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  • MIMIMILLENNIAL

    Fechem logo esse Congresso

    Perdemos. A democracia deu errado no Brasil. Sim, foi bom enquanto durou, mas todo mundo sabia que esse negócio de voz popular não daria certo por aqui. Fechemos logo o Congresso. Tentemos de novo em 30 anos.

    Democracia é um negócio difícil, porque infere liberdade de pensamento, de imprensa, de manifestação, coisas que a gente detesta. Basta entrar no Twitter. Nós não conseguimos sequer assistir a um festival de rock sem cagar regra sobre o line-up, que dirá discutir civilizadamente sobre o aborto, por exemplo. O brasileiro adora matraquear aos quatro ventos sua verve democrática (somos, afinal, o país do carnaval), mas basta alguém falar mal de sua diva pop para ele se rasgar em quatro e começa a gritar pelo fechamento do portal G1.

    No fundo todo o brasileiro tem um Médici, um Figueiredo, crescendo dentro dele. É sério. Te dou cinco minutos. Vá ao banheiro e olhe. Mas você vai precisar de um espelhinho. No fundo (lá no fundo) a gente queria mesmo era ser um déspota, queria fazer valer nossa vontade com punho de ferro. Queria pegar o Jean Wyllys/o Bolsonaro/o Lula/o João Dória e arrastá-los em praça pública. Queríamos fuzila-los, dançar nus em chafarizes de sangue e sapatear nas faces pálidas e lacrimosas de seus parentes.

    Mas como nem todo mundo pode ser déspota, a gente se associa a um. Basta ver as intenções de voto: Lula e Bolsonaro lideram. “Mas Jotapê, seu liberal de merda, seu sujo, você está comparando o Lulão da massa com esse nojento do Bolsonaro?”, dirão meus amigos de esquerda. “Mas Jotapê, seu esquerdinha pega na minha, você está comparando o ladrão do Lula com o Bolsomito?”, dirão meus amigos de direita.

    (É neste ponto que eu perco qualquer chance de voltar a ter amigos)

    Sim, eu estou. Os políticos brasileiros, filhos da pátria, são como nós. O sonho de Lula (e de muitos de seus correligionários, diga-se) era botar o juiz Sérgio Moro no cadafalso e transmitir sua execução em cadeira nacional com narração de Galvão Bueno e comentários de Walter Casagrande Jr. (“Casão, mas essa corda não vai arrebentar? Não é possível! A física não permite!”) E o sonho do Bolsonaro… Esse eu até tenho medo de saber.

    Pois se é este nosso destino, que fechemos logo o Congresso. Que se faça em 2018 uma eleição para o ditador perpétuo do Brasil (que assumirá um mandato de quatro anos, evidene). Quem sabe assim a gente pare de discutir groselhas no Facebook.

    Jotapê Jorge gosta de ser polemiquinho . Ele escreve por aqui sempre que não está assistindo BoJack Horseman, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    Fechem logo esse Congresso

    Perdemos. A democracia deu errado no Brasil. Sim, foi bom enquanto durou, mas todo mundo sabia que esse negócio de voz popular não daria certo por aqui. Fechemos logo o Congresso. Tentemos de novo em 30 anos.

    Democracia é um negócio difícil, porque infere liberdade de pensamento, de imprensa, de manifestação, coisas que a gente detesta. Basta entrar no Twitter. Nós não conseguimos sequer assistir a um festival de rock sem cagar regra sobre o line-up, que dirá discutir civilizadamente sobre o aborto, por exemplo. O brasileiro adora matraquear aos quatro ventos sua verve democrática (somos, afinal, o país do carnaval), mas basta alguém falar mal de sua diva pop para ele se rasgar em quatro e começa a gritar pelo fechamento do portal G1.

    No fundo todo o brasileiro tem um Médici, um Figueiredo, crescendo dentro dele. É sério. Te dou cinco minutos. Vá ao banheiro e olhe. Mas você vai precisar de um espelhinho. No fundo (lá no fundo) a gente queria mesmo era ser um déspota, queria fazer valer nossa vontade com punho de ferro. Queria pegar o Jean Wyllys/o Bolsonaro/o Lula/o João Dória e arrastá-los em praça pública. Queríamos fuzila-los, dançar nus em chafarizes de sangue e sapatear nas faces pálidas e lacrimosas de seus parentes.

    Mas como nem todo mundo pode ser déspota, a gente se associa a um. Basta ver as intenções de voto: Lula e Bolsonaro lideram. “Mas Jotapê, seu liberal de merda, seu sujo, você está comparando o Lulão da massa com esse nojento do Bolsonaro?”, dirão meus amigos de esquerda. “Mas Jotapê, seu esquerdinha pega na minha, você está comparando o ladrão do Lula com o Bolsomito?”, dirão meus amigos de direita.

    (É neste ponto que eu perco qualquer chance de voltar a ter amigos)

    Sim, eu estou. Os políticos brasileiros, filhos da pátria, são como nós. O sonho de Lula (e de muitos de seus correligionários, diga-se) era botar o juiz Sérgio Moro no cadafalso e transmitir sua execução em cadeira nacional com narração de Galvão Bueno e comentários de Walter Casagrande Jr. (“Casão, mas essa corda não vai arrebentar? Não é possível! A física não permite!”) E o sonho do Bolsonaro… Esse eu até tenho medo de saber.

    Pois se é este nosso destino, que fechemos logo o Congresso. Que se faça em 2018 uma eleição para o ditador perpétuo do Brasil (que assumirá um mandato de quatro anos, evidene). Quem sabe assim a gente pare de discutir groselhas no Facebook.

    Jotapê Jorge gosta de ser polemiquinho . Ele escreve por aqui sempre que não está assistindo BoJack Horseman, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Fechem logo esse Congresso

    Fechem logo esse Congresso

    Perdemos. A democracia deu errado no Brasil. Sim, foi bom enquanto durou, mas todo mundo sabia que esse negócio de voz popular não daria certo por aqui. Fechemos logo o Congresso. Tentemos de novo em 30 anos.

    Democracia é um negócio difícil, porque infere liberdade de pensamento, de imprensa, de manifestação, coisas que a gente detesta. Basta entrar no Twitter. Nós não conseguimos sequer assistir a um festival de rock sem cagar regra sobre o line-up, que dirá discutir civilizadamente sobre o aborto, por exemplo. O brasileiro adora matraquear aos quatro ventos sua verve democrática (somos, afinal, o país do carnaval), mas basta alguém falar mal de sua diva pop para ele se rasgar em quatro e começa a gritar pelo fechamento do portal G1.

    No fundo todo o brasileiro tem um Médici, um Figueiredo, crescendo dentro dele. É sério. Te dou cinco minutos. Vá ao banheiro e olhe. Mas você vai precisar de um espelhinho. No fundo (lá no fundo) a gente queria mesmo era ser um déspota, queria fazer valer nossa vontade com punho de ferro. Queria pegar o Jean Wyllys/o Bolsonaro/o Lula/o João Dória e arrastá-los em praça pública. Queríamos fuzila-los, dançar nus em chafarizes de sangue e sapatear nas faces pálidas e lacrimosas de seus parentes.

    Mas como nem todo mundo pode ser déspota, a gente se associa a um. Basta ver as intenções de voto: Lula e Bolsonaro lideram. “Mas Jotapê, seu liberal de merda, seu sujo, você está comparando o Lulão da massa com esse nojento do Bolsonaro?”, dirão meus amigos de esquerda. “Mas Jotapê, seu esquerdinha pega na minha, você está comparando o ladrão do Lula com o Bolsomito?”, dirão meus amigos de direita.

    (É neste ponto que eu perco qualquer chance de voltar a ter amigos)

    Sim, eu estou. Os políticos brasileiros, filhos da pátria, são como nós. O sonho de Lula (e de muitos de seus correligionários, diga-se) era botar o juiz Sérgio Moro no cadafalso e transmitir sua execução em cadeira nacional com narração de Galvão Bueno e comentários de Walter Casagrande Jr. (“Casão, mas essa corda não vai arrebentar? Não é possível! A física não permite!”) E o sonho do Bolsonaro… Esse eu até tenho medo de saber.

    Pois se é este nosso destino, que fechemos logo o Congresso. Que se faça em 2018 uma eleição para o ditador perpétuo do Brasil (que assumirá um mandato de quatro anos, evidene). Quem sabe assim a gente pare de discutir groselhas no Facebook.

    Jotapê Jorge gosta de ser polemiquinho . Ele escreve por aqui sempre que não está assistindo BoJack Horseman, no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    [ssba url="http://www.republicadosbananas.com.br/fechem-logo-esse-congresso/"]

    O inferno

    São sempre 18h no inferno, e você está em São Paulo, na baldeação entre as linhas verde e amarela. No inferno todos os homens fazem musculação, tomam Whey Protein, jogam pôquer on-line e se alimentam  de “churras com a carne bem marmorizada, mein”. As mulheres são todas empoderadas. Nenhuma delas leu Simone de Beauvoir. Os livros são sempre textões do Facebook — À la Recherche du Temps Perdu é “Precisamos falar sobre Madeleines”.

    Todas as músicas do inferno são o jingle da Sporting Bet. O único ator é Selton Mello. Todos os filmes são comédias da GloboFilmes e dirigidos por Michael Bay. Apesar disso, nas rodinhas de cinéfilos o comentário é sempre sobre o “tom onírico digno de Fellini”.

    As séries de TV do inferno são sempre The Big Bang Theory, a internet é da Vivo e 0s celulares são todos Tim. No WhatsApp as mensagens são sempre de “Bom Dia. Hoje é mais um dia, então levante e sinta o cheiro do ar. Você pode começar de novo, pois hoje o dia começou mais uma vez”. Nx xnfxrnx txdx mxndx xscrxvx xssxm.

    O futebol do inferno é um eterno 0 a 0. O único time é o Botafogo de Futebol e Regatas. Márcio Araújo é seu titular absoluto e capitão. O único campeonato de futebol do inferno é o Francês.

    No inferno a carne é sempre bem passada, o uísque é sempre nacional, o café é sempre aguado, a cerveja é sempre quente e o bar é sempre o Capivara, ou o Mandíbula, no centro. Na mesa ao lado, estão elogiando o “processo civilizatório sem precedentes perpetuado pela prefeitura do grande Fernando Haddad”. No inferno o broche “Fora, Temer!” e peça indispensável do vestuário — ainda que Temer, amigo do sete-peles, tenha pedido para tirar.

    Não há muita inteligência no inferno. Os articulistas políticos são Gregório Duvivier e Leonardo Sakamoto — Eliane Brum tentou uma vaga, mas nem o inferno a quis. No inferno todos concordam com a mesma opinião, por mais estúpida que ela seja. O presidente do inferno é extremamente popular, e quando algo não sai ao seu agrado, grita “fake news!” Mas a imprensa do inferno, por incrível que pareça, é da melhor qualidade — afinal, todos os jornalistas já estão lá.

    Jotapê Jorge acha que o inferno são os outros. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

    O inferno

    São sempre 18h no inferno, e você está em São Paulo, na baldeação entre as linhas verde e amarela. No inferno todos os homens fazem musculação, tomam Whey Protein, jogam pôquer on-line e se alimentam  de “churras com a carne bem marmorizada, mein”. As mulheres são todas empoderadas. Nenhuma delas leu Simone de Beauvoir. Os livros são sempre textões do Facebook — À la Recherche du Temps Perdu é “Precisamos falar sobre Madeleines”.

    Todas as músicas do inferno são o jingle da Sporting Bet. O único ator é Selton Mello. Todos os filmes são comédias da GloboFilmes e dirigidos por Michael Bay. Apesar disso, nas rodinhas de cinéfilos o comentário é sempre sobre o “tom onírico digno de Fellini”.

    As séries de TV do inferno são sempre The Big Bang Theory, a internet é da Vivo e 0s celulares são todos Tim. No WhatsApp as mensagens são sempre de “Bom Dia. Hoje é mais um dia, então levante e sinta o cheiro do ar. Você pode começar de novo, pois hoje o dia começou mais uma vez”. Nx xnfxrnx txdx mxndx xscrxvx xssxm.

    O futebol do inferno é um eterno 0 a 0. O único time é o Botafogo de Futebol e Regatas. Márcio Araújo é seu titular absoluto e capitão. O único campeonato de futebol do inferno é o Francês.

    No inferno a carne é sempre bem passada, o uísque é sempre nacional, o café é sempre aguado, a cerveja é sempre quente e o bar é sempre o Capivara, ou o Mandíbula, no centro. Na mesa ao lado, estão elogiando o “processo civilizatório sem precedentes perpetuado pela prefeitura do grande Fernando Haddad”. No inferno o broche “Fora, Temer!” e peça indispensável do vestuário — ainda que Temer, amigo do sete-peles, tenha pedido para tirar.

    Não há muita inteligência no inferno. Os articulistas políticos são Gregório Duvivier e Leonardo Sakamoto — Eliane Brum tentou uma vaga, mas nem o inferno a quis. No inferno todos concordam com a mesma opinião, por mais estúpida que ela seja. O presidente do inferno é extremamente popular, e quando algo não sai ao seu agrado, grita “fake news!” Mas a imprensa do inferno, por incrível que pareça, é da melhor qualidade — afinal, todos os jornalistas já estão lá.

    Jotapê Jorge acha que o inferno são os outros. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

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    O inferno

    O inferno

    São sempre 18h no inferno, e você está em São Paulo, na baldeação entre as linhas verde e amarela. No inferno todos os homens fazem musculação, tomam Whey Protein, jogam pôquer on-line e se alimentam  de “churras com a carne bem marmorizada, mein”. As mulheres são todas empoderadas. Nenhuma delas leu Simone de Beauvoir. Os livros são sempre textões do Facebook — À la Recherche du Temps Perdu é “Precisamos falar sobre Madeleines”.

    Todas as músicas do inferno são o jingle da Sporting Bet. O único ator é Selton Mello. Todos os filmes são comédias da GloboFilmes e dirigidos por Michael Bay. Apesar disso, nas rodinhas de cinéfilos o comentário é sempre sobre o “tom onírico digno de Fellini”.

    As séries de TV do inferno são sempre The Big Bang Theory, a internet é da Vivo e 0s celulares são todos Tim. No WhatsApp as mensagens são sempre de “Bom Dia. Hoje é mais um dia, então levante e sinta o cheiro do ar. Você pode começar de novo, pois hoje o dia começou mais uma vez”. Nx xnfxrnx txdx mxndx xscrxvx xssxm.

    O futebol do inferno é um eterno 0 a 0. O único time é o Botafogo de Futebol e Regatas. Márcio Araújo é seu titular absoluto e capitão. O único campeonato de futebol do inferno é o Francês.

    No inferno a carne é sempre bem passada, o uísque é sempre nacional, o café é sempre aguado, a cerveja é sempre quente e o bar é sempre o Capivara, ou o Mandíbula, no centro. Na mesa ao lado, estão elogiando o “processo civilizatório sem precedentes perpetuado pela prefeitura do grande Fernando Haddad”. No inferno o broche “Fora, Temer!” e peça indispensável do vestuário — ainda que Temer, amigo do sete-peles, tenha pedido para tirar.

    Não há muita inteligência no inferno. Os articulistas políticos são Gregório Duvivier e Leonardo Sakamoto — Eliane Brum tentou uma vaga, mas nem o inferno a quis. No inferno todos concordam com a mesma opinião, por mais estúpida que ela seja. O presidente do inferno é extremamente popular, e quando algo não sai ao seu agrado, grita “fake news!” Mas a imprensa do inferno, por incrível que pareça, é da melhor qualidade — afinal, todos os jornalistas já estão lá.

    Jotapê Jorge acha que o inferno são os outros. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

    [ssba url="http://www.republicadosbananas.com.br/o-inferno/"]

    Esquerda, direita, esquerda

    O mundo está uma porra. Na Europa, amalucados islâmicos transformam carros em armas de destruição em massa. Na Coreia do Norte, amalucados comunistas transformam armas de destruição em massa em, bem, armas de destruição em massa. Nos EUA um amalucado nacionalista fez ressuscitar o nazismo.  E no Brasil… No Brasil a gente discute se o nazismo é de esquerda ou direita.

    Ah! O Brasil…

    O nazismo é de esquerda ou direita? Sério, gente? A maior potência do mundo tem literalmente um nazista no comando (um nazista com armas nucleares), e a gente discutindo se a Dilma Rousseff era Dilmä Hauptscheisse? Pois se existe uma dificuldade muito grande, criamos o JEGUE (Jotapê Entertainment Guia Unificado de Estatísticas) para você compreender a diferença entre a esquerda e a direita — pelo menos no Brasil.

    1) Se é a favor da intromissão do Estado na economia, é direita. Se acredita no uso do BNDS para a criação de “campeãs nacionais”, é de esquerda.

    2) Se acha que a imprensa é golpista, é de esquerda. Se crê que os jornais perseguem o presidente Michel Temer, é de direita.

    3) Se usa cargos e verbas parlamentares para conseguir maioria, é de direita. Se dá uma mesada mensal para parlamentares, é de esquerda.

    4) Se faz carreata em carro aberto com o Marcelo Crivella, é de esquerda. Se anda de mãos dadas com o Silas Malafaia, é de direita.

    5) Se se aliou com o Maluf, é de direita. Se se aliou com o Maluf, é de esquerda.

    6) Se é contra a Lava-Jato, é de esquerda. Se é contra a Lava-Jato, é de direita.

    Foi Millôr Fernandes quem disse: “As ideias, quando ficam velhinhas, vêm sem aposentar no Brasil.” Sem querer discordar do mestre, mas não é exatamente isso. O problema é que o Brasil ainda não conseguiu sair do ano da graça de 1964. Politicamente ainda discutimos se o melhor modelo é trotskista ou stalinista. Nossa “inteligentsia” não passou pela desestalinização. Não dá para levar a sério.

    Mas há uma luz no fim do Túnel. Em 2017 o mundo parece ter regredido para 1945. Não é brincadeira e vou repetir: o presidente dos Estados Unidos é provavelmente um nazista. O maior medo da garotada não é mais o chope quente do Bar Capivara às 3h da manhã, mas literalmente uma guerra nuclear. O Brasil, em 1964, está hoje no futuro. É a nossa sorte. No nosso atraso demos a volta e nos tornamos vanguarda.

    Somos o país do futuro.

    Jotapê Jorge é torto para a esquerda. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

    Esquerda, direita, esquerda

    O mundo está uma porra. Na Europa, amalucados islâmicos transformam carros em armas de destruição em massa. Na Coreia do Norte, amalucados comunistas transformam armas de destruição em massa em, bem, armas de destruição em massa. Nos EUA um amalucado nacionalista fez ressuscitar o nazismo.  E no Brasil… No Brasil a gente discute se o nazismo é de esquerda ou direita.

    Ah! O Brasil…

    O nazismo é de esquerda ou direita? Sério, gente? A maior potência do mundo tem literalmente um nazista no comando (um nazista com armas nucleares), e a gente discutindo se a Dilma Rousseff era Dilmä Hauptscheisse? Pois se existe uma dificuldade muito grande, criamos o JEGUE (Jotapê Entertainment Guia Unificado de Estatísticas) para você compreender a diferença entre a esquerda e a direita — pelo menos no Brasil.

    1) Se é a favor da intromissão do Estado na economia, é direita. Se acredita no uso do BNDS para a criação de “campeãs nacionais”, é de esquerda.

    2) Se acha que a imprensa é golpista, é de esquerda. Se crê que os jornais perseguem o presidente Michel Temer, é de direita.

    3) Se usa cargos e verbas parlamentares para conseguir maioria, é de direita. Se dá uma mesada mensal para parlamentares, é de esquerda.

    4) Se faz carreata em carro aberto com o Marcelo Crivella, é de esquerda. Se anda de mãos dadas com o Silas Malafaia, é de direita.

    5) Se se aliou com o Maluf, é de direita. Se se aliou com o Maluf, é de esquerda.

    6) Se é contra a Lava-Jato, é de esquerda. Se é contra a Lava-Jato, é de direita.

    Foi Millôr Fernandes quem disse: “As ideias, quando ficam velhinhas, vêm sem aposentar no Brasil.” Sem querer discordar do mestre, mas não é exatamente isso. O problema é que o Brasil ainda não conseguiu sair do ano da graça de 1964. Politicamente ainda discutimos se o melhor modelo é trotskista ou stalinista. Nossa “inteligentsia” não passou pela desestalinização. Não dá para levar a sério.

    Mas há uma luz no fim do Túnel. Em 2017 o mundo parece ter regredido para 1945. Não é brincadeira e vou repetir: o presidente dos Estados Unidos é provavelmente um nazista. O maior medo da garotada não é mais o chope quente do Bar Capivara às 3h da manhã, mas literalmente uma guerra nuclear. O Brasil, em 1964, está hoje no futuro. É a nossa sorte. No nosso atraso demos a volta e nos tornamos vanguarda.

    Somos o país do futuro.

    Jotapê Jorge é torto para a esquerda. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

    [ssba]

    Esquerda, direita, esquerda

    Esquerda, direita, esquerda

    O mundo está uma porra. Na Europa, amalucados islâmicos transformam carros em armas de destruição em massa. Na Coreia do Norte, amalucados comunistas transformam armas de destruição em massa em, bem, armas de destruição em massa. Nos EUA um amalucado nacionalista fez ressuscitar o nazismo.  E no Brasil… No Brasil a gente discute se o nazismo é de esquerda ou direita.

    Ah! O Brasil…

    O nazismo é de esquerda ou direita? Sério, gente? A maior potência do mundo tem literalmente um nazista no comando (um nazista com armas nucleares), e a gente discutindo se a Dilma Rousseff era Dilmä Hauptscheisse? Pois se existe uma dificuldade muito grande, criamos o JEGUE (Jotapê Entertainment Guia Unificado de Estatísticas) para você compreender a diferença entre a esquerda e a direita — pelo menos no Brasil.

    1) Se é a favor da intromissão do Estado na economia, é direita. Se acredita no uso do BNDS para a criação de “campeãs nacionais”, é de esquerda.

    2) Se acha que a imprensa é golpista, é de esquerda. Se crê que os jornais perseguem o presidente Michel Temer, é de direita.

    3) Se usa cargos e verbas parlamentares para conseguir maioria, é de direita. Se dá uma mesada mensal para parlamentares, é de esquerda.

    4) Se faz carreata em carro aberto com o Marcelo Crivella, é de esquerda. Se anda de mãos dadas com o Silas Malafaia, é de direita.

    5) Se se aliou com o Maluf, é de direita. Se se aliou com o Maluf, é de esquerda.

    6) Se é contra a Lava-Jato, é de esquerda. Se é contra a Lava-Jato, é de direita.

    Foi Millôr Fernandes quem disse: “As ideias, quando ficam velhinhas, vêm sem aposentar no Brasil.” Sem querer discordar do mestre, mas não é exatamente isso. O problema é que o Brasil ainda não conseguiu sair do ano da graça de 1964. Politicamente ainda discutimos se o melhor modelo é trotskista ou stalinista. Nossa “inteligentsia” não passou pela desestalinização. Não dá para levar a sério.

    Mas há uma luz no fim do Túnel. Em 2017 o mundo parece ter regredido para 1945. Não é brincadeira e vou repetir: o presidente dos Estados Unidos é provavelmente um nazista. O maior medo da garotada não é mais o chope quente do Bar Capivara às 3h da manhã, mas literalmente uma guerra nuclear. O Brasil, em 1964, está hoje no futuro. É a nossa sorte. No nosso atraso demos a volta e nos tornamos vanguarda.

    Somos o país do futuro.

    Jotapê Jorge é torto para a esquerda. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

    [ssba url="http://www.republicadosbananas.com.br/esquerda-direita-esquerda/"]

    A ovada é a solução para o Brasil

    Dória mereceu a ovada. Assim como a mereceram Serra, Maluf, Covas e Marta. E o ex-premier britânico David Cameron, e presidente da França Emmanuel Macron e até o “governator” Arnold Schwarzenegger. E Lula, se algum dia recebe-las, a merecerá. E Temer, e Cunha, e Sarney. E Alckmin e Pezão. E 99% do Congresso, tirando, talvez, o Suplicy (mas só porque ele é “lentinho”, tadinho). A ovada salva. A ovada é a solução para o Brasil!

    Brasileiro adora político. A gente sempre diz que “são todos uns canalhas”, que “é tudo ladrão”, mas basta aparecer um mais charmosinho que a gente se derrete todo.  No caso da burguesia paulistana esclarecida que fez humanas, este cabra foi o Haddad. No caso da burguesia paulistana esclarecida que fez exatas, este senhor foi o Dória. Daí que toda a gente esclarecida, seja da direita-esquerda doriana, ou da esquerda-direita haddadista, tenha achado “o ó” a ovada que recebeu João Dória na Bahia. A gente gosta tanto de político que, ao ver um ser “ovacionado”, sente nojinho.

    Um blogueiro de esquerda, famoso por seus textinhos para comer mulher, sentenciou:

    Entendo a indignação popular, mas não concordo com esse tipo de ataque.

    E não é desapreço pelo ovo – que, na minha humilde opinião, deveria ter sido saudado no lugar da mandioca. Ovo é vida, já dizia a cartilha que nos alfabetizou, o que, claramente, é muito mais importante do que saber que vovó viu a uva.

    Eu sinceramente não faço a menor ideia do que ele quis dizer. Talvez seja uma analogia entre a tradição cristã do ovo como símbolo do renascimento, ou talvez seja apenas um texto mal escrito. O fato é que, para variar, o blogueiro está equivocado. Nós não deveríamos apenas aplaudir as ovadas, mas incentivá-las. Todo o brasileiro devia andar com um ovo no bolso, para o caso de encontrar algum político pela rua — e os candangos, com dois ovos.

    Não que eu ache que deveríamos resolver todos nossos entreveros na base da artilharia aviária. Se assim fosse, o trânsito de nossas capitais seria uma constante batalha, com “amarelo ovo” sendo escolhido a “cor do ano” para novos bólidos apenas pela praticidade e economia em lava-jatos. Com pessoas normais há salvação pelo diálogo (embora, concedo-lhes, toda vez que alguém grita “Lula, ladrão, roubou meu coração” ou “ele não é político, ou gestor”, tenho vontade de desperdiçar uma dúzia inteira em sua cara). Mas políticos não são pessoas normais. Um político médio é, normalmente, a pior união entre incompetência e egolatria. Se não forem xingados, se não levarem ovadas, se forem apenas adulados, é capaz de acharem que são úteis.

    Mas numa coisa Dória está certo. É sorte a nossa (e, especialmente, a dele) nós não estarmos em uma Venezuela. Por lá, com a crise de abastecimento, na falta de ovos as pessoas jogam merda.

    Jotapê Jorge te tacaria um ovo. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    A ovada é a solução para o Brasil

    Dória mereceu a ovada. Assim como a mereceram Serra, Maluf, Covas e Marta. E o ex-premier britânico David Cameron, e presidente da França Emmanuel Macron e até o “governator” Arnold Schwarzenegger. E Lula, se algum dia recebe-las, a merecerá. E Temer, e Cunha, e Sarney. E Alckmin e Pezão. E 99% do Congresso, tirando, talvez, o Suplicy (mas só porque ele é “lentinho”, tadinho). A ovada salva. A ovada é a solução para o Brasil!

    Brasileiro adora político. A gente sempre diz que “são todos uns canalhas”, que “é tudo ladrão”, mas basta aparecer um mais charmosinho que a gente se derrete todo.  No caso da burguesia paulistana esclarecida que fez humanas, este cabra foi o Haddad. No caso da burguesia paulistana esclarecida que fez exatas, este senhor foi o Dória. Daí que toda a gente esclarecida, seja da direita-esquerda doriana, ou da esquerda-direita haddadista, tenha achado “o ó” a ovada que recebeu João Dória na Bahia. A gente gosta tanto de político que, ao ver um ser “ovacionado”, sente nojinho.

    Um blogueiro de esquerda, famoso por seus textinhos para comer mulher, sentenciou:

    Entendo a indignação popular, mas não concordo com esse tipo de ataque.

    E não é desapreço pelo ovo – que, na minha humilde opinião, deveria ter sido saudado no lugar da mandioca. Ovo é vida, já dizia a cartilha que nos alfabetizou, o que, claramente, é muito mais importante do que saber que vovó viu a uva.

    Eu sinceramente não faço a menor ideia do que ele quis dizer. Talvez seja uma analogia entre a tradição cristã do ovo como símbolo do renascimento, ou talvez seja apenas um texto mal escrito. O fato é que, para variar, o blogueiro está equivocado. Nós não deveríamos apenas aplaudir as ovadas, mas incentivá-las. Todo o brasileiro devia andar com um ovo no bolso, para o caso de encontrar algum político pela rua — e os candangos, com dois ovos.

    Não que eu ache que deveríamos resolver todos nossos entreveros na base da artilharia aviária. Se assim fosse, o trânsito de nossas capitais seria uma constante batalha, com “amarelo ovo” sendo escolhido a “cor do ano” para novos bólidos apenas pela praticidade e economia em lava-jatos. Com pessoas normais há salvação pelo diálogo (embora, concedo-lhes, toda vez que alguém grita “Lula, ladrão, roubou meu coração” ou “ele não é político, ou gestor”, tenho vontade de desperdiçar uma dúzia inteira em sua cara). Mas políticos não são pessoas normais. Um político médio é, normalmente, a pior união entre incompetência e egolatria. Se não forem xingados, se não levarem ovadas, se forem apenas adulados, é capaz de acharem que são úteis.

    Mas numa coisa Dória está certo. É sorte a nossa (e, especialmente, a dele) nós não estarmos em uma Venezuela. Por lá, com a crise de abastecimento, na falta de ovos as pessoas jogam merda.

    Jotapê Jorge te tacaria um ovo. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    A ovada é a solução para o Brasil

    Dória mereceu a ovada. Assim como a mereceram Serra, Maluf, Covas e Marta. E o ex-premier britânico David Cameron, e presidente da França Emmanuel Macron e até o “governator” Arnold Schwarzenegger. E Lula, se algum dia recebe-las, a merecerá. E Temer, e Cunha, e Sarney. E Alckmin e Pezão. E 99% do Congresso, tirando, talvez, o Suplicy (mas só porque ele é “lentinho”, tadinho). A ovada salva. A ovada é a solução para o Brasil!

    Brasileiro adora político. A gente sempre diz que “são todos uns canalhas”, que “é tudo ladrão”, mas basta aparecer um mais charmosinho que a gente se derrete todo.  No caso da burguesia paulistana esclarecida que fez humanas, este cabra foi o Haddad. No caso da burguesia paulistana esclarecida que fez exatas, este senhor foi o Dória. Daí que toda a gente esclarecida, seja da direita-esquerda doriana, ou da esquerda-direita haddadista, tenha achado “o ó” a ovada que recebeu João Dória na Bahia. A gente gosta tanto de político que, ao ver um ser “ovacionado”, sente nojinho.

    Um blogueiro de esquerda, famoso por seus textinhos para comer mulher, sentenciou:

    Entendo a indignação popular, mas não concordo com esse tipo de ataque.

    E não é desapreço pelo ovo – que, na minha humilde opinião, deveria ter sido saudado no lugar da mandioca. Ovo é vida, já dizia a cartilha que nos alfabetizou, o que, claramente, é muito mais importante do que saber que vovó viu a uva.

    Eu sinceramente não faço a menor ideia do que ele quis dizer. Talvez seja uma analogia entre a tradição cristã do ovo como símbolo do renascimento, ou talvez seja apenas um texto mal escrito. O fato é que, para variar, o blogueiro está equivocado. Nós não deveríamos apenas aplaudir as ovadas, mas incentivá-las. Todo o brasileiro devia andar com um ovo no bolso, para o caso de encontrar algum político pela rua — e os candangos, com dois ovos.

    Não que eu ache que deveríamos resolver todos nossos entreveros na base da artilharia aviária. Se assim fosse, o trânsito de nossas capitais seria uma constante batalha, com “amarelo ovo” sendo escolhido a “cor do ano” para novos bólidos apenas pela praticidade e economia em lava-jatos. Com pessoas normais há salvação pelo diálogo (embora, concedo-lhes, toda vez que alguém grita “Lula, ladrão, roubou meu coração” ou “ele não é político, ou gestor”, tenho vontade de desperdiçar uma dúzia inteira em sua cara). Mas políticos não são pessoas normais. Um político médio é, normalmente, a pior união entre incompetência e egolatria. Se não forem xingados, se não levarem ovadas, se forem apenas adulados, é capaz de acharem que são úteis.

    Mas numa coisa Dória está certo. É sorte a nossa (e, especialmente, a dele) nós não estarmos em uma Venezuela. Por lá, com a crise de abastecimento, na falta de ovos as pessoas jogam merda.

    Jotapê Jorge te tacaria um ovo. Ele escreve por aqui toda a sexta (ou às vezes terça. Ou à vezes quando lhe dá na telha), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    [ssba url="http://www.republicadosbananas.com.br/a-ovada-e-a-solucao-para-o-brasil/"]

    Brasil MUY golpeado

    O golpe é a desculpa da moda. Chegou em casa para lá de Bagdá, cheirando cabaré, com a calça arriada, batom na cueca e uma tatuagem no ombro onde se lê “Temer: a amizade nem mesmo a força do tempo poderá destruir”? Ora, foi golpe! Saiu de carro, bebeu todas, foi pego na blitz, xingou o policial, subiu em cima do capô para tentar fugir dos canas, mas terminou enjaulado numa cela e ganhar o apelido de “Márcia”? Pois, meu amigo, foi golpe! Recebeu o gemidão do Zap no escritório e todo mundo ouviu? Ha-ha! Golpe!

    O golpe está para a esquerda brasileira (doravante grafada apenas como esquerdinha, pois, afinal, é isso o que ela é) como a segunda vinda de Jesus Cristo. Ele é a salvação e a vida, e quem crê nele votará sem culpa em Lula (que, como se sabe, está sentado no trono de Deus pai, onde um dia irá de julgar vivos e mortos, exceto os donos de empreiteira e os açougueiros de Brasília).  O golpe remiu a esquerdinha. O golpe os salvou de um voto horrível.

    Há frases que tornam o interlocutor imediatamente mais inteligente: “desenvolvimento sustentável”, “alternativa de país”, “a poética de Chico Buarque de Holanda” e, desde a metade do ano passado, “foi golpe!”. Nenhuma desculpa é tão perfeita. O golpe nos fez melhores, nos fez mais bonitos quiça. Antes do golpe a esquerdinha era feia, boba, e má. Hoje são, no máximo, uns ex-buchos — e como são espertos! Nada é mais genial do que gritar “golpe!” O golpe é a camiseta “Truffaut & Hitchcock & Fellinni & Almodóvar” do jovem cinéfilo fã de Transformers. É o Grande Sertão: Veredas embaixo do braço estudante de Letras. É o broche “Fora, Temer!” na lapela do publicitário que frequenta o Bar Capivara às 3h da manhã.

    Melhor que o golpe, apenas o adjetivo “golpista”. O carro não funcionou de manhã? Golpista! Levou uma fechada no trânsito? Golpista! Derrubou o controle remoto embaixo do sofá e não consegue mais pegá-lo? Esse controle é golpista! Está com preguiça de lavar a louça? Pois a louça é golpista! Apoiou um regime autocrático, que cerceia a imprensa, causa dor e sofrimento aos seus cidadãos e que está fazendo a toque de caixa uma constituinte…?

    Aí não é golpismo, não. Você é burro? Aí é alternativa democrática de esquerda.

    Jotapê Jorge acha que gritar “golpe” é contra a sua inteligência. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    Brasil MUY golpeado

    O golpe é a desculpa da moda. Chegou em casa para lá de Bagdá, cheirando cabaré, com a calça arriada, batom na cueca e uma tatuagem no ombro onde se lê “Temer: a amizade nem mesmo a força do tempo poderá destruir”? Ora, foi golpe! Saiu de carro, bebeu todas, foi pego na blitz, xingou o policial, subiu em cima do capô para tentar fugir dos canas, mas terminou enjaulado numa cela e ganhar o apelido de “Márcia”? Pois, meu amigo, foi golpe! Recebeu o gemidão do Zap no escritório e todo mundo ouviu? Ha-ha! Golpe!

    O golpe está para a esquerda brasileira (doravante grafada apenas como esquerdinha, pois, afinal, é isso o que ela é) como a segunda vinda de Jesus Cristo. Ele é a salvação e a vida, e quem crê nele votará sem culpa em Lula (que, como se sabe, está sentado no trono de Deus pai, onde um dia irá de julgar vivos e mortos, exceto os donos de empreiteira e os açougueiros de Brasília).  O golpe remiu a esquerdinha. O golpe os salvou de um voto horrível.

    Há frases que tornam o interlocutor imediatamente mais inteligente: “desenvolvimento sustentável”, “alternativa de país”, “a poética de Chico Buarque de Holanda” e, desde a metade do ano passado, “foi golpe!”. Nenhuma desculpa é tão perfeita. O golpe nos fez melhores, nos fez mais bonitos quiça. Antes do golpe a esquerdinha era feia, boba, e má. Hoje são, no máximo, uns ex-buchos — e como são espertos! Nada é mais genial do que gritar “golpe!” O golpe é a camiseta “Truffaut & Hitchcock & Fellinni & Almodóvar” do jovem cinéfilo fã de Transformers. É o Grande Sertão: Veredas embaixo do braço estudante de Letras. É o broche “Fora, Temer!” na lapela do publicitário que frequenta o Bar Capivara às 3h da manhã.

    Melhor que o golpe, apenas o adjetivo “golpista”. O carro não funcionou de manhã? Golpista! Levou uma fechada no trânsito? Golpista! Derrubou o controle remoto embaixo do sofá e não consegue mais pegá-lo? Esse controle é golpista! Está com preguiça de lavar a louça? Pois a louça é golpista! Apoiou um regime autocrático, que cerceia a imprensa, causa dor e sofrimento aos seus cidadãos e que está fazendo a toque de caixa uma constituinte…?

    Aí não é golpismo, não. Você é burro? Aí é alternativa democrática de esquerda.

    Jotapê Jorge acha que gritar “golpe” é contra a sua inteligência. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Brasil MUY golpeado

    Brasil MUY golpeado

    O golpe é a desculpa da moda. Chegou em casa para lá de Bagdá, cheirando cabaré, com a calça arriada, batom na cueca e uma tatuagem no ombro onde se lê “Temer: a amizade nem mesmo a força do tempo poderá destruir”? Ora, foi golpe! Saiu de carro, bebeu todas, foi pego na blitz, xingou o policial, subiu em cima do capô para tentar fugir dos canas, mas terminou enjaulado numa cela e ganhar o apelido de “Márcia”? Pois, meu amigo, foi golpe! Recebeu o gemidão do Zap no escritório e todo mundo ouviu? Ha-ha! Golpe!

    O golpe está para a esquerda brasileira (doravante grafada apenas como esquerdinha, pois, afinal, é isso o que ela é) como a segunda vinda de Jesus Cristo. Ele é a salvação e a vida, e quem crê nele votará sem culpa em Lula (que, como se sabe, está sentado no trono de Deus pai, onde um dia irá de julgar vivos e mortos, exceto os donos de empreiteira e os açougueiros de Brasília).  O golpe remiu a esquerdinha. O golpe os salvou de um voto horrível.

    Há frases que tornam o interlocutor imediatamente mais inteligente: “desenvolvimento sustentável”, “alternativa de país”, “a poética de Chico Buarque de Holanda” e, desde a metade do ano passado, “foi golpe!”. Nenhuma desculpa é tão perfeita. O golpe nos fez melhores, nos fez mais bonitos quiça. Antes do golpe a esquerdinha era feia, boba, e má. Hoje são, no máximo, uns ex-buchos — e como são espertos! Nada é mais genial do que gritar “golpe!” O golpe é a camiseta “Truffaut & Hitchcock & Fellinni & Almodóvar” do jovem cinéfilo fã de Transformers. É o Grande Sertão: Veredas embaixo do braço estudante de Letras. É o broche “Fora, Temer!” na lapela do publicitário que frequenta o Bar Capivara às 3h da manhã.

    Melhor que o golpe, apenas o adjetivo “golpista”. O carro não funcionou de manhã? Golpista! Levou uma fechada no trânsito? Golpista! Derrubou o controle remoto embaixo do sofá e não consegue mais pegá-lo? Esse controle é golpista! Está com preguiça de lavar a louça? Pois a louça é golpista! Apoiou um regime autocrático, que cerceia a imprensa, causa dor e sofrimento aos seus cidadãos e que está fazendo a toque de caixa uma constituinte…?

    Aí não é golpismo, não. Você é burro? Aí é alternativa democrática de esquerda.

    Jotapê Jorge acha que gritar “golpe” é contra a sua inteligência. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    [ssba url="http://www.republicadosbananas.com.br/brasil-muy-golpeado/"]

    Eu já estou de saco cheio dos fãs do Lula

    O Lula foi um péssimo presidente da república. Pronto, que comece o linchamento. Nada é mais perigoso no Brasil do que falar mal de Luís Inácio Lula da Silva. Nosso país vive um estranho caso de amor e ódio com Lula, e mesmo seus detratores se derretem — como um rodriguiano Chicabons ao sol — antes de falar mal do cabra: “Ele pode ser um megalomaníaco, mas como fala bem, o desgraçado!” O Brasil é a mulher de malandro do Lula, que não cansa de passar noites fora, tomar porres homéricos, voltar para casa e pedir perdão. E o pior é que a gente perdoa.

    Nenhuma nação mimou mais um cidadão do que o Brasil faz com Lula. Para Lula tudo é permitido, em Lula tudo é mais bonito. Se o Maluf enriquece ilegalmente, um absurdo. Mas Lula? Lula tudo bem! Se um político qualquer é pego com uma mala cheia de dinheiro, que matem, massacrem, que espanquem seus familiares e o botem na cadeia. Mas Lula e o triplex? “Lula não sabia de nada.” Já repararam como ouvimos isso nos últimos 15 anos? Futuros historiadores da língua portuguesa se perguntarão o porquê de quase toda manchete conter as palavras “Lula não sabia de nada”.

    “Mas Jotapê”, posso ouvi-lo dizer, com seu  broche da estrelinha do PT e uma camiseta retrô escrito “O sonho acabou, quem não acreditou na estrela sequer sonhou”. “Isso que você falou é mentira. Todo mundo sabe que a mídia golpista cometeu com Lula a maior injustiça já perpetrada contra um presidente.” Amigão, vem cá. Você lê jornal? Na moral. Você viu o Jornal Nacional desde que o Temer assumiu? Viu como o Temer é esculachado? Viu? Pois eu duvido muito. Só um idiota que se informa pelo site “O Vermelho” para acreditar que a mídia golpista é a maior culpada pelas agruras do Lula. Aliás, vá assistir o Jornal Nacional do dia da eleição do Lula. Vá ver o William Bonner molhar a calcinha ao anunciar a eleição do primeiro operário presidente.

    Mas não adianta. Ouvir um fã do Lula é quase como ouvir uma mãe falar do filho único. “Ele não fez nada de errado. Ele é perseguido na escola.” “Ele merece ter esse brinquedo caro, mesmo que tenha ido mal neste semestre.” “Ele vai brincar com os seus brinquedos sim, porque eu não vou aguentar adulto babaca fazendo mal pro meu filhinho.”

    Não me levem a mal. Eu já fui fã do Lula. Afinal, broche com a estrelinha do PT é que nem carro a álcool, todo mundo já teve um. Mas eu prefiro o começo de sua carreira. Se Lula fosse uma banda, eu seria um grande fã dos discos “Sindicalista”, “Eleição 89” e “Candidato 2002”. “Presidente 2002-2010” teve seus hits. Mas “Lobista de Empreiteira”, francamente, é uma porcaria.

    Jotapê Jorge não te respeita, e pede para você não ir à sua casa. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    Eu já estou de saco cheio dos fãs do Lula

    O Lula foi um péssimo presidente da república. Pronto, que comece o linchamento. Nada é mais perigoso no Brasil do que falar mal de Luís Inácio Lula da Silva. Nosso país vive um estranho caso de amor e ódio com Lula, e mesmo seus detratores se derretem — como um rodriguiano Chicabons ao sol — antes de falar mal do cabra: “Ele pode ser um megalomaníaco, mas como fala bem, o desgraçado!” O Brasil é a mulher de malandro do Lula, que não cansa de passar noites fora, tomar porres homéricos, voltar para casa e pedir perdão. E o pior é que a gente perdoa.

    Nenhuma nação mimou mais um cidadão do que o Brasil faz com Lula. Para Lula tudo é permitido, em Lula tudo é mais bonito. Se o Maluf enriquece ilegalmente, um absurdo. Mas Lula? Lula tudo bem! Se um político qualquer é pego com uma mala cheia de dinheiro, que matem, massacrem, que espanquem seus familiares e o botem na cadeia. Mas Lula e o triplex? “Lula não sabia de nada.” Já repararam como ouvimos isso nos últimos 15 anos? Futuros historiadores da língua portuguesa se perguntarão o porquê de quase toda manchete conter as palavras “Lula não sabia de nada”.

    “Mas Jotapê”, posso ouvi-lo dizer, com seu  broche da estrelinha do PT e uma camiseta retrô escrito “O sonho acabou, quem não acreditou na estrela sequer sonhou”. “Isso que você falou é mentira. Todo mundo sabe que a mídia golpista cometeu com Lula a maior injustiça já perpetrada contra um presidente.” Amigão, vem cá. Você lê jornal? Na moral. Você viu o Jornal Nacional desde que o Temer assumiu? Viu como o Temer é esculachado? Viu? Pois eu duvido muito. Só um idiota que se informa pelo site “O Vermelho” para acreditar que a mídia golpista é a maior culpada pelas agruras do Lula. Aliás, vá assistir o Jornal Nacional do dia da eleição do Lula. Vá ver o William Bonner molhar a calcinha ao anunciar a eleição do primeiro operário presidente.

    Mas não adianta. Ouvir um fã do Lula é quase como ouvir uma mãe falar do filho único. “Ele não fez nada de errado. Ele é perseguido na escola.” “Ele merece ter esse brinquedo caro, mesmo que tenha ido mal neste semestre.” “Ele vai brincar com os seus brinquedos sim, porque eu não vou aguentar adulto babaca fazendo mal pro meu filhinho.”

    Não me levem a mal. Eu já fui fã do Lula. Afinal, broche com a estrelinha do PT é que nem carro a álcool, todo mundo já teve um. Mas eu prefiro o começo de sua carreira. Se Lula fosse uma banda, eu seria um grande fã dos discos “Sindicalista”, “Eleição 89” e “Candidato 2002”. “Presidente 2002-2010” teve seus hits. Mas “Lobista de Empreiteira”, francamente, é uma porcaria.

    Jotapê Jorge não te respeita, e pede para você não ir à sua casa. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Eu já estou de saco cheio dos fãs do Lula

    O Lula foi um péssimo presidente da república. Pronto, que comece o linchamento. Nada é mais perigoso no Brasil do que falar mal de Luís Inácio Lula da Silva. Nosso país vive um estranho caso de amor e ódio com Lula, e mesmo seus detratores se derretem — como um rodriguiano Chicabons ao sol — antes de falar mal do cabra: “Ele pode ser um megalomaníaco, mas como fala bem, o desgraçado!” O Brasil é a mulher de malandro do Lula, que não cansa de passar noites fora, tomar porres homéricos, voltar para casa e pedir perdão. E o pior é que a gente perdoa.

    Nenhuma nação mimou mais um cidadão do que o Brasil faz com Lula. Para Lula tudo é permitido, em Lula tudo é mais bonito. Se o Maluf enriquece ilegalmente, um absurdo. Mas Lula? Lula tudo bem! Se um político qualquer é pego com uma mala cheia de dinheiro, que matem, massacrem, que espanquem seus familiares e o botem na cadeia. Mas Lula e o triplex? “Lula não sabia de nada.” Já repararam como ouvimos isso nos últimos 15 anos? Futuros historiadores da língua portuguesa se perguntarão o porquê de quase toda manchete conter as palavras “Lula não sabia de nada”.

    “Mas Jotapê”, posso ouvi-lo dizer, com seu  broche da estrelinha do PT e uma camiseta retrô escrito “O sonho acabou, quem não acreditou na estrela sequer sonhou”. “Isso que você falou é mentira. Todo mundo sabe que a mídia golpista cometeu com Lula a maior injustiça já perpetrada contra um presidente.” Amigão, vem cá. Você lê jornal? Na moral. Você viu o Jornal Nacional desde que o Temer assumiu? Viu como o Temer é esculachado? Viu? Pois eu duvido muito. Só um idiota que se informa pelo site “O Vermelho” para acreditar que a mídia golpista é a maior culpada pelas agruras do Lula. Aliás, vá assistir o Jornal Nacional do dia da eleição do Lula. Vá ver o William Bonner molhar a calcinha ao anunciar a eleição do primeiro operário presidente.

    Mas não adianta. Ouvir um fã do Lula é quase como ouvir uma mãe falar do filho único. “Ele não fez nada de errado. Ele é perseguido na escola.” “Ele merece ter esse brinquedo caro, mesmo que tenha ido mal neste semestre.” “Ele vai brincar com os seus brinquedos sim, porque eu não vou aguentar adulto babaca fazendo mal pro meu filhinho.”

    Não me levem a mal. Eu já fui fã do Lula. Afinal, broche com a estrelinha do PT é que nem carro a álcool, todo mundo já teve um. Mas eu prefiro o começo de sua carreira. Se Lula fosse uma banda, eu seria um grande fã dos discos “Sindicalista”, “Eleição 89” e “Candidato 2002”. “Presidente 2002-2010” teve seus hits. Mas “Lobista de Empreiteira”, francamente, é uma porcaria.

    Jotapê Jorge não te respeita, e pede para você não ir à sua casa. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Jean Wyllys é o Bolsonaro da esquerda

    Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão e eu sinceramente não vou discutir esta questão. Se quiserem uma opinião embasada, perguntem para algum jurista. Eu no máximo fiz jornalismo.  Dito isto: o deputado Jean Wyllys foi às telas dos computadores justificar a condenação do ex-presidente da república como “ato de perseguição” e o número de anos da pena ao fato de Lula ter nove dedos. Tô falando sério. Depois chamou Moro de “cafona”. Só faltou chamá-lo de cocozento.

    O discurso é histriônico e a argumentação ilógica. No fundo o videozinho é apenas uma grande bobagem, quase uma teoria da conspiração. Parece até um outro deputado histriônico, ilógico, dado a bobagens e teorias da conspiração: Jair Bolsonaro. Se vocês tivessem de escolher entre votar no Bobowyllys, no Bozonaro ou comer uma tigela de porra de búfalo que ficou ao sol por 20 dias, vocês escolheriam temperar a tigela com sal, pimenta ou cominho?

    Não é possível que o movimento gay seja representado por Jean Wyllys. Os gays são melhores do que isso. A dura realidade é que o modus operandi de Bolsonaro e Wyllys é muito parecido: ambos são fascistas. Não se engane. Embora recoberto por um lustre “humanista”, o desejo de Wyllys é mandar. Se Wyllys tivesse a oportunidade, botaria Bolsonaro no paredão. Céus! Se ele tivesse a chance me botaria na guilhotina pelo que estou escrevendo. Jean Wyllys é um Ivan Ilítch Pralinski de Uma História Desagradável. Mentira: Dostoiévski jamais seria capaz de escrever um personagem tão torpe.

    “Mas Jotapê, fascista é você!”, dirá o senhor, com um broche de “Lula, ladrão, roubou meu coração” numa lapela e outro de “Lula: vítima do sistema” para defender um homem branco, hetero e cis que ficou milionário com política na outra. “O Jean Wyllys defende os direitos das minorias. Não é possível que ele seja ruim.” Claro, Jean Wyllys defende os homossexuais,  mas sua atuação parlamentar é tão desastrosa que era melhor que não estivesse lá. Jean Wyllys está para o movimento gay assim como o torcedor organizado está para o futebol: só serve para queimar o filme.

    E mesmo que Jean fosse um baita deputado, mesmo que hoje vivêssemos num país mais tolerante graças aos seus discursos tresloucados botando na Globo a culpa por sua unha encravada, isto não o redimiria de suas falhas. Não o redimiria de sua ignorância política. Não o redimiria de sua intolerância. Não o redimiria de usar suas redes sociais para espalhar boatos e teorias da conspiração. Não o redimiria de ser um grande personagem.

    Pois já faz tempo que Jean Wyllys tornou-se um personagem, e da pior espécie. Arrisco dizer que desde o “golpe”, quando cuspiu na cara de seu alter-ego Bolsonaro. Os dois, aliás, vivem no Congresso Nacional uma relação quase simbiótica. O que seria de Jean Wyllys sem Jair Bolsonaro? O que seria de Jair Bolsonaro sem Jean Wyllys?

    Jotapê Jorge não é gay, mas gostaria de ser para encher o saco de homofóbicos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

     

     

    Jean Wyllys é o Bolsonaro da esquerda

    Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão e eu sinceramente não vou discutir esta questão. Se quiserem uma opinião embasada, perguntem para algum jurista. Eu no máximo fiz jornalismo.  Dito isto: o deputado Jean Wyllys foi às telas dos computadores justificar a condenação do ex-presidente da república como “ato de perseguição” e o número de anos da pena ao fato de Lula ter nove dedos. Tô falando sério. Depois chamou Moro de “cafona”. Só faltou chamá-lo de cocozento.

    O discurso é histriônico e a argumentação ilógica. No fundo o videozinho é apenas uma grande bobagem, quase uma teoria da conspiração. Parece até um outro deputado histriônico, ilógico, dado a bobagens e teorias da conspiração: Jair Bolsonaro. Se vocês tivessem de escolher entre votar no Bobowyllys, no Bozonaro ou comer uma tigela de porra de búfalo que ficou ao sol por 20 dias, vocês escolheriam temperar a tigela com sal, pimenta ou cominho?

    Não é possível que o movimento gay seja representado por Jean Wyllys. Os gays são melhores do que isso. A dura realidade é que o modus operandi de Bolsonaro e Wyllys é muito parecido: ambos são fascistas. Não se engane. Embora recoberto por um lustre “humanista”, o desejo de Wyllys é mandar. Se Wyllys tivesse a oportunidade, botaria Bolsonaro no paredão. Céus! Se ele tivesse a chance me botaria na guilhotina pelo que estou escrevendo. Jean Wyllys é um Ivan Ilítch Pralinski de Uma História Desagradável. Mentira: Dostoiévski jamais seria capaz de escrever um personagem tão torpe.

    “Mas Jotapê, fascista é você!”, dirá o senhor, com um broche de “Lula, ladrão, roubou meu coração” numa lapela e outro de “Lula: vítima do sistema” para defender um homem branco, hetero e cis que ficou milionário com política na outra. “O Jean Wyllys defende os direitos das minorias. Não é possível que ele seja ruim.” Claro, Jean Wyllys defende os homossexuais,  mas sua atuação parlamentar é tão desastrosa que era melhor que não estivesse lá. Jean Wyllys está para o movimento gay assim como o torcedor organizado está para o futebol: só serve para queimar o filme.

    E mesmo que Jean fosse um baita deputado, mesmo que hoje vivêssemos num país mais tolerante graças aos seus discursos tresloucados botando na Globo a culpa por sua unha encravada, isto não o redimiria de suas falhas. Não o redimiria de sua ignorância política. Não o redimiria de sua intolerância. Não o redimiria de usar suas redes sociais para espalhar boatos e teorias da conspiração. Não o redimiria de ser um grande personagem.

    Pois já faz tempo que Jean Wyllys tornou-se um personagem, e da pior espécie. Arrisco dizer que desde o “golpe”, quando cuspiu na cara de seu alter-ego Bolsonaro. Os dois, aliás, vivem no Congresso Nacional uma relação quase simbiótica. O que seria de Jean Wyllys sem Jair Bolsonaro? O que seria de Jair Bolsonaro sem Jean Wyllys?

    Jotapê Jorge não é gay, mas gostaria de ser para encher o saco de homofóbicos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

     

     

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    Jean Wyllys é o Bolsonaro da esquerda

    Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão e eu sinceramente não vou discutir esta questão. Se quiserem uma opinião embasada, perguntem para algum jurista. Eu no máximo fiz jornalismo.  Dito isto: o deputado Jean Wyllys foi às telas dos computadores justificar a condenação do ex-presidente da república como “ato de perseguição” e o número de anos da pena ao fato de Lula ter nove dedos. Tô falando sério. Depois chamou Moro de “cafona”. Só faltou chamá-lo de cocozento.

    O discurso é histriônico e a argumentação ilógica. No fundo o videozinho é apenas uma grande bobagem, quase uma teoria da conspiração. Parece até um outro deputado histriônico, ilógico, dado a bobagens e teorias da conspiração: Jair Bolsonaro. Se vocês tivessem de escolher entre votar no Bobowyllys, no Bozonaro ou comer uma tigela de porra de búfalo que ficou ao sol por 20 dias, vocês escolheriam temperar a tigela com sal, pimenta ou cominho?

    Não é possível que o movimento gay seja representado por Jean Wyllys. Os gays são melhores do que isso. A dura realidade é que o modus operandi de Bolsonaro e Wyllys é muito parecido: ambos são fascistas. Não se engane. Embora recoberto por um lustre “humanista”, o desejo de Wyllys é mandar. Se Wyllys tivesse a oportunidade, botaria Bolsonaro no paredão. Céus! Se ele tivesse a chance me botaria na guilhotina pelo que estou escrevendo. Jean Wyllys é um Ivan Ilítch Pralinski de Uma História Desagradável. Mentira: Dostoiévski jamais seria capaz de escrever um personagem tão torpe.

    “Mas Jotapê, fascista é você!”, dirá o senhor, com um broche de “Lula, ladrão, roubou meu coração” numa lapela e outro de “Lula: vítima do sistema” para defender um homem branco, hetero e cis que ficou milionário com política na outra. “O Jean Wyllys defende os direitos das minorias. Não é possível que ele seja ruim.” Claro, Jean Wyllys defende os homossexuais,  mas sua atuação parlamentar é tão desastrosa que era melhor que não estivesse lá. Jean Wyllys está para o movimento gay assim como o torcedor organizado está para o futebol: só serve para queimar o filme.

    E mesmo que Jean fosse um baita deputado, mesmo que hoje vivêssemos num país mais tolerante graças aos seus discursos tresloucados botando na Globo a culpa por sua unha encravada, isto não o redimiria de suas falhas. Não o redimiria de sua ignorância política. Não o redimiria de sua intolerância. Não o redimiria de usar suas redes sociais para espalhar boatos e teorias da conspiração. Não o redimiria de ser um grande personagem.

    Pois já faz tempo que Jean Wyllys tornou-se um personagem, e da pior espécie. Arrisco dizer que desde o “golpe”, quando cuspiu na cara de seu alter-ego Bolsonaro. Os dois, aliás, vivem no Congresso Nacional uma relação quase simbiótica. O que seria de Jean Wyllys sem Jair Bolsonaro? O que seria de Jair Bolsonaro sem Jean Wyllys?

    Jotapê Jorge não é gay, mas gostaria de ser para encher o saco de homofóbicos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

     

     

    [ssba url="http://www.republicadosbananas.com.br/jean-wyllys-e-o-bolsonaro-da-esquerda/"]

    Rodrigo Maia tem cara de pum

    Cresce a articulação para que Rodrigo Maia assuma o lugar de Temer na presidência da República. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio fucking Maia. Sabe como normalmente o filme original é muito bom, a sequência uma porcaria e o terceiro filme enterra a franquia? Pois também é assim na política nacional depois de 2014. Só que o “filme original” já era a droga Dilma Rousseff. Dilma Vana fucking Rousseff. A franquia, é claro, é o Brasil, seu coió. Estamos perdidos.

    Algum idiota fará a comparação entre Rodrigo Maia e Frank Underwood, o personagem principal da série House of Cards. Dirá que, tal qual Underwood, Maia está para virar presidente “sem nenhum voto”. Depois, girando seu whisky aguado na porta do bar Capivara às três da manhã, este imbecil vaticinará que o Brasil do realpolitk  bota House of Cards no chinelo. Pois nada pode ser menos Frank Underwood do que Rodrigo Maia. Para começar: o Rodrigo Maia tem cara de pum. É impossível imaginar um grande estrategista, uma raposa política, segurando eternamente um peido encalacrado. Você consegue visualizar Rodrigo Maia numa mesa redonda planejando o fim do nosso país? Eu não. Quer dizer, Rodrigo Maia deve até participar dessas reuniões (elas acontecem na casa do Sarney às terças), mas com certeza passa o tempo todo pensando no pum que tem preso no meio da bunda.

    Eu sinto pena de Rodrigo Maia. Afinal, todo mundo já quis peidar e não pôde. Vocês conhecem a sensação, aquela de ter vontade de peidar, mas estar num primeiro encontro. Pois Rodrigo Maia sente isso todos os dias, todos os momentos de sua vida: passeando com a família. Numa sorveteria em Copacabana. No cinema. Num estádio de futebol. Mentira. É claro que Rodrigo Maia nunca sentou suas nádegas felpudas num estádio de futebol.

    Para além de seus claros problemas intestinais, Rodrigo Maia é a sintese do moleque de prédio. Posso apostar que ele era o dono da bola, e brigava quando não lhe deixavam jogar no ataque (ainda que fosse um perna de pau). Rodrigo Maia tinha a bicicleta mais legal do bairro, mas não sabia andar (e mesmo assim sua mãe o obrigava a usar capacete, joelheiras e cotoveleiras). Rodrigo Maia  ganhava um saco de mariolas e não dividia com ninguém. O apelido de Rodrigo Maia no colégio podia até ser “Zé Bundinha”, “Cu de Ganso” ou “Meinha”.

    Mas com certeza foi cara de pum.

    Jotapê Jorge acha que a trilogia Brasil precisa de um reboot. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    Rodrigo Maia tem cara de pum

    Cresce a articulação para que Rodrigo Maia assuma o lugar de Temer na presidência da República. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio fucking Maia. Sabe como normalmente o filme original é muito bom, a sequência uma porcaria e o terceiro filme enterra a franquia? Pois também é assim na política nacional depois de 2014. Só que o “filme original” já era a droga Dilma Rousseff. Dilma Vana fucking Rousseff. A franquia, é claro, é o Brasil, seu coió. Estamos perdidos.

    Algum idiota fará a comparação entre Rodrigo Maia e Frank Underwood, o personagem principal da série House of Cards. Dirá que, tal qual Underwood, Maia está para virar presidente “sem nenhum voto”. Depois, girando seu whisky aguado na porta do bar Capivara às três da manhã, este imbecil vaticinará que o Brasil do realpolitk  bota House of Cards no chinelo. Pois nada pode ser menos Frank Underwood do que Rodrigo Maia. Para começar: o Rodrigo Maia tem cara de pum. É impossível imaginar um grande estrategista, uma raposa política, segurando eternamente um peido encalacrado. Você consegue visualizar Rodrigo Maia numa mesa redonda planejando o fim do nosso país? Eu não. Quer dizer, Rodrigo Maia deve até participar dessas reuniões (elas acontecem na casa do Sarney às terças), mas com certeza passa o tempo todo pensando no pum que tem preso no meio da bunda.

    Eu sinto pena de Rodrigo Maia. Afinal, todo mundo já quis peidar e não pôde. Vocês conhecem a sensação, aquela de ter vontade de peidar, mas estar num primeiro encontro. Pois Rodrigo Maia sente isso todos os dias, todos os momentos de sua vida: passeando com a família. Numa sorveteria em Copacabana. No cinema. Num estádio de futebol. Mentira. É claro que Rodrigo Maia nunca sentou suas nádegas felpudas num estádio de futebol.

    Para além de seus claros problemas intestinais, Rodrigo Maia é a sintese do moleque de prédio. Posso apostar que ele era o dono da bola, e brigava quando não lhe deixavam jogar no ataque (ainda que fosse um perna de pau). Rodrigo Maia tinha a bicicleta mais legal do bairro, mas não sabia andar (e mesmo assim sua mãe o obrigava a usar capacete, joelheiras e cotoveleiras). Rodrigo Maia  ganhava um saco de mariolas e não dividia com ninguém. O apelido de Rodrigo Maia no colégio podia até ser “Zé Bundinha”, “Cu de Ganso” ou “Meinha”.

    Mas com certeza foi cara de pum.

    Jotapê Jorge acha que a trilogia Brasil precisa de um reboot. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    [ssba]

    Rodrigo Maia tem cara de pum

    Cresce a articulação para que Rodrigo Maia assuma o lugar de Temer na presidência da República. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio fucking Maia. Sabe como normalmente o filme original é muito bom, a sequência uma porcaria e o terceiro filme enterra a franquia? Pois também é assim na política nacional depois de 2014. Só que o “filme original” já era a droga Dilma Rousseff. Dilma Vana fucking Rousseff. A franquia, é claro, é o Brasil, seu coió. Estamos perdidos.

    Algum idiota fará a comparação entre Rodrigo Maia e Frank Underwood, o personagem principal da série House of Cards. Dirá que, tal qual Underwood, Maia está para virar presidente “sem nenhum voto”. Depois, girando seu whisky aguado na porta do bar Capivara às três da manhã, este imbecil vaticinará que o Brasil do realpolitk  bota House of Cards no chinelo. Pois nada pode ser menos Frank Underwood do que Rodrigo Maia. Para começar: o Rodrigo Maia tem cara de pum. É impossível imaginar um grande estrategista, uma raposa política, segurando eternamente um peido encalacrado. Você consegue visualizar Rodrigo Maia numa mesa redonda planejando o fim do nosso país? Eu não. Quer dizer, Rodrigo Maia deve até participar dessas reuniões (elas acontecem na casa do Sarney às terças), mas com certeza passa o tempo todo pensando no pum que tem preso no meio da bunda.

    Eu sinto pena de Rodrigo Maia. Afinal, todo mundo já quis peidar e não pôde. Vocês conhecem a sensação, aquela de ter vontade de peidar, mas estar num primeiro encontro. Pois Rodrigo Maia sente isso todos os dias, todos os momentos de sua vida: passeando com a família. Numa sorveteria em Copacabana. No cinema. Num estádio de futebol. Mentira. É claro que Rodrigo Maia nunca sentou suas nádegas felpudas num estádio de futebol.

    Para além de seus claros problemas intestinais, Rodrigo Maia é a sintese do moleque de prédio. Posso apostar que ele era o dono da bola, e brigava quando não lhe deixavam jogar no ataque (ainda que fosse um perna de pau). Rodrigo Maia tinha a bicicleta mais legal do bairro, mas não sabia andar (e mesmo assim sua mãe o obrigava a usar capacete, joelheiras e cotoveleiras). Rodrigo Maia  ganhava um saco de mariolas e não dividia com ninguém. O apelido de Rodrigo Maia no colégio podia até ser “Zé Bundinha”, “Cu de Ganso” ou “Meinha”.

    Mas com certeza foi cara de pum.

    Jotapê Jorge acha que a trilogia Brasil precisa de um reboot. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    [ssba url="http://www.republicadosbananas.com.br/rodrigo-maia-tem-cara-de-pum/"]

    É a minha Lua em fod*-se

    Uma praga assola a nação! Não, não estou falando da corrupção. Aliás, o brasileiro pouco se importa com isso. Nosso sonhoé ter um governo corrupto, mas eficiente. Daí o tesão que o povo sente pelo “Lula-ladrão-roubou-meu-coração” (o “rouba, mas faz” mandou lembranças).

    Não. A praga que atravanca nosso crescimento é a fé obtusa que esta geração desenvolveu pela astrologia. A astrologia é a religião dos millenials. É impossível entrar em uma conversa neste ano de 2017, principalmente com alguém ostentando um broche do “Fora, Temer!” no Bar Capivara às 3h da manhã, sem ouvir que mercúrio está retrógrado, ou que a culpa por fulano não ter telefonado no dia seguinte é de sua Lua em escorpião (“eu sou assim mesmo, pego e não me apego, porque meu planeta regente é Vênus, a deusa do amor”).

    Muito conveniente, não?

    Astrologia é um tipo diferente de fé, muito mais irritante. Eu jamais vou discutir com um cristão por ele achar que Deus, com sua voz de trovão, criou o mundo em seis dias (para depois ir tomar uma cervejinha e assistir ao Corinthians líder invicto do Brasileirão. Fun fact: o Corinthians já existia antes da criação do universo). Tampouco vou ficar pistola por alguém crer em Iansã, no grande e poderoso Alá, em Vishnu ou no Monstro do Macarrão. Fé é algo que não se discute.

    Mas quem acredita em horóscopo normalmente tem vergonha de ter fé. Ele é o mesmo que faz piadas sobre o atraso Bíblia, que acha os muçulmanos muito radicais. Que fica bravo como o meu Monstro do Macarrão. Como conciliar, então, sua crença? Como explicar que acredita que planetas a um bilhão e trezentos mil quilômetros da Terra são os responsáveis pelas patadas que dá no amigo? Fácil, basta apelar para a ciência. A ciência tudo resolve, e a pseudo-ciência, então! Pois se a gravidade influencia as marés (durd) e a maré é feita de água (dã), claro que vai influenciar o corpo humano, feito não sei quantos por cento de água (durp)!

    Vem cá, na moral: vocês são burros!?

    Não, amigos. A gravidade não funciona desta forma. De fato, o toilete em que você está sentado e lendo esta coluna exerce maior força gravitacional sobre você do que Netuno. No fim, há tanto de ciência na astrologia quanto é científico usar as mesmas meias desde que o Corinthians parou de perder em março, e toda esta história de Vênus em câncer não passa de mais uma desculpa para você ser um tremendo de um idiota.

    Mas não me peçam para lavar minhas meias da sorte.

    Jotapê Jorge é capricorniano, com ascendente em aquário e lua em gêmeos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    É a minha Lua em fod*-se

    Uma praga assola a nação! Não, não estou falando da corrupção. Aliás, o brasileiro pouco se importa com isso. Nosso sonhoé ter um governo corrupto, mas eficiente. Daí o tesão que o povo sente pelo “Lula-ladrão-roubou-meu-coração” (o “rouba, mas faz” mandou lembranças).

    Não. A praga que atravanca nosso crescimento é a fé obtusa que esta geração desenvolveu pela astrologia. A astrologia é a religião dos millenials. É impossível entrar em uma conversa neste ano de 2017, principalmente com alguém ostentando um broche do “Fora, Temer!” no Bar Capivara às 3h da manhã, sem ouvir que mercúrio está retrógrado, ou que a culpa por fulano não ter telefonado no dia seguinte é de sua Lua em escorpião (“eu sou assim mesmo, pego e não me apego, porque meu planeta regente é Vênus, a deusa do amor”).

    Muito conveniente, não?

    Astrologia é um tipo diferente de fé, muito mais irritante. Eu jamais vou discutir com um cristão por ele achar que Deus, com sua voz de trovão, criou o mundo em seis dias (para depois ir tomar uma cervejinha e assistir ao Corinthians líder invicto do Brasileirão. Fun fact: o Corinthians já existia antes da criação do universo). Tampouco vou ficar pistola por alguém crer em Iansã, no grande e poderoso Alá, em Vishnu ou no Monstro do Macarrão. Fé é algo que não se discute.

    Mas quem acredita em horóscopo normalmente tem vergonha de ter fé. Ele é o mesmo que faz piadas sobre o atraso Bíblia, que acha os muçulmanos muito radicais. Que fica bravo como o meu Monstro do Macarrão. Como conciliar, então, sua crença? Como explicar que acredita que planetas a um bilhão e trezentos mil quilômetros da Terra são os responsáveis pelas patadas que dá no amigo? Fácil, basta apelar para a ciência. A ciência tudo resolve, e a pseudo-ciência, então! Pois se a gravidade influencia as marés (durd) e a maré é feita de água (dã), claro que vai influenciar o corpo humano, feito não sei quantos por cento de água (durp)!

    Vem cá, na moral: vocês são burros!?

    Não, amigos. A gravidade não funciona desta forma. De fato, o toilete em que você está sentado e lendo esta coluna exerce maior força gravitacional sobre você do que Netuno. No fim, há tanto de ciência na astrologia quanto é científico usar as mesmas meias desde que o Corinthians parou de perder em março, e toda esta história de Vênus em câncer não passa de mais uma desculpa para você ser um tremendo de um idiota.

    Mas não me peçam para lavar minhas meias da sorte.

    Jotapê Jorge é capricorniano, com ascendente em aquário e lua em gêmeos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    [ssba]

    É a minha Lua em fod*-se

    É a minha Lua em fod*-se

    Uma praga assola a nação! Não, não estou falando da corrupção. Aliás, o brasileiro pouco se importa com isso. Nosso sonhoé ter um governo corrupto, mas eficiente. Daí o tesão que o povo sente pelo “Lula-ladrão-roubou-meu-coração” (o “rouba, mas faz” mandou lembranças).

    Não. A praga que atravanca nosso crescimento é a fé obtusa que esta geração desenvolveu pela astrologia. A astrologia é a religião dos millenials. É impossível entrar em uma conversa neste ano de 2017, principalmente com alguém ostentando um broche do “Fora, Temer!” no Bar Capivara às 3h da manhã, sem ouvir que mercúrio está retrógrado, ou que a culpa por fulano não ter telefonado no dia seguinte é de sua Lua em escorpião (“eu sou assim mesmo, pego e não me apego, porque meu planeta regente é Vênus, a deusa do amor”).

    Muito conveniente, não?

    Astrologia é um tipo diferente de fé, muito mais irritante. Eu jamais vou discutir com um cristão por ele achar que Deus, com sua voz de trovão, criou o mundo em seis dias (para depois ir tomar uma cervejinha e assistir ao Corinthians líder invicto do Brasileirão. Fun fact: o Corinthians já existia antes da criação do universo). Tampouco vou ficar pistola por alguém crer em Iansã, no grande e poderoso Alá, em Vishnu ou no Monstro do Macarrão. Fé é algo que não se discute.

    Mas quem acredita em horóscopo normalmente tem vergonha de ter fé. Ele é o mesmo que faz piadas sobre o atraso Bíblia, que acha os muçulmanos muito radicais. Que fica bravo como o meu Monstro do Macarrão. Como conciliar, então, sua crença? Como explicar que acredita que planetas a um bilhão e trezentos mil quilômetros da Terra são os responsáveis pelas patadas que dá no amigo? Fácil, basta apelar para a ciência. A ciência tudo resolve, e a pseudo-ciência, então! Pois se a gravidade influencia as marés (durd) e a maré é feita de água (dã), claro que vai influenciar o corpo humano, feito não sei quantos por cento de água (durp)!

    Vem cá, na moral: vocês são burros!?

    Não, amigos. A gravidade não funciona desta forma. De fato, o toilete em que você está sentado e lendo esta coluna exerce maior força gravitacional sobre você do que Netuno. No fim, há tanto de ciência na astrologia quanto é científico usar as mesmas meias desde que o Corinthians parou de perder em março, e toda esta história de Vênus em câncer não passa de mais uma desculpa para você ser um tremendo de um idiota.

    Mas não me peçam para lavar minhas meias da sorte.

    Jotapê Jorge é capricorniano, com ascendente em aquário e lua em gêmeos. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Mallu Magalhães me obriga a beber

    O Brasil não é para amadores. Temos uma das mais altas taxas de homicídio do mundo, o Estado é corrupto, o povo mal-educado, ninguém respeita as leis, o verão é muito quente e os apresentadores de talk-show são Danilo Gentilli, Fábio Porchat, Pedro Bial e Gregorio Duvivier. Mas nenhuma destas mazelas é tão grave quanto a praga da músiquinha-popularzinha-brasileirinha, uma versão pequenininha da MPB. E nenhuma das muitas artistas ruins do gênero é tão insuportável quanto Mallu Magalhães.

    Todos os dias quando eu olho no espelho tenho vontade de socar minha cara ao lembrar que Mallu Magalhães existe. Há muita gente sem talento neste mundo (céus, tem gente até que imita a Mallu Magalhães!), mas nenhuma sem talento é tão sem talento quanto a Mallu Magalhães. A moça é inodora, insipida e incolor. Ela é anódina, não diz nada a ninguém. Suas músicas são um esforço zero, uma lástima. Sua música nasceu para ser tocada em elevadores.

    Mesmo assim Mallu Magalhães conseguiu enfurecer o povo do você-praça-acho-graça — o que para ela foi uma burrice imensa, pois só essa gente que bate palma para o sol para gostar de Navegador. Aparentemente o pecado maior de Mallu Magalhães não é o seu violãozinho, sua vozinha, seu telentinho-inho. Não. Ela é culpada de um pecado muito maior: a apropriação cultural. Mallu botou dançarinos negros em seu clipe, o que aparentemente é análogo à escravidão.

    Meu Deus do céu!

    É impressionante que alguém se ofenda com Mallu Magalhães. A moça de cara de sonsa, música de sonsa e com fãs sonsos só não é mais inofensiva que uma brisa leve de verão. Nada pode ser menos pujante que Mallu Magalhães e suas músicas compostas por um computador — pois é impossível que um ser orgânico seja capaz de escrever “Sambinha bom/ É esse que traz de volta/ Que é só tocar/ Que logo você quer voltar”. Mallu Magalhães não ofende porque morre de medo de ofender. Tchubaruba, seu primeiro grande “sucesso” (tente ler isso sem dar uma risada, eu o desafio) é a maior prova disso: a cantora foi incapaz de escolher para o refrão uma palavra que existe na língua portuguesa. Afinal, vai que alguém encontre um duplo sentido, não é mesmo?

    Mas a surra que levou do movimento negro fez Mallu Magalhães acordar. Parece que a moça está querendo dar uma guinada na sua carreira, e embora tenha respondido aos primeiros gritos de “racista!” com um “nunca, de forma alguma, de maneira nenhuma, poderia sequer um dia pensar em não ter um pensamento bom”, se rebelou e mandou o recado: foi a um programa de TV e tocando três acordes dedicou uma “música” para quem “acha que branco não pode tocar samba”.

    Mallu, você não entendeu nada. Branco pode tocar samba, sim, mas precisa primeiro ter talento.

    Jotapê Jorge nunca ouviu Tchubaruba . Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

    Mallu Magalhães me obriga a beber

    O Brasil não é para amadores. Temos uma das mais altas taxas de homicídio do mundo, o Estado é corrupto, o povo mal-educado, ninguém respeita as leis, o verão é muito quente e os apresentadores de talk-show são Danilo Gentilli, Fábio Porchat, Pedro Bial e Gregorio Duvivier. Mas nenhuma destas mazelas é tão grave quanto a praga da músiquinha-popularzinha-brasileirinha, uma versão pequenininha da MPB. E nenhuma das muitas artistas ruins do gênero é tão insuportável quanto Mallu Magalhães.

    Todos os dias quando eu olho no espelho tenho vontade de socar minha cara ao lembrar que Mallu Magalhães existe. Há muita gente sem talento neste mundo (céus, tem gente até que imita a Mallu Magalhães!), mas nenhuma sem talento é tão sem talento quanto a Mallu Magalhães. A moça é inodora, insipida e incolor. Ela é anódina, não diz nada a ninguém. Suas músicas são um esforço zero, uma lástima. Sua música nasceu para ser tocada em elevadores.

    Mesmo assim Mallu Magalhães conseguiu enfurecer o povo do você-praça-acho-graça — o que para ela foi uma burrice imensa, pois só essa gente que bate palma para o sol para gostar de Navegador. Aparentemente o pecado maior de Mallu Magalhães não é o seu violãozinho, sua vozinha, seu telentinho-inho. Não. Ela é culpada de um pecado muito maior: a apropriação cultural. Mallu botou dançarinos negros em seu clipe, o que aparentemente é análogo à escravidão.

    Meu Deus do céu!

    É impressionante que alguém se ofenda com Mallu Magalhães. A moça de cara de sonsa, música de sonsa e com fãs sonsos só não é mais inofensiva que uma brisa leve de verão. Nada pode ser menos pujante que Mallu Magalhães e suas músicas compostas por um computador — pois é impossível que um ser orgânico seja capaz de escrever “Sambinha bom/ É esse que traz de volta/ Que é só tocar/ Que logo você quer voltar”. Mallu Magalhães não ofende porque morre de medo de ofender. Tchubaruba, seu primeiro grande “sucesso” (tente ler isso sem dar uma risada, eu o desafio) é a maior prova disso: a cantora foi incapaz de escolher para o refrão uma palavra que existe na língua portuguesa. Afinal, vai que alguém encontre um duplo sentido, não é mesmo?

    Mas a surra que levou do movimento negro fez Mallu Magalhães acordar. Parece que a moça está querendo dar uma guinada na sua carreira, e embora tenha respondido aos primeiros gritos de “racista!” com um “nunca, de forma alguma, de maneira nenhuma, poderia sequer um dia pensar em não ter um pensamento bom”, se rebelou e mandou o recado: foi a um programa de TV e tocando três acordes dedicou uma “música” para quem “acha que branco não pode tocar samba”.

    Mallu, você não entendeu nada. Branco pode tocar samba, sim, mas precisa primeiro ter talento.

    Jotapê Jorge nunca ouviu Tchubaruba . Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    Mallu Magalhães me obriga a beber

    O Brasil não é para amadores. Temos uma das mais altas taxas de homicídio do mundo, o Estado é corrupto, o povo mal-educado, ninguém respeita as leis, o verão é muito quente e os apresentadores de talk-show são Danilo Gentilli, Fábio Porchat, Pedro Bial e Gregorio Duvivier. Mas nenhuma destas mazelas é tão grave quanto a praga da músiquinha-popularzinha-brasileirinha, uma versão pequenininha da MPB. E nenhuma das muitas artistas ruins do gênero é tão insuportável quanto Mallu Magalhães.

    Todos os dias quando eu olho no espelho tenho vontade de socar minha cara ao lembrar que Mallu Magalhães existe. Há muita gente sem talento neste mundo (céus, tem gente até que imita a Mallu Magalhães!), mas nenhuma sem talento é tão sem talento quanto a Mallu Magalhães. A moça é inodora, insipida e incolor. Ela é anódina, não diz nada a ninguém. Suas músicas são um esforço zero, uma lástima. Sua música nasceu para ser tocada em elevadores.

    Mesmo assim Mallu Magalhães conseguiu enfurecer o povo do você-praça-acho-graça — o que para ela foi uma burrice imensa, pois só essa gente que bate palma para o sol para gostar de Navegador. Aparentemente o pecado maior de Mallu Magalhães não é o seu violãozinho, sua vozinha, seu telentinho-inho. Não. Ela é culpada de um pecado muito maior: a apropriação cultural. Mallu botou dançarinos negros em seu clipe, o que aparentemente é análogo à escravidão.

    Meu Deus do céu!

    É impressionante que alguém se ofenda com Mallu Magalhães. A moça de cara de sonsa, música de sonsa e com fãs sonsos só não é mais inofensiva que uma brisa leve de verão. Nada pode ser menos pujante que Mallu Magalhães e suas músicas compostas por um computador — pois é impossível que um ser orgânico seja capaz de escrever “Sambinha bom/ É esse que traz de volta/ Que é só tocar/ Que logo você quer voltar”. Mallu Magalhães não ofende porque morre de medo de ofender. Tchubaruba, seu primeiro grande “sucesso” (tente ler isso sem dar uma risada, eu o desafio) é a maior prova disso: a cantora foi incapaz de escolher para o refrão uma palavra que existe na língua portuguesa. Afinal, vai que alguém encontre um duplo sentido, não é mesmo?

    Mas a surra que levou do movimento negro fez Mallu Magalhães acordar. Parece que a moça está querendo dar uma guinada na sua carreira, e embora tenha respondido aos primeiros gritos de “racista!” com um “nunca, de forma alguma, de maneira nenhuma, poderia sequer um dia pensar em não ter um pensamento bom”, se rebelou e mandou o recado: foi a um programa de TV e tocando três acordes dedicou uma “música” para quem “acha que branco não pode tocar samba”.

    Mallu, você não entendeu nada. Branco pode tocar samba, sim, mas precisa primeiro ter talento.

    Jotapê Jorge nunca ouviu Tchubaruba . Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler.

     

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    O Wagner Moura só fala m*rda

    O Wagner Moura é o melhor ator brasileiro desta geração. Não que isso queira dizer muita coisa. Afinal, esta geração pariu Selton Mello. O que quero dizer é que gosto de Wagner Moura: Tropa de Elite é um dos poucos filmes brasileiros que não odeio, e legitimamente gostei de  Narcos. Só que isso não muda o fato de o Wagner Moura só falar merda.

    É impressionante. Wagner Moura consegue se colocar sempre no lugar errado do discurso político. É como se, dada a situação, ele pensasse: “Como posso me enganar?” Adotei-o, assim, como bússola: se Wagner Moura diz que é azul, pode ter certeza que é vermelho, se Wagner Moura diz que Lula é honesto, pode mandar prender.

    Se você quiser se inteirar sobre os acontecimentos políticos do Brasil e, de quebra, se posicionar sem risco de errar, basta olhar para o Wagner Moura. Diabo! Basta olhar para quase qualquer ator brasileiro. Ator nacional acha que sabe de tudo, de política econômica a pena que poucos saibam atuar.

    Pois este adorável trapalhão está agora de bandeira na mão marchando pela tal “Diretas, Já!”. Engraçado. A mesma gente que gritou  esgoelada “golpe!”, agora grita pela maior ruptura institucional do Brasil desde que o Fernando Henrique Cardoso comprou uma reeleição (sim, você leu o que eu escrevi).  Pior, Moura e outros desta turba, a galerinha do “arte engajada” e do : você-praça-acho-graça”,  não levantaram sequer um dedo para falar sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, que pode defenestrar ambos os piores presidentes da história deste país (sim, você leu o que eu escrevi). Afinal, o importante não é o golpe, mas a narrativa e…

    O que, a Rachel Sheherazade disse o quê? Ela está curtindo e compartilhando este post? Meu Deus

    Notícias de última hora. Aparentemente a Rachel Sheherazade, aquela do “o nazismo foi o PT da Alemanha”, também acha que o Wagner Moura é bobalhão. Meu Deus, o Wagner Moura é burro, mas a Rachel Sheherazade é burra de dar dó. Ah, Brasil! Por que raios você me faz concordar com esse tipo gente? Com a Rachel Sheherazade? Reinaldo Azevedo? Danilo Gentili!? Pois é, a moda agora no Congresso é culpar o panaca do Danilo Gentili por todas as mazelas deste país, como se um humorista de churrasco pudesse fazer pior que, bem, um presidente de churrasco como foi o Lula (sim, você leu o que eu escrevi).

    A realidade é que o Brasil não é o país onde puta goza, traficante cheira e pobre vota na direita. O Brasil é o país onde ator vira ativista político, jornalista vira ativista político, humorista vira ativista político e ativista político vira lobista de empreiteira.

    Não podia dar certo.

    Jotapê Jorge fala tanta merda quanto o Wagner Moura. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

    O Wagner Moura só fala m*rda

    O Wagner Moura é o melhor ator brasileiro desta geração. Não que isso queira dizer muita coisa. Afinal, esta geração pariu Selton Mello. O que quero dizer é que gosto de Wagner Moura: Tropa de Elite é um dos poucos filmes brasileiros que não odeio, e legitimamente gostei de  Narcos. Só que isso não muda o fato de o Wagner Moura só falar merda.

    É impressionante. Wagner Moura consegue se colocar sempre no lugar errado do discurso político. É como se, dada a situação, ele pensasse: “Como posso me enganar?” Adotei-o, assim, como bússola: se Wagner Moura diz que é azul, pode ter certeza que é vermelho, se Wagner Moura diz que Lula é honesto, pode mandar prender.

    Se você quiser se inteirar sobre os acontecimentos políticos do Brasil e, de quebra, se posicionar sem risco de errar, basta olhar para o Wagner Moura. Diabo! Basta olhar para quase qualquer ator brasileiro. Ator nacional acha que sabe de tudo, de política econômica a pena que poucos saibam atuar.

    Pois este adorável trapalhão está agora de bandeira na mão marchando pela tal “Diretas, Já!”. Engraçado. A mesma gente que gritou  esgoelada “golpe!”, agora grita pela maior ruptura institucional do Brasil desde que o Fernando Henrique Cardoso comprou uma reeleição (sim, você leu o que eu escrevi).  Pior, Moura e outros desta turba, a galerinha do “arte engajada” e do : você-praça-acho-graça”,  não levantaram sequer um dedo para falar sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, que pode defenestrar ambos os piores presidentes da história deste país (sim, você leu o que eu escrevi). Afinal, o importante não é o golpe, mas a narrativa e…

    O que, a Rachel Sheherazade disse o quê? Ela está curtindo e compartilhando este post? Meu Deus

    Notícias de última hora. Aparentemente a Rachel Sheherazade, aquela do “o nazismo foi o PT da Alemanha”, também acha que o Wagner Moura é bobalhão. Meu Deus, o Wagner Moura é burro, mas a Rachel Sheherazade é burra de dar dó. Ah, Brasil! Por que raios você me faz concordar com esse tipo gente? Com a Rachel Sheherazade? Reinaldo Azevedo? Danilo Gentili!? Pois é, a moda agora no Congresso é culpar o panaca do Danilo Gentili por todas as mazelas deste país, como se um humorista de churrasco pudesse fazer pior que, bem, um presidente de churrasco como foi o Lula (sim, você leu o que eu escrevi).

    A realidade é que o Brasil não é o país onde puta goza, traficante cheira e pobre vota na direita. O Brasil é o país onde ator vira ativista político, jornalista vira ativista político, humorista vira ativista político e ativista político vira lobista de empreiteira.

    Não podia dar certo.

    Jotapê Jorge fala tanta merda quanto o Wagner Moura. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

    [ssba]

    O Wagner Moura só fala m*rda

    O Wagner Moura é o melhor ator brasileiro desta geração. Não que isso queira dizer muita coisa. Afinal, esta geração pariu Selton Mello. O que quero dizer é que gosto de Wagner Moura: Tropa de Elite é um dos poucos filmes brasileiros que não odeio, e legitimamente gostei de  Narcos. Só que isso não muda o fato de o Wagner Moura só falar merda.

    É impressionante. Wagner Moura consegue se colocar sempre no lugar errado do discurso político. É como se, dada a situação, ele pensasse: “Como posso me enganar?” Adotei-o, assim, como bússola: se Wagner Moura diz que é azul, pode ter certeza que é vermelho, se Wagner Moura diz que Lula é honesto, pode mandar prender.

    Se você quiser se inteirar sobre os acontecimentos políticos do Brasil e, de quebra, se posicionar sem risco de errar, basta olhar para o Wagner Moura. Diabo! Basta olhar para quase qualquer ator brasileiro. Ator nacional acha que sabe de tudo, de política econômica a pena que poucos saibam atuar.

    Pois este adorável trapalhão está agora de bandeira na mão marchando pela tal “Diretas, Já!”. Engraçado. A mesma gente que gritou  esgoelada “golpe!”, agora grita pela maior ruptura institucional do Brasil desde que o Fernando Henrique Cardoso comprou uma reeleição (sim, você leu o que eu escrevi).  Pior, Moura e outros desta turba, a galerinha do “arte engajada” e do : você-praça-acho-graça”,  não levantaram sequer um dedo para falar sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, que pode defenestrar ambos os piores presidentes da história deste país (sim, você leu o que eu escrevi). Afinal, o importante não é o golpe, mas a narrativa e…

    O que, a Rachel Sheherazade disse o quê? Ela está curtindo e compartilhando este post? Meu Deus

    Notícias de última hora. Aparentemente a Rachel Sheherazade, aquela do “o nazismo foi o PT da Alemanha”, também acha que o Wagner Moura é bobalhão. Meu Deus, o Wagner Moura é burro, mas a Rachel Sheherazade é burra de dar dó. Ah, Brasil! Por que raios você me faz concordar com esse tipo gente? Com a Rachel Sheherazade? Reinaldo Azevedo? Danilo Gentili!? Pois é, a moda agora no Congresso é culpar o panaca do Danilo Gentili por todas as mazelas deste país, como se um humorista de churrasco pudesse fazer pior que, bem, um presidente de churrasco como foi o Lula (sim, você leu o que eu escrevi).

    A realidade é que o Brasil não é o país onde puta goza, traficante cheira e pobre vota na direita. O Brasil é o país onde ator vira ativista político, jornalista vira ativista político, humorista vira ativista político e ativista político vira lobista de empreiteira.

    Não podia dar certo.

    Jotapê Jorge fala tanta merda quanto o Wagner Moura. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Brasil que deu certo

    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

    O Brasil que deu certo

    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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    O Brasil que deu certo

    O Brasil que deu certo

    Já cheguei a acreditar que a democracia tinha falhado no Brasil. Ledo engano! O Brasil revolucionou a ideia de democracia, e esta nova ideologia, mais brejeira, mais inzoneira, com um tiquinho assim de caribó, está hoje espalhada pelos quatro cantos do mundo. Basta olhar para cima. Não, não para o céu, seu coió. Mas para o “grande satã” dos Estados Unidos da América.

    A democracia brasileira é ganha no grito. Nada surpreendente, afinal, o grito é a primeira língua do brasileiro (a segunda é o português). Na arena democrática brasileira pouco importam coisas como a verdade, o senso crítico, o bem do país. O que importa é gritar mais alto. “Eia, eia, eia, quero Lula na cadeia” ou “Lula, ladrão, roubou meu coração!” Berro! Onde você viu algo parecido recentemente? Ora, pois, nas eleições norte-americanas! Depois de 200 anos de pleitos relativamente tranquilos, a disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump foi vencida literalmente no grito, com o agente laranja berrando coisas desconexas sobre muros, Estado Islâmico e quetais.

    Na democracia brasileira os fatos pouco importam. Basta ver o Lula, que há uns 10 anos aparece no noticiário com a proverbial boca na botija. E ainda que pareça claro que o maior brasileiros de todos os tempos preferiu ser lobista de empreiteira na África e de frigorífico nos Estados Unidos, basta ele subir num palanque e dizer que “as elite não querem pobre em avião” que a gente se derrete todo. Parece até um certo rapaz de pirucón amarelo, que grita “fake news!” e manda embora procurador da República com pouca ou nenhuma repercussão.

    A democracia brasileira não é lá muito democrática. Pois logo depois da vitória de Dilma Rousseff (e é sempre bom lembrar que nós vivemos num país em que Dilma Rousseff venceu eleições) já tinha gente nas ruas pedindo o impeachment. Este, claro, não foi um caso isolado. Pediram o mesmo para Lula, FHC e Collor, e já pediam para Temer mesmo antes que algo o comprometesse. No futuro (se houver) provavelmente vão pedir para os próximos presidentes do Brasil. Pois nos EUA, no minuto seguinte da vitória de Trump no Colégio Eleitoral, millennials invadiram as ruas aos gritos faniquentos de “not my president!”

    A democracia à brasileira já contaminou os EUA e ameaça seriamente a integridade de outros países. A única solução é uma quarentena. Proponho que os brasileiros fiquem impedidos de viajar para a gringa por ao menos 10 anos, porque pelo jeito esse nosso “jeitinho” pega.

    Jotapê Jorge é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Ele escreve por aqui toda a sexta (quando não esquece), no Twitter todos os dias e tem um livro que você deveria ler

     

     

     

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