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  • O LULISMO VIROU A ‘ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO’ DA POLÍTICA

    CartaAberta1Lula

    Segunda, 24 de julho

    Odisséia, moça que trabalha aqui em casa, entra no escritório e começa a passar o pano em tudo.

    Estante, livro, computador, cadeira, eu. Quando a Odisséia começa com essas glória-perezices é porque está a fim de conversar.

    Que que foi, Odisséia?“, eu pergunto à representante das classes trabalhadoras.

    “O senhor gosta da ‘Escolinha do Professor Raimundo’, seu Aran?”, pergunta a pobre proleta passando pano no cachorro.

    Gosto. Quer dizer, mais ou menos. Sou um feroz combatente na luta de classes, logo não tenho tempo para esses folguedos do populacho. No entanto, sei que todo mundo que faz ou fez humor admira e respeita o Chico Anysio, é claro. A “Escolinha” nunca esteve entre meus programas favoritos feitos pelo Chico, mas gosto sim.

    Foi o que pensei, mas traduzi tudo numa frase curta e precisa:

    “Desembucha que eu estou trabalhando, Odisséia!”

    “Sabe o que é? O senhor lembra daquele personagem Pedro Pedreira, que aquele moço, o Francisco Milani fazia? Aquele que falava ‘pedra noventa, só enfrenta quem aguenta’?

    Fiz um rewind na memória. E dei até um stop no flashback mental para ouvir melhor os bordões do Milani. 

    “Lembro… E daí?”,  respondi.

    “Daí, seu Aran, que eu fiquei pensando que esse povo que diz que o Lula nunca fez nada desonesto parece aquele personagem, o Pedro Pedreira. Eles ficam assim: ‘Escritura do triplex no nome do Lula que ele não botou no nome dele justamente pra fazer ocultação de patrimônio. TEEEM? Não. E-mail da OAS ou da Odebrecht escrito ‘Fala, Lulão, depositamos hoje na sua conta aquela propina secreta que combinamos e que ninguém pode saber’. TEEEEM? Não. Recibo do depósito de dinheiro escrito ‘comissão por negociata com a Petrobrás. TEEEEM? Não! Bilhete do próprio punho do Lula escrito pra empreiteiro onde se lê ‘brigadu cumapnhêru pela propina que ocê pagou pra mim’. TEEEEEM? Não!”

    Encarnei um professor Raimundo rápido:

    “É… realmente, essas coisas não tem não…”

    “Então não me venha com churumelas!”, disse a Odisséia e caiu na gargalhada.

    Rimos muito.

    Aí eu mandei a mulher parar de encher o saco e ir embora pra cozinha.

    Empregada doméstica intrometida enche o saco do intelectual progressista!

    Vou até perguntar pro Tico Santa-Cruz quantas vezes por dia ele deixa a dele sair do quartinho.

     

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    O LULISMO VIROU A ‘ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO’ DA POLÍTICA

    Segunda, 24 de julho

    Odisséia, moça que trabalha aqui em casa, entra no escritório e começa a passar o pano em tudo.

    Estante, livro, computador, cadeira, eu. Quando a Odisséia começa com essas glória-perezices é porque está a fim de conversar.

    Que que foi, Odisséia?“, eu pergunto à representante das classes trabalhadoras.

    “O senhor gosta da ‘Escolinha do Professor Raimundo’, seu Aran?”, pergunta a pobre proleta passando pano no cachorro.

    Gosto. Quer dizer, mais ou menos. Sou um feroz combatente na luta de classes, logo não tenho tempo para esses folguedos do populacho. No entanto, sei que todo mundo que faz ou fez humor admira e respeita o Chico Anysio, é claro. A “Escolinha” nunca esteve entre meus programas favoritos feitos pelo Chico, mas gosto sim.

    Foi o que pensei, mas traduzi tudo numa frase curta e precisa:

    “Desembucha que eu estou trabalhando, Odisséia!”

    “Sabe o que é? O senhor lembra daquele personagem Pedro Pedreira, que aquele moço, o Francisco Milani fazia? Aquele que falava ‘pedra noventa, só enfrenta quem aguenta’?

    Fiz um rewind na memória. E dei até um stop no flashback mental para ouvir melhor os bordões do Milani. 

    “Lembro… E daí?”,  respondi.

    “Daí, seu Aran, que eu fiquei pensando que esse povo que diz que o Lula nunca fez nada desonesto parece aquele personagem, o Pedro Pedreira. Eles ficam assim: ‘Escritura do triplex no nome do Lula que ele não botou no nome dele justamente pra fazer ocultação de patrimônio. TEEEM? Não. E-mail da OAS ou da Odebrecht escrito ‘Fala, Lulão, depositamos hoje na sua conta aquela propina secreta que combinamos e que ninguém pode saber’. TEEEEM? Não. Recibo do depósito de dinheiro escrito ‘comissão por negociata com a Petrobrás. TEEEEM? Não! Bilhete do próprio punho do Lula escrito pra empreiteiro onde se lê ‘brigadu cumapnhêru pela propina que ocê pagou pra mim’. TEEEEEM? Não!”

    Encarnei um professor Raimundo rápido:

    “É… realmente, essas coisas não tem não…”

    “Então não me venha com churumelas!”, disse a Odisséia e caiu na gargalhada.

    Rimos muito.

    Aí eu mandei a mulher parar de encher o saco e ir embora pra cozinha.

    Empregada doméstica intrometida enche o saco do intelectual progressista!

    Vou até perguntar pro Tico Santa-Cruz quantas vezes por dia ele deixa a dele sair do quartinho.

     

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    O LULISMO VIROU A ‘ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO’ DA POLÍTICA

    Segunda, 24 de julho

    Odisséia, moça que trabalha aqui em casa, entra no escritório e começa a passar o pano em tudo.

    Estante, livro, computador, cadeira, eu. Quando a Odisséia começa com essas glória-perezices é porque está a fim de conversar.

    Que que foi, Odisséia?“, eu pergunto à representante das classes trabalhadoras.

    “O senhor gosta da ‘Escolinha do Professor Raimundo’, seu Aran?”, pergunta a pobre proleta passando pano no cachorro.

    Gosto. Quer dizer, mais ou menos. Sou um feroz combatente na luta de classes, logo não tenho tempo para esses folguedos do populacho. No entanto, sei que todo mundo que faz ou fez humor admira e respeita o Chico Anysio, é claro. A “Escolinha” nunca esteve entre meus programas favoritos feitos pelo Chico, mas gosto sim.

    Foi o que pensei, mas traduzi tudo numa frase curta e precisa:

    “Desembucha que eu estou trabalhando, Odisséia!”

    “Sabe o que é? O senhor lembra daquele personagem Pedro Pedreira, que aquele moço, o Francisco Milani fazia? Aquele que falava ‘pedra noventa, só enfrenta quem aguenta’?

    Fiz um rewind na memória. E dei até um stop no flashback mental para ouvir melhor os bordões do Milani. 

    “Lembro… E daí?”,  respondi.

    “Daí, seu Aran, que eu fiquei pensando que esse povo que diz que o Lula nunca fez nada desonesto parece aquele personagem, o Pedro Pedreira. Eles ficam assim: ‘Escritura do triplex no nome do Lula que ele não botou no nome dele justamente pra fazer ocultação de patrimônio. TEEEM? Não. E-mail da OAS ou da Odebrecht escrito ‘Fala, Lulão, depositamos hoje na sua conta aquela propina secreta que combinamos e que ninguém pode saber’. TEEEEM? Não. Recibo do depósito de dinheiro escrito ‘comissão por negociata com a Petrobrás. TEEEEM? Não! Bilhete do próprio punho do Lula escrito pra empreiteiro onde se lê ‘brigadu cumapnhêru pela propina que ocê pagou pra mim’. TEEEEEM? Não!”

    Encarnei um professor Raimundo rápido:

    “É… realmente, essas coisas não tem não…”

    “Então não me venha com churumelas!”, disse a Odisséia e caiu na gargalhada.

    Rimos muito.

    Aí eu mandei a mulher parar de encher o saco e ir embora pra cozinha.

    Empregada doméstica intrometida enche o saco do intelectual progressista!

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    A GRAVE AMEAÇA DA MACONHA LIBERADA NO URUGUAI

    maconha

    Quarta, 19 de julho

    Telefonema de Tabaré Vásquez, presidente do Uruguai que sucedeu ao inesquecível José Mujica Marins, o Zé do Caixão.

    Ele liberou a maconha em todo o território nacional e criou até uma “Maconhobrás” para cuidar da coisa.

    No entanto, El Señor Presidente, quer saber como foi a repercussão entre os intelectuais progressistas do Cone Sul.

    Daí a ligação.

    Eu e Tabaré nos comunicamos em tortuoso portunhol, só que falado bem alto para que um pudesse compreender o outro.

    TABARÉ: Compañero Aran, como hé batido aí la liberacion de la marijuana en Uruguai?

    ARAN: Sinto, presidente, pero jo no conosco neguna puerra de Maria Juana. E la maconha? Está fumando mucho?

    TABARÉ: Non, non, non, penderro. La marijuana no és una persona, és el carajo de la maconha.

    ARAN: Ah, sí. Mira, maricón, para la inevitable revolución proletária és una grande de una mierda, sabes.

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: En verdad, la maconha deixa el proletário rindo sozinho el dia inteiro e comendo muchos doces.Aí, el operário hodido non ten negun ânimo para derrubar la burguesia opressora, entendes?

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: La maconha solamente sierve pra provocar la alienación en la massa oprimida, come-chuzos.

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: El facto és que usted és un porco reacionário a servicio de las oligarquias retrógradas de la Latinoamerica…

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: Alô? Tabaré? Alô?

    TABARÉ: Tu. Tu. Tu. Tu.

    Esse é o problema de tentar travar um diálogo produtivo com a direita reacionária: ela te desliga o telefone e te deixa falando sozinho.

    Saco.

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    Quarta, 19 de julho

    Telefonema de Tabaré Vásquez, presidente do Uruguai que sucedeu ao inesquecível José Mujica Marins, o Zé do Caixão.

    Ele liberou a maconha em todo o território nacional e criou até uma “Maconhobrás” para cuidar da coisa.

    No entanto, El Señor Presidente, quer saber como foi a repercussão entre os intelectuais progressistas do Cone Sul.

    Daí a ligação.

    Eu e Tabaré nos comunicamos em tortuoso portunhol, só que falado bem alto para que um pudesse compreender o outro.

    TABARÉ: Compañero Aran, como hé batido aí la liberacion de la marijuana en Uruguai?

    ARAN: Sinto, presidente, pero jo no conosco neguna puerra de Maria Juana. E la maconha? Está fumando mucho?

    TABARÉ: Non, non, non, penderro. La marijuana no és una persona, és el carajo de la maconha.

    ARAN: Ah, sí. Mira, maricón, para la inevitable revolución proletária és una grande de una mierda, sabes.

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: En verdad, la maconha deixa el proletário rindo sozinho el dia inteiro e comendo muchos doces.Aí, el operário hodido non ten negun ânimo para derrubar la burguesia opressora, entendes?

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: La maconha solamente sierve pra provocar la alienación en la massa oprimida, come-chuzos.

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: El facto és que usted és un porco reacionário a servicio de las oligarquias retrógradas de la Latinoamerica…

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: Alô? Tabaré? Alô?

    TABARÉ: Tu. Tu. Tu. Tu.

    Esse é o problema de tentar travar um diálogo produtivo com a direita reacionária: ela te desliga o telefone e te deixa falando sozinho.

    Saco.

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    A GRAVE AMEAÇA DA MACONHA LIBERADA NO URUGUAI

    Quarta, 19 de julho

    Telefonema de Tabaré Vásquez, presidente do Uruguai que sucedeu ao inesquecível José Mujica Marins, o Zé do Caixão.

    Ele liberou a maconha em todo o território nacional e criou até uma “Maconhobrás” para cuidar da coisa.

    No entanto, El Señor Presidente, quer saber como foi a repercussão entre os intelectuais progressistas do Cone Sul.

    Daí a ligação.

    Eu e Tabaré nos comunicamos em tortuoso portunhol, só que falado bem alto para que um pudesse compreender o outro.

    TABARÉ: Compañero Aran, como hé batido aí la liberacion de la marijuana en Uruguai?

    ARAN: Sinto, presidente, pero jo no conosco neguna puerra de Maria Juana. E la maconha? Está fumando mucho?

    TABARÉ: Non, non, non, penderro. La marijuana no és una persona, és el carajo de la maconha.

    ARAN: Ah, sí. Mira, maricón, para la inevitable revolución proletária és una grande de una mierda, sabes.

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: En verdad, la maconha deixa el proletário rindo sozinho el dia inteiro e comendo muchos doces.Aí, el operário hodido non ten negun ânimo para derrubar la burguesia opressora, entendes?

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: La maconha solamente sierve pra provocar la alienación en la massa oprimida, come-chuzos.

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: El facto és que usted és un porco reacionário a servicio de las oligarquias retrógradas de la Latinoamerica…

    TABARÉ: (silêncio)

    ARAN: Alô? Tabaré? Alô?

    TABARÉ: Tu. Tu. Tu. Tu.

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    ENCONTRO COM ORALDO GRUNHEVALDO NO CAFÉ SCHIAVO ISAURO

    Aran5

    Segunda, 17 de julho

    Café com meu grande amigo e mentor, o poeta concreto Oraldo Grunhevaldo. Fomos à Schiavo Isauro, uma aconchegante casa de chás nos Jardins.

    Grunhevaldo, elitista que é, pediu chá Oolong.

    Oolongue-me, meu caríssimo“, disse ele em concretês para um garçom com piercing no nariz e olhos de desprezo. Fã da Beyoncé, certamente. Sempre fui mais Jennifer Lopez e Lady Gaga. A primeira por causa da bunda. A segunda por causa da voz. E da bunda.

    Oraldo Grunhevaldo aproveitou e leu para mim um dos seus novos “Cantos”, o de número 47.

    “Para Ítaca, brada o bravo Ulisses

    na quilha do seu barco triste

    nuvem espessa, o sol empalidece

    o pior é o pau que não endurece”

    Evito tecer comentários desabonadores ao versos grunhevaldinos.

    Que sei eu de literatura? Na ABL, os imortais discutem o uso adequado do ponto-e-vírgula, que eu; nunca soube usar direito. Não faço chover nem ventar, logo não posso ser sagrado escritor. E nem sei tocar violão para ser considerado um novo Machado.

    O fã da Beyoncé volta trazendo o chá do poeta e o meu café, que pedi igual ao futuro do Brasil: escuro e amargo.

    Lá fora, a polícia sai a cata de catadores de papel. Assim como milhões de brasileiros, eu quero viver num país melhor. O problema é que a PF parou de emitir passaportes.

     

    SERVIÇO: Schiavo Isauro, alameda Palmares, 187 – Jardins. 

     

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    ENCONTRO COM ORALDO GRUNHEVALDO NO CAFÉ SCHIAVO ISAURO

    Segunda, 17 de julho

    Café com meu grande amigo e mentor, o poeta concreto Oraldo Grunhevaldo. Fomos à Schiavo Isauro, uma aconchegante casa de chás nos Jardins.

    Grunhevaldo, elitista que é, pediu chá Oolong.

    Oolongue-me, meu caríssimo“, disse ele em concretês para um garçom com piercing no nariz e olhos de desprezo. Fã da Beyoncé, certamente. Sempre fui mais Jennifer Lopez e Lady Gaga. A primeira por causa da bunda. A segunda por causa da voz. E da bunda.

    Oraldo Grunhevaldo aproveitou e leu para mim um dos seus novos “Cantos”, o de número 47.

    “Para Ítaca, brada o bravo Ulisses

    na quilha do seu barco triste

    nuvem espessa, o sol empalidece

    o pior é o pau que não endurece”

    Evito tecer comentários desabonadores ao versos grunhevaldinos.

    Que sei eu de literatura? Na ABL, os imortais discutem o uso adequado do ponto-e-vírgula, que eu; nunca soube usar direito. Não faço chover nem ventar, logo não posso ser sagrado escritor. E nem sei tocar violão para ser considerado um novo Machado.

    O fã da Beyoncé volta trazendo o chá do poeta e o meu café, que pedi igual ao futuro do Brasil: escuro e amargo.

    Lá fora, a polícia sai a cata de catadores de papel. Assim como milhões de brasileiros, eu quero viver num país melhor. O problema é que a PF parou de emitir passaportes.

     

    SERVIÇO: Schiavo Isauro, alameda Palmares, 187 – Jardins. 

     

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    ENCONTRO COM ORALDO GRUNHEVALDO NO CAFÉ SCHIAVO ISAURO

    Segunda, 17 de julho

    Café com meu grande amigo e mentor, o poeta concreto Oraldo Grunhevaldo. Fomos à Schiavo Isauro, uma aconchegante casa de chás nos Jardins.

    Grunhevaldo, elitista que é, pediu chá Oolong.

    Oolongue-me, meu caríssimo“, disse ele em concretês para um garçom com piercing no nariz e olhos de desprezo. Fã da Beyoncé, certamente. Sempre fui mais Jennifer Lopez e Lady Gaga. A primeira por causa da bunda. A segunda por causa da voz. E da bunda.

    Oraldo Grunhevaldo aproveitou e leu para mim um dos seus novos “Cantos”, o de número 47.

    “Para Ítaca, brada o bravo Ulisses

    na quilha do seu barco triste

    nuvem espessa, o sol empalidece

    o pior é o pau que não endurece”

    Evito tecer comentários desabonadores ao versos grunhevaldinos.

    Que sei eu de literatura? Na ABL, os imortais discutem o uso adequado do ponto-e-vírgula, que eu; nunca soube usar direito. Não faço chover nem ventar, logo não posso ser sagrado escritor. E nem sei tocar violão para ser considerado um novo Machado.

    O fã da Beyoncé volta trazendo o chá do poeta e o meu café, que pedi igual ao futuro do Brasil: escuro e amargo.

    Lá fora, a polícia sai a cata de catadores de papel. Assim como milhões de brasileiros, eu quero viver num país melhor. O problema é que a PF parou de emitir passaportes.

     

    SERVIÇO: Schiavo Isauro, alameda Palmares, 187 – Jardins. 

     

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    9 PROVAS DE QUE O BRASIL ATUAL É UMA BOSTA E QUE BOM MESMO ERAM OS ANOS 80 E...

    40730011

    Frequentemente, um BuzzFeed ou HuffPost da vida faz uma lista mostrando como a vida era horrível e selvagem no Brasil dos anos 80/90. As listas fazem o maior sucesso na Internet – mas são totalmente equivocadas. Olhe pela janela. Há algum motivo para se orgulhar? O Brasil de ontem é que era bacana. O RdB diz e prova!

    (mais…)

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    9 PROVAS DE QUE O BRASIL ATUAL É UMA BOSTA E QUE BOM MESMO ERAM OS ANOS 80 E...

    Frequentemente, um BuzzFeed ou HuffPost da vida faz uma lista mostrando como a vida era horrível e selvagem no Brasil dos anos 80/90. As listas fazem o maior sucesso na Internet – mas são totalmente equivocadas. Olhe pela janela. Há algum motivo para se orgulhar? O Brasil de ontem é que era bacana. O RdB diz e prova!

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    9 PROVAS DE QUE O BRASIL ATUAL É UMA BOSTA E QUE BOM MESMO ERAM OS ANOS 80 E...

    Frequentemente, um BuzzFeed ou HuffPost da vida faz uma lista mostrando como a vida era horrível e selvagem no Brasil dos anos 80/90. As listas fazem o maior sucesso na Internet – mas são totalmente equivocadas. Olhe pela janela. Há algum motivo para se orgulhar? O Brasil de ontem é que era bacana. O RdB diz e prova!

    (mais…)

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    CHEGA DE FALAR ‘REPUBLICANO’ E PASSAR O PANO! MONARQUIA JÁ!

    CARTAABERTAfamiliarea)

    Domingo, 16 de julho

    Depois de rápidas férias em Petrópolis, chego na porta do edifício “Aquarius”, onde moro, e sou recebido pelo energúmeno do meu vizinho, o Irso. Agitando os braços feito uma Elis Regina em começo de carreira, Irso me resume os excitantes acontecimentos da última semana.

    “Os coxinhas condenaram o glorioso Lula, a CCJ salvou o satânico Temer e destruíram a CLT! Temos que reagir, companheiro Aran! Fazer um, dois, mil Vietnãs!”

    Tranquilizo o energúmeno e garanto a ele que tudo ficará na boa nesse nosso país abençoado por deus e bonito por natureza. Naturalmente, não posso contar ao ignaro que a razão da minha viagem a Petrópolis foi o cuidadoso planejamento da restauração monarquista no Brasil.

    Sim! Yes! Oui! Pois muito embora eu seja um intelectual progressista e prafrentex, também sou um membro ativo da Illuminati  oopa, Escola de Samba Unidos do Mastruço. Além de bater tambor e compor samba-enredo que mistura “Princesa Isabel com Torre de Babel”, nós temos um plano de dominação mundial preocupações sociais das mais socializantes. E isso passa pela volta ao poder dos Orleans-Bourbons-Habsburgos-Merovíngios-de-Bragança.

    Veja bem.

    A gente adora a palavra “republicano”, mas só quando quer passar o pano. Não é um sentimento de verdade, mora.

    Nós gostamos mesmo é de título de nobreza:

    Rei do Futebol. Rei da Jovem Guarda. Rei da Cocada Preta. Rei da Empadinha. Rainha do Frango Assado. Rei da Coxinha. Rei do Caldo de Cana. Rainha do Sexo Anal. Rei Momo. Rei da Noite. Rei da Vela. Rainha de Bateria. Rei dos Eletrodomésticos. Rainha dos Baixinhos. Rei do Gado. Rei Naldo Fenômeno. Etc.

    No psicológico do interior da cabeça da nação, o que a gente quer é um soberano absolutista – feito o que é o Lula pros Lulistas.

    Ou o Bolsonaro pros boçais.

    Então chega de intermediários mequetrefes e vamos logo pra um rei de verdade, porra.

    A restauração monarquista não vai resolver nenhum dos nossos problemas, é claro, mas é menos trabalhoso do que votar num ladrão a cada quatro anos.

    Chega de eleger estrupícios e depois levantar plaquinha escrito “O Estrupício não me representa!”

    Chega de ser bobo-da-corte mas sem levar uma grana pra fazer isso!

    Chega de ser tratado pelo mundo como a maior República de Bananas da história!

    Queremos mais! Queremos ser um Império de Bananas! Aí sim.

    Senhoras e senhores: o Brasil precisa mudar! Ninguém aguenta mais pagar esse aluguel!

     

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    CHEGA DE FALAR ‘REPUBLICANO’ E PASSAR O PANO! MONARQUIA JÁ!

    Domingo, 16 de julho

    Depois de rápidas férias em Petrópolis, chego na porta do edifício “Aquarius”, onde moro, e sou recebido pelo energúmeno do meu vizinho, o Irso. Agitando os braços feito uma Elis Regina em começo de carreira, Irso me resume os excitantes acontecimentos da última semana.

    “Os coxinhas condenaram o glorioso Lula, a CCJ salvou o satânico Temer e destruíram a CLT! Temos que reagir, companheiro Aran! Fazer um, dois, mil Vietnãs!”

    Tranquilizo o energúmeno e garanto a ele que tudo ficará na boa nesse nosso país abençoado por deus e bonito por natureza. Naturalmente, não posso contar ao ignaro que a razão da minha viagem a Petrópolis foi o cuidadoso planejamento da restauração monarquista no Brasil.

    Sim! Yes! Oui! Pois muito embora eu seja um intelectual progressista e prafrentex, também sou um membro ativo da Illuminati  oopa, Escola de Samba Unidos do Mastruço. Além de bater tambor e compor samba-enredo que mistura “Princesa Isabel com Torre de Babel”, nós temos um plano de dominação mundial preocupações sociais das mais socializantes. E isso passa pela volta ao poder dos Orleans-Bourbons-Habsburgos-Merovíngios-de-Bragança.

    Veja bem.

    A gente adora a palavra “republicano”, mas só quando quer passar o pano. Não é um sentimento de verdade, mora.

    Nós gostamos mesmo é de título de nobreza:

    Rei do Futebol. Rei da Jovem Guarda. Rei da Cocada Preta. Rei da Empadinha. Rainha do Frango Assado. Rei da Coxinha. Rei do Caldo de Cana. Rainha do Sexo Anal. Rei Momo. Rei da Noite. Rei da Vela. Rainha de Bateria. Rei dos Eletrodomésticos. Rainha dos Baixinhos. Rei do Gado. Rei Naldo Fenômeno. Etc.

    No psicológico do interior da cabeça da nação, o que a gente quer é um soberano absolutista – feito o que é o Lula pros Lulistas.

    Ou o Bolsonaro pros boçais.

    Então chega de intermediários mequetrefes e vamos logo pra um rei de verdade, porra.

    A restauração monarquista não vai resolver nenhum dos nossos problemas, é claro, mas é menos trabalhoso do que votar num ladrão a cada quatro anos.

    Chega de eleger estrupícios e depois levantar plaquinha escrito “O Estrupício não me representa!”

    Chega de ser bobo-da-corte mas sem levar uma grana pra fazer isso!

    Chega de ser tratado pelo mundo como a maior República de Bananas da história!

    Queremos mais! Queremos ser um Império de Bananas! Aí sim.

    Senhoras e senhores: o Brasil precisa mudar! Ninguém aguenta mais pagar esse aluguel!

     

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    CHEGA DE FALAR ‘REPUBLICANO’ E PASSAR O PANO! MONARQUIA JÁ!

    Domingo, 16 de julho

    Depois de rápidas férias em Petrópolis, chego na porta do edifício “Aquarius”, onde moro, e sou recebido pelo energúmeno do meu vizinho, o Irso. Agitando os braços feito uma Elis Regina em começo de carreira, Irso me resume os excitantes acontecimentos da última semana.

    “Os coxinhas condenaram o glorioso Lula, a CCJ salvou o satânico Temer e destruíram a CLT! Temos que reagir, companheiro Aran! Fazer um, dois, mil Vietnãs!”

    Tranquilizo o energúmeno e garanto a ele que tudo ficará na boa nesse nosso país abençoado por deus e bonito por natureza. Naturalmente, não posso contar ao ignaro que a razão da minha viagem a Petrópolis foi o cuidadoso planejamento da restauração monarquista no Brasil.

    Sim! Yes! Oui! Pois muito embora eu seja um intelectual progressista e prafrentex, também sou um membro ativo da Illuminati  oopa, Escola de Samba Unidos do Mastruço. Além de bater tambor e compor samba-enredo que mistura “Princesa Isabel com Torre de Babel”, nós temos um plano de dominação mundial preocupações sociais das mais socializantes. E isso passa pela volta ao poder dos Orleans-Bourbons-Habsburgos-Merovíngios-de-Bragança.

    Veja bem.

    A gente adora a palavra “republicano”, mas só quando quer passar o pano. Não é um sentimento de verdade, mora.

    Nós gostamos mesmo é de título de nobreza:

    Rei do Futebol. Rei da Jovem Guarda. Rei da Cocada Preta. Rei da Empadinha. Rainha do Frango Assado. Rei da Coxinha. Rei do Caldo de Cana. Rainha do Sexo Anal. Rei Momo. Rei da Noite. Rei da Vela. Rainha de Bateria. Rei dos Eletrodomésticos. Rainha dos Baixinhos. Rei do Gado. Rei Naldo Fenômeno. Etc.

    No psicológico do interior da cabeça da nação, o que a gente quer é um soberano absolutista – feito o que é o Lula pros Lulistas.

    Ou o Bolsonaro pros boçais.

    Então chega de intermediários mequetrefes e vamos logo pra um rei de verdade, porra.

    A restauração monarquista não vai resolver nenhum dos nossos problemas, é claro, mas é menos trabalhoso do que votar num ladrão a cada quatro anos.

    Chega de eleger estrupícios e depois levantar plaquinha escrito “O Estrupício não me representa!”

    Chega de ser bobo-da-corte mas sem levar uma grana pra fazer isso!

    Chega de ser tratado pelo mundo como a maior República de Bananas da história!

    Queremos mais! Queremos ser um Império de Bananas! Aí sim.

    Senhoras e senhores: o Brasil precisa mudar! Ninguém aguenta mais pagar esse aluguel!

     

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    ATÉ 2016, MULHERES FEMINISTAS ERAM AMARRADAS EM FOGUETES E ENVIADAS PARA A ÓRBITA TERRESTRE

    Até 2016, mulheres feministas eram amarradas em foguetes pelos seus maridos e enviadas para a órbita terrestre (2016)

    No Brasil, a MARCHA DA HISTÓRIA acontece a primeira vez como farsa, a segunda vez como engodo, a terceira vez como cilada, a quarta vez como embuste, a quinta vez como fraude, a sexta vez como treta e a sétima vez como manobra. Essa é a nossa tragédia.

    (mais…)

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    ATÉ 2016, MULHERES FEMINISTAS ERAM AMARRADAS EM FOGUETES E ENVIADAS PARA A ÓRBITA TERRESTRE

    No Brasil, a MARCHA DA HISTÓRIA acontece a primeira vez como farsa, a segunda vez como engodo, a terceira vez como cilada, a quarta vez como embuste, a quinta vez como fraude, a sexta vez como treta e a sétima vez como manobra. Essa é a nossa tragédia.

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    ATÉ 2016, MULHERES FEMINISTAS ERAM AMARRADAS EM FOGUETES E ENVIADAS PARA A ÓRBITA TERRESTRE

    No Brasil, a MARCHA DA HISTÓRIA acontece a primeira vez como farsa, a segunda vez como engodo, a terceira vez como cilada, a quarta vez como embuste, a quinta vez como fraude, a sexta vez como treta e a sétima vez como manobra. Essa é a nossa tragédia.

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    EU SOU RIDÍCULO E ESSE DIÁRIO TAMBÉM É RIDÍCULO

    Aran1

    Sábado, 8 de julho

    Aproveito o frio para confrontar meus demônios interiores. Eles fazem um barulho dos diabos (tam-dam-dam-tsss) e me jogam várias verdades na cara.

    Quem é você, seu idiota?

    Quem é você para ironizar o grande Chico Buarque, o cara com uma obra cultural vastíssima e, de longe, muito mais importante do que a sua? Hein? Um cara que ganhou até Jabuti? E você? Já levou Jabuti pra casa, mesmo que apenas para praticar hábitos libidinosos com o bicho? Você escreveu meia dúzia de livros que ninguém leu, otário, e esquetes sem nenhuma importância para a ordem natural das coisas, seu ridículo!

    Fico na defensiva e os demônios interiores avançam.

    Quem é você para falar do Caetano Veloso? Você inventou o Tropicalismo, por acaso? Quem é você pra criticar a MPB? O que você já fez na vida, seu fracassado? Quem é você para ironizar humoristas que fazem muito mais sucesso do que você, ô babaca? Quem é você para satirizar filósofos que têm muito mais leitores do que você, ô cretino? Quem é você pra escrever “diário”? Hum? Quem é você para falar de gente que deu sangue, suor e lágrimas por esse país, enquanto você fazia… o quê mesmo? Revista de mulher pelada, né? Ok. Então tá. Babaca!

    Trêmulo e inseguro, sou cercado pelos malditos demônios interiores que, encapetados que são, acrescentam sarcasmo ao escárnio e me reduzem a pó.

    Fico quieto e na minha, até que os demônios se afastam. Espero que eles dobrem a esquina e então, com o peito estufado feito um pombo, eu respondo: é isso mesmo, eu sou ridículo!

    Eu sou o comentarista mais ridículo no site mais ridículo do país mais ridículo de um subcontinente ridículo povoado por gente ridícula que cultua ridículos e que colaboram, todo dia, pra deixar tudo ainda mais ridículo.

    Eu sou RIDÍCULO! Você é RIDÍCULO! Nós somos todos RIDÍCULOS!

    Só tem um troço: pelo menos meus demônios interiores me dão um toque.

     

    (Estou de férias. Esse Diário ridículo volta na semana que vem, se eu não me sentir ridículo demais)

     

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    EU SOU RIDÍCULO E ESSE DIÁRIO TAMBÉM É RIDÍCULO

    Sábado, 8 de julho

    Aproveito o frio para confrontar meus demônios interiores. Eles fazem um barulho dos diabos (tam-dam-dam-tsss) e me jogam várias verdades na cara.

    Quem é você, seu idiota?

    Quem é você para ironizar o grande Chico Buarque, o cara com uma obra cultural vastíssima e, de longe, muito mais importante do que a sua? Hein? Um cara que ganhou até Jabuti? E você? Já levou Jabuti pra casa, mesmo que apenas para praticar hábitos libidinosos com o bicho? Você escreveu meia dúzia de livros que ninguém leu, otário, e esquetes sem nenhuma importância para a ordem natural das coisas, seu ridículo!

    Fico na defensiva e os demônios interiores avançam.

    Quem é você para falar do Caetano Veloso? Você inventou o Tropicalismo, por acaso? Quem é você pra criticar a MPB? O que você já fez na vida, seu fracassado? Quem é você para ironizar humoristas que fazem muito mais sucesso do que você, ô babaca? Quem é você para satirizar filósofos que têm muito mais leitores do que você, ô cretino? Quem é você pra escrever “diário”? Hum? Quem é você para falar de gente que deu sangue, suor e lágrimas por esse país, enquanto você fazia… o quê mesmo? Revista de mulher pelada, né? Ok. Então tá. Babaca!

    Trêmulo e inseguro, sou cercado pelos malditos demônios interiores que, encapetados que são, acrescentam sarcasmo ao escárnio e me reduzem a pó.

    Fico quieto e na minha, até que os demônios se afastam. Espero que eles dobrem a esquina e então, com o peito estufado feito um pombo, eu respondo: é isso mesmo, eu sou ridículo!

    Eu sou o comentarista mais ridículo no site mais ridículo do país mais ridículo de um subcontinente ridículo povoado por gente ridícula que cultua ridículos e que colaboram, todo dia, pra deixar tudo ainda mais ridículo.

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    Quem é você, seu idiota?

    Quem é você para ironizar o grande Chico Buarque, o cara com uma obra cultural vastíssima e, de longe, muito mais importante do que a sua? Hein? Um cara que ganhou até Jabuti? E você? Já levou Jabuti pra casa, mesmo que apenas para praticar hábitos libidinosos com o bicho? Você escreveu meia dúzia de livros que ninguém leu, otário, e esquetes sem nenhuma importância para a ordem natural das coisas, seu ridículo!

    Fico na defensiva e os demônios interiores avançam.

    Quem é você para falar do Caetano Veloso? Você inventou o Tropicalismo, por acaso? Quem é você pra criticar a MPB? O que você já fez na vida, seu fracassado? Quem é você para ironizar humoristas que fazem muito mais sucesso do que você, ô babaca? Quem é você para satirizar filósofos que têm muito mais leitores do que você, ô cretino? Quem é você pra escrever “diário”? Hum? Quem é você para falar de gente que deu sangue, suor e lágrimas por esse país, enquanto você fazia… o quê mesmo? Revista de mulher pelada, né? Ok. Então tá. Babaca!

    Trêmulo e inseguro, sou cercado pelos malditos demônios interiores que, encapetados que são, acrescentam sarcasmo ao escárnio e me reduzem a pó.

    Fico quieto e na minha, até que os demônios se afastam. Espero que eles dobrem a esquina e então, com o peito estufado feito um pombo, eu respondo: é isso mesmo, eu sou ridículo!

    Eu sou o comentarista mais ridículo no site mais ridículo do país mais ridículo de um subcontinente ridículo povoado por gente ridícula que cultua ridículos e que colaboram, todo dia, pra deixar tudo ainda mais ridículo.

    Eu sou RIDÍCULO! Você é RIDÍCULO! Nós somos todos RIDÍCULOS!

    Só tem um troço: pelo menos meus demônios interiores me dão um toque.

     

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    CHICO BUARQUE PREFERE ASSINAR MANIFESTO A SALVAR O MUNDO DO APOCALIPSE NUCLEAR. ENTENDA.

    Aran3

    Quinta, 5 de julho

    Telefonema para o glorioso Chico Buarque para evitar o Apocalipse Nuclear.

    Uma voz feminina sexy e sonolenta atende.

    “Monsieur Chicô ne peut pas répondre en ce moment parce qu’il a signé 200 manifestes en faveur de le tripex et le populisme. Il est seulement avec lui-même?”

    Falo que é questão de segurança internacional e mando chamar imediatamente o fenomenal intelectual dos olhos cor de ardósia.

    Explico pro sensual socialista  que minha amiga lésbica Soraião, conhecida atualmente como o “Kim Jong Un da Coréia do Norte”, quer largar a vida de ditadora sanguinária e tentar novamente carreira na MPB. Estudos apontam que a humanidade sofrerá bem menos. Soraião faz, porém, uma exigência: o extraordinário Chico Buarque tem que entrar no disco dela.

    Mas no bom sentido.

    “Sabe o que é”, desconversa o Gigante do Palíndromo, “agora não vai dar porque eu tenho que  finalizar meu disco novo…”

    Digo pro Machado de Assis Revivido deixar o disco novo pra lá. Qualquer bobagem que ele fizer vai ganhar quatro páginas no Segundo Caderno, duas no Caderno 2 e vários orgasmos múltiplos na Ilustrada, com possível suíte na Ilustríssima.

    Além disso, o que é mais importante: a paz mundial ou a babação habitual?

    Sem titubear, Chico responde:

    Você morre de inveja porque eu sou o intelectual mais gostoso do América Latina…”

    “Depois de mim, velho broxa!”, eu digo, irritado.

    O extraordinário escritor e artilheiro fica puto e bate o telefone na minha cara.

    Sinto muito, humanidade. Eu tentei.

    Soraião não perdoará tamanha desfeita e vai mandar míssil pra cima d’El Trumpo. O peruquento proto-fascista vai xingar muito no Twitter e depois bombardear a Coréia do Norte até o país virar o Acre.

    Quando o mundo virar um deserto inóspito feito filme do “Mad Max”, você já sabe: é tudo culpa do Chico Buarque.

    Quase sempre é.

     

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    Falo que é questão de segurança internacional e mando chamar imediatamente o fenomenal intelectual dos olhos cor de ardósia.

    Explico pro sensual socialista  que minha amiga lésbica Soraião, conhecida atualmente como o “Kim Jong Un da Coréia do Norte”, quer largar a vida de ditadora sanguinária e tentar novamente carreira na MPB. Estudos apontam que a humanidade sofrerá bem menos. Soraião faz, porém, uma exigência: o extraordinário Chico Buarque tem que entrar no disco dela.

    Mas no bom sentido.

    “Sabe o que é”, desconversa o Gigante do Palíndromo, “agora não vai dar porque eu tenho que  finalizar meu disco novo…”

    Digo pro Machado de Assis Revivido deixar o disco novo pra lá. Qualquer bobagem que ele fizer vai ganhar quatro páginas no Segundo Caderno, duas no Caderno 2 e vários orgasmos múltiplos na Ilustrada, com possível suíte na Ilustríssima.

    Além disso, o que é mais importante: a paz mundial ou a babação habitual?

    Sem titubear, Chico responde:

    Você morre de inveja porque eu sou o intelectual mais gostoso do América Latina…”

    “Depois de mim, velho broxa!”, eu digo, irritado.

    O extraordinário escritor e artilheiro fica puto e bate o telefone na minha cara.

    Sinto muito, humanidade. Eu tentei.

    Soraião não perdoará tamanha desfeita e vai mandar míssil pra cima d’El Trumpo. O peruquento proto-fascista vai xingar muito no Twitter e depois bombardear a Coréia do Norte até o país virar o Acre.

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    Quinta, 5 de julho

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    “Monsieur Chicô ne peut pas répondre en ce moment parce qu’il a signé 200 manifestes en faveur de le tripex et le populisme. Il est seulement avec lui-même?”

    Falo que é questão de segurança internacional e mando chamar imediatamente o fenomenal intelectual dos olhos cor de ardósia.

    Explico pro sensual socialista  que minha amiga lésbica Soraião, conhecida atualmente como o “Kim Jong Un da Coréia do Norte”, quer largar a vida de ditadora sanguinária e tentar novamente carreira na MPB. Estudos apontam que a humanidade sofrerá bem menos. Soraião faz, porém, uma exigência: o extraordinário Chico Buarque tem que entrar no disco dela.

    Mas no bom sentido.

    “Sabe o que é”, desconversa o Gigante do Palíndromo, “agora não vai dar porque eu tenho que  finalizar meu disco novo…”

    Digo pro Machado de Assis Revivido deixar o disco novo pra lá. Qualquer bobagem que ele fizer vai ganhar quatro páginas no Segundo Caderno, duas no Caderno 2 e vários orgasmos múltiplos na Ilustrada, com possível suíte na Ilustríssima.

    Além disso, o que é mais importante: a paz mundial ou a babação habitual?

    Sem titubear, Chico responde:

    Você morre de inveja porque eu sou o intelectual mais gostoso do América Latina…”

    “Depois de mim, velho broxa!”, eu digo, irritado.

    O extraordinário escritor e artilheiro fica puto e bate o telefone na minha cara.

    Sinto muito, humanidade. Eu tentei.

    Soraião não perdoará tamanha desfeita e vai mandar míssil pra cima d’El Trumpo. O peruquento proto-fascista vai xingar muito no Twitter e depois bombardear a Coréia do Norte até o país virar o Acre.

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    SORAIÃO, DITADORA LÉSBICA DA CORÉIA DO NORTE, SÓ DESISTE DA GUERRA SE GRAVAR COM CHICO BUARQUE

    GTY_kim_jong_un_10_as_160906_11x8_1600

    Terça, 4 de julho

    Kin Jong Un, o Lil’ Kim, supremo ditador da Coréia do Norte, testou um míssil intercontinental e El Donaldo Trumpo reagiu como o esperado: xingou muito no Twitter.

    O mundo segura a respiração com medo do Apocalipse Nuclear. Menos no Brasil, onde o Apocalipse Nuclear seria visto como uma melhora.

    Mas a humanidade pode ficar sussa porque eu, o maior intelectual progressista do Cone Sul, vou resolver essa bagaça.

    Ninguém sabe, mas Lil’ Kim é na realidade minha velha amiga Soraia Passofundo, o Soraião. Nos anos 80, Soraião tinha apenas um sonho: abater qualquer mulher que passasse nas vizinhanças do Ferro’s Bar, em São Paulo, e virar cantora de MPB. Infelizmente, a sociedade cruel e preconceituosa negou os sonhos de Soraião, que se exilou na Coréia do Norte e virou ditadora sanguinária.

    O corte de cabelo, porém, continua o mesmo, assim como os lábios carnudos, o sorriso largo e o gosto pelos uniformes militares.

    Fiz um skype com ela e expliquei que o Ocidente mudou muito e hoje convive bem melhor com as diferenças.

    “Pode jogar fora o arsenal nuclear e voltar a brilhar nos palcos da vida cantando música do Jamelão, queridona”, eu disse.

    Soraião diz que topa, mas quer gravar um LP (CD não serve) com participação especial do Chico Buarque. Respondo que é difícil, mas que vou tentar convencer o do olhão cor-de-ardósia. Afinal, já está mais do que na hora do Chico fazer algo útil para a humanidade, não é mesmo?

    Fica em suspenso aí, mundo.

    Vou informando o progresso da negociação nesse meu implacável diário que ninguém lê.

     

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    SORAIÃO, DITADORA LÉSBICA DA CORÉIA DO NORTE, SÓ DESISTE DA GUERRA SE GRAVAR COM CHICO BUARQUE

    Terça, 4 de julho

    Kin Jong Un, o Lil’ Kim, supremo ditador da Coréia do Norte, testou um míssil intercontinental e El Donaldo Trumpo reagiu como o esperado: xingou muito no Twitter.

    O mundo segura a respiração com medo do Apocalipse Nuclear. Menos no Brasil, onde o Apocalipse Nuclear seria visto como uma melhora.

    Mas a humanidade pode ficar sussa porque eu, o maior intelectual progressista do Cone Sul, vou resolver essa bagaça.

    Ninguém sabe, mas Lil’ Kim é na realidade minha velha amiga Soraia Passofundo, o Soraião. Nos anos 80, Soraião tinha apenas um sonho: abater qualquer mulher que passasse nas vizinhanças do Ferro’s Bar, em São Paulo, e virar cantora de MPB. Infelizmente, a sociedade cruel e preconceituosa negou os sonhos de Soraião, que se exilou na Coréia do Norte e virou ditadora sanguinária.

    O corte de cabelo, porém, continua o mesmo, assim como os lábios carnudos, o sorriso largo e o gosto pelos uniformes militares.

    Fiz um skype com ela e expliquei que o Ocidente mudou muito e hoje convive bem melhor com as diferenças.

    “Pode jogar fora o arsenal nuclear e voltar a brilhar nos palcos da vida cantando música do Jamelão, queridona”, eu disse.

    Soraião diz que topa, mas quer gravar um LP (CD não serve) com participação especial do Chico Buarque. Respondo que é difícil, mas que vou tentar convencer o do olhão cor-de-ardósia. Afinal, já está mais do que na hora do Chico fazer algo útil para a humanidade, não é mesmo?

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    Terça, 4 de julho

    Kin Jong Un, o Lil’ Kim, supremo ditador da Coréia do Norte, testou um míssil intercontinental e El Donaldo Trumpo reagiu como o esperado: xingou muito no Twitter.

    O mundo segura a respiração com medo do Apocalipse Nuclear. Menos no Brasil, onde o Apocalipse Nuclear seria visto como uma melhora.

    Mas a humanidade pode ficar sussa porque eu, o maior intelectual progressista do Cone Sul, vou resolver essa bagaça.

    Ninguém sabe, mas Lil’ Kim é na realidade minha velha amiga Soraia Passofundo, o Soraião. Nos anos 80, Soraião tinha apenas um sonho: abater qualquer mulher que passasse nas vizinhanças do Ferro’s Bar, em São Paulo, e virar cantora de MPB. Infelizmente, a sociedade cruel e preconceituosa negou os sonhos de Soraião, que se exilou na Coréia do Norte e virou ditadora sanguinária.

    O corte de cabelo, porém, continua o mesmo, assim como os lábios carnudos, o sorriso largo e o gosto pelos uniformes militares.

    Fiz um skype com ela e expliquei que o Ocidente mudou muito e hoje convive bem melhor com as diferenças.

    “Pode jogar fora o arsenal nuclear e voltar a brilhar nos palcos da vida cantando música do Jamelão, queridona”, eu disse.

    Soraião diz que topa, mas quer gravar um LP (CD não serve) com participação especial do Chico Buarque. Respondo que é difícil, mas que vou tentar convencer o do olhão cor-de-ardósia. Afinal, já está mais do que na hora do Chico fazer algo útil para a humanidade, não é mesmo?

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    Vou informando o progresso da negociação nesse meu implacável diário que ninguém lê.

     

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    PORQUÊ A BESTA DO BRASILEIRO ADORA UMA DITADURA. ENTENDA.

    Aran1

    Segunda, 3 de julho

    Odisséia, moça que trabalha aqui em casa, entra no escritório e começa a espanar livros, revistas, estantes, cadeiras, eu.

    Quando ela começa com isso é porque quer alguma coisa.

    “Que que foi, Odisséia? Desembucha, mulher!”

    “Sabe o que é, seu Aran, eu estava vendo aquela novela chata da Globo, ‘Os dias eram assim‘, e não entendi nada. Aí pensei: vou perguntar pro seu Aran, que é intelectual progressista e também de esquerda: por quê o povo gosta tanto dessa tal de ditadura, hein, seu Aran?”

    Pois é, Odisséia. Por quê? Vou tentar explicar. Vamos lá.

    Primeira coisa: a obsessão não é com “ditaduras”, mas com uma “ditadura” específica, a militar (1964-1985). A ditadura do Getúlio Vargas (1937-1945), a gente nem liga. E olha que o Fenomenal Gegê era fascista, fã do Hitler e inclusive mandou a Olga Benário, mulher do Luis Carlos Prestes, para a Alemanha, onde ela morreu num campo de concentração. O Inesquecível Gegê censurou jornais, prendeu escritores e humoristas – como o Barão de Itararé – e só não apoiou a nazistada até o fim porque o amigão dele, o Hitler, atacou navios brasileiros e a opinião pública ficou puta da vida. Mas o povo gosta do Extraordinário Gegê porque ele também foi um populista, transformou o Brasil numa imensa burocracia estatal que emprega até hoje milhões de pessoas que ganham muito e não fazem porra nenhuma. É por isso que a gente não liga pra ditadura dele e perdoa até o lance da Olga Benário, que as feministas brasileiras fingem que nem conhecem.

    Segunda coisa: é uma relação sado-masoquista. A Direita Tosca adora bater e a Esquerda Acéfala adora apanhar. Ai, bate que eu gamo, meu amor. Ter vivido durante a Ditadura Militar dá às pessoas uma espécie de Salvo-Conduto. O cara é ladrão, corrupto, safado, chato, mentiroso, mas ELE COMBATEU A DITADURA, YEAH, então ele tem licença pra ser ladrão, corrupto, safado, chato e mentiroso. É muito melhor viver eternamente nesse passado glorioso do que no presente infecto. É tipo um western: por quê o mocinho cavalga pra o por-do-sol depois de matar o bandido? Simples: se ele fica na cidade, vai ter que trabalhar, ganhar uma grana e ser um herói do “dia-a-dia”, o que é muito chato. É muito melhor viver num passado idílico que nunca termina, ora. A confusão é que os dois lados, a Direita Acéfala e a Esquerda Tosca, pensam que são os “heróis” da história, quando são apenas figurantes num dramalhão besta que só faz sentido numa república bananeira como a nossa.

    Terceira coisa: é uma alienação consentida. É muito chato olhar pela janela e ver esse país sofrido, mal tratado, corrompido, assaltado e seviciado. Pior de tudo é saber que os seviciadores de hoje são os seus heróis de infância! O mesmo cowboy valente que matou o vilão se transformou no bandido atual. É melhor falar de outra coisa, mas aí a turma do Leblon vai te chamar de “alienado”, o que também é muito ruim. No entanto, se você se aliena com a ditadura, tudo bem, porque você está falando de uma coisa super cool e coisa e tal. Não importa que já tenhamos 32 (TRINTA E DOIS) anos de democracia contra 21 (VINTE E UM) anos de ditadura. Viver no passado idílico é muito mais bacana, seja você da Esquerda Tosca ou da Direita Acéfala. Aliás, os dois grupos se completam feito ying e yang ou queijo com goiabada. Um depende do outro para brincar de pega-pega nas plantações de bananas.

    Termino minha brilhante explanação. Odisséia me olha perplexa com a mão na cintura e diz:

    “Credemcruz, seu Aran. Só queria saber porque o mocinho não fica com a mocinha na novela chata. Nunca mais te pergunto nada, ôxe!”

    E sai batendo a porta. Desaforada.

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    PORQUÊ A BESTA DO BRASILEIRO ADORA UMA DITADURA. ENTENDA.

    Segunda, 3 de julho

    Odisséia, moça que trabalha aqui em casa, entra no escritório e começa a espanar livros, revistas, estantes, cadeiras, eu.

    Quando ela começa com isso é porque quer alguma coisa.

    “Que que foi, Odisséia? Desembucha, mulher!”

    “Sabe o que é, seu Aran, eu estava vendo aquela novela chata da Globo, ‘Os dias eram assim‘, e não entendi nada. Aí pensei: vou perguntar pro seu Aran, que é intelectual progressista e também de esquerda: por quê o povo gosta tanto dessa tal de ditadura, hein, seu Aran?”

    Pois é, Odisséia. Por quê? Vou tentar explicar. Vamos lá.

    Primeira coisa: a obsessão não é com “ditaduras”, mas com uma “ditadura” específica, a militar (1964-1985). A ditadura do Getúlio Vargas (1937-1945), a gente nem liga. E olha que o Fenomenal Gegê era fascista, fã do Hitler e inclusive mandou a Olga Benário, mulher do Luis Carlos Prestes, para a Alemanha, onde ela morreu num campo de concentração. O Inesquecível Gegê censurou jornais, prendeu escritores e humoristas – como o Barão de Itararé – e só não apoiou a nazistada até o fim porque o amigão dele, o Hitler, atacou navios brasileiros e a opinião pública ficou puta da vida. Mas o povo gosta do Extraordinário Gegê porque ele também foi um populista, transformou o Brasil numa imensa burocracia estatal que emprega até hoje milhões de pessoas que ganham muito e não fazem porra nenhuma. É por isso que a gente não liga pra ditadura dele e perdoa até o lance da Olga Benário, que as feministas brasileiras fingem que nem conhecem.

    Segunda coisa: é uma relação sado-masoquista. A Direita Tosca adora bater e a Esquerda Acéfala adora apanhar. Ai, bate que eu gamo, meu amor. Ter vivido durante a Ditadura Militar dá às pessoas uma espécie de Salvo-Conduto. O cara é ladrão, corrupto, safado, chato, mentiroso, mas ELE COMBATEU A DITADURA, YEAH, então ele tem licença pra ser ladrão, corrupto, safado, chato e mentiroso. É muito melhor viver eternamente nesse passado glorioso do que no presente infecto. É tipo um western: por quê o mocinho cavalga pra o por-do-sol depois de matar o bandido? Simples: se ele fica na cidade, vai ter que trabalhar, ganhar uma grana e ser um herói do “dia-a-dia”, o que é muito chato. É muito melhor viver num passado idílico que nunca termina, ora. A confusão é que os dois lados, a Direita Acéfala e a Esquerda Tosca, pensam que são os “heróis” da história, quando são apenas figurantes num dramalhão besta que só faz sentido numa república bananeira como a nossa.

    Terceira coisa: é uma alienação consentida. É muito chato olhar pela janela e ver esse país sofrido, mal tratado, corrompido, assaltado e seviciado. Pior de tudo é saber que os seviciadores de hoje são os seus heróis de infância! O mesmo cowboy valente que matou o vilão se transformou no bandido atual. É melhor falar de outra coisa, mas aí a turma do Leblon vai te chamar de “alienado”, o que também é muito ruim. No entanto, se você se aliena com a ditadura, tudo bem, porque você está falando de uma coisa super cool e coisa e tal. Não importa que já tenhamos 32 (TRINTA E DOIS) anos de democracia contra 21 (VINTE E UM) anos de ditadura. Viver no passado idílico é muito mais bacana, seja você da Esquerda Tosca ou da Direita Acéfala. Aliás, os dois grupos se completam feito ying e yang ou queijo com goiabada. Um depende do outro para brincar de pega-pega nas plantações de bananas.

    Termino minha brilhante explanação. Odisséia me olha perplexa com a mão na cintura e diz:

    “Credemcruz, seu Aran. Só queria saber porque o mocinho não fica com a mocinha na novela chata. Nunca mais te pergunto nada, ôxe!”

    E sai batendo a porta. Desaforada.

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    PORQUÊ A BESTA DO BRASILEIRO ADORA UMA DITADURA. ENTENDA.

    Segunda, 3 de julho

    Odisséia, moça que trabalha aqui em casa, entra no escritório e começa a espanar livros, revistas, estantes, cadeiras, eu.

    Quando ela começa com isso é porque quer alguma coisa.

    “Que que foi, Odisséia? Desembucha, mulher!”

    “Sabe o que é, seu Aran, eu estava vendo aquela novela chata da Globo, ‘Os dias eram assim‘, e não entendi nada. Aí pensei: vou perguntar pro seu Aran, que é intelectual progressista e também de esquerda: por quê o povo gosta tanto dessa tal de ditadura, hein, seu Aran?”

    Pois é, Odisséia. Por quê? Vou tentar explicar. Vamos lá.

    Primeira coisa: a obsessão não é com “ditaduras”, mas com uma “ditadura” específica, a militar (1964-1985). A ditadura do Getúlio Vargas (1937-1945), a gente nem liga. E olha que o Fenomenal Gegê era fascista, fã do Hitler e inclusive mandou a Olga Benário, mulher do Luis Carlos Prestes, para a Alemanha, onde ela morreu num campo de concentração. O Inesquecível Gegê censurou jornais, prendeu escritores e humoristas – como o Barão de Itararé – e só não apoiou a nazistada até o fim porque o amigão dele, o Hitler, atacou navios brasileiros e a opinião pública ficou puta da vida. Mas o povo gosta do Extraordinário Gegê porque ele também foi um populista, transformou o Brasil numa imensa burocracia estatal que emprega até hoje milhões de pessoas que ganham muito e não fazem porra nenhuma. É por isso que a gente não liga pra ditadura dele e perdoa até o lance da Olga Benário, que as feministas brasileiras fingem que nem conhecem.

    Segunda coisa: é uma relação sado-masoquista. A Direita Tosca adora bater e a Esquerda Acéfala adora apanhar. Ai, bate que eu gamo, meu amor. Ter vivido durante a Ditadura Militar dá às pessoas uma espécie de Salvo-Conduto. O cara é ladrão, corrupto, safado, chato, mentiroso, mas ELE COMBATEU A DITADURA, YEAH, então ele tem licença pra ser ladrão, corrupto, safado, chato e mentiroso. É muito melhor viver eternamente nesse passado glorioso do que no presente infecto. É tipo um western: por quê o mocinho cavalga pra o por-do-sol depois de matar o bandido? Simples: se ele fica na cidade, vai ter que trabalhar, ganhar uma grana e ser um herói do “dia-a-dia”, o que é muito chato. É muito melhor viver num passado idílico que nunca termina, ora. A confusão é que os dois lados, a Direita Acéfala e a Esquerda Tosca, pensam que são os “heróis” da história, quando são apenas figurantes num dramalhão besta que só faz sentido numa república bananeira como a nossa.

    Terceira coisa: é uma alienação consentida. É muito chato olhar pela janela e ver esse país sofrido, mal tratado, corrompido, assaltado e seviciado. Pior de tudo é saber que os seviciadores de hoje são os seus heróis de infância! O mesmo cowboy valente que matou o vilão se transformou no bandido atual. É melhor falar de outra coisa, mas aí a turma do Leblon vai te chamar de “alienado”, o que também é muito ruim. No entanto, se você se aliena com a ditadura, tudo bem, porque você está falando de uma coisa super cool e coisa e tal. Não importa que já tenhamos 32 (TRINTA E DOIS) anos de democracia contra 21 (VINTE E UM) anos de ditadura. Viver no passado idílico é muito mais bacana, seja você da Esquerda Tosca ou da Direita Acéfala. Aliás, os dois grupos se completam feito ying e yang ou queijo com goiabada. Um depende do outro para brincar de pega-pega nas plantações de bananas.

    Termino minha brilhante explanação. Odisséia me olha perplexa com a mão na cintura e diz:

    “Credemcruz, seu Aran. Só queria saber porque o mocinho não fica com a mocinha na novela chata. Nunca mais te pergunto nada, ôxe!”

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    DESVENDANDO TWIN PEAKS: TEM UM COOPER SATANISTA, TIPO O TEMER, E UM COOPER RETARDADO, TIPO O JANOT

    Aran3

    Terça, 27 de junho

    Marcela Temer, a espevitada Mamá, me liga tarde da noite. Fala baixinho para não acordar o marido, que é ciumento e satanista. Mamá acha que agora é pra valer. A dupla sertaneja Janot e Joesley vai catapultar Temer do Planalto e ela vai poder voltar pra São Paulo.

    Não tem Oscar Freire nessa cidade horrorosa“, choraminga Mamá. “Não tem Tifany, não tem Sephora, não tem nada!

    Ela está certa. Brasília é deprimente feito um Capão Redondo. O bicho, não o bairro. O bairro eu nem sei onde fica e estou muito feliz assim, obrigado.

    Qualquer pessoa com alguma noção de urbanismo e senso estético detesta a maquetona de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

    Aliás, só dois tipos de pessoas gostam de Niemeyer no mundo.

    1. Fotógrafo de moda, que adora enfiar mulher magrela naquelas rampas inóspitas.
    2. Gente que precisa do selo de aprovação do partido pra gostar de alguma coisa.

    Falo pra Mamá ficar sussa que daqui a pouco o satanista espirra. Ou expira.

    Mas digo isso só pra que ela desligue o telefone. Quero assistir “Twin Peaks“. Estou quase entendendo tudo. Tem dois “Agentes Cooper”, mas os dois são falsos. Um deles está possuído por um espírito maléfico – como tipo assim, o Michel Temer. O outro se finge de retardado, mas tem uma agenda secreta – como tipo assim, o Rodrigo Janot.

    E enquanto todo mundo tenta entender quem é que manipula as marionetes, o David Lynch empurra a série – como tipo assim, o Brasil.

     

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    DESVENDANDO TWIN PEAKS: TEM UM COOPER SATANISTA, TIPO O TEMER, E UM COOPER RETARDADO, TIPO O JANOT

    Terça, 27 de junho

    Marcela Temer, a espevitada Mamá, me liga tarde da noite. Fala baixinho para não acordar o marido, que é ciumento e satanista. Mamá acha que agora é pra valer. A dupla sertaneja Janot e Joesley vai catapultar Temer do Planalto e ela vai poder voltar pra São Paulo.

    Não tem Oscar Freire nessa cidade horrorosa“, choraminga Mamá. “Não tem Tifany, não tem Sephora, não tem nada!

    Ela está certa. Brasília é deprimente feito um Capão Redondo. O bicho, não o bairro. O bairro eu nem sei onde fica e estou muito feliz assim, obrigado.

    Qualquer pessoa com alguma noção de urbanismo e senso estético detesta a maquetona de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

    Aliás, só dois tipos de pessoas gostam de Niemeyer no mundo.

    1. Fotógrafo de moda, que adora enfiar mulher magrela naquelas rampas inóspitas.
    2. Gente que precisa do selo de aprovação do partido pra gostar de alguma coisa.

    Falo pra Mamá ficar sussa que daqui a pouco o satanista espirra. Ou expira.

    Mas digo isso só pra que ela desligue o telefone. Quero assistir “Twin Peaks“. Estou quase entendendo tudo. Tem dois “Agentes Cooper”, mas os dois são falsos. Um deles está possuído por um espírito maléfico – como tipo assim, o Michel Temer. O outro se finge de retardado, mas tem uma agenda secreta – como tipo assim, o Rodrigo Janot.

    E enquanto todo mundo tenta entender quem é que manipula as marionetes, o David Lynch empurra a série – como tipo assim, o Brasil.

     

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    Marcela Temer, a espevitada Mamá, me liga tarde da noite. Fala baixinho para não acordar o marido, que é ciumento e satanista. Mamá acha que agora é pra valer. A dupla sertaneja Janot e Joesley vai catapultar Temer do Planalto e ela vai poder voltar pra São Paulo.

    Não tem Oscar Freire nessa cidade horrorosa“, choraminga Mamá. “Não tem Tifany, não tem Sephora, não tem nada!

    Ela está certa. Brasília é deprimente feito um Capão Redondo. O bicho, não o bairro. O bairro eu nem sei onde fica e estou muito feliz assim, obrigado.

    Qualquer pessoa com alguma noção de urbanismo e senso estético detesta a maquetona de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

    Aliás, só dois tipos de pessoas gostam de Niemeyer no mundo.

    1. Fotógrafo de moda, que adora enfiar mulher magrela naquelas rampas inóspitas.
    2. Gente que precisa do selo de aprovação do partido pra gostar de alguma coisa.

    Falo pra Mamá ficar sussa que daqui a pouco o satanista espirra. Ou expira.

    Mas digo isso só pra que ela desligue o telefone. Quero assistir “Twin Peaks“. Estou quase entendendo tudo. Tem dois “Agentes Cooper”, mas os dois são falsos. Um deles está possuído por um espírito maléfico – como tipo assim, o Michel Temer. O outro se finge de retardado, mas tem uma agenda secreta – como tipo assim, o Rodrigo Janot.

    E enquanto todo mundo tenta entender quem é que manipula as marionetes, o David Lynch empurra a série – como tipo assim, o Brasil.

     

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    AGORA É O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

    Aran1

    Domingo, 25 de junho

    Encontro um velho amigo na região da Paulista enquanto assisto a um animado conflito entre skatistas e motoristas.

    Esse país não tem mais jeito!“, esbraveja meu amigo, enquanto um dos combatentes usa o skate para arrebentar o espelho retrovisor do carro. O motorista arranca e joga o veiculo  pra cima dos pedestres. Desvio rapidamente para não ser atingido por um rapaz arremessado pelo carro e pergunto ao meu amigo qual a razão de tamanha desilusão.

    Cara, olha isso…”, ele responde, apontando para os skatistas, o carro, a rua Augusta, a Paulista. “Não tem mais jeito. O conflito entre skatistas e motoristas estava agendado para as 10h30, depois do combate entre Feministas e Machistas, que tinha pedido o lugar antes. Agora, isso vai atrasar a batalha das 11h45, que é entre os Black Blocs de Extrema Direita e os Black Blocs de Extrema Esquerda! Assim não dá!’

    Meu amigo trabalha na prefeitura do fulgurante prefeito João Dória na novíssima Secretaria Urbana de Conflitos e Combates, a SEUCOCÔ. Está difícil pra ele, já que o país inteiro está fracionado em grupos fratricidas.

    “Fica calmo… no fim, tudo dá certo“, eu digo, tentando anima-lo um pouco.

    Na esquina, uma senhora que pede intervenção militar sai no tapa com um militante do PSOL. Evito a briga e tento atravessar a rua, sem me envolver na confusão entre devotos do Bolsonaro e discípulos do Lula. Desvio do combate entre a TFP e o PCC, ignoro o o quebra-pau entre promotores e juízes, entro numa lanchonete  e peço uma coca light.

    “Nunca!’, grita o garçom, “Não vou servir esse refrigerante imperialista inventado pelo Sérgio Moro pra destruir a soberania nacional. Aceita um suco de graviola?”  

    Bebo o suco enquanto, na rua, os cidadãos do meu país seguem se agredindo, se xingando, se batendo, se violentando e se arrastando, como se fosse carnaval fora de época.

    Agora é o Inverno do Nosso Descontentamento. Começou dia 21, logo depois do Outono do Desencanto, que foi precedido pelo Verão da Desilusão e pela Primavera da Decepção.

    Depois começa tudo de novo.

     

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    AGORA É O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

    Domingo, 25 de junho

    Encontro um velho amigo na região da Paulista enquanto assisto a um animado conflito entre skatistas e motoristas.

    Esse país não tem mais jeito!“, esbraveja meu amigo, enquanto um dos combatentes usa o skate para arrebentar o espelho retrovisor do carro. O motorista arranca e joga o veiculo  pra cima dos pedestres. Desvio rapidamente para não ser atingido por um rapaz arremessado pelo carro e pergunto ao meu amigo qual a razão de tamanha desilusão.

    Cara, olha isso…”, ele responde, apontando para os skatistas, o carro, a rua Augusta, a Paulista. “Não tem mais jeito. O conflito entre skatistas e motoristas estava agendado para as 10h30, depois do combate entre Feministas e Machistas, que tinha pedido o lugar antes. Agora, isso vai atrasar a batalha das 11h45, que é entre os Black Blocs de Extrema Direita e os Black Blocs de Extrema Esquerda! Assim não dá!’

    Meu amigo trabalha na prefeitura do fulgurante prefeito João Dória na novíssima Secretaria Urbana de Conflitos e Combates, a SEUCOCÔ. Está difícil pra ele, já que o país inteiro está fracionado em grupos fratricidas.

    “Fica calmo… no fim, tudo dá certo“, eu digo, tentando anima-lo um pouco.

    Na esquina, uma senhora que pede intervenção militar sai no tapa com um militante do PSOL. Evito a briga e tento atravessar a rua, sem me envolver na confusão entre devotos do Bolsonaro e discípulos do Lula. Desvio do combate entre a TFP e o PCC, ignoro o o quebra-pau entre promotores e juízes, entro numa lanchonete  e peço uma coca light.

    “Nunca!’, grita o garçom, “Não vou servir esse refrigerante imperialista inventado pelo Sérgio Moro pra destruir a soberania nacional. Aceita um suco de graviola?”  

    Bebo o suco enquanto, na rua, os cidadãos do meu país seguem se agredindo, se xingando, se batendo, se violentando e se arrastando, como se fosse carnaval fora de época.

    Agora é o Inverno do Nosso Descontentamento. Começou dia 21, logo depois do Outono do Desencanto, que foi precedido pelo Verão da Desilusão e pela Primavera da Decepção.

    Depois começa tudo de novo.

     

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    Domingo, 25 de junho

    Encontro um velho amigo na região da Paulista enquanto assisto a um animado conflito entre skatistas e motoristas.

    Esse país não tem mais jeito!“, esbraveja meu amigo, enquanto um dos combatentes usa o skate para arrebentar o espelho retrovisor do carro. O motorista arranca e joga o veiculo  pra cima dos pedestres. Desvio rapidamente para não ser atingido por um rapaz arremessado pelo carro e pergunto ao meu amigo qual a razão de tamanha desilusão.

    Cara, olha isso…”, ele responde, apontando para os skatistas, o carro, a rua Augusta, a Paulista. “Não tem mais jeito. O conflito entre skatistas e motoristas estava agendado para as 10h30, depois do combate entre Feministas e Machistas, que tinha pedido o lugar antes. Agora, isso vai atrasar a batalha das 11h45, que é entre os Black Blocs de Extrema Direita e os Black Blocs de Extrema Esquerda! Assim não dá!’

    Meu amigo trabalha na prefeitura do fulgurante prefeito João Dória na novíssima Secretaria Urbana de Conflitos e Combates, a SEUCOCÔ. Está difícil pra ele, já que o país inteiro está fracionado em grupos fratricidas.

    “Fica calmo… no fim, tudo dá certo“, eu digo, tentando anima-lo um pouco.

    Na esquina, uma senhora que pede intervenção militar sai no tapa com um militante do PSOL. Evito a briga e tento atravessar a rua, sem me envolver na confusão entre devotos do Bolsonaro e discípulos do Lula. Desvio do combate entre a TFP e o PCC, ignoro o o quebra-pau entre promotores e juízes, entro numa lanchonete  e peço uma coca light.

    “Nunca!’, grita o garçom, “Não vou servir esse refrigerante imperialista inventado pelo Sérgio Moro pra destruir a soberania nacional. Aceita um suco de graviola?”  

    Bebo o suco enquanto, na rua, os cidadãos do meu país seguem se agredindo, se xingando, se batendo, se violentando e se arrastando, como se fosse carnaval fora de época.

    Agora é o Inverno do Nosso Descontentamento. Começou dia 21, logo depois do Outono do Desencanto, que foi precedido pelo Verão da Desilusão e pela Primavera da Decepção.

    Depois começa tudo de novo.

     

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