu também sei pilotar. – disse um sujeito na sétima fila.

    Gerrard suspirou, tropeçou e… Bem, vocês sabem. Levantou-se, olhou em volta e perguntou:

    – Mais alguém?

    Um braço se levantou na quarta fila.

    – Eu.

    Gerrard nem se deu ao trabalho de tropeçar.

    – Mais alguém?

    Silêncio. Olhei para os lados, me levantei e heroicamente me apresentei.

    – Eu sou piloto.

    Gerrard instintivamente começou a andar em minha direção, quando deu por si. Voltou para o seu assento e continuou a comer seu amendoim. Percorri o caminho que levava à cabine de comando sob aplausos. Agora sim.

    O co-piloto também já tinha batido com as dez. Me acomodei no assento do comandante. Tereza assumiu o assento a meu lado. Ela me olhava com admiração. Se abaixou, abriu meu zíper e começou a, digamos, discursar ao microfone. Um discurso lindo e inspirador. Dessa vez, não tive que pagar. É bom ser herói.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (9)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (9)

    No capítulo anterior fomos abduzidos por alienígenas super-inteligentes, de uma civilização hiper-avançada, que nos levaram para zoar umas plantações aí.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 9

     

    Interessante como o cérebro funciona. Aparentemente traumas criam uma espécie de bloqueio que faz a riqueza dos psicólogos. Eu estava tentando lembrar da minha aventura sexual aérea, tentando descobrir a causa daquela dor incômoda nas partes baixas e traseiras, e tentando entender o porque de Tereza estar me olhando fixamente, e dando sorrisinhos sarcásticos de vez em quando. Pra falar a verdade, metade dos passageiros estava me encarando e dando sorrisinhos sarcásticos, enquanto cochichavam entre si.

    Bem, como eu dizia, estava me esforçando para lembrar de alguma coisa, quando o avião teve uma súbita queda de altitude, tão violenta que fez meu estômago ir à goela ver o que estava acontecendo. Como mágica, isso me fez lembrar de tudo.

    – Piloto filho da puta! – disse com os dentes cerrados de ódio.

    Já estava me levantando, decidido a ir na cabine dar uns pescotapas naquele viado, quando a aeromoça abre e porta e, demonstrando aquela calma que só quem desistiu da vida há muito tempo possui, diz:

    – Alguém aqui sabe pilotar avião?

    Silêncio sepulcral.

    – Alguém aqui sabe…

    – Nós ouvimos. – disse um dos passageiros. – Queremos saber o que significa isso.

    – Significa que o piloto morreu. Indigestão.

    – E o co-piloto?

    – Nada bem.

    De repente, todos começaram a discutir entre si. A discussão virou desespero. E o desespero, gritaria.

    Entendi que, mais uma vez, eu deveria salvar o dia. Como é dura a vida de um herói sem capa. Como é pesado o fardo dos que decidem

    – Eu sou piloto. – disse um cara da terceira fila.

    O quê?!?! Ah, não senhor. Eu não tive aquele devaneio acima por nada. Dei um sinal para Gerrard, que imediatamente entendeu. Assim que o usurpador passou por ele, Gerrard levantou-se displicentemente, fingiu um tropeção e caiu sobre o calhorda. Durante a queda, Gerrard rapidamente e disfarçadamente quebrou o pescoço do otário, que já chegou ao chão tendo passado desta. Gerrard ainda fingiu ajudá-lo a se levantar, e, quando o corpo mole do metidinho não respondeu, emitiu o “oh!” mais fingido e canastrão que eu já vi. Pegou um saco de amendoim e sentou-se de novo.

    Quando todos ainda se entreolhavam procurando entender, eu ajeitei meu casaco e me levantei.

    – Sem problemas, eu também sou piloto. – disse um cara na quinta fila.

    Filho da puta! Meu olhar cruzou com o de Gerrard, que deixou seu amendoim de lado, caminhou até o cafajeste, fingiu um tropeço, e na queda quebrou o pescoço dele também

    – Puxa, como sou desastrado.

    – Nada temam, eu também sei pilotar. – disse um sujeito na sétima fila.

    Gerrard suspirou, tropeçou e… Bem, vocês sabem. Levantou-se, olhou em volta e perguntou:

    – Mais alguém?

    Um braço se levantou na quarta fila.

    – Eu.

    Gerrard nem se deu ao trabalho de tropeçar.

    – Mais alguém?

    Silêncio. Olhei para os lados, me levantei e heroicamente me apresentei.

    – Eu sou piloto.

    Gerrard instintivamente começou a andar em minha direção, quando deu por si. Voltou para o seu assento e continuou a comer seu amendoim. Percorri o caminho que levava à cabine de comando sob aplausos. Agora sim.

    O co-piloto também já tinha batido com as dez. Me acomodei no assento do comandante. Tereza assumiu o assento a meu lado. Ela me olhava com admiração. Se abaixou, abriu meu zíper e começou a, digamos, discursar ao microfone. Um discurso lindo e inspirador. Dessa vez, não tive que pagar. É bom ser herói.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (8)

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    No capítulo anterior, assistimos um filme de terror cabeludo, e ficamos com medo de ir pegar um copo d’água.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 8

     

    Tereza quis transar no banheiro do avião. Um fetiche antigo, ela disse. Mas, ainda assim, eu tinha que pagar à vista. Tudo bem. Eu também tinha esse fetiche. Mas pedi desconto.

    Esperamos que todos dormissem e nos levantamos sorrateiramente. Entramos no banheiro e nos entregamos imediatamente ao prazer em velocidade de cruzeiro. Pra quem não conhece, banheiros de avião são lugares extremamente apertados. Isso, obviamente, dificultava muito nossos movimentos. Nada que a inibisse, no entanto. Enquanto me beijava, ela desabotoou minha calça. Rebolei três ou quatro vezes para que ela descesse sozinha. Ato contínuo, ela se virou para que eu abaixasse o zíper do seu vestido. Em um movimento ágil, ela se desfez do vestido. Atrapalhadamente e a muito custo, me livrei da minha camisa. Estava estudando um jeito de tirar minha cueca, quando ela mesma resolveu o assunto.

    O clima era de puro sexo. Suávamos e nos abraçávamos como se a vida dependesse disso. Ela se virou e se inclinou levemente para frente. Eu, tentando achar uma posição, apoiei um pé na beirada do vaso sanitário. Com uma das mãos apoiada na pia, e a outra na parede, me contorci até ficar na mira. Quando finalmente cheguei no ponto, o avião deu uma sacolejada. O pé escapou e eu, como direi, fiquei preso na maçaneta.

    Doeu. Muito. Gritei. Ela tampou a minha boca fazendo “shhhh”. O “shhhh” mais bonitinho que eu já tinha visto, mas, naquele momento, era a última coisa que eu queria ver. No afã de me soltar da maçaneta, apoiei o pé na privada e forcei pra cima. Outro solavanco. Piloto fêdaputa! O pé escorregou e caiu dentro da privada, espalhando um líquido azul pelo chão, e eu continuava preso. Meu Deus, o que mais restava acontecer? A aeromoça bateu na porta.

    – Ocupado! – disse eu, suando frio.

    – Eu sei. Passei apenas para dizer que o banheiro é cobrado por hora.

    – Eu pago – eu tremia. Uma lágrima escorria pelo canto do meu olho esquerdo.

    – Ah, e o comandante mandou perguntar se vocês gostaram do solavanco. A maioria gosta.

    Filho da puta! Foi de propósito! Eu mato esse desgraçado!

    – Sim. Foi ótimo. Peça para ele fazer de novo.

    – São mais 50 reais.

    – Aceita cartão?

    – É Visa ou Master?

    – Visa.

    – Ok.

    Me preparei para o solavanco. Dessa vez foi Tereza quem se apoiou na privada, posicionou suas mãos embaixo do meus sovacos. A intenção é que ela me desse um impulso para me ajudar a sair, assim que viesse o solavanco. Eu apoiei na pia e outro na parede e ficamos esperando. Nesse momento, nossos olhares se cruzaram e um, por um segundo, o clima era de paz e ternura. Ela segurando para não rir, e eu com as lágrimas descendo. Foi lindo como um filme de Antonioni. Foi então que veio o solavanco. Em sincronismo, empurrei a pia com decisão, e ela me empurrou para cima com toda a força que tinha, enquanto o avião fazia uma queda brusca. Aquilo me fez flutuar um pouco. O suficiente para que eu me soltasse. Tudo aconteceu em câmera lenta. Eu subindo e desentalando. Um sorriso de alívio estampado no rosto. Durou pouco. Na queda, aterrizei meu saco com toda força no joelho de Tereza, e, quando me agachei de dor, bati a testa na pia. Nisso, a porta se abriu e eu caí de costas e pelado no corredor do avião. Ouvi aplausos.

    Quando voltei a mim, já estava na minha poltrona, o pé completamente azul e um galo enorme na testa e metade do avião me olhando. Tereza, ao meu lado, olhou pra mim complacente, acendeu um cigarro, soprou sensualmente a fumaça na minha cara, e disse.

    – Foi bom pra você?

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (8)

    No capítulo anterior, assistimos um filme de terror cabeludo, e ficamos com medo de ir pegar um copo d’água.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 8

     

    Tereza quis transar no banheiro do avião. Um fetiche antigo, ela disse. Mas, ainda assim, eu tinha que pagar à vista. Tudo bem. Eu também tinha esse fetiche. Mas pedi desconto.

    Esperamos que todos dormissem e nos levantamos sorrateiramente. Entramos no banheiro e nos entregamos imediatamente ao prazer em velocidade de cruzeiro. Pra quem não conhece, banheiros de avião são lugares extremamente apertados. Isso, obviamente, dificultava muito nossos movimentos. Nada que a inibisse, no entanto. Enquanto me beijava, ela desabotoou minha calça. Rebolei três ou quatro vezes para que ela descesse sozinha. Ato contínuo, ela se virou para que eu abaixasse o zíper do seu vestido. Em um movimento ágil, ela se desfez do vestido. Atrapalhadamente e a muito custo, me livrei da minha camisa. Estava estudando um jeito de tirar minha cueca, quando ela mesma resolveu o assunto.

    O clima era de puro sexo. Suávamos e nos abraçávamos como se a vida dependesse disso. Ela se virou e se inclinou levemente para frente. Eu, tentando achar uma posição, apoiei um pé na beirada do vaso sanitário. Com uma das mãos apoiada na pia, e a outra na parede, me contorci até ficar na mira. Quando finalmente cheguei no ponto, o avião deu uma sacolejada. O pé escapou e eu, como direi, fiquei preso na maçaneta.

    Doeu. Muito. Gritei. Ela tampou a minha boca fazendo “shhhh”. O “shhhh” mais bonitinho que eu já tinha visto, mas, naquele momento, era a última coisa que eu queria ver. No afã de me soltar da maçaneta, apoiei o pé na privada e forcei pra cima. Outro solavanco. Piloto fêdaputa! O pé escorregou e caiu dentro da privada, espalhando um líquido azul pelo chão, e eu continuava preso. Meu Deus, o que mais restava acontecer? A aeromoça bateu na porta.

    – Ocupado! – disse eu, suando frio.

    – Eu sei. Passei apenas para dizer que o banheiro é cobrado por hora.

    – Eu pago – eu tremia. Uma lágrima escorria pelo canto do meu olho esquerdo.

    – Ah, e o comandante mandou perguntar se vocês gostaram do solavanco. A maioria gosta.

    Filho da puta! Foi de propósito! Eu mato esse desgraçado!

    – Sim. Foi ótimo. Peça para ele fazer de novo.

    – São mais 50 reais.

    – Aceita cartão?

    – É Visa ou Master?

    – Visa.

    – Ok.

    Me preparei para o solavanco. Dessa vez foi Tereza quem se apoiou na privada, posicionou suas mãos embaixo do meus sovacos. A intenção é que ela me desse um impulso para me ajudar a sair, assim que viesse o solavanco. Eu apoiei na pia e outro na parede e ficamos esperando. Nesse momento, nossos olhares se cruzaram e um, por um segundo, o clima era de paz e ternura. Ela segurando para não rir, e eu com as lágrimas descendo. Foi lindo como um filme de Antonioni. Foi então que veio o solavanco. Em sincronismo, empurrei a pia com decisão, e ela me empurrou para cima com toda a força que tinha, enquanto o avião fazia uma queda brusca. Aquilo me fez flutuar um pouco. O suficiente para que eu me soltasse. Tudo aconteceu em câmera lenta. Eu subindo e desentalando. Um sorriso de alívio estampado no rosto. Durou pouco. Na queda, aterrizei meu saco com toda força no joelho de Tereza, e, quando me agachei de dor, bati a testa na pia. Nisso, a porta se abriu e eu caí de costas e pelado no corredor do avião. Ouvi aplausos.

    Quando voltei a mim, já estava na minha poltrona, o pé completamente azul e um galo enorme na testa e metade do avião me olhando. Tereza, ao meu lado, olhou pra mim complacente, acendeu um cigarro, soprou sensualmente a fumaça na minha cara, e disse.

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    No capítulo anterior, assistimos um filme de terror cabeludo, e ficamos com medo de ir pegar um copo d’água.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 8

     

    Tereza quis transar no banheiro do avião. Um fetiche antigo, ela disse. Mas, ainda assim, eu tinha que pagar à vista. Tudo bem. Eu também tinha esse fetiche. Mas pedi desconto.

    Esperamos que todos dormissem e nos levantamos sorrateiramente. Entramos no banheiro e nos entregamos imediatamente ao prazer em velocidade de cruzeiro. Pra quem não conhece, banheiros de avião são lugares extremamente apertados. Isso, obviamente, dificultava muito nossos movimentos. Nada que a inibisse, no entanto. Enquanto me beijava, ela desabotoou minha calça. Rebolei três ou quatro vezes para que ela descesse sozinha. Ato contínuo, ela se virou para que eu abaixasse o zíper do seu vestido. Em um movimento ágil, ela se desfez do vestido. Atrapalhadamente e a muito custo, me livrei da minha camisa. Estava estudando um jeito de tirar minha cueca, quando ela mesma resolveu o assunto.

    O clima era de puro sexo. Suávamos e nos abraçávamos como se a vida dependesse disso. Ela se virou e se inclinou levemente para frente. Eu, tentando achar uma posição, apoiei um pé na beirada do vaso sanitário. Com uma das mãos apoiada na pia, e a outra na parede, me contorci até ficar na mira. Quando finalmente cheguei no ponto, o avião deu uma sacolejada. O pé escapou e eu, como direi, fiquei preso na maçaneta.

    Doeu. Muito. Gritei. Ela tampou a minha boca fazendo “shhhh”. O “shhhh” mais bonitinho que eu já tinha visto, mas, naquele momento, era a última coisa que eu queria ver. No afã de me soltar da maçaneta, apoiei o pé na privada e forcei pra cima. Outro solavanco. Piloto fêdaputa! O pé escorregou e caiu dentro da privada, espalhando um líquido azul pelo chão, e eu continuava preso. Meu Deus, o que mais restava acontecer? A aeromoça bateu na porta.

    – Ocupado! – disse eu, suando frio.

    – Eu sei. Passei apenas para dizer que o banheiro é cobrado por hora.

    – Eu pago – eu tremia. Uma lágrima escorria pelo canto do meu olho esquerdo.

    – Ah, e o comandante mandou perguntar se vocês gostaram do solavanco. A maioria gosta.

    Filho da puta! Foi de propósito! Eu mato esse desgraçado!

    – Sim. Foi ótimo. Peça para ele fazer de novo.

    – São mais 50 reais.

    – Aceita cartão?

    – É Visa ou Master?

    – Visa.

    – Ok.

    Me preparei para o solavanco. Dessa vez foi Tereza quem se apoiou na privada, posicionou suas mãos embaixo do meus sovacos. A intenção é que ela me desse um impulso para me ajudar a sair, assim que viesse o solavanco. Eu apoiei na pia e outro na parede e ficamos esperando. Nesse momento, nossos olhares se cruzaram e um, por um segundo, o clima era de paz e ternura. Ela segurando para não rir, e eu com as lágrimas descendo. Foi lindo como um filme de Antonioni. Foi então que veio o solavanco. Em sincronismo, empurrei a pia com decisão, e ela me empurrou para cima com toda a força que tinha, enquanto o avião fazia uma queda brusca. Aquilo me fez flutuar um pouco. O suficiente para que eu me soltasse. Tudo aconteceu em câmera lenta. Eu subindo e desentalando. Um sorriso de alívio estampado no rosto. Durou pouco. Na queda, aterrizei meu saco com toda força no joelho de Tereza, e, quando me agachei de dor, bati a testa na pia. Nisso, a porta se abriu e eu caí de costas e pelado no corredor do avião. Ouvi aplausos.

    Quando voltei a mim, já estava na minha poltrona, o pé completamente azul e um galo enorme na testa e metade do avião me olhando. Tereza, ao meu lado, olhou pra mim complacente, acendeu um cigarro, soprou sensualmente a fumaça na minha cara, e disse.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (7)

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    No capítulo anterior, jogamos todo o nosso dinheiro na mega sena acumulada.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 7

     

    Fade out.

    Já estamos embarcados no avião da Turkish Air, que só tem classe ultra econômica. Vôo para Katmandu, com escala em Goiânia. Não tivemos problemas com a bagagem, até porque não conseguimos levar nenhuma. Gerrard não conseguiu as malas, e muito menos as armas. Vamos ter que nos virar quando chegarmos.

    Sentamo-nos separados para não levantar suspeitas. Gerrard na primeira fila, Johnson e Johanson na quinta. Eu Tereza assumimos os nomes de Sr. e Sra. Smith, e nos sentamos na última fileira, onde, estrategicamente, eu poderia manter os olhos em tudo. Eram bons assentos, exceto pelo fato de estarem bem ao lado do banheiro, o que não era um bom presságio em um vôo tão longo.

    O momento da decolagem é sempre tenso. Principalmente na Turkish Air. O avião se deslocava tão vagarosamente pela pista, que fiquei esperando o comandante pedir pra descermos para ajudar a empurrar. Finalmente, o bicho conseguiu ganhar algum impulso e decolou. Pelo alto falante, ouvimos a voz do piloto: “Ufa! Conseguimos de novo! Podem soltar seus cintos de segurança, ou o que quer que os estejam prendendo às poltronas. Começaremos o serviço de bordo em instantes.”

    Aliviado, desfiz o nó da corda que fazia as vezes de cinto. Alheia a tudo, Tereza dormia tranquila. Depois descobri que ela tinha desmaiado.

    Chamar aquilo que vinha em minha direção de aeromoça, era muito otimismo. Aquele rosto já tinha visto melhores dias. Mas não tão melhores assim. O cabelo amarrado em um coque mal feito, deixava alguns fios grudados na testa oleosa. Os seios despencavam de tal forma, que ela parecia ter uma barriga de cerveja. Caminhava com dificuldade, arrastando uma perna. Lembrava muito um tio meu, exceto pelo fato de que ele não tinha bigode. Ela chegou perto o suficiente para que eu sentisse aquele bafo de três dias.

    – Vai jantar?

    – Qual é o prato de hoje?

    – Feijoada de ontem.

    Tereza acordou apenas o suficiente para ver aquele combinado de miúdos de porco e feijão preto. Uma nata de gordura boiava pra lá e pra cá enquanto a – vá lá – aeromoça estendia o prato. Imediatamente, ela voltou ao coma. Recusei também. Olhei para frente, e lá estava Gerrard, com a boca suja de feijão, fazendo um joinha para mim.

    Perguntei à aeromoça quanto tempo duraria a viagem.

    – Dezenove horas. Seria mais rápido se não tivéssemos que parar em Goiânia.

    – Para reabastecimento?

    – Não. Para arejar o avião. Você vai entender.

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    Fade out.

    Já estamos embarcados no avião da Turkish Air, que só tem classe ultra econômica. Vôo para Katmandu, com escala em Goiânia. Não tivemos problemas com a bagagem, até porque não conseguimos levar nenhuma. Gerrard não conseguiu as malas, e muito menos as armas. Vamos ter que nos virar quando chegarmos.

    Sentamo-nos separados para não levantar suspeitas. Gerrard na primeira fila, Johnson e Johanson na quinta. Eu Tereza assumimos os nomes de Sr. e Sra. Smith, e nos sentamos na última fileira, onde, estrategicamente, eu poderia manter os olhos em tudo. Eram bons assentos, exceto pelo fato de estarem bem ao lado do banheiro, o que não era um bom presságio em um vôo tão longo.

    O momento da decolagem é sempre tenso. Principalmente na Turkish Air. O avião se deslocava tão vagarosamente pela pista, que fiquei esperando o comandante pedir pra descermos para ajudar a empurrar. Finalmente, o bicho conseguiu ganhar algum impulso e decolou. Pelo alto falante, ouvimos a voz do piloto: “Ufa! Conseguimos de novo! Podem soltar seus cintos de segurança, ou o que quer que os estejam prendendo às poltronas. Começaremos o serviço de bordo em instantes.”

    Aliviado, desfiz o nó da corda que fazia as vezes de cinto. Alheia a tudo, Tereza dormia tranquila. Depois descobri que ela tinha desmaiado.

    Chamar aquilo que vinha em minha direção de aeromoça, era muito otimismo. Aquele rosto já tinha visto melhores dias. Mas não tão melhores assim. O cabelo amarrado em um coque mal feito, deixava alguns fios grudados na testa oleosa. Os seios despencavam de tal forma, que ela parecia ter uma barriga de cerveja. Caminhava com dificuldade, arrastando uma perna. Lembrava muito um tio meu, exceto pelo fato de que ele não tinha bigode. Ela chegou perto o suficiente para que eu sentisse aquele bafo de três dias.

    – Vai jantar?

    – Qual é o prato de hoje?

    – Feijoada de ontem.

    Tereza acordou apenas o suficiente para ver aquele combinado de miúdos de porco e feijão preto. Uma nata de gordura boiava pra lá e pra cá enquanto a – vá lá – aeromoça estendia o prato. Imediatamente, ela voltou ao coma. Recusei também. Olhei para frente, e lá estava Gerrard, com a boca suja de feijão, fazendo um joinha para mim.

    Perguntei à aeromoça quanto tempo duraria a viagem.

    – Dezenove horas. Seria mais rápido se não tivéssemos que parar em Goiânia.

    – Para reabastecimento?

    – Não. Para arejar o avião. Você vai entender.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (7)

    No capítulo anterior, jogamos todo o nosso dinheiro na mega sena acumulada.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 7

     

    Fade out.

    Já estamos embarcados no avião da Turkish Air, que só tem classe ultra econômica. Vôo para Katmandu, com escala em Goiânia. Não tivemos problemas com a bagagem, até porque não conseguimos levar nenhuma. Gerrard não conseguiu as malas, e muito menos as armas. Vamos ter que nos virar quando chegarmos.

    Sentamo-nos separados para não levantar suspeitas. Gerrard na primeira fila, Johnson e Johanson na quinta. Eu Tereza assumimos os nomes de Sr. e Sra. Smith, e nos sentamos na última fileira, onde, estrategicamente, eu poderia manter os olhos em tudo. Eram bons assentos, exceto pelo fato de estarem bem ao lado do banheiro, o que não era um bom presságio em um vôo tão longo.

    O momento da decolagem é sempre tenso. Principalmente na Turkish Air. O avião se deslocava tão vagarosamente pela pista, que fiquei esperando o comandante pedir pra descermos para ajudar a empurrar. Finalmente, o bicho conseguiu ganhar algum impulso e decolou. Pelo alto falante, ouvimos a voz do piloto: “Ufa! Conseguimos de novo! Podem soltar seus cintos de segurança, ou o que quer que os estejam prendendo às poltronas. Começaremos o serviço de bordo em instantes.”

    Aliviado, desfiz o nó da corda que fazia as vezes de cinto. Alheia a tudo, Tereza dormia tranquila. Depois descobri que ela tinha desmaiado.

    Chamar aquilo que vinha em minha direção de aeromoça, era muito otimismo. Aquele rosto já tinha visto melhores dias. Mas não tão melhores assim. O cabelo amarrado em um coque mal feito, deixava alguns fios grudados na testa oleosa. Os seios despencavam de tal forma, que ela parecia ter uma barriga de cerveja. Caminhava com dificuldade, arrastando uma perna. Lembrava muito um tio meu, exceto pelo fato de que ele não tinha bigode. Ela chegou perto o suficiente para que eu sentisse aquele bafo de três dias.

    – Vai jantar?

    – Qual é o prato de hoje?

    – Feijoada de ontem.

    Tereza acordou apenas o suficiente para ver aquele combinado de miúdos de porco e feijão preto. Uma nata de gordura boiava pra lá e pra cá enquanto a – vá lá – aeromoça estendia o prato. Imediatamente, ela voltou ao coma. Recusei também. Olhei para frente, e lá estava Gerrard, com a boca suja de feijão, fazendo um joinha para mim.

    Perguntei à aeromoça quanto tempo duraria a viagem.

    – Dezenove horas. Seria mais rápido se não tivéssemos que parar em Goiânia.

    – Para reabastecimento?

    – Não. Para arejar o avião. Você vai entender.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (6)

    Anne-Bancroft-Mrs-Robinson-balcka-nd-white-pic

    No capítulo anterior, Mrs. Robinson tinha acabado de tirar a virgindade de seu enteado, Will Robinson. Dr. Smith tinha tentou sabotar, mas foi impedido por Lion-O, dos Thundercats, que, por acaso, estava passando.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 6

     

    Acabei de dar as instruções finais e dispensei todos, exceto Tereza, que ficou fazendo sexo oral. Incrivelmente, foi fácil convencê-la a fazer isso como forma de treino intensivo para que nos passássemos mais facilmente como um casal. Mas tive que pagar antecipadamente. Em dinheiro. Ela não aceita cartão e nem cheque.

    Enquanto Tereza desaparecia debaixo da mesa, eu estudava rotas alternativas para chegar ao templo budista sem que ninguém percebesse. Foi quando chegou um e-mail. Minimizei o Google Maps, fechei o Waze, que estava com a voz do Fábio Porchat, e fui conferir. Muito provavelmente eram instruções de última hora do trilionário americano (os juros…) que nos contratou. Não era. Mas o que eu vi, me fez tremer dos pés à cabeça. Ou isso, ou foi Tereza, que tinha iniciado os trabalhos.

    “Eu sou Mrs. Mariam Abacha, viúva do general Abacha ex-chefe do governo militar da Nigéria. Há pouco tempo, o atual governo nigeriano descobriu, num banco suíço, a soma de 700 milhões de dólares e mais 450 milhões de marcos alemães. Desse montante, consegui liberar, secretamente, 28,6 milhões de dólares e esse dinheiro encontra-se em segurança. Preciso, urgentemente, de sua ajuda para transferir os 28,6 milhões de dólares para o seu país onde, acredito, ele estará em segurança. O senhor receberá 30% do valor total e o restante do dinheiro ficará sob os seus cuidados até que o atual governo nigeriano me dê alguma liberdade de movimento.”

    Pela lança brilhante e rombuda de Paulo Zulu! Uma pobre viúva precisava da minha ajuda! Sendo um cavalheiro, não poderia recusar. Incidentalmente, ainda ficaria rico e poderia mandar essa missão para a casa do caralho. E é nunca que eu ia devolver o restante da grana para aquela véia. Tudo o que ela precisava, era de uma cópia do meu passaporte, do meu cartão de crédito e da senha. Achei razoável. Mandei tudo e me recostei na cadeira, imaginando o tamanho do iate que eu ia comprar.

    Foi quando, de sopetão, Gerrard entrou na sala. Instintivamente, pulei da cadeira e abri a janela. Tinha esquecido de que Tereza tinha me deixado mais à vontade. E lá estava eu: janela na mão, calça pelo joelho, bunda branca reluzindo, e a piroca desleixadamente debruçada na janela.

    – Apreciando a vista, Coronel?

    – O que você quer? – disse eu, levantando minhas calças.

    – Temos um problema. O seu cartão foi recusado. Não consegui comprar as malas.

    Corri ao computador. Um e-mail em nigeriano (Sim. Eu sei nigeriano. Sou culto.) agradecia minha colaboração e trazia uma foto do extrato do meu cartão. Eu estava devendo mais de cinco mil dólares.

    – WHAT THE FUCK!?!?! – Exclamei em nigeriano.

    Caí na minha cadeira, completamente atônito. Como uma pobre viúva podia fazer uma sacanagem daquelas comigo? Havia a humanidade perdido a honestidade? Onde vamos parar?

    Estava entretido com meus pensamentos, quando Tereza surgiu de debaixo da mesa. Me encarou estatelado na cadeira, fixou os olhos na região abaixo da fivela, onde jazia uma mancha úmida, deu uma risadinha sarcástica e disse:

    – Sem reembolso.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (6)

    No capítulo anterior, Mrs. Robinson tinha acabado de tirar a virgindade de seu enteado, Will Robinson. Dr. Smith tinha tentou sabotar, mas foi impedido por Lion-O, dos Thundercats, que, por acaso, estava passando.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 6

     

    Acabei de dar as instruções finais e dispensei todos, exceto Tereza, que ficou fazendo sexo oral. Incrivelmente, foi fácil convencê-la a fazer isso como forma de treino intensivo para que nos passássemos mais facilmente como um casal. Mas tive que pagar antecipadamente. Em dinheiro. Ela não aceita cartão e nem cheque.

    Enquanto Tereza desaparecia debaixo da mesa, eu estudava rotas alternativas para chegar ao templo budista sem que ninguém percebesse. Foi quando chegou um e-mail. Minimizei o Google Maps, fechei o Waze, que estava com a voz do Fábio Porchat, e fui conferir. Muito provavelmente eram instruções de última hora do trilionário americano (os juros…) que nos contratou. Não era. Mas o que eu vi, me fez tremer dos pés à cabeça. Ou isso, ou foi Tereza, que tinha iniciado os trabalhos.

    “Eu sou Mrs. Mariam Abacha, viúva do general Abacha ex-chefe do governo militar da Nigéria. Há pouco tempo, o atual governo nigeriano descobriu, num banco suíço, a soma de 700 milhões de dólares e mais 450 milhões de marcos alemães. Desse montante, consegui liberar, secretamente, 28,6 milhões de dólares e esse dinheiro encontra-se em segurança. Preciso, urgentemente, de sua ajuda para transferir os 28,6 milhões de dólares para o seu país onde, acredito, ele estará em segurança. O senhor receberá 30% do valor total e o restante do dinheiro ficará sob os seus cuidados até que o atual governo nigeriano me dê alguma liberdade de movimento.”

    Pela lança brilhante e rombuda de Paulo Zulu! Uma pobre viúva precisava da minha ajuda! Sendo um cavalheiro, não poderia recusar. Incidentalmente, ainda ficaria rico e poderia mandar essa missão para a casa do caralho. E é nunca que eu ia devolver o restante da grana para aquela véia. Tudo o que ela precisava, era de uma cópia do meu passaporte, do meu cartão de crédito e da senha. Achei razoável. Mandei tudo e me recostei na cadeira, imaginando o tamanho do iate que eu ia comprar.

    Foi quando, de sopetão, Gerrard entrou na sala. Instintivamente, pulei da cadeira e abri a janela. Tinha esquecido de que Tereza tinha me deixado mais à vontade. E lá estava eu: janela na mão, calça pelo joelho, bunda branca reluzindo, e a piroca desleixadamente debruçada na janela.

    – Apreciando a vista, Coronel?

    – O que você quer? – disse eu, levantando minhas calças.

    – Temos um problema. O seu cartão foi recusado. Não consegui comprar as malas.

    Corri ao computador. Um e-mail em nigeriano (Sim. Eu sei nigeriano. Sou culto.) agradecia minha colaboração e trazia uma foto do extrato do meu cartão. Eu estava devendo mais de cinco mil dólares.

    – WHAT THE FUCK!?!?! – Exclamei em nigeriano.

    Caí na minha cadeira, completamente atônito. Como uma pobre viúva podia fazer uma sacanagem daquelas comigo? Havia a humanidade perdido a honestidade? Onde vamos parar?

    Estava entretido com meus pensamentos, quando Tereza surgiu de debaixo da mesa. Me encarou estatelado na cadeira, fixou os olhos na região abaixo da fivela, onde jazia uma mancha úmida, deu uma risadinha sarcástica e disse:

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    No capítulo anterior, Mrs. Robinson tinha acabado de tirar a virgindade de seu enteado, Will Robinson. Dr. Smith tinha tentou sabotar, mas foi impedido por Lion-O, dos Thundercats, que, por acaso, estava passando.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 6

     

    Acabei de dar as instruções finais e dispensei todos, exceto Tereza, que ficou fazendo sexo oral. Incrivelmente, foi fácil convencê-la a fazer isso como forma de treino intensivo para que nos passássemos mais facilmente como um casal. Mas tive que pagar antecipadamente. Em dinheiro. Ela não aceita cartão e nem cheque.

    Enquanto Tereza desaparecia debaixo da mesa, eu estudava rotas alternativas para chegar ao templo budista sem que ninguém percebesse. Foi quando chegou um e-mail. Minimizei o Google Maps, fechei o Waze, que estava com a voz do Fábio Porchat, e fui conferir. Muito provavelmente eram instruções de última hora do trilionário americano (os juros…) que nos contratou. Não era. Mas o que eu vi, me fez tremer dos pés à cabeça. Ou isso, ou foi Tereza, que tinha iniciado os trabalhos.

    “Eu sou Mrs. Mariam Abacha, viúva do general Abacha ex-chefe do governo militar da Nigéria. Há pouco tempo, o atual governo nigeriano descobriu, num banco suíço, a soma de 700 milhões de dólares e mais 450 milhões de marcos alemães. Desse montante, consegui liberar, secretamente, 28,6 milhões de dólares e esse dinheiro encontra-se em segurança. Preciso, urgentemente, de sua ajuda para transferir os 28,6 milhões de dólares para o seu país onde, acredito, ele estará em segurança. O senhor receberá 30% do valor total e o restante do dinheiro ficará sob os seus cuidados até que o atual governo nigeriano me dê alguma liberdade de movimento.”

    Pela lança brilhante e rombuda de Paulo Zulu! Uma pobre viúva precisava da minha ajuda! Sendo um cavalheiro, não poderia recusar. Incidentalmente, ainda ficaria rico e poderia mandar essa missão para a casa do caralho. E é nunca que eu ia devolver o restante da grana para aquela véia. Tudo o que ela precisava, era de uma cópia do meu passaporte, do meu cartão de crédito e da senha. Achei razoável. Mandei tudo e me recostei na cadeira, imaginando o tamanho do iate que eu ia comprar.

    Foi quando, de sopetão, Gerrard entrou na sala. Instintivamente, pulei da cadeira e abri a janela. Tinha esquecido de que Tereza tinha me deixado mais à vontade. E lá estava eu: janela na mão, calça pelo joelho, bunda branca reluzindo, e a piroca desleixadamente debruçada na janela.

    – Apreciando a vista, Coronel?

    – O que você quer? – disse eu, levantando minhas calças.

    – Temos um problema. O seu cartão foi recusado. Não consegui comprar as malas.

    Corri ao computador. Um e-mail em nigeriano (Sim. Eu sei nigeriano. Sou culto.) agradecia minha colaboração e trazia uma foto do extrato do meu cartão. Eu estava devendo mais de cinco mil dólares.

    – WHAT THE FUCK!?!?! – Exclamei em nigeriano.

    Caí na minha cadeira, completamente atônito. Como uma pobre viúva podia fazer uma sacanagem daquelas comigo? Havia a humanidade perdido a honestidade? Onde vamos parar?

    Estava entretido com meus pensamentos, quando Tereza surgiu de debaixo da mesa. Me encarou estatelado na cadeira, fixou os olhos na região abaixo da fivela, onde jazia uma mancha úmida, deu uma risadinha sarcástica e disse:

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (5)

    gunsightridge

    No capítulo anterior, Constantinopla havia sido tomada de assalto pela nova mania do pop rock: Perseu & Os Abramos, com o sucesso “Esse Seu Jeito Bizantino de Ser”, composição de Rick Bonadio e MC Tanga Froxa. A música tinha acabado de tirar o primeiro lugar das paradas de “Istanbul (Not Constantinople)”, do They Might Be Giants, que foram condenados a decapitação.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 5

     

    Ainda doia bastante. Mas, como líder da operação, não podia demostrar fraqueza.

    – Atenção todos!

    A voz saiu fina como a de uma criança. Pigarreei e comecei a dar instruções.

    – Bem, partiremos depois de amanhã bem cedo para o Tibet. Cada um de nós terá uma missão específica, de acorodo com suas qualidades. Eu fico encarregado dos passaportes e documentos falsos. Sr. Johanson, reserve as passagens. Pague com seu cartão de crédito, depois a gente acerta. Gerrard fica encarregado das bagagens. Certifique-se de que nossas armas estejam bem escondidas. Não queremos ficar presos na alfândega.

    – Certo Coronel! – Disseram ambos em uníssono, e depois saíram correndo pra pegar alguma coisa verde antes do outro.

    – E eu, Coronel? – Questionou-me Jonhson .

    – O carro, Sr. Johnson. O carro.

    – Devo comprar, alugar ou roubar um?

    Suspirei profundamente.

    – Me surpreenda, Sr. Johnson. Me surpreenda.

    – Tereza, você vai ter uma missão especial. Como você sabe, temos que entrar incógnitos no Tibet. Portanto você será meu disfarce. Para todos os efeitos, somos o Sr. e a Sra. Huck. Se perguntarem se somos parentes do Luciano, responda apenas “não, não somos”.

    – É… eu posso fazer isso. – Disse ela sensualmente (já disse que ela é sensual?).

    – Para que nosso disface seja convincente, teremos que passar o máximo de tempo juntos de modo que nos acostumemos um com o outro. A partir de agora, teremos que andar juntos, comer juntos, e até dormir juntos. E transar. Temos que transar loucamente e imediatamente. Isso nos dará a intimidade que o disfarce exige.

    Disse isso e fiquei esperando o tapa na minha cara. Mas antes que ela tivesse qualquer reação, Alguém bateu na moldura da porta. Era a pizza.

    – Alguém tem dois e setenta e cinco trocado? – Disse Gerrard.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (5)

    No capítulo anterior, Constantinopla havia sido tomada de assalto pela nova mania do pop rock: Perseu & Os Abramos, com o sucesso “Esse Seu Jeito Bizantino de Ser”, composição de Rick Bonadio e MC Tanga Froxa. A música tinha acabado de tirar o primeiro lugar das paradas de “Istanbul (Not Constantinople)”, do They Might Be Giants, que foram condenados a decapitação.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 5

     

    Ainda doia bastante. Mas, como líder da operação, não podia demostrar fraqueza.

    – Atenção todos!

    A voz saiu fina como a de uma criança. Pigarreei e comecei a dar instruções.

    – Bem, partiremos depois de amanhã bem cedo para o Tibet. Cada um de nós terá uma missão específica, de acorodo com suas qualidades. Eu fico encarregado dos passaportes e documentos falsos. Sr. Johanson, reserve as passagens. Pague com seu cartão de crédito, depois a gente acerta. Gerrard fica encarregado das bagagens. Certifique-se de que nossas armas estejam bem escondidas. Não queremos ficar presos na alfândega.

    – Certo Coronel! – Disseram ambos em uníssono, e depois saíram correndo pra pegar alguma coisa verde antes do outro.

    – E eu, Coronel? – Questionou-me Jonhson .

    – O carro, Sr. Johnson. O carro.

    – Devo comprar, alugar ou roubar um?

    Suspirei profundamente.

    – Me surpreenda, Sr. Johnson. Me surpreenda.

    – Tereza, você vai ter uma missão especial. Como você sabe, temos que entrar incógnitos no Tibet. Portanto você será meu disfarce. Para todos os efeitos, somos o Sr. e a Sra. Huck. Se perguntarem se somos parentes do Luciano, responda apenas “não, não somos”.

    – É… eu posso fazer isso. – Disse ela sensualmente (já disse que ela é sensual?).

    – Para que nosso disface seja convincente, teremos que passar o máximo de tempo juntos de modo que nos acostumemos um com o outro. A partir de agora, teremos que andar juntos, comer juntos, e até dormir juntos. E transar. Temos que transar loucamente e imediatamente. Isso nos dará a intimidade que o disfarce exige.

    Disse isso e fiquei esperando o tapa na minha cara. Mas antes que ela tivesse qualquer reação, Alguém bateu na moldura da porta. Era a pizza.

    – Alguém tem dois e setenta e cinco trocado? – Disse Gerrard.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (5)

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    No capítulo anterior, Constantinopla havia sido tomada de assalto pela nova mania do pop rock: Perseu & Os Abramos, com o sucesso “Esse Seu Jeito Bizantino de Ser”, composição de Rick Bonadio e MC Tanga Froxa. A música tinha acabado de tirar o primeiro lugar das paradas de “Istanbul (Not Constantinople)”, do They Might Be Giants, que foram condenados a decapitação.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 5

     

    Ainda doia bastante. Mas, como líder da operação, não podia demostrar fraqueza.

    – Atenção todos!

    A voz saiu fina como a de uma criança. Pigarreei e comecei a dar instruções.

    – Bem, partiremos depois de amanhã bem cedo para o Tibet. Cada um de nós terá uma missão específica, de acorodo com suas qualidades. Eu fico encarregado dos passaportes e documentos falsos. Sr. Johanson, reserve as passagens. Pague com seu cartão de crédito, depois a gente acerta. Gerrard fica encarregado das bagagens. Certifique-se de que nossas armas estejam bem escondidas. Não queremos ficar presos na alfândega.

    – Certo Coronel! – Disseram ambos em uníssono, e depois saíram correndo pra pegar alguma coisa verde antes do outro.

    – E eu, Coronel? – Questionou-me Jonhson .

    – O carro, Sr. Johnson. O carro.

    – Devo comprar, alugar ou roubar um?

    Suspirei profundamente.

    – Me surpreenda, Sr. Johnson. Me surpreenda.

    – Tereza, você vai ter uma missão especial. Como você sabe, temos que entrar incógnitos no Tibet. Portanto você será meu disfarce. Para todos os efeitos, somos o Sr. e a Sra. Huck. Se perguntarem se somos parentes do Luciano, responda apenas “não, não somos”.

    – É… eu posso fazer isso. – Disse ela sensualmente (já disse que ela é sensual?).

    – Para que nosso disface seja convincente, teremos que passar o máximo de tempo juntos de modo que nos acostumemos um com o outro. A partir de agora, teremos que andar juntos, comer juntos, e até dormir juntos. E transar. Temos que transar loucamente e imediatamente. Isso nos dará a intimidade que o disfarce exige.

    Disse isso e fiquei esperando o tapa na minha cara. Mas antes que ela tivesse qualquer reação, Alguém bateu na moldura da porta. Era a pizza.

    – Alguém tem dois e setenta e cinco trocado? – Disse Gerrard.

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (4)

    Noir_Lighting_by_erikaelk

    No capítulo anterior Erik, o Viking, tinha chegado a Hy-Brasil, mas ainda não tinha encontrado a Trombeta Ressonante, que o levaria a Asgaard para acabar com a era de Ragnarök. Erik ainda estava tentando aprender o hino nacional de Hy-Brasil, quando chegou Thor, filho de Eike, e tudo mudou.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 4

     

    “Ainda que eu tema a morte, andarei por aquela porra de vale atá sair do outro lado, ou encontrar um Mc Donalds”. Ou algo parecido. Nunca fui muito bom em ditados. Mas foi esse pensamento que ficou grudado na minha mente a manhã toda, me obrigando a meditar sobre a profundidade da frase. Não consegui. Ou é muito profunda, ou não significa nada. E eu não tinha tempo para essas frivolidades. Naquele momento, eu precisava decidir se a minha equipe estava completa, ou se tinha que contratar mais alguém. Vejamos: Johnson é um bom motorista; Johanson bom em informática; Gerrard bom em luta e trabalhos braçais; e Tereza, boa. Abri minha gaveta, e tirei de lá meu contrato. Conferi o orçamento e decidi que aquela era a melhor equipe que alguém poderia querer. Decidi reuní-los para explicar meu plano para, finalmente, partir em busca do Meme Perdido.

    Gerrard foi o primeiro a chegar. Sentou-se e colocou os pés em cima da minha mesa. Golfei duas vezes. Acendi um cigarro e um incenso. Ainda usava as Havaianas com prego, mas pelo menos já tinha tirado a camisa do Vasco. “Aos poucos eu o coloco nos eixos”, pensei enquanto cambaleava até a janela. Queria abrí-la para deixar entrar um pouco de ar puro. Estava emperrada.

    Quando Johnson e Johanson chegaram, eu estava prestes a quebrar o vidro com o meu sapato. Porém Gerrard se levantou e se ofereceu para ajudar. A facilidade com que ele levantou aquela janela me fez pensar em cancelar o meu cartão da academia. Mas foi bem na hora, pois o ato de abrir a janela, fez com que Gerrard levantasse os braços, o que piorou consideravelmente a salubridade do ambiente. Johnson ajudou Johanson, que teve um pequeno desmaio, a se sentar, enquanto ele próprio tentava, de alguma forma, se manter vivo sem respirar.

    A última a chegar, era também a mais aguardada. E Tereza não decepcionou. Fez uma entrada triunfal. Primeiro os seios passarem pela porta. Três minutos depois, o resto dela surgiu.

    – Abababa. – Disse eu apontando para a única cadeira ainda disponível.

    Ela se sentou sensualmente, fez um meneio com a cabeça jogando sensualmente o cabelo de lado, e acendeu um cigarro. Sensualmente. Enquanto soprava a fumaça, perguntou com toda a doçura e, claro, sensualidade:

    – Quem cagou?

    Ignorei aquela intervenção e assumi a minha posição de líder.

    – Senhores, bom dia. Vocês devem estar se perguntando por que os chamei aqui.

    – Eu não. – Disse Gerrard.

    Ignorei aquela interrupção também e continuei.

    – Bem, fomos contratados para encontrar o Meme Perdido.

    – O quê? – exclamou Johanson – Isso é apenas uma lenda!

    – Quanto estão nos pagando para perder nosso tempo assim? – Questionou Johnson.

    – O suficiente, Sr. Johnson. O suficiente. – Disse eu.

    – E quem é o otário que vai bancar isso tudo? – quis saber Johanson.

    – Um bilionário americano que prefere ficar anônimo. – expliquei.

    – Ele não era milionário no primeiro capítulo? – questionou-me Johnson.

    – Juros, Sr. Johnson. Juros.

    – Mas, de qualquer forma, – continuei – essa é uma missão que eu pretendo cumprir. Quer vocês venham junto ou não.

    – Bem, – ponderou Johanson – se ele é louco o suficiente pra bancar uma expedição inútil, eu topo.

    – Eu já estava mesmo precisando de umas férias. – assentiu Johnson.

    – Bora lá. – Concordou Gerrard.

    – Me pagando, eu faço que você me mandar. – Disse, sensualmente, Tereza.

    Várias imagens, todas elas impróprias para este horário, passaram pela minha mente. Sacudi a cabeça para voltar à realidade e já estava começando a detalhar os meus planos para a missão, quando entrou pela janela, um drone.

    Aquilo era muito suspeito, já que ninguém fora da equipe devia saber o que estávamos fazendo. Espionagem era a conclusão inevitável. Rapidamente peguei a minha raquete eletrificada, e com um golpe certeiro, depois de três não certeiros, atingi o drone com violência. A raquete fez um bzzz característico e o drone se espatifou no chão. Curioso, peguei o aparelho para tentar achar alguma pista de quem estava nos espionando. Ao virá-lo de cabeça para baixo, lá estava: um adesivo que dizia “Made in China”.

    “Claro” – pensei – “os chineses! Nossa missão é no Tibet, e a China tem um interesse histórico naquela região. Era óbvio, e até esperado, que eles nos espionassem.”

    Estava entretido naqueles devaneios, satisfeito comigo mesmo pela facilidade e rapidez com que desvendei aquele primeiro mistério, quando Juninho, o garoto que mora no térreo, entrou. Sem dizer uma palavra, ele me deu um chute na canela e um soco nas partes baixas. Aproveitou que me curvei, pegou o drone das minhas mãos e saiu. Doeu.

    Gerrard imediatemente se levantou e, dirigindo-se a mim, ainda curvado, disse:

    – Podemos pedir uma pizza?

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (4)

    No capítulo anterior Erik, o Viking, tinha chegado a Hy-Brasil, mas ainda não tinha encontrado a Trombeta Ressonante, que o levaria a Asgaard para acabar com a era de Ragnarök. Erik ainda estava tentando aprender o hino nacional de Hy-Brasil, quando chegou Thor, filho de Eike, e tudo mudou.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 4

     

    “Ainda que eu tema a morte, andarei por aquela porra de vale atá sair do outro lado, ou encontrar um Mc Donalds”. Ou algo parecido. Nunca fui muito bom em ditados. Mas foi esse pensamento que ficou grudado na minha mente a manhã toda, me obrigando a meditar sobre a profundidade da frase. Não consegui. Ou é muito profunda, ou não significa nada. E eu não tinha tempo para essas frivolidades. Naquele momento, eu precisava decidir se a minha equipe estava completa, ou se tinha que contratar mais alguém. Vejamos: Johnson é um bom motorista; Johanson bom em informática; Gerrard bom em luta e trabalhos braçais; e Tereza, boa. Abri minha gaveta, e tirei de lá meu contrato. Conferi o orçamento e decidi que aquela era a melhor equipe que alguém poderia querer. Decidi reuní-los para explicar meu plano para, finalmente, partir em busca do Meme Perdido.

    Gerrard foi o primeiro a chegar. Sentou-se e colocou os pés em cima da minha mesa. Golfei duas vezes. Acendi um cigarro e um incenso. Ainda usava as Havaianas com prego, mas pelo menos já tinha tirado a camisa do Vasco. “Aos poucos eu o coloco nos eixos”, pensei enquanto cambaleava até a janela. Queria abrí-la para deixar entrar um pouco de ar puro. Estava emperrada.

    Quando Johnson e Johanson chegaram, eu estava prestes a quebrar o vidro com o meu sapato. Porém Gerrard se levantou e se ofereceu para ajudar. A facilidade com que ele levantou aquela janela me fez pensar em cancelar o meu cartão da academia. Mas foi bem na hora, pois o ato de abrir a janela, fez com que Gerrard levantasse os braços, o que piorou consideravelmente a salubridade do ambiente. Johnson ajudou Johanson, que teve um pequeno desmaio, a se sentar, enquanto ele próprio tentava, de alguma forma, se manter vivo sem respirar.

    A última a chegar, era também a mais aguardada. E Tereza não decepcionou. Fez uma entrada triunfal. Primeiro os seios passarem pela porta. Três minutos depois, o resto dela surgiu.

    – Abababa. – Disse eu apontando para a única cadeira ainda disponível.

    Ela se sentou sensualmente, fez um meneio com a cabeça jogando sensualmente o cabelo de lado, e acendeu um cigarro. Sensualmente. Enquanto soprava a fumaça, perguntou com toda a doçura e, claro, sensualidade:

    – Quem cagou?

    Ignorei aquela intervenção e assumi a minha posição de líder.

    – Senhores, bom dia. Vocês devem estar se perguntando por que os chamei aqui.

    – Eu não. – Disse Gerrard.

    Ignorei aquela interrupção também e continuei.

    – Bem, fomos contratados para encontrar o Meme Perdido.

    – O quê? – exclamou Johanson – Isso é apenas uma lenda!

    – Quanto estão nos pagando para perder nosso tempo assim? – Questionou Johnson.

    – O suficiente, Sr. Johnson. O suficiente. – Disse eu.

    – E quem é o otário que vai bancar isso tudo? – quis saber Johanson.

    – Um bilionário americano que prefere ficar anônimo. – expliquei.

    – Ele não era milionário no primeiro capítulo? – questionou-me Johnson.

    – Juros, Sr. Johnson. Juros.

    – Mas, de qualquer forma, – continuei – essa é uma missão que eu pretendo cumprir. Quer vocês venham junto ou não.

    – Bem, – ponderou Johanson – se ele é louco o suficiente pra bancar uma expedição inútil, eu topo.

    – Eu já estava mesmo precisando de umas férias. – assentiu Johnson.

    – Bora lá. – Concordou Gerrard.

    – Me pagando, eu faço que você me mandar. – Disse, sensualmente, Tereza.

    Várias imagens, todas elas impróprias para este horário, passaram pela minha mente. Sacudi a cabeça para voltar à realidade e já estava começando a detalhar os meus planos para a missão, quando entrou pela janela, um drone.

    Aquilo era muito suspeito, já que ninguém fora da equipe devia saber o que estávamos fazendo. Espionagem era a conclusão inevitável. Rapidamente peguei a minha raquete eletrificada, e com um golpe certeiro, depois de três não certeiros, atingi o drone com violência. A raquete fez um bzzz característico e o drone se espatifou no chão. Curioso, peguei o aparelho para tentar achar alguma pista de quem estava nos espionando. Ao virá-lo de cabeça para baixo, lá estava: um adesivo que dizia “Made in China”.

    “Claro” – pensei – “os chineses! Nossa missão é no Tibet, e a China tem um interesse histórico naquela região. Era óbvio, e até esperado, que eles nos espionassem.”

    Estava entretido naqueles devaneios, satisfeito comigo mesmo pela facilidade e rapidez com que desvendei aquele primeiro mistério, quando Juninho, o garoto que mora no térreo, entrou. Sem dizer uma palavra, ele me deu um chute na canela e um soco nas partes baixas. Aproveitou que me curvei, pegou o drone das minhas mãos e saiu. Doeu.

    Gerrard imediatemente se levantou e, dirigindo-se a mim, ainda curvado, disse:

    – Podemos pedir uma pizza?

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    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (4)

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO (4)

    No capítulo anterior Erik, o Viking, tinha chegado a Hy-Brasil, mas ainda não tinha encontrado a Trombeta Ressonante, que o levaria a Asgaard para acabar com a era de Ragnarök. Erik ainda estava tentando aprender o hino nacional de Hy-Brasil, quando chegou Thor, filho de Eike, e tudo mudou.

     

    EM BUSCA DO MEME PERDIDO – CAPÍTULO 4

     

    “Ainda que eu tema a morte, andarei por aquela porra de vale atá sair do outro lado, ou encontrar um Mc Donalds”. Ou algo parecido. Nunca fui muito bom em ditados. Mas foi esse pensamento que ficou grudado na minha mente a manhã toda, me obrigando a meditar sobre a profundidade da frase. Não consegui. Ou é muito profunda, ou não significa nada. E eu não tinha tempo para essas frivolidades. Naquele momento, eu precisava decidir se a minha equipe estava completa, ou se tinha que contratar mais alguém. Vejamos: Johnson é um bom motorista; Johanson bom em informática; Gerrard bom em luta e trabalhos braçais; e Tereza, boa. Abri minha gaveta, e tirei de lá meu contrato. Conferi o orçamento e decidi que aquela era a melhor equipe que alguém poderia querer. Decidi reuní-los para explicar meu plano para, finalmente, partir em busca do Meme Perdido.

    Gerrard foi o primeiro a chegar. Sentou-se e colocou os pés em cima da minha mesa. Golfei duas vezes. Acendi um cigarro e um incenso. Ainda usava as Havaianas com prego, mas pelo menos já tinha tirado a camisa do Vasco. “Aos poucos eu o coloco nos eixos”, pensei enquanto cambaleava até a janela. Queria abrí-la para deixar entrar um pouco de ar puro. Estava emperrada.

    Quando Johnson e Johanson chegaram, eu estava prestes a quebrar o vidro com o meu sapato. Porém Gerrard se levantou e se ofereceu para ajudar. A facilidade com que ele levantou aquela janela me fez pensar em cancelar o meu cartão da academia. Mas foi bem na hora, pois o ato de abrir a janela, fez com que Gerrard levantasse os braços, o que piorou consideravelmente a salubridade do ambiente. Johnson ajudou Johanson, que teve um pequeno desmaio, a se sentar, enquanto ele próprio tentava, de alguma forma, se manter vivo sem respirar.

    A última a chegar, era também a mais aguardada. E Tereza não decepcionou. Fez uma entrada triunfal. Primeiro os seios passarem pela porta. Três minutos depois, o resto dela surgiu.

    – Abababa. – Disse eu apontando para a única cadeira ainda disponível.

    Ela se sentou sensualmente, fez um meneio com a cabeça jogando sensualmente o cabelo de lado, e acendeu um cigarro. Sensualmente. Enquanto soprava a fumaça, perguntou com toda a doçura e, claro, sensualidade:

    – Quem cagou?

    Ignorei aquela intervenção e assumi a minha posição de líder.

    – Senhores, bom dia. Vocês devem estar se perguntando por que os chamei aqui.

    – Eu não. – Disse Gerrard.

    Ignorei aquela interrupção também e continuei.

    – Bem, fomos contratados para encontrar o Meme Perdido.

    – O quê? – exclamou Johanson – Isso é apenas uma lenda!

    – Quanto estão nos pagando para perder nosso tempo assim? – Questionou Johnson.

    – O suficiente, Sr. Johnson. O suficiente. – Disse eu.

    – E quem é o otário que vai bancar isso tudo? – quis saber Johanson.

    – Um bilionário americano que prefere ficar anônimo. – expliquei.

    – Ele não era milionário no primeiro capítulo? – questionou-me Johnson.

    – Juros, Sr. Johnson. Juros.

    – Mas, de qualquer forma, – continuei – essa é uma missão que eu pretendo cumprir. Quer vocês venham junto ou não.

    – Bem, – ponderou Johanson – se ele é louco o suficiente pra bancar uma expedição inútil, eu topo.

    – Eu já estava mesmo precisando de umas férias. – assentiu Johnson.

    – Bora lá. – Concordou Gerrard.

    – Me pagando, eu faço que você me mandar. – Disse, sensualmente, Tereza.

    Várias imagens, todas elas impróprias para este horário, passaram pela minha mente. Sacudi a cabeça para voltar à realidade e já estava começando a detalhar os meus planos para a missão, quando entrou pela janela, um drone.

    Aquilo era muito suspeito, já que ninguém fora da equipe devia saber o que estávamos fazendo. Espionagem era a conclusão inevitável. Rapidamente peguei a minha raquete eletrificada, e com um golpe certeiro, depois de três não certeiros, atingi o drone com violência. A raquete fez um bzzz característico e o drone se espatifou no chão. Curioso, peguei o aparelho para tentar achar alguma pista de quem estava nos espionando. Ao virá-lo de cabeça para baixo, lá estava: um adesivo que dizia “Made in China”.

    “Claro” – pensei – “os chineses! Nossa missão é no Tibet, e a China tem um interesse histórico naquela região. Era óbvio, e até esperado, que eles nos espionassem.”

    Estava entretido naqueles devaneios, satisfeito comigo mesmo pela facilidade e rapidez com que desvendei aquele primeiro mistério, quando Juninho, o garoto que mora no térreo, entrou. Sem dizer uma palavra, ele me deu um chute na canela e um soco nas partes baixas. Aproveitou que me curvei, pegou o drone das minhas mãos e saiu. Doeu.

    Gerrard imediatemente se levantou e, dirigindo-se a mim, ainda curvado, disse:

    – Podemos pedir uma pizza?

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