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  • O FALCÃO DILMÊS

    ÚLTIMO CAPÍTULO! A SUBSTÂNCIA DOS QUAIS OS SONHOS SÃO FEITOS. E O QUE É O SONHO?

    Resumo do capítulo anterior: Samuel Espada quebra a quarta parede do livro e encontra a autora do romance.

    – Peraí… livro tem quarta parede? Achei que era só teatro… – observei, enquanto Dilma colocava os pés em cima da mesa presidencial e chupava mate na cuia que pertencera a Getúlio Vargas.

    – Olha, no que se refere a teatro, até agora. Até agora. O que é o teatro? Indubi… dubi… indubi…

    – Dubi dubidu… strangers in the night, exchanging glances, wondering in the night… – uma voz cantarolou no fundo da sala.

    – Frank Sinatra! Era você o tempo todo! – eu disse, virando na cadeira com a arma em punho – Sabia que a máfia estava metida nisso!

    Mas não era Frank Sinatra, era só o Michel Temer.

    (more…)

    ÚLTIMO CAPÍTULO! A SUBSTÂNCIA DOS QUAIS OS SONHOS SÃO FEITOS. E O QUE É O SONHO?

    Resumo do capítulo anterior: Samuel Espada quebra a quarta parede do livro e encontra a autora do romance.

    – Peraí… livro tem quarta parede? Achei que era só teatro… – observei, enquanto Dilma colocava os pés em cima da mesa presidencial e chupava mate na cuia que pertencera a Getúlio Vargas.

    – Olha, no que se refere a teatro, até agora. Até agora. O que é o teatro? Indubi… dubi… indubi…

    – Dubi dubidu… strangers in the night, exchanging glances, wondering in the night… – uma voz cantarolou no fundo da sala.

    – Frank Sinatra! Era você o tempo todo! – eu disse, virando na cadeira com a arma em punho – Sabia que a máfia estava metida nisso!

    Mas não era Frank Sinatra, era só o Michel Temer.

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    ÚLTIMO CAPÍTULO! A SUBSTÂNCIA DOS QUAIS OS SONHOS SÃO FEITOS. E O QUE É O SONHO?

    Resumo do capítulo anterior: Samuel Espada quebra a quarta parede do livro e encontra a autora do romance.

    – Peraí… livro tem quarta parede? Achei que era só teatro… – observei, enquanto Dilma colocava os pés em cima da mesa presidencial e chupava mate na cuia que pertencera a Getúlio Vargas.

    – Olha, no que se refere a teatro, até agora. Até agora. O que é o teatro? Indubi… dubi… indubi…

    – Dubi dubidu… strangers in the night, exchanging glances, wondering in the night… – uma voz cantarolou no fundo da sala.

    – Frank Sinatra! Era você o tempo todo! – eu disse, virando na cadeira com a arma em punho – Sabia que a máfia estava metida nisso!

    Mas não era Frank Sinatra, era só o Michel Temer.

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    O Dilmão Falquês Two: Electric Boogaloo (Por Jotapê Jorge)

    Resumo do capítulo anterior: enquanto a saga de O Falcão Dilmês continua embargada pelo STF, Samuel Espada corre para Brasília para tentar liberar O Dilmão Falquês. Mas antes, uma pergunta. 

     

    — Escuta. O que diabos é Falquês?

    — O Falquês… No que se refere à uma ave de rapina, que é uma ave que sempre tem por trás uma figura oculta que é o meio ambiente, que todos sabem é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.

    Lá estava ela. Serena, o cabelo acaju e os dentes de porcelanato Portobello. Tinha envelhecido muito nos últimos meses, embora parecesse mais feliz do que quando estava envolta no turbilhão de House of Cards: Brazil.

    — Legal, Dilma… Mas o herói da história precisa ter o meu nome?

    — Meu bom companheiro Espada… No que se refere a homenagem está e indubi… Induibi… Idubita… Idutitabi…

    — Indubitavelmente?

    — Isso! Essa é uma homenagem induibitav… Indubitavil…

    — Dilma, eu entendi…

    — É uma homenagem do caralho, é o que eu quero dizer.

    — Mas Dilma, o STF embargou a obra.

    — No que se refere ao STF, nem quem ganhar ou perder vai ganhar ou perder — disse, misteriosa.

    Nesta instante tirou de dentro de uma das gavetas de sua mesa grande e catedralesca uma cuia de mate, que começou a cevar num chimarrão. Naquele momento me lembrei da figura de Getúlio Vargas, o velho gaúcho em seus últimos dias da solidão do poder antes do tiro final. E aí me veio um estalo.

    — Dilma… O que você está fazendo aqui?

    — O que é isso, companheiro?

    — Você não foi impichada?

    — Ah! Essa coisa à toa? No que se refere ao meu impeach… Impicht… Impeach…

    — Impeachment…

    — Isso. No que se refere a esse caralho eu posso dizer que, apesar da pasta de dentifrício nunca voltar para o dentifrício, as notícias do meu impedimento foram largamente exageradas…

    — Como assim?

    — Companheiro, no que se refere à golpes, eu e o Michelzinho demos o maior que o Brasil já viu.

    — Mas como? E por quê!? é para acabar com a previdência? Para acabar com a saúde, a educação? O desenvolvimento? Me explique, Dilma. Me explique!

    — Para vender livros.

    Neste instante Dilma levantou-se e caminhou lentamente até um dos janelões do Planalto. Lá fora a praça dos três poderes se escancarava como Gregória, meu verdadeiro amor.

    — Como assim?

    — Eu nunca quis ser presidenta. Meu único objetivo era escrever este romance. Com as atenções voltadas para mim graças ao impeach… Impiti… Impeati…

    — Impeachment…

    — Isso! Com as atenções voltadas para mim graças a este caralho vou vender milhões e me aposentar em Cuba!

    Um gargalhada sinistra surgiu do âmago daquela criatura, transmutada num vilão de história em quadrinhos, os olhos duros e maléficos.

    — Mas Dilma!

    — E não é só isso… O Temer, que também só queria ser poeta, está trilhando o mesmo caminho.

    — Nããão…!

    — Siiiim!!

    — Mas, mas… Mas e o Brasil…?

    — No que se refere ao Brasil…

    (Continua)

     

     

    O Dilmão Falquês Two: Electric Boogaloo (Por Jotapê Jorge)

    Resumo do capítulo anterior: enquanto a saga de O Falcão Dilmês continua embargada pelo STF, Samuel Espada corre para Brasília para tentar liberar O Dilmão Falquês. Mas antes, uma pergunta. 

     

    — Escuta. O que diabos é Falquês?

    — O Falquês… No que se refere à uma ave de rapina, que é uma ave que sempre tem por trás uma figura oculta que é o meio ambiente, que todos sabem é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.

    Lá estava ela. Serena, o cabelo acaju e os dentes de porcelanato Portobello. Tinha envelhecido muito nos últimos meses, embora parecesse mais feliz do que quando estava envolta no turbilhão de House of Cards: Brazil.

    — Legal, Dilma… Mas o herói da história precisa ter o meu nome?

    — Meu bom companheiro Espada… No que se refere a homenagem está e indubi… Induibi… Idubita… Idutitabi…

    — Indubitavelmente?

    — Isso! Essa é uma homenagem induibitav… Indubitavil…

    — Dilma, eu entendi…

    — É uma homenagem do caralho, é o que eu quero dizer.

    — Mas Dilma, o STF embargou a obra.

    — No que se refere ao STF, nem quem ganhar ou perder vai ganhar ou perder — disse, misteriosa.

    Nesta instante tirou de dentro de uma das gavetas de sua mesa grande e catedralesca uma cuia de mate, que começou a cevar num chimarrão. Naquele momento me lembrei da figura de Getúlio Vargas, o velho gaúcho em seus últimos dias da solidão do poder antes do tiro final. E aí me veio um estalo.

    — Dilma… O que você está fazendo aqui?

    — O que é isso, companheiro?

    — Você não foi impichada?

    — Ah! Essa coisa à toa? No que se refere ao meu impeach… Impicht… Impeach…

    — Impeachment…

    — Isso. No que se refere a esse caralho eu posso dizer que, apesar da pasta de dentifrício nunca voltar para o dentifrício, as notícias do meu impedimento foram largamente exageradas…

    — Como assim?

    — Companheiro, no que se refere à golpes, eu e o Michelzinho demos o maior que o Brasil já viu.

    — Mas como? E por quê!? é para acabar com a previdência? Para acabar com a saúde, a educação? O desenvolvimento? Me explique, Dilma. Me explique!

    — Para vender livros.

    Neste instante Dilma levantou-se e caminhou lentamente até um dos janelões do Planalto. Lá fora a praça dos três poderes se escancarava como Gregória, meu verdadeiro amor.

    — Como assim?

    — Eu nunca quis ser presidenta. Meu único objetivo era escrever este romance. Com as atenções voltadas para mim graças ao impeach… Impiti… Impeati…

    — Impeachment…

    — Isso! Com as atenções voltadas para mim graças a este caralho vou vender milhões e me aposentar em Cuba!

    Um gargalhada sinistra surgiu do âmago daquela criatura, transmutada num vilão de história em quadrinhos, os olhos duros e maléficos.

    — Mas Dilma!

    — E não é só isso… O Temer, que também só queria ser poeta, está trilhando o mesmo caminho.

    — Nããão…!

    — Siiiim!!

    — Mas, mas… Mas e o Brasil…?

    — No que se refere ao Brasil…

    (Continua)

     

     

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    O Dilmão Falquês Two: Electric Boogaloo (Por Jotapê Jorge)

    Resumo do capítulo anterior: enquanto a saga de O Falcão Dilmês continua embargada pelo STF, Samuel Espada corre para Brasília para tentar liberar O Dilmão Falquês. Mas antes, uma pergunta. 

     

    — Escuta. O que diabos é Falquês?

    — O Falquês… No que se refere à uma ave de rapina, que é uma ave que sempre tem por trás uma figura oculta que é o meio ambiente, que todos sabem é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.

    Lá estava ela. Serena, o cabelo acaju e os dentes de porcelanato Portobello. Tinha envelhecido muito nos últimos meses, embora parecesse mais feliz do que quando estava envolta no turbilhão de House of Cards: Brazil.

    — Legal, Dilma… Mas o herói da história precisa ter o meu nome?

    — Meu bom companheiro Espada… No que se refere a homenagem está e indubi… Induibi… Idubita… Idutitabi…

    — Indubitavelmente?

    — Isso! Essa é uma homenagem induibitav… Indubitavil…

    — Dilma, eu entendi…

    — É uma homenagem do caralho, é o que eu quero dizer.

    — Mas Dilma, o STF embargou a obra.

    — No que se refere ao STF, nem quem ganhar ou perder vai ganhar ou perder — disse, misteriosa.

    Nesta instante tirou de dentro de uma das gavetas de sua mesa grande e catedralesca uma cuia de mate, que começou a cevar num chimarrão. Naquele momento me lembrei da figura de Getúlio Vargas, o velho gaúcho em seus últimos dias da solidão do poder antes do tiro final. E aí me veio um estalo.

    — Dilma… O que você está fazendo aqui?

    — O que é isso, companheiro?

    — Você não foi impichada?

    — Ah! Essa coisa à toa? No que se refere ao meu impeach… Impicht… Impeach…

    — Impeachment…

    — Isso. No que se refere a esse caralho eu posso dizer que, apesar da pasta de dentifrício nunca voltar para o dentifrício, as notícias do meu impedimento foram largamente exageradas…

    — Como assim?

    — Companheiro, no que se refere à golpes, eu e o Michelzinho demos o maior que o Brasil já viu.

    — Mas como? E por quê!? é para acabar com a previdência? Para acabar com a saúde, a educação? O desenvolvimento? Me explique, Dilma. Me explique!

    — Para vender livros.

    Neste instante Dilma levantou-se e caminhou lentamente até um dos janelões do Planalto. Lá fora a praça dos três poderes se escancarava como Gregória, meu verdadeiro amor.

    — Como assim?

    — Eu nunca quis ser presidenta. Meu único objetivo era escrever este romance. Com as atenções voltadas para mim graças ao impeach… Impiti… Impeati…

    — Impeachment…

    — Isso! Com as atenções voltadas para mim graças a este caralho vou vender milhões e me aposentar em Cuba!

    Um gargalhada sinistra surgiu do âmago daquela criatura, transmutada num vilão de história em quadrinhos, os olhos duros e maléficos.

    — Mas Dilma!

    — E não é só isso… O Temer, que também só queria ser poeta, está trilhando o mesmo caminho.

    — Nããão…!

    — Siiiim!!

    — Mas, mas… Mas e o Brasil…?

    — No que se refere ao Brasil…

    (Continua)

     

     

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    O DILMÃO FALQUÊS (POR NELSON MORAES)

     

    Resumo do capítulo anterior: a terceira turma do STF reuniu-se em sessão extraordinária, debaixo da mesa, e resolveu que fica suspensa a supensão da supensão da suspensão da publicação do romance da minha, sua, nossa excelência Dilma Rousseff, e enquanto outra decisão não suspende a nova suspensão, o RdB resolveu alterar sutilmente o título da obra, para fugir de um eventual enquadramento.

     

    Rumei a Brasília, em busca do Dilmão Falquês. Para não despertar suspeitas, assim que cheguei à Praça dos Três Poderes me disfarcei de oficial de justiça, que atualmente é a figura mais comum naquelas paragens. Desta forma não chamei a atenção, embora atrás de todo oficial venha uma ordem judicial, e a Justiça é como uma criança que corre atrás de uma bola embora muito profissional da justiça geralmente goste de levar uma bola.

    Na praça, comecei a mostrar a foto de Dilmão aos passantes, perguntando onde eu poderia encontrá-la. Ninguém sabia de quem se tratava, embora demonstrassem ter uma vaga lembrança, que é diferente de lembrança vaga, porque a ordem dos fatores sempre altera o propinoduto. Liberando portanto uma pequena propina aos passantes, consegui o paradeiro de meu alvo.

    Dilmão estava escondida no Palácio do Planalto, que é o último lugar onde pensariam encontrá-la, ainda mais porque o titular do cargo nunca para lá, ou viajando ou participando de missas negras. Quando tirei meu disfarce de oficial de justiça ela não me reconheceu, óbvio, porque na verdade ela nunca me conheceu, o que é diferente de ter me conhecido e esquecido, ou ter me esquecido e conhecido, e neste instante fiz uma confusão tão grande que quase me esqueci de fazer a pergunta que me levara até ela:

    – Escuta. O que diabos é falquês?

    (continua)

     

    O DILMÃO FALQUÊS (POR NELSON MORAES)

     

    Resumo do capítulo anterior: a terceira turma do STF reuniu-se em sessão extraordinária, debaixo da mesa, e resolveu que fica suspensa a supensão da supensão da suspensão da publicação do romance da minha, sua, nossa excelência Dilma Rousseff, e enquanto outra decisão não suspende a nova suspensão, o RdB resolveu alterar sutilmente o título da obra, para fugir de um eventual enquadramento.

     

    Rumei a Brasília, em busca do Dilmão Falquês. Para não despertar suspeitas, assim que cheguei à Praça dos Três Poderes me disfarcei de oficial de justiça, que atualmente é a figura mais comum naquelas paragens. Desta forma não chamei a atenção, embora atrás de todo oficial venha uma ordem judicial, e a Justiça é como uma criança que corre atrás de uma bola embora muito profissional da justiça geralmente goste de levar uma bola.

    Na praça, comecei a mostrar a foto de Dilmão aos passantes, perguntando onde eu poderia encontrá-la. Ninguém sabia de quem se tratava, embora demonstrassem ter uma vaga lembrança, que é diferente de lembrança vaga, porque a ordem dos fatores sempre altera o propinoduto. Liberando portanto uma pequena propina aos passantes, consegui o paradeiro de meu alvo.

    Dilmão estava escondida no Palácio do Planalto, que é o último lugar onde pensariam encontrá-la, ainda mais porque o titular do cargo nunca para lá, ou viajando ou participando de missas negras. Quando tirei meu disfarce de oficial de justiça ela não me reconheceu, óbvio, porque na verdade ela nunca me conheceu, o que é diferente de ter me conhecido e esquecido, ou ter me esquecido e conhecido, e neste instante fiz uma confusão tão grande que quase me esqueci de fazer a pergunta que me levara até ela:

    – Escuta. O que diabos é falquês?

    (continua)

     

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    O DILMÃO FALQUÊS (POR NELSON MORAES)

     

    Resumo do capítulo anterior: a terceira turma do STF reuniu-se em sessão extraordinária, debaixo da mesa, e resolveu que fica suspensa a supensão da supensão da suspensão da publicação do romance da minha, sua, nossa excelência Dilma Rousseff, e enquanto outra decisão não suspende a nova suspensão, o RdB resolveu alterar sutilmente o título da obra, para fugir de um eventual enquadramento.

     

    Rumei a Brasília, em busca do Dilmão Falquês. Para não despertar suspeitas, assim que cheguei à Praça dos Três Poderes me disfarcei de oficial de justiça, que atualmente é a figura mais comum naquelas paragens. Desta forma não chamei a atenção, embora atrás de todo oficial venha uma ordem judicial, e a Justiça é como uma criança que corre atrás de uma bola embora muito profissional da justiça geralmente goste de levar uma bola.

    Na praça, comecei a mostrar a foto de Dilmão aos passantes, perguntando onde eu poderia encontrá-la. Ninguém sabia de quem se tratava, embora demonstrassem ter uma vaga lembrança, que é diferente de lembrança vaga, porque a ordem dos fatores sempre altera o propinoduto. Liberando portanto uma pequena propina aos passantes, consegui o paradeiro de meu alvo.

    Dilmão estava escondida no Palácio do Planalto, que é o último lugar onde pensariam encontrá-la, ainda mais porque o titular do cargo nunca para lá, ou viajando ou participando de missas negras. Quando tirei meu disfarce de oficial de justiça ela não me reconheceu, óbvio, porque na verdade ela nunca me conheceu, o que é diferente de ter me conhecido e esquecido, ou ter me esquecido e conhecido, e neste instante fiz uma confusão tão grande que quase me esqueci de fazer a pergunta que me levara até ela:

    – Escuta. O que diabos é falquês?

    (continua)

     

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    MARCELA, A ESCRAVA BRANCA DE DRÁCULA (por Aran)

    Resumo do capítulo anterior: Samuel Espada revela que é um agente da CIA interessado em destruir a soberania nacional e transformar o Brasil num brejo infecto, atrasado e cheio de corrup… Ih, a CIA já ganhou. Só resta a Samuel Espada voltar a caçar o misterioso Falcão Maltês.

    (more…)

    MARCELA, A ESCRAVA BRANCA DE DRÁCULA (por Aran)

    Resumo do capítulo anterior: Samuel Espada revela que é um agente da CIA interessado em destruir a soberania nacional e transformar o Brasil num brejo infecto, atrasado e cheio de corrup… Ih, a CIA já ganhou. Só resta a Samuel Espada voltar a caçar o misterioso Falcão Maltês.

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    MARCELA, A ESCRAVA BRANCA DE DRÁCULA (por Aran)

    Resumo do capítulo anterior: Samuel Espada revela que é um agente da CIA interessado em destruir a soberania nacional e transformar o Brasil num brejo infecto, atrasado e cheio de corrup… Ih, a CIA já ganhou. Só resta a Samuel Espada voltar a caçar o misterioso Falcão Maltês.

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    11 – Knockin’ On Hell’s Door (Por Renzo Mora)

    Resumo: Samuel Espada, que era um investigador de homicídios da polícia de Porto Alegre, por razões desconhecidas agora divide um escritório como investigador particular com um certo Michel. E, por razões ainda mais misteriosas, ele agora mora com o sócio em um quarto de pensão em uma rua por onde passam taxistas gostosas com sotaque carioca. Ele teve sexo (passivo? ativo?) com um Chefão de língua presa e barba em plena rua. Descobre um “Plano Infalível Para Derrubá-lo”, que por razões ainda mais e mais misteriosas é deixado para ser encontrado por ele. Este é um romance pleno de razões desconhecidas e fatos misteriosos, como podemos ver. Uma confissão pessoal: Tenho uma certa pena dos autores que pegarão a narrativa daqui para a frente, especialmente depois do que farei agora. Amarrem essa, rapazes.

    ♠♣♥♦

    Quando, ainda na Academia de Polícia, fui recrutado pela CIA para ser agente no Brasil pensei que minha vida seria glamorosa. Minha visão de um agente da CIA era a de James Bond – mulheres, lugares exóticos, cassinos, carrões, martinis (shaken, not stirred).
    Demorou algum tempo para eu perceber que Bond era agente do Serviço Secreto Britânico – quem era da CIA era o amigo dele, Felix Leiter, um negão que só se fode e nunca come ninguém.
    Mas nem em meus piores pesadelos eu imaginava que teria que me passar por agente policial e detetive particular para me infiltrar nos casos de interesse da conhecida agência internacional. E que teria que viver em uma pensão de quinta categoria com um desconhecido que insistia ser meu sócio em uma inexistente agência de detetives, cujo nome formava uma rima. Ou que sexo, quando houvesse, seria de natureza homossexual (OK, foi escolha minha, mas quem haveria de resistir àqueles olhos negros como a noite em Viena, quando as estrelas tímidas se escondem e deixam o planeta entregue aos apaixonados; aquela barba grisalha como a de George Clooney; aquele carisma que levantava o ABC com palavras de ordem; que enfrentava bravamente a oposição da imprensa golpista com altivez e algumas agressões aos poderosos e à língua portuguesa?).

    Mas é um preço pequeno a pagar para manter a segurança do Ocidente.
    Nisso, batem à porta.
    Abro e é Gregória.
    Ela não está mais vestida de Marilyn Monroe. Em sua nova encarnação, ela estava de Virginia Lane, a vedete do Brasil que havia seduzido Getúlio Vargas (Googla aí).
    – Espada, não fui totalmente sincera com você – diz ela
    – Isto está virando um triste hábito entre nós dois, não é? – Respondo. Quando quero, sou assim. Sou Foda. Rei do one-liner. Desmonto a mulherada no gogó mesmo.
    Ela tira do decote um distintivo e o joga na mesa
    – Na verdade, meu nome é Dimitra Stalovsky e sou agente do Federal’naya Sluzhba Bezopasnosti Rossiyskoi Federatsii
    – Sei – digo eu. Na verdade, não sei porra nenhuma. Não tenho nenhuma ideia de que porra é aquilo. Ela deve perceber minha confusão, pois esclarece
    – O FSB, o Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, sucessora da KGB. Venho te seguindo há tempos. Sei que você trabalha para a CIA e faz parte de um complô internacional, que une a Globo, as petroleiras internacionais, os tucanos e a Federação Brasileira de Bocha, para entregar o pré-sal para os EUA. O desmonte da Petrobras é parte disso tudo, eu sei. Mas agora eu tenho imagens de seu ato sexual e público com o Chefão e posso destruir sua imagem, sua independência e impedir tudo isso de acontecer. Os investidores russos que estão colocando grana no pré-sal vão agradecer muito ao Sr. Vladimir Putin
    Ri alto.
    – Dimitra, você não entendeu nada. O plano dos EUA é justamente se apoderar da Globo, dos tucanos e da Federação Brasileira de Bocha. Nunca nos interessamos pelo pré-sal. Tolinha.
    Ela parece desconcertada por um momento.
    – Então, tudo o que fizemos até agora foi em vão?
    – Nós, da CIA, estamos sempre um passo à frente de vocês.
    – Então, tem algo que tenho que resolver agora.
    Dimitra enfia as mãos por baixo daquele vestido justo de paetê que Virginia Lane imortalizou na revista musical “Toco Cru Pegando Fogo”. Rebola sensualmente, primeiro para a direita, depois para a esquerda, depois para ambos os lados, em velocidade crescente. Em suas mãos, há uma calcinha minúscula, de renda negra como as brumas da noite estrelada.

    Ela coloca aquela pequena joia em forma de lingerie em minhas mãos trêmulas.
    – Segura isso pra mim que eu tenho que dar uma cagada federal. E se eu fosse você, eu dava uma saída que eu estou prestes a ser vencida por 3 dias do desafio Activia.
    Saio para a noite.
    Mas os sons que ainda escuto da porta do meu apartamento iriam habitar meus pesadelos por muito tempo.
    Corro tapando os ouvidos com minhas mãos.

    11 – Knockin’ On Hell’s Door (Por Renzo Mora)

    Resumo: Samuel Espada, que era um investigador de homicídios da polícia de Porto Alegre, por razões desconhecidas agora divide um escritório como investigador particular com um certo Michel. E, por razões ainda mais misteriosas, ele agora mora com o sócio em um quarto de pensão em uma rua por onde passam taxistas gostosas com sotaque carioca. Ele teve sexo (passivo? ativo?) com um Chefão de língua presa e barba em plena rua. Descobre um “Plano Infalível Para Derrubá-lo”, que por razões ainda mais e mais misteriosas é deixado para ser encontrado por ele. Este é um romance pleno de razões desconhecidas e fatos misteriosos, como podemos ver. Uma confissão pessoal: Tenho uma certa pena dos autores que pegarão a narrativa daqui para a frente, especialmente depois do que farei agora. Amarrem essa, rapazes.

    ♠♣♥♦

    Quando, ainda na Academia de Polícia, fui recrutado pela CIA para ser agente no Brasil pensei que minha vida seria glamorosa. Minha visão de um agente da CIA era a de James Bond – mulheres, lugares exóticos, cassinos, carrões, martinis (shaken, not stirred).
    Demorou algum tempo para eu perceber que Bond era agente do Serviço Secreto Britânico – quem era da CIA era o amigo dele, Felix Leiter, um negão que só se fode e nunca come ninguém.
    Mas nem em meus piores pesadelos eu imaginava que teria que me passar por agente policial e detetive particular para me infiltrar nos casos de interesse da conhecida agência internacional. E que teria que viver em uma pensão de quinta categoria com um desconhecido que insistia ser meu sócio em uma inexistente agência de detetives, cujo nome formava uma rima. Ou que sexo, quando houvesse, seria de natureza homossexual (OK, foi escolha minha, mas quem haveria de resistir àqueles olhos negros como a noite em Viena, quando as estrelas tímidas se escondem e deixam o planeta entregue aos apaixonados; aquela barba grisalha como a de George Clooney; aquele carisma que levantava o ABC com palavras de ordem; que enfrentava bravamente a oposição da imprensa golpista com altivez e algumas agressões aos poderosos e à língua portuguesa?).

    Mas é um preço pequeno a pagar para manter a segurança do Ocidente.
    Nisso, batem à porta.
    Abro e é Gregória.
    Ela não está mais vestida de Marilyn Monroe. Em sua nova encarnação, ela estava de Virginia Lane, a vedete do Brasil que havia seduzido Getúlio Vargas (Googla aí).
    – Espada, não fui totalmente sincera com você – diz ela
    – Isto está virando um triste hábito entre nós dois, não é? – Respondo. Quando quero, sou assim. Sou Foda. Rei do one-liner. Desmonto a mulherada no gogó mesmo.
    Ela tira do decote um distintivo e o joga na mesa
    – Na verdade, meu nome é Dimitra Stalovsky e sou agente do Federal’naya Sluzhba Bezopasnosti Rossiyskoi Federatsii
    – Sei – digo eu. Na verdade, não sei porra nenhuma. Não tenho nenhuma ideia de que porra é aquilo. Ela deve perceber minha confusão, pois esclarece
    – O FSB, o Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, sucessora da KGB. Venho te seguindo há tempos. Sei que você trabalha para a CIA e faz parte de um complô internacional, que une a Globo, as petroleiras internacionais, os tucanos e a Federação Brasileira de Bocha, para entregar o pré-sal para os EUA. O desmonte da Petrobras é parte disso tudo, eu sei. Mas agora eu tenho imagens de seu ato sexual e público com o Chefão e posso destruir sua imagem, sua independência e impedir tudo isso de acontecer. Os investidores russos que estão colocando grana no pré-sal vão agradecer muito ao Sr. Vladimir Putin
    Ri alto.
    – Dimitra, você não entendeu nada. O plano dos EUA é justamente se apoderar da Globo, dos tucanos e da Federação Brasileira de Bocha. Nunca nos interessamos pelo pré-sal. Tolinha.
    Ela parece desconcertada por um momento.
    – Então, tudo o que fizemos até agora foi em vão?
    – Nós, da CIA, estamos sempre um passo à frente de vocês.
    – Então, tem algo que tenho que resolver agora.
    Dimitra enfia as mãos por baixo daquele vestido justo de paetê que Virginia Lane imortalizou na revista musical “Toco Cru Pegando Fogo”. Rebola sensualmente, primeiro para a direita, depois para a esquerda, depois para ambos os lados, em velocidade crescente. Em suas mãos, há uma calcinha minúscula, de renda negra como as brumas da noite estrelada.

    Ela coloca aquela pequena joia em forma de lingerie em minhas mãos trêmulas.
    – Segura isso pra mim que eu tenho que dar uma cagada federal. E se eu fosse você, eu dava uma saída que eu estou prestes a ser vencida por 3 dias do desafio Activia.
    Saio para a noite.
    Mas os sons que ainda escuto da porta do meu apartamento iriam habitar meus pesadelos por muito tempo.
    Corro tapando os ouvidos com minhas mãos.

    [ssba]

    11 – Knockin’ On Hell’s Door (Por Renzo Mora)

    Resumo: Samuel Espada, que era um investigador de homicídios da polícia de Porto Alegre, por razões desconhecidas agora divide um escritório como investigador particular com um certo Michel. E, por razões ainda mais misteriosas, ele agora mora com o sócio em um quarto de pensão em uma rua por onde passam taxistas gostosas com sotaque carioca. Ele teve sexo (passivo? ativo?) com um Chefão de língua presa e barba em plena rua. Descobre um “Plano Infalível Para Derrubá-lo”, que por razões ainda mais e mais misteriosas é deixado para ser encontrado por ele. Este é um romance pleno de razões desconhecidas e fatos misteriosos, como podemos ver. Uma confissão pessoal: Tenho uma certa pena dos autores que pegarão a narrativa daqui para a frente, especialmente depois do que farei agora. Amarrem essa, rapazes.

    ♠♣♥♦

    Quando, ainda na Academia de Polícia, fui recrutado pela CIA para ser agente no Brasil pensei que minha vida seria glamorosa. Minha visão de um agente da CIA era a de James Bond – mulheres, lugares exóticos, cassinos, carrões, martinis (shaken, not stirred).
    Demorou algum tempo para eu perceber que Bond era agente do Serviço Secreto Britânico – quem era da CIA era o amigo dele, Felix Leiter, um negão que só se fode e nunca come ninguém.
    Mas nem em meus piores pesadelos eu imaginava que teria que me passar por agente policial e detetive particular para me infiltrar nos casos de interesse da conhecida agência internacional. E que teria que viver em uma pensão de quinta categoria com um desconhecido que insistia ser meu sócio em uma inexistente agência de detetives, cujo nome formava uma rima. Ou que sexo, quando houvesse, seria de natureza homossexual (OK, foi escolha minha, mas quem haveria de resistir àqueles olhos negros como a noite em Viena, quando as estrelas tímidas se escondem e deixam o planeta entregue aos apaixonados; aquela barba grisalha como a de George Clooney; aquele carisma que levantava o ABC com palavras de ordem; que enfrentava bravamente a oposição da imprensa golpista com altivez e algumas agressões aos poderosos e à língua portuguesa?).

    Mas é um preço pequeno a pagar para manter a segurança do Ocidente.
    Nisso, batem à porta.
    Abro e é Gregória.
    Ela não está mais vestida de Marilyn Monroe. Em sua nova encarnação, ela estava de Virginia Lane, a vedete do Brasil que havia seduzido Getúlio Vargas (Googla aí).
    – Espada, não fui totalmente sincera com você – diz ela
    – Isto está virando um triste hábito entre nós dois, não é? – Respondo. Quando quero, sou assim. Sou Foda. Rei do one-liner. Desmonto a mulherada no gogó mesmo.
    Ela tira do decote um distintivo e o joga na mesa
    – Na verdade, meu nome é Dimitra Stalovsky e sou agente do Federal’naya Sluzhba Bezopasnosti Rossiyskoi Federatsii
    – Sei – digo eu. Na verdade, não sei porra nenhuma. Não tenho nenhuma ideia de que porra é aquilo. Ela deve perceber minha confusão, pois esclarece
    – O FSB, o Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, sucessora da KGB. Venho te seguindo há tempos. Sei que você trabalha para a CIA e faz parte de um complô internacional, que une a Globo, as petroleiras internacionais, os tucanos e a Federação Brasileira de Bocha, para entregar o pré-sal para os EUA. O desmonte da Petrobras é parte disso tudo, eu sei. Mas agora eu tenho imagens de seu ato sexual e público com o Chefão e posso destruir sua imagem, sua independência e impedir tudo isso de acontecer. Os investidores russos que estão colocando grana no pré-sal vão agradecer muito ao Sr. Vladimir Putin
    Ri alto.
    – Dimitra, você não entendeu nada. O plano dos EUA é justamente se apoderar da Globo, dos tucanos e da Federação Brasileira de Bocha. Nunca nos interessamos pelo pré-sal. Tolinha.
    Ela parece desconcertada por um momento.
    – Então, tudo o que fizemos até agora foi em vão?
    – Nós, da CIA, estamos sempre um passo à frente de vocês.
    – Então, tem algo que tenho que resolver agora.
    Dimitra enfia as mãos por baixo daquele vestido justo de paetê que Virginia Lane imortalizou na revista musical “Toco Cru Pegando Fogo”. Rebola sensualmente, primeiro para a direita, depois para a esquerda, depois para ambos os lados, em velocidade crescente. Em suas mãos, há uma calcinha minúscula, de renda negra como as brumas da noite estrelada.

    Ela coloca aquela pequena joia em forma de lingerie em minhas mãos trêmulas.
    – Segura isso pra mim que eu tenho que dar uma cagada federal. E se eu fosse você, eu dava uma saída que eu estou prestes a ser vencida por 3 dias do desafio Activia.
    Saio para a noite.
    Mas os sons que ainda escuto da porta do meu apartamento iriam habitar meus pesadelos por muito tempo.
    Corro tapando os ouvidos com minhas mãos.

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    Capítulo 10 (ou 9?): aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo (por Jotapê...

    Resumo do Capítulo Anterior: Acontece um beijo no asfalto. O Poderoso Chefão morre levando consigo a virgindade de Samuel, agora ex-Espada.

    ♠♣♥♦

    Vou caminhando lentamente pela rua, afastando-me o mais possível dos escombros do Bar do Moe. Nos lábios carrego o gosto amargo do corpo do Poderoso Chefão. A cena de sodomia em praça pública atraiu a atenção dos transeuntes, que são aquelas pessoas que não têm mais nada o que fazer.

    Em minha mente uma miríade de pensamentos. Será que a figura oculta por trás de Samuel Espada era um homossexual? Mas eu sou Espada, porra! Não consigo pensar direito. Minha cabeça parece estocar uma ventania. Uma garoa fina começa. Vou caminhando em busca de um bar aberto para que possa beber e tentar esquecer as lembranças duras (ai) do meu Poderoso Chefão. Mas não encontro nada. Só uma lanchonete do Habib’s. Entro e dou de cara com meu fiel escudeiro Michel, sócio na agência “El, el, el, é a Agência do Samuel e do Michel Detetives Associados”.

    — Michel, companheiro!

    Ele está um pouco encabulado, parece até assustado em me ver. Suas mãos estavam imundas com uma substância vermelha que eu, em meu poder de dedução, presumi ser ketchup.

    — Está cada vez mais difícil fugir de mim! — exclamou.

    — Por onde você andou! Estou no meio de um caso muito maluco. Parece até que está sendo escrito por uma presidenta que não diz nada com coisa. Ou por um bando de humoristas, o que vier primeiro.

    — Se eu pudesse não continuaria.

    — Ai, ai, ai, Michel! Parece que mataram um empreiteiro. Eu não estou mais entendendo nada.

    — Um homem sem causa nada causa — falou, levantando-se bruscamente e sumindo na noite.

    Não achei nada aquilo estranho.

    Pedi duas esfihas de carne e um kibe com cremily, mas em tudo só pude sentir o gosto ocre do Poderoso Chefão. Por fim levantei e fui para rua pedir um táxi. Um Chevette Hatch 1980 Vermelho Álamo para para (maldito acordo ortográfico do Poderoso Chefão!) me socorrer. Dentro dele uma loura fatal.

    — Vai para onde, chefia?

    A loura é uma uva. Parece uma mistura entre Léa Seydoyx e Adèle Exarchopoulos, mas como sotaque do Meiér. Só que minha espadinha não dá nem sinal de vida. Só consigo pensar no Poderoso Chefão, sua barba máscula roçando em minha nuca, sua língua presa explorando cada centímetro do meu corpo viril. Sinto um arrepio. Impaciente a motorista pergunte mais uma vez:

    — Coé, chefia, não tenho tempo para ficar esperando aqui, não!

    — Para longe daqui… — digo misterioso como a queda da popularidade de uma grande presidenta, uma mulher que é a mãe do PAC, que criou o Prouni e o Mais Médicos.

    — Ih, mermão… Eu tô meio sem gasolina. Não dá para ir muito longe, não.

    — Então me leve para meu apartamento.

    Cheguei a pensão onde morava, dividindo um quarto com Michel. Ele não estava, mas em seu criado-mudo pude ver um punhal ensanguentado, uma fotografia da cena do crime e um caderno aberto na página “Plano Infalível para Derrubar o Espada”.

    Não achei nada daquilo estranho.

     

    Capítulo 10 (ou 9?): aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo (por Jotapê...

    Resumo do Capítulo Anterior: Acontece um beijo no asfalto. O Poderoso Chefão morre levando consigo a virgindade de Samuel, agora ex-Espada.

    ♠♣♥♦

    Vou caminhando lentamente pela rua, afastando-me o mais possível dos escombros do Bar do Moe. Nos lábios carrego o gosto amargo do corpo do Poderoso Chefão. A cena de sodomia em praça pública atraiu a atenção dos transeuntes, que são aquelas pessoas que não têm mais nada o que fazer.

    Em minha mente uma miríade de pensamentos. Será que a figura oculta por trás de Samuel Espada era um homossexual? Mas eu sou Espada, porra! Não consigo pensar direito. Minha cabeça parece estocar uma ventania. Uma garoa fina começa. Vou caminhando em busca de um bar aberto para que possa beber e tentar esquecer as lembranças duras (ai) do meu Poderoso Chefão. Mas não encontro nada. Só uma lanchonete do Habib’s. Entro e dou de cara com meu fiel escudeiro Michel, sócio na agência “El, el, el, é a Agência do Samuel e do Michel Detetives Associados”.

    — Michel, companheiro!

    Ele está um pouco encabulado, parece até assustado em me ver. Suas mãos estavam imundas com uma substância vermelha que eu, em meu poder de dedução, presumi ser ketchup.

    — Está cada vez mais difícil fugir de mim! — exclamou.

    — Por onde você andou! Estou no meio de um caso muito maluco. Parece até que está sendo escrito por uma presidenta que não diz nada com coisa. Ou por um bando de humoristas, o que vier primeiro.

    — Se eu pudesse não continuaria.

    — Ai, ai, ai, Michel! Parece que mataram um empreiteiro. Eu não estou mais entendendo nada.

    — Um homem sem causa nada causa — falou, levantando-se bruscamente e sumindo na noite.

    Não achei nada aquilo estranho.

    Pedi duas esfihas de carne e um kibe com cremily, mas em tudo só pude sentir o gosto ocre do Poderoso Chefão. Por fim levantei e fui para rua pedir um táxi. Um Chevette Hatch 1980 Vermelho Álamo para para (maldito acordo ortográfico do Poderoso Chefão!) me socorrer. Dentro dele uma loura fatal.

    — Vai para onde, chefia?

    A loura é uma uva. Parece uma mistura entre Léa Seydoyx e Adèle Exarchopoulos, mas como sotaque do Meiér. Só que minha espadinha não dá nem sinal de vida. Só consigo pensar no Poderoso Chefão, sua barba máscula roçando em minha nuca, sua língua presa explorando cada centímetro do meu corpo viril. Sinto um arrepio. Impaciente a motorista pergunte mais uma vez:

    — Coé, chefia, não tenho tempo para ficar esperando aqui, não!

    — Para longe daqui… — digo misterioso como a queda da popularidade de uma grande presidenta, uma mulher que é a mãe do PAC, que criou o Prouni e o Mais Médicos.

    — Ih, mermão… Eu tô meio sem gasolina. Não dá para ir muito longe, não.

    — Então me leve para meu apartamento.

    Cheguei a pensão onde morava, dividindo um quarto com Michel. Ele não estava, mas em seu criado-mudo pude ver um punhal ensanguentado, uma fotografia da cena do crime e um caderno aberto na página “Plano Infalível para Derrubar o Espada”.

    Não achei nada daquilo estranho.

     

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    Capítulo 10 (ou 9?): aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo (por Jotapê...

    Resumo do Capítulo Anterior: Acontece um beijo no asfalto. O Poderoso Chefão morre levando consigo a virgindade de Samuel, agora ex-Espada.

    ♠♣♥♦

    Vou caminhando lentamente pela rua, afastando-me o mais possível dos escombros do Bar do Moe. Nos lábios carrego o gosto amargo do corpo do Poderoso Chefão. A cena de sodomia em praça pública atraiu a atenção dos transeuntes, que são aquelas pessoas que não têm mais nada o que fazer.

    Em minha mente uma miríade de pensamentos. Será que a figura oculta por trás de Samuel Espada era um homossexual? Mas eu sou Espada, porra! Não consigo pensar direito. Minha cabeça parece estocar uma ventania. Uma garoa fina começa. Vou caminhando em busca de um bar aberto para que possa beber e tentar esquecer as lembranças duras (ai) do meu Poderoso Chefão. Mas não encontro nada. Só uma lanchonete do Habib’s. Entro e dou de cara com meu fiel escudeiro Michel, sócio na agência “El, el, el, é a Agência do Samuel e do Michel Detetives Associados”.

    — Michel, companheiro!

    Ele está um pouco encabulado, parece até assustado em me ver. Suas mãos estavam imundas com uma substância vermelha que eu, em meu poder de dedução, presumi ser ketchup.

    — Está cada vez mais difícil fugir de mim! — exclamou.

    — Por onde você andou! Estou no meio de um caso muito maluco. Parece até que está sendo escrito por uma presidenta que não diz nada com coisa. Ou por um bando de humoristas, o que vier primeiro.

    — Se eu pudesse não continuaria.

    — Ai, ai, ai, Michel! Parece que mataram um empreiteiro. Eu não estou mais entendendo nada.

    — Um homem sem causa nada causa — falou, levantando-se bruscamente e sumindo na noite.

    Não achei nada aquilo estranho.

    Pedi duas esfihas de carne e um kibe com cremily, mas em tudo só pude sentir o gosto ocre do Poderoso Chefão. Por fim levantei e fui para rua pedir um táxi. Um Chevette Hatch 1980 Vermelho Álamo para para (maldito acordo ortográfico do Poderoso Chefão!) me socorrer. Dentro dele uma loura fatal.

    — Vai para onde, chefia?

    A loura é uma uva. Parece uma mistura entre Léa Seydoyx e Adèle Exarchopoulos, mas como sotaque do Meiér. Só que minha espadinha não dá nem sinal de vida. Só consigo pensar no Poderoso Chefão, sua barba máscula roçando em minha nuca, sua língua presa explorando cada centímetro do meu corpo viril. Sinto um arrepio. Impaciente a motorista pergunte mais uma vez:

    — Coé, chefia, não tenho tempo para ficar esperando aqui, não!

    — Para longe daqui… — digo misterioso como a queda da popularidade de uma grande presidenta, uma mulher que é a mãe do PAC, que criou o Prouni e o Mais Médicos.

    — Ih, mermão… Eu tô meio sem gasolina. Não dá para ir muito longe, não.

    — Então me leve para meu apartamento.

    Cheguei a pensão onde morava, dividindo um quarto com Michel. Ele não estava, mas em seu criado-mudo pude ver um punhal ensanguentado, uma fotografia da cena do crime e um caderno aberto na página “Plano Infalível para Derrubar o Espada”.

    Não achei nada daquilo estranho.

     

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    Na Galeria do Amor (Onde Gente Que É Gente Se Entende) – Por Renzo Mora

    Resumo do Capítulo Anterior: Há uma explosão no bar do Moe e Sam está ao lado do Poderoso Chefão.

    ♠♣♥♦

    Acordo em meio às brumas do que já foi o bar do Moe.

    Ao meu lado, está o Poderoso Chefão. Afasto a fumaça com as mãos.

    – Você está ferido? – Pergunto eu

    Ele olha para a mão, para o dedo que falta e ri

    – Não, Sam. Este dedo já partiu há muito tempo. Pena. Ele não viu muita coisa. Minha ascensão aos píncaros da glória. Minha vitória sobre a burguesia que ria de meus sonhos de conquista. Meu desejo de ajudar a eleger a maior líder popular do universo, uma mulher que fosse um farol para iluminar o horizonte de todos os governos, que fosse a Mãe do PAC. Mas agora forças ocultas e terríveis se colocam contra mim, Sam. Os píncaros da glória são bons, Sam. Trazem amigos, donos de empreiteiras, bons vinhos, amantes bundudas. Mas eles trazem inimigos. A mídia burguesa não quer ver um homem do povo liderando uma nação. Eles não gostam de ver pobre em avião. Isso vem desde Santos Dumont. Ele levou algum pobre no 14 Bis? Não. Só ia ele, aquele burguesinho maldito. O que me restou dos píncaros? Juízes que me perseguem. Gente que me vaia em restaurantes. Uma classe média que bate panelas em varandas gourmets contra meus discursos. Vou te revelar a verdade. Eu me infiltrei no clube de sósias como imitador de mim mesmo. Foi duro entrar. Muita gente me imita. Lembra quando o Charles Chaplin entrou em um concurso de imitador de Carlitos e ficou em último lugar? Comigo foi parecido. Mas a demanda por meus imitadores foi caindo e eventualmente eu entrei na vaga, à medida em que os demais foram desistindo. Foi quando sugeri à Gregória que te levasse o Falcão com uma mensagem. Gregória. Grandes pernas. Mas um QI mínimo, como o PIB do Brasil, apesar das acertadas medidas anticíclicas adotadas pelo governo deposto pelos golpistas. O homem morto era um empreiteiro muito poderoso que ia fazer uma delação que ia mexer com a estrutura do Brasil. Sua morte foi a melhor solução para todo o país. Mas é preciso afastar a polícia dos criminosos verdadeiros. É preciso arrumar um bode expiatório…

    Ao proferir a palavra expiatório, o chefão cobriu meu rosto de perdigotos. Caso clássico de anquiloglossia. A pequena membrana que fica abaixo da língua é menor do que o normal, impedindo o órgão de se movimentar livremente.

    O Chefão toma minhas mãos entre as dele

    – Me ajude, Sam. Vamos juntos salvar o que resta deste país.- apela ele

    Não resisto. Aquela barba. Aqueles olhos. Aquela voz roufenha. Aquele ar messiânico. Aquela fumaça intoxicante das chamas do bar. As entranhas do Moe enfeitando a rua qual rubros adornos precoces de natal. Ao invés de algodão imitando neve, intestinos pendurados nos postes elétricos ainda pingando sangue e sua última refeição – que meus olhos treinados identificam como  uma feijoada light com cerveja Devassa morna. O som das sirenes dos bombeiros se aproximando.

    Tomo o rosto do Chefão em minhas mão e beijo seus lábios molhados de maracujá. Ele inicialmente resiste.

    Mas, por fim, me diz “Me chama de menino do MEP, me põe no colo, me deita no solo e me faz mulher”

    Nos amamos na rua.

    Súbito, somos um só corpo, um só desejo, uma só respiração, uma mesma alma.

    O Coronel Mostarda sai do bar segurando os intestinos. Nosso ato furioso e ainda assim apaixonado de amor é a a última coisa que suas retinas fatigadas registram  antes de ele cair morto.

    Jamais saberemos quem ele era ou seu papel nesta história.

    Na Galeria do Amor (Onde Gente Que É Gente Se Entende) – Por Renzo Mora

    Resumo do Capítulo Anterior: Há uma explosão no bar do Moe e Sam está ao lado do Poderoso Chefão.

    ♠♣♥♦

    Acordo em meio às brumas do que já foi o bar do Moe.

    Ao meu lado, está o Poderoso Chefão. Afasto a fumaça com as mãos.

    – Você está ferido? – Pergunto eu

    Ele olha para a mão, para o dedo que falta e ri

    – Não, Sam. Este dedo já partiu há muito tempo. Pena. Ele não viu muita coisa. Minha ascensão aos píncaros da glória. Minha vitória sobre a burguesia que ria de meus sonhos de conquista. Meu desejo de ajudar a eleger a maior líder popular do universo, uma mulher que fosse um farol para iluminar o horizonte de todos os governos, que fosse a Mãe do PAC. Mas agora forças ocultas e terríveis se colocam contra mim, Sam. Os píncaros da glória são bons, Sam. Trazem amigos, donos de empreiteiras, bons vinhos, amantes bundudas. Mas eles trazem inimigos. A mídia burguesa não quer ver um homem do povo liderando uma nação. Eles não gostam de ver pobre em avião. Isso vem desde Santos Dumont. Ele levou algum pobre no 14 Bis? Não. Só ia ele, aquele burguesinho maldito. O que me restou dos píncaros? Juízes que me perseguem. Gente que me vaia em restaurantes. Uma classe média que bate panelas em varandas gourmets contra meus discursos. Vou te revelar a verdade. Eu me infiltrei no clube de sósias como imitador de mim mesmo. Foi duro entrar. Muita gente me imita. Lembra quando o Charles Chaplin entrou em um concurso de imitador de Carlitos e ficou em último lugar? Comigo foi parecido. Mas a demanda por meus imitadores foi caindo e eventualmente eu entrei na vaga, à medida em que os demais foram desistindo. Foi quando sugeri à Gregória que te levasse o Falcão com uma mensagem. Gregória. Grandes pernas. Mas um QI mínimo, como o PIB do Brasil, apesar das acertadas medidas anticíclicas adotadas pelo governo deposto pelos golpistas. O homem morto era um empreiteiro muito poderoso que ia fazer uma delação que ia mexer com a estrutura do Brasil. Sua morte foi a melhor solução para todo o país. Mas é preciso afastar a polícia dos criminosos verdadeiros. É preciso arrumar um bode expiatório…

    Ao proferir a palavra expiatório, o chefão cobriu meu rosto de perdigotos. Caso clássico de anquiloglossia. A pequena membrana que fica abaixo da língua é menor do que o normal, impedindo o órgão de se movimentar livremente.

    O Chefão toma minhas mãos entre as dele

    – Me ajude, Sam. Vamos juntos salvar o que resta deste país.- apela ele

    Não resisto. Aquela barba. Aqueles olhos. Aquela voz roufenha. Aquele ar messiânico. Aquela fumaça intoxicante das chamas do bar. As entranhas do Moe enfeitando a rua qual rubros adornos precoces de natal. Ao invés de algodão imitando neve, intestinos pendurados nos postes elétricos ainda pingando sangue e sua última refeição – que meus olhos treinados identificam como  uma feijoada light com cerveja Devassa morna. O som das sirenes dos bombeiros se aproximando.

    Tomo o rosto do Chefão em minhas mão e beijo seus lábios molhados de maracujá. Ele inicialmente resiste.

    Mas, por fim, me diz “Me chama de menino do MEP, me põe no colo, me deita no solo e me faz mulher”

    Nos amamos na rua.

    Súbito, somos um só corpo, um só desejo, uma só respiração, uma mesma alma.

    O Coronel Mostarda sai do bar segurando os intestinos. Nosso ato furioso e ainda assim apaixonado de amor é a a última coisa que suas retinas fatigadas registram  antes de ele cair morto.

    Jamais saberemos quem ele era ou seu papel nesta história.

    [ssba]

    Na Galeria do Amor (Onde Gente Que É Gente Se Entende) – Por Renzo Mora

    Resumo do Capítulo Anterior: Há uma explosão no bar do Moe e Sam está ao lado do Poderoso Chefão.

    ♠♣♥♦

    Acordo em meio às brumas do que já foi o bar do Moe.

    Ao meu lado, está o Poderoso Chefão. Afasto a fumaça com as mãos.

    – Você está ferido? – Pergunto eu

    Ele olha para a mão, para o dedo que falta e ri

    – Não, Sam. Este dedo já partiu há muito tempo. Pena. Ele não viu muita coisa. Minha ascensão aos píncaros da glória. Minha vitória sobre a burguesia que ria de meus sonhos de conquista. Meu desejo de ajudar a eleger a maior líder popular do universo, uma mulher que fosse um farol para iluminar o horizonte de todos os governos, que fosse a Mãe do PAC. Mas agora forças ocultas e terríveis se colocam contra mim, Sam. Os píncaros da glória são bons, Sam. Trazem amigos, donos de empreiteiras, bons vinhos, amantes bundudas. Mas eles trazem inimigos. A mídia burguesa não quer ver um homem do povo liderando uma nação. Eles não gostam de ver pobre em avião. Isso vem desde Santos Dumont. Ele levou algum pobre no 14 Bis? Não. Só ia ele, aquele burguesinho maldito. O que me restou dos píncaros? Juízes que me perseguem. Gente que me vaia em restaurantes. Uma classe média que bate panelas em varandas gourmets contra meus discursos. Vou te revelar a verdade. Eu me infiltrei no clube de sósias como imitador de mim mesmo. Foi duro entrar. Muita gente me imita. Lembra quando o Charles Chaplin entrou em um concurso de imitador de Carlitos e ficou em último lugar? Comigo foi parecido. Mas a demanda por meus imitadores foi caindo e eventualmente eu entrei na vaga, à medida em que os demais foram desistindo. Foi quando sugeri à Gregória que te levasse o Falcão com uma mensagem. Gregória. Grandes pernas. Mas um QI mínimo, como o PIB do Brasil, apesar das acertadas medidas anticíclicas adotadas pelo governo deposto pelos golpistas. O homem morto era um empreiteiro muito poderoso que ia fazer uma delação que ia mexer com a estrutura do Brasil. Sua morte foi a melhor solução para todo o país. Mas é preciso afastar a polícia dos criminosos verdadeiros. É preciso arrumar um bode expiatório…

    Ao proferir a palavra expiatório, o chefão cobriu meu rosto de perdigotos. Caso clássico de anquiloglossia. A pequena membrana que fica abaixo da língua é menor do que o normal, impedindo o órgão de se movimentar livremente.

    O Chefão toma minhas mãos entre as dele

    – Me ajude, Sam. Vamos juntos salvar o que resta deste país.- apela ele

    Não resisto. Aquela barba. Aqueles olhos. Aquela voz roufenha. Aquele ar messiânico. Aquela fumaça intoxicante das chamas do bar. As entranhas do Moe enfeitando a rua qual rubros adornos precoces de natal. Ao invés de algodão imitando neve, intestinos pendurados nos postes elétricos ainda pingando sangue e sua última refeição – que meus olhos treinados identificam como  uma feijoada light com cerveja Devassa morna. O som das sirenes dos bombeiros se aproximando.

    Tomo o rosto do Chefão em minhas mão e beijo seus lábios molhados de maracujá. Ele inicialmente resiste.

    Mas, por fim, me diz “Me chama de menino do MEP, me põe no colo, me deita no solo e me faz mulher”

    Nos amamos na rua.

    Súbito, somos um só corpo, um só desejo, uma só respiração, uma mesma alma.

    O Coronel Mostarda sai do bar segurando os intestinos. Nosso ato furioso e ainda assim apaixonado de amor é a a última coisa que suas retinas fatigadas registram  antes de ele cair morto.

    Jamais saberemos quem ele era ou seu papel nesta história.

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    8 – AGORINHA ENTRA O CORONEL MOSTARDA NESSA HISTÓRIA, ENTÃO EU QUERO SAUDAR A MOSTARDA E O KETCHUP (POR...

    Resumo do capítulo anterior: eu não sei mais quantos capítulos já foram, mas se a meta é escrever um roman noir, eu acho que devemos esperar chegar na metade dos capítulos e então dobrar a meta, e assim por diante, até o infinito.

     

    O Poderoso Chefão e sua voz roufenha me aguardavam em uma mesa esfumaçada e mal iluminada do bar do Moe. Ou seja, a mesa central. O Moe não paga a conta de luz há meses e a tomada da jukebox, molhada e em curto, providenciava aquela fumaça que trazia o inebriante aroma de circuito queimado.

    – O que você me diz, Espada? – perguntou o Chefão.

    – Eu não conheço e nunca apoiei o Cabral – respondi peremptoriamente, que é o mesmo que “definitivamente”, mas mais para “finalmente” do que para “de repente”, que por sua vez é um advérbio que substitui o verbo quando necessário, mais ou menos igual um vice. E de vices eu não quero falar.

    – Por que não quer falar de vices? – perguntou o Chefão.

    Droga, era eu pensando alto de novo. Tentei me concentrar na conversa, mesmo sabendo que a conversa é uma forma de pensar falando, e o pensamento são várias conversas que temos com nós mesmos, uma atrás da outra, assim como atrás de um cachorro vem uma criança, e …

    – Sem cachorros e sem crianças, Espada – me cortou o Chefão – , e guarde seus pensamentos para você. Cadê Mostarda?

    Eu ia levantando a mão para chamar a garçonete loira e fatal (tinha que haver uma neste capítulo) e pedir a bisnaga de mostarda mas aí vi que, por detrás da bruma esfumaçada assomava um vulto que, ao que parece, chegava atrasado para aquela reunião. Quando divisei a silhueta não pude evitar a exclamação, que é uma pergunta só que sem a interrogação:

    – Coronel Mostarda!

    Não houve tempo para mais nada. O vulto tombou morto à nossa frente, com um punhal cravado nas costas, que geralmente é o que acontece com quem confia em vices.

    – Espada – falou calmamente o Chefão. – Essa sua mania de pensar alto e essa sua paranoia com vices já me encheram o saco. Descubra quem matou o Mostarda, o que diabos isso tudo tem a ver com o Falcão e Gregória, peça o telefone da garçonete loira e fatal e, principalmente, diga ao Moe que meu ketchup está demorando.

    Nisso várias fagulhas saltaram da fiação da jukebox e em dois segundos o bar explodiu.

    8 – AGORINHA ENTRA O CORONEL MOSTARDA NESSA HISTÓRIA, ENTÃO EU QUERO SAUDAR A MOSTARDA E O KETCHUP (POR...

    Resumo do capítulo anterior: eu não sei mais quantos capítulos já foram, mas se a meta é escrever um roman noir, eu acho que devemos esperar chegar na metade dos capítulos e então dobrar a meta, e assim por diante, até o infinito.

     

    O Poderoso Chefão e sua voz roufenha me aguardavam em uma mesa esfumaçada e mal iluminada do bar do Moe. Ou seja, a mesa central. O Moe não paga a conta de luz há meses e a tomada da jukebox, molhada e em curto, providenciava aquela fumaça que trazia o inebriante aroma de circuito queimado.

    – O que você me diz, Espada? – perguntou o Chefão.

    – Eu não conheço e nunca apoiei o Cabral – respondi peremptoriamente, que é o mesmo que “definitivamente”, mas mais para “finalmente” do que para “de repente”, que por sua vez é um advérbio que substitui o verbo quando necessário, mais ou menos igual um vice. E de vices eu não quero falar.

    – Por que não quer falar de vices? – perguntou o Chefão.

    Droga, era eu pensando alto de novo. Tentei me concentrar na conversa, mesmo sabendo que a conversa é uma forma de pensar falando, e o pensamento são várias conversas que temos com nós mesmos, uma atrás da outra, assim como atrás de um cachorro vem uma criança, e …

    – Sem cachorros e sem crianças, Espada – me cortou o Chefão – , e guarde seus pensamentos para você. Cadê Mostarda?

    Eu ia levantando a mão para chamar a garçonete loira e fatal (tinha que haver uma neste capítulo) e pedir a bisnaga de mostarda mas aí vi que, por detrás da bruma esfumaçada assomava um vulto que, ao que parece, chegava atrasado para aquela reunião. Quando divisei a silhueta não pude evitar a exclamação, que é uma pergunta só que sem a interrogação:

    – Coronel Mostarda!

    Não houve tempo para mais nada. O vulto tombou morto à nossa frente, com um punhal cravado nas costas, que geralmente é o que acontece com quem confia em vices.

    – Espada – falou calmamente o Chefão. – Essa sua mania de pensar alto e essa sua paranoia com vices já me encheram o saco. Descubra quem matou o Mostarda, o que diabos isso tudo tem a ver com o Falcão e Gregória, peça o telefone da garçonete loira e fatal e, principalmente, diga ao Moe que meu ketchup está demorando.

    Nisso várias fagulhas saltaram da fiação da jukebox e em dois segundos o bar explodiu.

    [ssba]

    8 – AGORINHA ENTRA O CORONEL MOSTARDA NESSA HISTÓRIA, ENTÃO EU QUERO SAUDAR A MOSTARDA E O KETCHUP (POR...

    Resumo do capítulo anterior: eu não sei mais quantos capítulos já foram, mas se a meta é escrever um roman noir, eu acho que devemos esperar chegar na metade dos capítulos e então dobrar a meta, e assim por diante, até o infinito.

     

    O Poderoso Chefão e sua voz roufenha me aguardavam em uma mesa esfumaçada e mal iluminada do bar do Moe. Ou seja, a mesa central. O Moe não paga a conta de luz há meses e a tomada da jukebox, molhada e em curto, providenciava aquela fumaça que trazia o inebriante aroma de circuito queimado.

    – O que você me diz, Espada? – perguntou o Chefão.

    – Eu não conheço e nunca apoiei o Cabral – respondi peremptoriamente, que é o mesmo que “definitivamente”, mas mais para “finalmente” do que para “de repente”, que por sua vez é um advérbio que substitui o verbo quando necessário, mais ou menos igual um vice. E de vices eu não quero falar.

    – Por que não quer falar de vices? – perguntou o Chefão.

    Droga, era eu pensando alto de novo. Tentei me concentrar na conversa, mesmo sabendo que a conversa é uma forma de pensar falando, e o pensamento são várias conversas que temos com nós mesmos, uma atrás da outra, assim como atrás de um cachorro vem uma criança, e …

    – Sem cachorros e sem crianças, Espada – me cortou o Chefão – , e guarde seus pensamentos para você. Cadê Mostarda?

    Eu ia levantando a mão para chamar a garçonete loira e fatal (tinha que haver uma neste capítulo) e pedir a bisnaga de mostarda mas aí vi que, por detrás da bruma esfumaçada assomava um vulto que, ao que parece, chegava atrasado para aquela reunião. Quando divisei a silhueta não pude evitar a exclamação, que é uma pergunta só que sem a interrogação:

    – Coronel Mostarda!

    Não houve tempo para mais nada. O vulto tombou morto à nossa frente, com um punhal cravado nas costas, que geralmente é o que acontece com quem confia em vices.

    – Espada – falou calmamente o Chefão. – Essa sua mania de pensar alto e essa sua paranoia com vices já me encheram o saco. Descubra quem matou o Mostarda, o que diabos isso tudo tem a ver com o Falcão e Gregória, peça o telefone da garçonete loira e fatal e, principalmente, diga ao Moe que meu ketchup está demorando.

    Nisso várias fagulhas saltaram da fiação da jukebox e em dois segundos o bar explodiu.

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    7 – COM MIL MANDIOCAS, UM DETETIVE QUE NÃO CONFIA NOS SEUS INSTINTOS ESTÁ EM MAUS LENÇÓIS (POR LUIZ...

    Resumo do capítulo anterior: não importa. A autora é confusa e não liga para o que aconteceu no capítulo anterior.

    Como sempre me acontece em momentos de tensão que nem esse, a tensão me deixa tenso, que é um tipo de nervosismo ansioso misturado com ansiedade, como se uma coisa muito ruim estivesse pra acontecer, mas aí é que tá, fiquei meio pirado, porque algo ruim já tinha acabado de acontecer, que era o sumiço da loira de perna comprida  e de todo o cast de celebridades e então temi até o sumiço de mim mesmo e dos meus instintos, diabos!, com mil mandiocas, se um detetive não pode confiar em seus próprios instintos ele tá em maus lençóis, que não são lençóis ruins nem nada, é só um jeito de dizer que ele tá lascado, se é que me entende, o sentido do que a gente diz às vezes é como um cachorro, atrás das palavras que a gente fala, essa sutileza pouca gente entende.

    (more…)

    7 – COM MIL MANDIOCAS, UM DETETIVE QUE NÃO CONFIA NOS SEUS INSTINTOS ESTÁ EM MAUS LENÇÓIS (POR LUIZ...

    Resumo do capítulo anterior: não importa. A autora é confusa e não liga para o que aconteceu no capítulo anterior.

    Como sempre me acontece em momentos de tensão que nem esse, a tensão me deixa tenso, que é um tipo de nervosismo ansioso misturado com ansiedade, como se uma coisa muito ruim estivesse pra acontecer, mas aí é que tá, fiquei meio pirado, porque algo ruim já tinha acabado de acontecer, que era o sumiço da loira de perna comprida  e de todo o cast de celebridades e então temi até o sumiço de mim mesmo e dos meus instintos, diabos!, com mil mandiocas, se um detetive não pode confiar em seus próprios instintos ele tá em maus lençóis, que não são lençóis ruins nem nada, é só um jeito de dizer que ele tá lascado, se é que me entende, o sentido do que a gente diz às vezes é como um cachorro, atrás das palavras que a gente fala, essa sutileza pouca gente entende.

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    7 – COM MIL MANDIOCAS, UM DETETIVE QUE NÃO CONFIA NOS SEUS INSTINTOS ESTÁ EM MAUS LENÇÓIS (POR LUIZ...

    Resumo do capítulo anterior: não importa. A autora é confusa e não liga para o que aconteceu no capítulo anterior.

    Como sempre me acontece em momentos de tensão que nem esse, a tensão me deixa tenso, que é um tipo de nervosismo ansioso misturado com ansiedade, como se uma coisa muito ruim estivesse pra acontecer, mas aí é que tá, fiquei meio pirado, porque algo ruim já tinha acabado de acontecer, que era o sumiço da loira de perna comprida  e de todo o cast de celebridades e então temi até o sumiço de mim mesmo e dos meus instintos, diabos!, com mil mandiocas, se um detetive não pode confiar em seus próprios instintos ele tá em maus lençóis, que não são lençóis ruins nem nada, é só um jeito de dizer que ele tá lascado, se é que me entende, o sentido do que a gente diz às vezes é como um cachorro, atrás das palavras que a gente fala, essa sutileza pouca gente entende.

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    6 – Bogart, o Papa Francisco e o Batman entram em um Salão… (Por Renzo Mora)

    “Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito”
    – Dilma Rousseff

    Resumo do capítulo anterior: Há 13,9 bilhões ocorre o Big Bang, marcando o início desta e de todas as histórias. Em 1907 apareceu o primeiro aspirador elétrico, inventado pelo americano Murray Spangler. No que se refere a esta novela em especial, a loira Gregória dá para Samuel Espada a pista sobre um italiano e some na noite “como um punho quando a mão se abre” (frase do Dashiell Hammett em pessoa)

    ♣♠♥♦

    Quando entro na sala, sou recebido por Charlie Chaplin, Humphrey Bogart (este, com o Falcão Maltês nas mãos), Marilyn Monroe, os membros da Carreta Furacão e o japonês da Federal.
    ***************************************************************************************************************************************
    Depois que Gregória me falou do “amigo do amigo” e do “italiano” fiquei vagando pelas ruas sem chegar a lugar nenhum, como um discurso de uma certa ex-presidente latino-americana.

    Não que isso seja um defeito.

    Para mim, dá uma certa poesia à aridez dos discursos políticos convencionais.

    Foi quando vi de longe o japonês que havia ameaçado a mim e Gregória na ponte onde encontramos o corpo assassinado.
    O segui à distância, passando despercebido – o que não é fácil quando se é o único no país que ainda usa trench coat e chapéu fedora.
    Mas sou um homem de princípios. E meios e fins também, quando necessário.
    Quando ele entrou por uma porta, o segui.
    Dentro da sala onde fui parar, o japonês desapareceu em meio ao mais inusitado encontro de figuras hollywoodianas e midiáticas já concentrado por metro quadrado.
    Ao longe, reconheço Gregória, agora de peruca platinum blonde, pinta falsa aplicada no rosto e refrescando a genitália em um ventilador ligado no máximo, que fazia seu vestido branco se erguer em direção ao teto.
    Não havia reparado nas pernas de Gregória antes.
    Para começar, eram duas, o que dobrava seu poder de atração.
    Existem pernas que fazem um homem abandonar a família, mulher, filhos, cachorrinho, cargo de gerente no Bradesco e segui-las até os confins do inferno.
    Outras fariam o Padre Marcelo largar o veganismo, a magreza extrema e aquelas musiquinhas sacais de louvor ao Senhor.
    As de Gregória fariam Jorge Mario Bergoglio largar o Papado, devolver o anel de Pedro para o Ratzinger e ainda pegar uma escadinha e pintar bigodinhos nas figuras criadas por Michelangelo para a Capela Sistina antes de sumir para sempre atrás dos caminhos tortuosos que aqueles pezinhos de fada pisassem.
    Me aproximei, a tirei de cima do ventilador e a sacudi com firmeza, mas sem violência, com a dose certa de virilidade, que uso para fazer as mulheres se apaixonarem, mas sem deixar marcas roxas.
    Às vezes funciona.
    Às vezes levo uma porrada nos cornos.
    Viver é correr riscos, baby.
    – Que porra é essa? Você não ia à uma reunião da ONG de Veganos Ciclistas Transex? – pergunto
    – Eu menti, Sam. Na verdade, eu participo deste clube exclusivo que reúne sósias de celebridades. Somos contratados para comerciais, festas de empresas, surubas de executivos entediados, convenções de vendas…
    – É por isso que estão aqui o Clark Gable, o Stephen Hawking em pé, o Batman, o Chapolin Colorado, o Ratinho com o Xaropinho, o T. S. Eliot, o Ron Jeremy,  a Maga Patológica…
    – Na verdade, aquela é a Dilma…
    – Quem?
    – Como quem? A Dilma é a Presidenta mais importante que o Brasil já teve e a mãe do PAC e (nota para mim mesma: elaborar melhor esta parte. No meu site tem uns dados legais para colocar aqui. Melhor não falar do impeachment)
    – E aquele?
    – Aquele é o sósia do Banksy. Como ninguém sabe a cara dele, foi fácil encontrar. Às vezes ele interpreta o Thomas Pynchon, cujos cornos também ninguém conhece. Na verdade, nós te usamos, Sam. Queríamos você envolvido em um crime muito maior. Um que envolve toda a nação.
    – Então o Falcão?
    – Era uma farsa. Ele faz parte da fantasia de Bogart. O sangue era meu batom de Marilyn. Mas a história é real. E o morto é bem real. Tipo, deve estar entrando em rigor mortis agora mesmo. Ou saindo. Eu sempre me confundo com o timing de rigidez cadavérica. O nome dele é…
    Neste momento, as luzes se apagam.
    Quando voltam, as pernas de Gregória tinham desaparecido.
    Ah, sim, o resto dela também.

    6 – Bogart, o Papa Francisco e o Batman entram em um Salão… (Por Renzo Mora)

    “Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito”
    – Dilma Rousseff

    Resumo do capítulo anterior: Há 13,9 bilhões ocorre o Big Bang, marcando o início desta e de todas as histórias. Em 1907 apareceu o primeiro aspirador elétrico, inventado pelo americano Murray Spangler. No que se refere a esta novela em especial, a loira Gregória dá para Samuel Espada a pista sobre um italiano e some na noite “como um punho quando a mão se abre” (frase do Dashiell Hammett em pessoa)

    ♣♠♥♦

    Quando entro na sala, sou recebido por Charlie Chaplin, Humphrey Bogart (este, com o Falcão Maltês nas mãos), Marilyn Monroe, os membros da Carreta Furacão e o japonês da Federal.
    ***************************************************************************************************************************************
    Depois que Gregória me falou do “amigo do amigo” e do “italiano” fiquei vagando pelas ruas sem chegar a lugar nenhum, como um discurso de uma certa ex-presidente latino-americana.

    Não que isso seja um defeito.

    Para mim, dá uma certa poesia à aridez dos discursos políticos convencionais.

    Foi quando vi de longe o japonês que havia ameaçado a mim e Gregória na ponte onde encontramos o corpo assassinado.
    O segui à distância, passando despercebido – o que não é fácil quando se é o único no país que ainda usa trench coat e chapéu fedora.
    Mas sou um homem de princípios. E meios e fins também, quando necessário.
    Quando ele entrou por uma porta, o segui.
    Dentro da sala onde fui parar, o japonês desapareceu em meio ao mais inusitado encontro de figuras hollywoodianas e midiáticas já concentrado por metro quadrado.
    Ao longe, reconheço Gregória, agora de peruca platinum blonde, pinta falsa aplicada no rosto e refrescando a genitália em um ventilador ligado no máximo, que fazia seu vestido branco se erguer em direção ao teto.
    Não havia reparado nas pernas de Gregória antes.
    Para começar, eram duas, o que dobrava seu poder de atração.
    Existem pernas que fazem um homem abandonar a família, mulher, filhos, cachorrinho, cargo de gerente no Bradesco e segui-las até os confins do inferno.
    Outras fariam o Padre Marcelo largar o veganismo, a magreza extrema e aquelas musiquinhas sacais de louvor ao Senhor.
    As de Gregória fariam Jorge Mario Bergoglio largar o Papado, devolver o anel de Pedro para o Ratzinger e ainda pegar uma escadinha e pintar bigodinhos nas figuras criadas por Michelangelo para a Capela Sistina antes de sumir para sempre atrás dos caminhos tortuosos que aqueles pezinhos de fada pisassem.
    Me aproximei, a tirei de cima do ventilador e a sacudi com firmeza, mas sem violência, com a dose certa de virilidade, que uso para fazer as mulheres se apaixonarem, mas sem deixar marcas roxas.
    Às vezes funciona.
    Às vezes levo uma porrada nos cornos.
    Viver é correr riscos, baby.
    – Que porra é essa? Você não ia à uma reunião da ONG de Veganos Ciclistas Transex? – pergunto
    – Eu menti, Sam. Na verdade, eu participo deste clube exclusivo que reúne sósias de celebridades. Somos contratados para comerciais, festas de empresas, surubas de executivos entediados, convenções de vendas…
    – É por isso que estão aqui o Clark Gable, o Stephen Hawking em pé, o Batman, o Chapolin Colorado, o Ratinho com o Xaropinho, o T. S. Eliot, o Ron Jeremy,  a Maga Patológica…
    – Na verdade, aquela é a Dilma…
    – Quem?
    – Como quem? A Dilma é a Presidenta mais importante que o Brasil já teve e a mãe do PAC e (nota para mim mesma: elaborar melhor esta parte. No meu site tem uns dados legais para colocar aqui. Melhor não falar do impeachment)
    – E aquele?
    – Aquele é o sósia do Banksy. Como ninguém sabe a cara dele, foi fácil encontrar. Às vezes ele interpreta o Thomas Pynchon, cujos cornos também ninguém conhece. Na verdade, nós te usamos, Sam. Queríamos você envolvido em um crime muito maior. Um que envolve toda a nação.
    – Então o Falcão?
    – Era uma farsa. Ele faz parte da fantasia de Bogart. O sangue era meu batom de Marilyn. Mas a história é real. E o morto é bem real. Tipo, deve estar entrando em rigor mortis agora mesmo. Ou saindo. Eu sempre me confundo com o timing de rigidez cadavérica. O nome dele é…
    Neste momento, as luzes se apagam.
    Quando voltam, as pernas de Gregória tinham desaparecido.
    Ah, sim, o resto dela também.

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    6 – Bogart, o Papa Francisco e o Batman entram em um Salão… (Por Renzo Mora)

    “Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito”
    – Dilma Rousseff

    Resumo do capítulo anterior: Há 13,9 bilhões ocorre o Big Bang, marcando o início desta e de todas as histórias. Em 1907 apareceu o primeiro aspirador elétrico, inventado pelo americano Murray Spangler. No que se refere a esta novela em especial, a loira Gregória dá para Samuel Espada a pista sobre um italiano e some na noite “como um punho quando a mão se abre” (frase do Dashiell Hammett em pessoa)

    ♣♠♥♦

    Quando entro na sala, sou recebido por Charlie Chaplin, Humphrey Bogart (este, com o Falcão Maltês nas mãos), Marilyn Monroe, os membros da Carreta Furacão e o japonês da Federal.
    ***************************************************************************************************************************************
    Depois que Gregória me falou do “amigo do amigo” e do “italiano” fiquei vagando pelas ruas sem chegar a lugar nenhum, como um discurso de uma certa ex-presidente latino-americana.

    Não que isso seja um defeito.

    Para mim, dá uma certa poesia à aridez dos discursos políticos convencionais.

    Foi quando vi de longe o japonês que havia ameaçado a mim e Gregória na ponte onde encontramos o corpo assassinado.
    O segui à distância, passando despercebido – o que não é fácil quando se é o único no país que ainda usa trench coat e chapéu fedora.
    Mas sou um homem de princípios. E meios e fins também, quando necessário.
    Quando ele entrou por uma porta, o segui.
    Dentro da sala onde fui parar, o japonês desapareceu em meio ao mais inusitado encontro de figuras hollywoodianas e midiáticas já concentrado por metro quadrado.
    Ao longe, reconheço Gregória, agora de peruca platinum blonde, pinta falsa aplicada no rosto e refrescando a genitália em um ventilador ligado no máximo, que fazia seu vestido branco se erguer em direção ao teto.
    Não havia reparado nas pernas de Gregória antes.
    Para começar, eram duas, o que dobrava seu poder de atração.
    Existem pernas que fazem um homem abandonar a família, mulher, filhos, cachorrinho, cargo de gerente no Bradesco e segui-las até os confins do inferno.
    Outras fariam o Padre Marcelo largar o veganismo, a magreza extrema e aquelas musiquinhas sacais de louvor ao Senhor.
    As de Gregória fariam Jorge Mario Bergoglio largar o Papado, devolver o anel de Pedro para o Ratzinger e ainda pegar uma escadinha e pintar bigodinhos nas figuras criadas por Michelangelo para a Capela Sistina antes de sumir para sempre atrás dos caminhos tortuosos que aqueles pezinhos de fada pisassem.
    Me aproximei, a tirei de cima do ventilador e a sacudi com firmeza, mas sem violência, com a dose certa de virilidade, que uso para fazer as mulheres se apaixonarem, mas sem deixar marcas roxas.
    Às vezes funciona.
    Às vezes levo uma porrada nos cornos.
    Viver é correr riscos, baby.
    – Que porra é essa? Você não ia à uma reunião da ONG de Veganos Ciclistas Transex? – pergunto
    – Eu menti, Sam. Na verdade, eu participo deste clube exclusivo que reúne sósias de celebridades. Somos contratados para comerciais, festas de empresas, surubas de executivos entediados, convenções de vendas…
    – É por isso que estão aqui o Clark Gable, o Stephen Hawking em pé, o Batman, o Chapolin Colorado, o Ratinho com o Xaropinho, o T. S. Eliot, o Ron Jeremy,  a Maga Patológica…
    – Na verdade, aquela é a Dilma…
    – Quem?
    – Como quem? A Dilma é a Presidenta mais importante que o Brasil já teve e a mãe do PAC e (nota para mim mesma: elaborar melhor esta parte. No meu site tem uns dados legais para colocar aqui. Melhor não falar do impeachment)
    – E aquele?
    – Aquele é o sósia do Banksy. Como ninguém sabe a cara dele, foi fácil encontrar. Às vezes ele interpreta o Thomas Pynchon, cujos cornos também ninguém conhece. Na verdade, nós te usamos, Sam. Queríamos você envolvido em um crime muito maior. Um que envolve toda a nação.
    – Então o Falcão?
    – Era uma farsa. Ele faz parte da fantasia de Bogart. O sangue era meu batom de Marilyn. Mas a história é real. E o morto é bem real. Tipo, deve estar entrando em rigor mortis agora mesmo. Ou saindo. Eu sempre me confundo com o timing de rigidez cadavérica. O nome dele é…
    Neste momento, as luzes se apagam.
    Quando voltam, as pernas de Gregória tinham desaparecido.
    Ah, sim, o resto dela também.

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    5 – NO QUE SE REFERE AO FALCÃO, ELE É O QUÊ? (POR ARAN)

    “Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito”

    – Dilma Rousseff

     

    Resumo do capítulo anterior: uma loira misteriosa aparece na história. O detetive Samuel Espada entra num carro com ela.

     

    No que se refere ao Falcão, Gregória jogou seus lindos cabelos loiros para a direita e, enquanto dirigia, que é o ato de conduzir o carro, ela me disse:

    — Vou contar tudo o que sei sobre o Falcão, detetive…

    — Detetive não! – corrigi, que é o ato de tornar uma coisa corrigida, ou seja, consertar para ela  não ficar errada – No que se refere ao gênero, o certo é detetivO. Por quê? Porque sou um homem sapiens do sexo masculino.

    (more…)

    5 – NO QUE SE REFERE AO FALCÃO, ELE É O QUÊ? (POR ARAN)

    “Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito”

    – Dilma Rousseff

     

    Resumo do capítulo anterior: uma loira misteriosa aparece na história. O detetive Samuel Espada entra num carro com ela.

     

    No que se refere ao Falcão, Gregória jogou seus lindos cabelos loiros para a direita e, enquanto dirigia, que é o ato de conduzir o carro, ela me disse:

    — Vou contar tudo o que sei sobre o Falcão, detetive…

    — Detetive não! – corrigi, que é o ato de tornar uma coisa corrigida, ou seja, consertar para ela  não ficar errada – No que se refere ao gênero, o certo é detetivO. Por quê? Porque sou um homem sapiens do sexo masculino.

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    [ssba]

    5 – NO QUE SE REFERE AO FALCÃO, ELE É O QUÊ? (POR ARAN)

    “Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito”

    – Dilma Rousseff

     

    Resumo do capítulo anterior: uma loira misteriosa aparece na história. O detetive Samuel Espada entra num carro com ela.

     

    No que se refere ao Falcão, Gregória jogou seus lindos cabelos loiros para a direita e, enquanto dirigia, que é o ato de conduzir o carro, ela me disse:

    — Vou contar tudo o que sei sobre o Falcão, detetive…

    — Detetive não! – corrigi, que é o ato de tornar uma coisa corrigida, ou seja, consertar para ela  não ficar errada – No que se refere ao gênero, o certo é detetivO. Por quê? Porque sou um homem sapiens do sexo masculino.

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    4 – Gregória, ou: eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios (por Jotapê Jorge)

    Eu queria escrever um romance policial.

    Gosto muito. Li muito

    Dilma Rousseff

    Resumo do capítulo anterior: uma loira misteriosa aparece de supetão. Um oriental maligno ameaça Samuel Espada. Drama, ação, aventura e muita dissonância cognitiva: não perca a continuação da saga O Falcão Dilmês.

     

    No que se refere à figura oculta por trás daquela mulher loira, a figura não era um cachorrinho, o que poderia ser algo muito importante, mas sim um oriental com cara de sonso. Parecia até o Sakamoto. E ele segurava a mulher loira assim por trás, com um mata-leão. Mas, por sorte, meu mestre Lu-lai, da velha técnica pei-tei, me ensinou como neutralizar aquele movimento com o golpe “estocada de vento”. Minha meta era apenas libertar a loira, que, como se sabe, é uma pessoa de cabelos louros. Mas eu, ao atingir a meta, dobrei-a, e com um chute alto fiz um movimento de ponte que junta energia e derrubei a Glock do oriental, que saiu correndo e gritando algo que não pude ouvir, porque ainda estava surdo e a surdez é a inabilidade de ouvir algo que o oriental com cara de tonto grita.

    Livre, a loira de cabelos louros também começou a gritar. Mas eu não ouvia nada. Ouvir nunca foi o meu forte. E eu acho que a importância da audição era ouvir o que aquela mulher tinha a me dizer. Então a loira me deu um tabefe no ouvido. Aquela bifa me fez sentir assim um som grave, quase como a voz rouca das ruas gritando “Fora, Dilma!”. Então finalmente eu ouvi:

    — Meu nome é Gregória, e eu acredito em você, Samuel!

    Fiquei intrigado. No que se refere a mulheres loiras de cabelos louros aquela parecia até um colunista da Folha.

    — Quem é você? Digo. Como você sabe o meu nome — perguntei, sem entender.

    — Eu sou sua maior fã! Estudo seu trabalho desde sempre. Admiro a forma como você trabalha, como desvendou o caso do desaparecimento de Pib Pasadena e a sua ação rápida contra os ciclistas da ilha Fiscal.

    Minha memória… A memória. A memória é algo que, como eu sempre falo, a memória é uma coisa assim que pode ficar oculta, mas que na verdade sempre pode lembrar uma figura oculta, como um cachorrinho, ou um oriental com cara de sonso, ou mesmo uma loira de cabelos louros. O que me fez lembrar do oriental atrás da loira e perguntar

    — Mas o oriental que escapou!

    Gregória botou sua mão delicada nos meus ombros e falou.

    — Calma, Samuca, você não está dizendo nada com nada, e isso não é normal. Eu sou sua fã, quero ajudá-lo a desvendar este caso. Eu acredito em você. Talvez seja a única pessoa que ainda acredita em você. E eu posso te ajudar com o Falcão.

    Fiquei um minuto em silêncio. Um silêncio soturno, que me lembrou a solidão do poder.

    — Mas e o corpo? — disse, por fim, apontado para o corpo atirado no chão.

    — Eu sei tudo sobre o corpo, e sobre o Falcão, e sobre o japonês. Aliás, este lugar não é seguro. Logo ele pode voltar com reforços. Vamos, eu confio em você. Eu sou a única pessoas que confia.

    — No que se refere à confiança que as pessoas depositam em mim você não poderia estar mais enganada. Meu mestre Lu-lai confia em mim, assim como meu fiel amigo Michel El-Haddad.

    Gregória parou por um instante. Só então percebi que seus olhos eram ligeiramente esbugalhados. Foi uma percepção daquelas de dentifrício, que depois que saem dificilmente voltam para o dentifrício. Ela então falou.

    — O Michel é mesmo o maior legal. Não vejo problema nenhum em ele ser seu chapa… Mas vamos, Samuca. Não temos tempo a perder. Meu carro está do lado de cima da ponte. Vamos para minha casa. No caminho eu te explico tudo.

     

    4 – Gregória, ou: eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios (por Jotapê Jorge)

    Eu queria escrever um romance policial.

    Gosto muito. Li muito

    Dilma Rousseff

    Resumo do capítulo anterior: uma loira misteriosa aparece de supetão. Um oriental maligno ameaça Samuel Espada. Drama, ação, aventura e muita dissonância cognitiva: não perca a continuação da saga O Falcão Dilmês.

     

    No que se refere à figura oculta por trás daquela mulher loira, a figura não era um cachorrinho, o que poderia ser algo muito importante, mas sim um oriental com cara de sonso. Parecia até o Sakamoto. E ele segurava a mulher loira assim por trás, com um mata-leão. Mas, por sorte, meu mestre Lu-lai, da velha técnica pei-tei, me ensinou como neutralizar aquele movimento com o golpe “estocada de vento”. Minha meta era apenas libertar a loira, que, como se sabe, é uma pessoa de cabelos louros. Mas eu, ao atingir a meta, dobrei-a, e com um chute alto fiz um movimento de ponte que junta energia e derrubei a Glock do oriental, que saiu correndo e gritando algo que não pude ouvir, porque ainda estava surdo e a surdez é a inabilidade de ouvir algo que o oriental com cara de tonto grita.

    Livre, a loira de cabelos louros também começou a gritar. Mas eu não ouvia nada. Ouvir nunca foi o meu forte. E eu acho que a importância da audição era ouvir o que aquela mulher tinha a me dizer. Então a loira me deu um tabefe no ouvido. Aquela bifa me fez sentir assim um som grave, quase como a voz rouca das ruas gritando “Fora, Dilma!”. Então finalmente eu ouvi:

    — Meu nome é Gregória, e eu acredito em você, Samuel!

    Fiquei intrigado. No que se refere a mulheres loiras de cabelos louros aquela parecia até um colunista da Folha.

    — Quem é você? Digo. Como você sabe o meu nome — perguntei, sem entender.

    — Eu sou sua maior fã! Estudo seu trabalho desde sempre. Admiro a forma como você trabalha, como desvendou o caso do desaparecimento de Pib Pasadena e a sua ação rápida contra os ciclistas da ilha Fiscal.

    Minha memória… A memória. A memória é algo que, como eu sempre falo, a memória é uma coisa assim que pode ficar oculta, mas que na verdade sempre pode lembrar uma figura oculta, como um cachorrinho, ou um oriental com cara de sonso, ou mesmo uma loira de cabelos louros. O que me fez lembrar do oriental atrás da loira e perguntar

    — Mas o oriental que escapou!

    Gregória botou sua mão delicada nos meus ombros e falou.

    — Calma, Samuca, você não está dizendo nada com nada, e isso não é normal. Eu sou sua fã, quero ajudá-lo a desvendar este caso. Eu acredito em você. Talvez seja a única pessoa que ainda acredita em você. E eu posso te ajudar com o Falcão.

    Fiquei um minuto em silêncio. Um silêncio soturno, que me lembrou a solidão do poder.

    — Mas e o corpo? — disse, por fim, apontado para o corpo atirado no chão.

    — Eu sei tudo sobre o corpo, e sobre o Falcão, e sobre o japonês. Aliás, este lugar não é seguro. Logo ele pode voltar com reforços. Vamos, eu confio em você. Eu sou a única pessoas que confia.

    — No que se refere à confiança que as pessoas depositam em mim você não poderia estar mais enganada. Meu mestre Lu-lai confia em mim, assim como meu fiel amigo Michel El-Haddad.

    Gregória parou por um instante. Só então percebi que seus olhos eram ligeiramente esbugalhados. Foi uma percepção daquelas de dentifrício, que depois que saem dificilmente voltam para o dentifrício. Ela então falou.

    — O Michel é mesmo o maior legal. Não vejo problema nenhum em ele ser seu chapa… Mas vamos, Samuca. Não temos tempo a perder. Meu carro está do lado de cima da ponte. Vamos para minha casa. No caminho eu te explico tudo.

     

    [ssba]

    4 – Gregória, ou: eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios (por Jotapê Jorge)

    Eu queria escrever um romance policial.

    Gosto muito. Li muito

    Dilma Rousseff

    Resumo do capítulo anterior: uma loira misteriosa aparece de supetão. Um oriental maligno ameaça Samuel Espada. Drama, ação, aventura e muita dissonância cognitiva: não perca a continuação da saga O Falcão Dilmês.

     

    No que se refere à figura oculta por trás daquela mulher loira, a figura não era um cachorrinho, o que poderia ser algo muito importante, mas sim um oriental com cara de sonso. Parecia até o Sakamoto. E ele segurava a mulher loira assim por trás, com um mata-leão. Mas, por sorte, meu mestre Lu-lai, da velha técnica pei-tei, me ensinou como neutralizar aquele movimento com o golpe “estocada de vento”. Minha meta era apenas libertar a loira, que, como se sabe, é uma pessoa de cabelos louros. Mas eu, ao atingir a meta, dobrei-a, e com um chute alto fiz um movimento de ponte que junta energia e derrubei a Glock do oriental, que saiu correndo e gritando algo que não pude ouvir, porque ainda estava surdo e a surdez é a inabilidade de ouvir algo que o oriental com cara de tonto grita.

    Livre, a loira de cabelos louros também começou a gritar. Mas eu não ouvia nada. Ouvir nunca foi o meu forte. E eu acho que a importância da audição era ouvir o que aquela mulher tinha a me dizer. Então a loira me deu um tabefe no ouvido. Aquela bifa me fez sentir assim um som grave, quase como a voz rouca das ruas gritando “Fora, Dilma!”. Então finalmente eu ouvi:

    — Meu nome é Gregória, e eu acredito em você, Samuel!

    Fiquei intrigado. No que se refere a mulheres loiras de cabelos louros aquela parecia até um colunista da Folha.

    — Quem é você? Digo. Como você sabe o meu nome — perguntei, sem entender.

    — Eu sou sua maior fã! Estudo seu trabalho desde sempre. Admiro a forma como você trabalha, como desvendou o caso do desaparecimento de Pib Pasadena e a sua ação rápida contra os ciclistas da ilha Fiscal.

    Minha memória… A memória. A memória é algo que, como eu sempre falo, a memória é uma coisa assim que pode ficar oculta, mas que na verdade sempre pode lembrar uma figura oculta, como um cachorrinho, ou um oriental com cara de sonso, ou mesmo uma loira de cabelos louros. O que me fez lembrar do oriental atrás da loira e perguntar

    — Mas o oriental que escapou!

    Gregória botou sua mão delicada nos meus ombros e falou.

    — Calma, Samuca, você não está dizendo nada com nada, e isso não é normal. Eu sou sua fã, quero ajudá-lo a desvendar este caso. Eu acredito em você. Talvez seja a única pessoa que ainda acredita em você. E eu posso te ajudar com o Falcão.

    Fiquei um minuto em silêncio. Um silêncio soturno, que me lembrou a solidão do poder.

    — Mas e o corpo? — disse, por fim, apontado para o corpo atirado no chão.

    — Eu sei tudo sobre o corpo, e sobre o Falcão, e sobre o japonês. Aliás, este lugar não é seguro. Logo ele pode voltar com reforços. Vamos, eu confio em você. Eu sou a única pessoas que confia.

    — No que se refere à confiança que as pessoas depositam em mim você não poderia estar mais enganada. Meu mestre Lu-lai confia em mim, assim como meu fiel amigo Michel El-Haddad.

    Gregória parou por um instante. Só então percebi que seus olhos eram ligeiramente esbugalhados. Foi uma percepção daquelas de dentifrício, que depois que saem dificilmente voltam para o dentifrício. Ela então falou.

    — O Michel é mesmo o maior legal. Não vejo problema nenhum em ele ser seu chapa… Mas vamos, Samuca. Não temos tempo a perder. Meu carro está do lado de cima da ponte. Vamos para minha casa. No caminho eu te explico tudo.

     

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